Divergent of CIA
6 Infeliz ocorrido
Notas iniciais
Tris
Volto para casa ainda assimilando o que acabou de acontecer. Tobias me beijou e eu não consegui resistir. Não posso misturar as coisas e estragar tudo. Então usarei isso a meu favor. Mas não acho justo, estou extremamente confusa com o que fazer. Tobias faz despertar sentimentos em mim que até então eram desconhecidos.
Deito-me e me enrolo nas cobertas. Sou inundada pelos meus próprios pensamentos e lentamente caio no sono.
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Acordei de ótimo humor hoje. Estou em minha sala na Gold&Silver fazendo as tarefas o mais rápido possível, como sempre. Antes de chegar na empresa enviei um relatório para a CIA com as informações sobre o primeiro dia e algumas coisas que Tobias havia me contado. Eu estava me sentindo culpada por ter feito isso, mas era necessário.
O telefone toca e eu atendo.
– Gold&Silver setor financeiro, Beatrice, bom dia.
– Beatrice, por gentileza venha até minha sala. — era Tobias.
– Claro. — digo apenas.
Saio da sala e vou em direção a dele, no caminho vejo Uriah e Zeke e comprimento-os. Nossa, eles realmente são MUITO parecidos.
Chego na sala de Tobias e bato, ele grita um "Pode entrar" e eu entro. Ele estava de terno preto, gravata azul e camisa branca. Ao me ver esboçou um pequeno sorriso.
– Bom dia Beatrice, como você deve saber hoje teremos uma reunião as 11:00 a.m. — ele diz formalmente. — Preciso que você anote tudo que for dito, para nos repassarmos depois.
– Certo. — digo secamente. — Algo mais?
– Não, está dispensada.
Assinto com a cabeça e saio de sua sala. Fico me perguntando como ele consegue ser assim. Parece que Quatro é uma pessoa e Tobias é outra. Talvez ele tenha transtorno de personalidade, ou algo do tipo.
A reunião ocorreu bem, foram apontados os gastos da empresa, prestei atenção em tudo e anotei conforme ele havia me pedido. Levei uma escuta comigo, achei que a CIA iria achar interessante ouvir essa reunião. Memorizei o rosto de cada um presente e evitei encarar Quatro que fazia o mesmo comigo.
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Os dias passaram-se tranquilos na Gold&Silver, ainda não vi nada muito suspeito com contrabando de jóias e muito menos sei quem é o dono da empresa, mas sempre que conseguia informações eu enviava um relatório informando a CIA. Hoje teremos a primeira reunião depois de sermos infiltrados na empresa. Exatamente duas semanas após o nosso primeiro dia.
Duas semanas após eu e Tobias termos ido até aquele café. As coisas entre nós estavam do mesmo jeito, as palavras mais gentis que trocávamos eram "bom dia" e "boa tarde". Ele não havia me mandado mais nenhum bilhete marcando algo e agradeço por isso. Sempre que podia me evitava e nossos assuntos eram estritamente profissionais.
Chego na CIA as 3:00 da manhã, as reuniões eram sempre marcadas pela madrugada para evitar totalmente suspeitas. Me dirijo até a sala da NCS, que era o nosso setor. Chegando lá estavam todos aguardando a mim e a Al que não havia chegado ainda. Exatamente dois minutos depois lá estava ele e deu-se início a reunião.
Johanna começou falando que pelos relatórios que nós tínhamos enviado a ela, não tinha nada muito importante, apenas deu uma certa importância para a reunião em que eu estive presente (e a CIA também).
– Eu quero que vocês se aproximem ainda mais de seus suspeitos, as informações que vocês tem são poucas, coisas que qualquer um que conversasse com eles teria. E vocês são mais que isso. — Johanna faz uma pausa, ela aparentava estar extremamente cansada. -Principalmente você Tris. Quatro apesar de pouco tempo na empresa parece ser um grande influente e de muita importância. Então faça o que for necessário. — ela finaliza me fitando.
Realmente disso eu estava ciente. Eu havia subestimado a importância de Quatro pelo seu tempo na empresa e acabei me enganando. Ele tinha a confiança de grande parte da empresa e todos o viam de uma forma positiva, infelizmente (principalmente) eu.
– Aliás, você não descobriu nada sobre o nome dele ainda? — diz Johanna mais uma vez com a atenção focada em mim.
Travo uma batalha interna com essa pergunta. Ele havia me confessado que revelava seu nome para poucas pessoas e confidenciou ele para mim assim que nos conhecemos por ter se sentindo a vontade para fazer isso. Esse gesto — por mais estranho que fosse — fez com que eu me sentisse de uma forma importante e até especial. Era um segredo dele, um segredo que ele queria que eu guardasse.
– Não. — digo firmemente tentando soar o mais convincente possível — Quatro não é muito receptivo.
O que de fato era verdade. Quatro não era nada receptivo, era tão acessível como uma cama de pregos. Christina me olha com os olhos arregalados e me dou conta que ela conheceu Quatro na mesma noite que eu e eu apresentei-o a ela como Tobias. Encaro-a tentando passar uma mensagem visual e mentalmente, algo do tipo "não estrague tudo querida". Ela parece entender e faz mais que isso. Ela distrai todos. Começa a falar de Tori Wu e de como ela tinha todo o perfil de ser a dona da empresa, mas que infelizmente não havia conseguido muitas informações porque Tori era muito requisitada no setor e que foi difícil ter contato direto.
Assim que Chris terminou de falar sobre Tori, Al começou a falar sobre Evelyn e que ela também tinha perfil para ser a dona da empresa, para ser mais exato para ser uma líder, disse também que até imaginava ela ligada com o contrabando de jóias.
– Bom então vamos ficar com os olhos bem abertos com essa Evelyn. — disse Johanna e todos concordamos.
A reunião durou uma hora e antes de ela ser finalizada resolvi compartilhar uma observação que eu havia feito com os meus colegas.
– Vocês perceberam que cada em cada setor tem funcionários com um tipo de personalidade? — digo mas vejo que ninguém entendeu direito. — Quer dizer, Tori, Jeanine e Evelyn são do mesmo setor e tem todos os quesitos para serem donas da empresa. Max e Cara são extremamente inteligentes e são do mesmo setor. — faço uma pausa e rapidamente continuo. — Quatro e Zeke parecem ser as pessoas dignas de confiança e novamente trabalham juntos — explico-me.
Todos parecem estar pensando no que acabei de dizer e concordam com a cabeça.
– É verdade Tris, talvez isso não seja uma mera coincidência. — diz Will, ele era extremamente inteligente também. — Acho que pode ser proposital para distrair.
– Distrair do que? — pergunta Lynn.
– De saber quem é o dono da Gold&Silver. — finalizo. Will me olha e sorri como se eu tivesse lido sua mente.
Mais uma vez todos assentiram com a cabeça concordando.
– Bom nossa reunião foi mais produtiva do que eu imaginava. Vocês receberão um aviso sobre o dia da próxima e horário. — Johanna nos lança um sorriso encorajador- Estão dispensados.
Fomos saindo aos poucos de dentro da sala e espero Chris no lado de fora. Quando ela me enxerga ela abre um sorriso enorme e me abraça.
– Tris, que saudade! — Chris nunca escondia suas emoções, admirava muito isso nela, já que eu sou totalmente diferente.
– Senti sua falta também Chris. — digo retribuindo o sorriso.
– Bom acho que nos temos muito o que conversar. — infelizmente ela também era muito curiosa.
– Sim. — digo revirando os olhos. — Sabe que durante as missões nos não podemos nos encontrar.
– Sei, mas como não gosto muito de regras, sexta as duas da manhã estou batendo na sua porta. — diz ela alegremente. — Prometo que ninguém vai me ver.
– Ta bom Chris, sei que não adianta nem discutir contigo. — sorrio para ela
– Ainda bem que você sabe.
Me despeço de Christina e vou em direção ao meu carro, verifico para ver se não tem ninguém por perto antes de sair do prédio e vejo que as ruas de Chicago estavam desertas. Entro no carro e quando vou fechar a porta ouço disparos. Um, dois, três. Automaticamente pego minha arma no porta luvas e saio correndo em direção ao som dos tiros.
Vou o mais rápido que posso e ao chegar no local vejo um corpo coberto por sangue no chão e um homem com roupas pretas e rosto coberto correndo em direção ao beco próximo da rua. Por instinto passo direto pelo corpo e corro atrás do homem, miro em sua perna e atiro mas ele se esquiva, miro mais uma vez e acerto seu ombro, ele grita de dor mas não para, pelo contrário muda de direção e vai para o lado contrário ao beco, ele olha para trás e dispara em minha direção errando por pouco, disparo mais algumas vezes até que perco o de vista. Fico parada olhando para o nada alguns instantes tentando assimilar tudo que havia ocorrido até que lembro do homem que foi baleado.
Próximo do local onde está o homem vejo Christina e Will abraçados, ela estava chorando. Do lado deles estava Uriah parado com uma expressão de espanto no rosto e Johanna no telefone. Só quando estou perto o suficiente percebo de quem é o corpo que está no chão coberto de sangue. Al.
– Avisei a CIA sobre o ocorrido, eles já mandaram equipes atrás do suspeito e a ambulância já está a caminho. — diz Johanna com a voz engasgada.
Estou completamente em choque, sinto as lágrimas brotando em meu rosto e não faço questão nenhuma de contê-las. Al e eu sempre fomos bastante proximos, ele sempre era cuidadoso e realmente se importava comigo e eu com ele. As vezes me ligava só para saber como eu estava e agora ele estava ali, naquele estado. Uriah ao ver minha situação caminha silenciosamente ate mim e abraça-me me confortando.
– Porque tinha que ser com ele? — digo entre lágrimas.
– Não sei, mas vou fazer de tudo para descobrir. — Uriah tentava parecer calmo, por mais triste que sua voz soasse.
– Shauna e Lynn já sabem? — pergunto.
– Acho que Johanna deve ter avisado. Elas foram as primeiras a sair, por isso não ouviram os tiros. — responde ele distraído. — Vem, eu te levo pra casa.
– Obrigada Uri, não estou em condições de dirigir mesmo. Mas e o meu carro? Preciso dele pra ir pra Gold amanhã.
– Levo você no seu. Vim de carona com o Will até aqui, quando chegarmos lá pego um taxi e vou pra casa.
Assinto com a cabeça e vamos em direção ao meu carro. O caminho foi silencioso, não falamos nada, os dois estavam tristes demais para isso. Eu estava perdida nos meus pensamentos, deixando as lágrimas escorrerem. Quando chegamos no prédio, Uriah entrou na minha vaga de garagem e estacionou o carro. Depois me acompanhou até o elevador, veio em minha direção e me abraçou. Não me contive e comecei a chorar que feito uma criança.
– Fique por favor. — disse entre soluços. — Vou me sentir melhor se souber que não estou sozinha dentro de casa.
Por um momento esqueci completamente do ocorrido na festa, da tentativa de ter algo além de amizade comigo e me arrependo do convite.
– Claro Tris, não se preocupe. — ele responde sem qualquer indício de malícia ou algo mais em sua voz, apenas tristeza.
Fomos para meu apartamento. Uriah não era um estranho lá, ele já tinha ido algumas vezes, mas nunca sozinho. Eram quase 5 da manhã e teríamos que acordar as 7 para ir a empresa.
– Algo me diz que o dia vai ser cansativo amanhã. — diz Uriah entre um bocejo. — A melhor forma de esquecer o que aconteceu hoje é dormindo. — ao dizer isso ele deita no sofá e sorri para mim, é ótimo ter meu amigo de volta.
– O sofá vira uma cama de casal e é bem confortável Uri — digo. — Vou pegar as roupas de cama, você sabe onde fica o banheiro, então pode ficar a vontade, tá bom?
– Ja estou a vontade Tris. — ele fala rindo e realmente estava.
Levo as roupas de cama para ele e o ajudo a arrumar. Depois sigo para o quarto e entro no meu banheiro. Tomo um banho rápido, tentando deixar todas as coisas horríveis que aconteceram hoje irem embora com junto com a água.
Deito-me e pela primeira vez em duas semanas não sonho com os olhos azuis escuros, mas sim com Al e seu terrível fim.
Acordo assustada, parece que dormi apenas cinco minutos. Estou um lixo, com o rosto inchado de tanto chorar. Vou para a sala e acordo Uriah.
– Vamos, está na hora. — digo.
– Hoje eu queria estar de folga. — diz ele sonolento.
– Eu também, mas vai ser bom para nos distrairmos.
Ele concorda e com muito esforço levanta. Nos arrumamos rapidamente e saímos em direção a Gold&Silver. No caminho decidimos passar na Starbucks para pegar um café. Viemos conversando, tentando distrair um ao outro. Uriah não estava alegre, fazendo piadas como sempre. Mas estava fazendo o máximo para esquecer o ocorrido e eu precisava fazer o mesmo.
– E você e Zeke se dão bem? — pergunto
– Nossa Tris, você não tem noção! Parece que nós nos conhecemos a anos. — ele fala e sinto animação em sua voz. — E você e Quatro?
Sinto um arrepio ao ouvir aquele nome. Estive tão ocupada com os acontecimentos que por um momento acabei esquecendo dele. Só por um momento mesmo.
– Ele é aquilo que eu disse na reunião Uri, bem fechado.
– Hmm sei. — ele respondeu rindo.
Conversamos mais um pouco até chegarmos na Gold, Uriah conseguiu cumprir o objetivo, me distraindo completamente. Saímos do carro e ele faz mais uma de suas piadas, voltando ao seu estado normal.
– Idiota. — falo rindo bastante alto e empurro de leve seu ombro.
De repente vejo-o em minha frente. Meu riso transforma-se em uma careta ao ver sua expressão. Ele olhou primeiro para mim espantado, talvez pelo meu estado de luto e depois olhou para Uriah, com desprezo, raiva. Ficou por um tempo assim, apenas nos encarando, até que Uriah resolveu quebrar o silêncio.
– Bom dia Quatro. — ele diz formalmente e Quatro apenas acenou com a cabeça. — Bom Beatrice, vou indo, se precisar de mim é só ligar. — e me deu um beijo no rosto e caminhou em direção ao elevador.
Quatro havia ficado seriamente incomodado com aquela cena, a raiva transbordava em seu semblante.
– Bom saber que minha assistente se da melhor com o restante dos funcionários do que com o próprio chefe. — Quatro diz friamente, sem me olhar nos olhos.
– Talvez seja pelo fato de eu ter um chefe totalmente bipolar, que uma hora quer me conhecer melhor e na outra prefere evitar totalmente minha companhia. — rebato, olhando fixamente para ele.
Ele pareceu em choque com a minha resposta e era exatamente isso que eu queria que ele sentisse.
– Isso não justifica o fato de ele ter seu número e eu não. — sussurrou perto o suficiente de mim.
Meu corpo tremeu em resposta as palavras dele. Eu já tinha o número dele salvo, fiz isso no primeiro dia na empresa. Peguei meu celular e digitei uma mensagem para o contato "Tobias/Quatro/Chefe".
"Agora você já tem, beijos Tris."
Ele olhou para o celular como se estivesse esperando isso, caminhamos juntos até o elevador sem falar nada e fomos em silêncio até a minha sala, ele sorriu para mim e foi em direção a sua. Meu celular vibra com uma mensagem.
"Melhor assim, que você tenha um ótimo dia Srta. Prior. <4"
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