Distantes

18 Capítulo 17 - Sentimentos Diversos


Notas iniciais
Meus amores, desculpem-me a demora... Juro que estava fora do meu controle essa vida OFF... mas espero compensá-los pela espera... Beijos e Boa Leitura!!!

Enquanto Sofia dava instruções sobre concentração e controle a Urias, Filip não tirava os olhos de seus longos cabelos negros. Sentado estrategicamente do lado oposto a sua irmã, notou quando esta deixou o espaço sem dizer nada. Mas tão pouco ele se preocuparia com isso — ela já havia lhe dado provas suficientes que sabia se defender sozinha poucas horas atrás. Sorrindo de lado, descia o olhar pelas costas da morena até sua parte favorita: quando os cabelos chegavam ao bumbum com um corte reto perfeito. Ela vestia um short de tactel florido amarelo e branco e uma camiseta branca lisa, que realçava mais ainda o contraste de cor das escuras madeixas.

Toda vez que ela se movia, seus cabelos faziam uma dança suave, acariciando aquela bela porção de carne. "Será que ela tem alguma ideia do quanto é bonita? Não só gostosa, mas bonita mesmo! Do tipo que se apresenta aos pais...”, seus pensamentos só foram interrompidos quando a moça decidiu levantar um pouco os cabelos para aproveitar a brisa que passava. Filip ficava hipnotizado por cada movimento que ela fazia, e num breve momento, notou um desenho escuro em seu pescoço, logo abaixo dos cabelos. Curioso, levantou-se excitado para saber o que aquela garota linda havia tatuado no pescoço.

Porém, de repente ficou serio. Mudou de ideia e decidiu entrar na casa. "Mas que ideia ridícula... Aquela mulher não é uma adolescente estúpida como todas que correm atrás de você, Filip. Ela parece jovem mas é mais experiente que todas as outras juntas . E você não é nada para ela... Invisível. Você é invisível." Se censurava mentalmente com raiva, enquanto marchava a passos firmes na direção da casa, mas não percebeu o par de olhos castanhos debaixo de uma franja negra que o seguiam até sumir dentro da mansão.

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— Onde vai com essa carranca toda menino? — Lucia o surpreende quando entra na casa, mais exatamente na cozinha, pela varanda que dá na piscina.

— Não precisa interpretar mais para mim, Marte. Já sei quem você é, lembra? — Filip retruca sem esconder a amargura da voz. Ele estava magoado. Se sentia traído, enganado. E queria ter certeza que ela entenderia isso.

Lucia se acanha. Parece realmente envergonhada. O que amolece um pouco o coração de Filip. Mas ele não quer deixar transparecer que se importa. Então tenta se manter firme e a encara esperando o que dirá em seguida.

— Filip, meu filho. Ainda sou eu. A mulher que prepara bolo de chocolate pra você e leva na escola. A mesma que trafica café fresquinho da sala dos professores. A que te fornece a senha do WiFi da secretaria toda semana... Sou eu menino. Eu não fingia que me importo. Eu me importo...

Filip deu um sorriso encabulado ao lembrar as travessuras que a mulher já aprontara por ele naquela escola ridícula. Ela poderia ter perdido o emprego diversas vezes.

— Eu sei... Mas o que aconteceu essa manhã...

— O que aconteceu me obrigou a te mostrar mais de mim ainda mais cedo do que imaginava. Mas não mudou nada do que eu era antes. Do que eu sou. Você entende? — Filip assente e se aproxima, deixando que ela pegue em suas mãos — Ainda somos amigos?

Ele sorri e a abraça, deixando-a sem graça.

— Claro que sim. Desculpe. A senhora é minha melhor amiga.- e dá um beijo suave em sua testa, deixando-a ainda mais vermelha.

— Sério mesmo menino: você tem que parar essa mania de me agarrar. — diz com um pequeno sorriso, o que motiva Filip a lhe dar um grande abraço de urso a ponto de levanta-la do chão, enquanto os dois curtem alguns segundos preciosos se risadas despreocupadas.