Distância
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Boa leitura.
NOTA: Nesse cap já se passou um ano desde o cap anterior MAS A HISTÓRIA CONTINUA!
Um ano depois.
Já faz algum tempo desde a primeira vez em que L mencionou o Caso Kira durante uma de suas raras aparições no almoço. Desde então, eu, Near, Matt, Íris, Ushio e Ino temos sido constantemente convocados para ir a seu quarto e ajudá-lo com a investigação.
Devo admitir que foram as melhores tardes da minha vida. Por quê? Porque eu estava investigando não apenas ao lado do maior detetive da história, mas também ao lado de meus melhores amigos, do meu irmão e do meu namorado. Além do que, fiz uma ou duas deduções importantes para L.
Mello me puxa mais para perto de si em seu colo, apoiando-se na parede atrás da cama. Estamos no período de intervalo, de forma que, é claro, estamos no quarto de L e BB. Near está sentado na poltrona, Matt está encostado na parede do lado oposto do quarto, ao lado de Íris. BB joga dardos contra o rosto de uma garota que agora sei que é Naomi Misora. A fotografia mal é reconhecível, mas Beyond continua a retalhá-la desde que voltou ao Wammy’s até agora. Esburaca a face da policial a cada dardo que atira, machucando-a e deixando marcas como ele costumava fazer com suas vítimas. L está sentado na cadeira do computador, as pernas apertadas contra o peito.
Near pensa enquanto resolve o cubo mágico em suas mãos. Mello alterna a posição do braço direito entre abraçar minha cintura por trás e levar uma barra de chocolate à boca. Em minhas mãos, está minha antiga corrente de imãs, a que levei para a sala de Roger quando eu e Near chegamos ao orfanato. Voltei a usá-la desde que começamos a resolver o caso Kira. Alterar a forma da correntinha me ajuda a pensar tanto quanto mexer no cabelo.
- L, deixe-me ver novamente os horários nos quais Kira mata os criminosos, por favor. – Peço. L abre uma pasta e retira uma impressão da tabela enquanto amasso a correntinha em minha mão, transformando-a em um amontoado disforme antes de recomeçar a separá-las umas das outras e retorná-las à forma de corrente. Saio do colo de Mello e tomo o papel das mãos de L e o encaro por um instante. Já vi isso antes.
- O tempo em que ele não mata... É o mesmo tempo em que um aluno do colegial está em sala de aula no Japão. Y... Yuki-kun... Ele tinha aulas nesses horários, saía meia hora antes de mim.
- To shite?! – Assusta-se Ushio, que está sentada no chão ao lado de Ino. Ela se levanta ajeitando a curta saia do uniforme e vem até nós. – Hai... Você está certa, Ki-chan. É uma tabela de horários. A irmã mais velha da minha melhor amiga, quanto eu tinha nove anos, era do colegial e eu lembro que a Mia sempre saia comigo porque a irmã dela só saia às duas e nós saíamos ao meio dia e ela não tinha aonde ficar, porque os pais também não poderiam buscá-la.
- Isso quer dizer que Kira é mesmo Japonês? – Pergunta Beyond, completamente distraído da conversa.
- Aumenta a probabilidade, que foi de 70% para, digamos... 92,3% — Diz L enquanto empilha uma séria de cubinhos de açúcar. – Mas nos diz que Kira é um estudante cujas notas são altas.
- Hã? Essa das notas altas eu perdi. – Íris fala por todos nós.
- Kira só mata pessoas até uma certa hora da noite, quando provavelmente vai dormir.
- E...
- A falta de sono atrapalha na escola! – Digo após ter um tipo de epifania.
- Ainda não consegui captar o raciocínio. – Reclama Ino.
- Pense comigo, senhor Brasileiro. – Pede Beyond, perdendo o interesse na foto devastada de Naomi Misora. – Se você fosse um aluno completamente fodido na escola, não se importaria de ficar até tarde matando pessoas, porque isso não faria muita diferença nas suas notas, certo?
- Aham.
- Mas, se você fosse um aluno brilhante, você saberia que todos achariam muito suspeito que suas notas caíssem de repente, o que seria iminente depois de passar noites sem dormir matando pessoas, correto?
- AH! Agora eu entendi. Obrigado, Beyond.
- De nada, garoto. – Tão rápido como parou, o assassino volta a atirar na policial, sem jamais abalar o ainda nítido sorriso da foto.
- Enfim, Kira é um estudante do ensino médio, muito provavelmente no Japão, onde fez sua primeira vítima, bom, se não ótimo aluno. Ele precisa do nome e do rosto de uma pessoa para poder matá-la. – Diz Near, imóvel em seu lugar, ainda encarando o complexo cubo, agora já resolvido.
- Kami! Isso é tudo o que sabemos sobre Kira? – Deixo as palavras escaparem de minha boca.
- Não. Também sabemos que ele é infantil e odeia perder. Como eu. Não gosta de ser questionado ou que se oponham a ele, ainda que demonstre uma incrível inteligência e uma impressionante capacidade de raciocinar corretamente. É você quem andava por aí com um caderninho na mão anotando os perfis das pessoas do Wammy’s e da sua escola, Kim, não questione o valor de uma personalidade, justamente você que é perita em detectar tais. – Após o discurso de L, baixo os olhos. Ele não podia estar mais certo, fui só eu que não consegui enxergar o que estava diante de meus olhos. Levanto o olhar e vejo Mello, ainda sentado na cama, abrir os braços para que eu me encaixe neles. Volto a me sentar em seu colo.
- Agora estou deprimida... – Resmungo meio manhosa. Em resposta a isso ganho um beijo. – Hm... Melhor. – Sorrio e me ajeito contra o peito de Mello. Depois meus olhos se voltam para frente, para Near, que nos olha com os olhos semicerrados, como se tentasse entender como posso fazer algo assim. Volto a baixar os olhos, ficando vermelha.
Continuamos a pensar, desesperados para encontrar ao menos mais uma característica de Kira que facilite nossas vidas.
- Bem, vocês devem ir agora. A aula já começou. – Diz L. Começamos a nos encaminhar para a porta. – Ushio, quero que fique aqui. Sou fluente em japonês, mas ainda não é minha primeira língua. Será minha tradutora, caso seja necessário.
- Y... Yoshi, L-sama! Arigatou gozaimashite! – A Menina-Roxa faz uma reverência suave, como que agradecendo por ter a honra de ser a tradutora de L.
- Não há de quê, Ushio. – Responde L enquanto nós saímos.
Chegamos a sala e me sento com Near, Mello ficando atrás de mim e acariciando meus cabelos e não me poupando de dormir na aula, sendo acordada pela professora de matemática quando ela chega na sala.
- Desculpe, a culpa foi minha. – Mello me defende. Tento abrir a boca para negar, mas a professora me cala, avisando que ambos ficaremos detentos depois da aula. Depois que ela se afasta, eu suspiro e apoio a cabeça em uma das mãos, pressionando a bochecha contra o punho fechado e virado para fora formando um ângulo de 90 graus. Mello, como que para desafiar a professora, continua a me acariciar, enrolando meus cabelos em seus dedos e os puxando de leve, proporcionando uma agradável massagem no couro cabeludo que faz meu pescoço se arrepiar.
A aula acaba e todos saem, menos, claro, eu e Mello. A professora determina os exercícios que devemos fazer para cumprir nossa pena e abandona a sala. Mello e eu nos entreolhamos com uma pergunta nos olhos. Ela realmente quer que façamos os exercícios? Dou de ombros. São fáceis, de qualquer jeito. Sentamos lado a lado e começamos a trabalhar.
- Snowdrop?
- Hm? – Pergunto, interrompendo um raciocínio.
- Se esse caso Kira continuar... Será que vai fazer algo contra o L ou... Ou qualquer um de nós? – Pergunta. Sinto-me estremecer com a simples menção da possibilidade de um deles se machucar. Por um instante, imagino Near morto em meus braços... Ou Mello... Sacudo a cabeça com força, afastando o pânico. Mello abraça meus ombros, beijando meu rosto. – Desculpe, Snowdrop. Desculpe, não queria te fazer pensar nisso.
- Tudo bem... Mello?
- Hm?
- Me abrace. – Peço, com uma ou duas lágrimas de medo nos olhos. Os braços de Mello se fecham ao meu redor, protegendo-me do mundo. Pois é, os braços de Mello são o único lugar onde me sinto segura. Bem, também me sinto assim quando abraço Near, mas não é a mesma coisa. Envolvo-o também, fechando as mãos e prendendo dentro delas pedaços de tecido de sua blusa.
- Vai ficar tudo bem, minha pequena. Você vai ver. Vamos sair do caso Kira inteiros e felizes. E quando o L pegar esse desgraçado eu prometo que vou te abraçar exatamente assim e dizer “eu não falei?”. – Ele acaricia meu cabelo.
- Jura para mim?
- Eu juro.
Mello me mantem apertada contra seu corpo até aquela maldita professora chegar e dar um tapa nas costas de Mello, que se encolhe todo.
- Eu deixei vocês aqui para fazerem os exercícios, não para se agarrarem. Terminem isso logo. – O louro se afasta de mim e voltamos a fazer os exercícios pacientemente, desta vez sem sermos abandonados pela professora. Termino antes dele e entrego a folha para a professora. Saio da sala e espero por Mello do lado de fora.
Vamos para o quarto de Ino, onde resolvemos nos encontrar para ficar um pouco juntos antes de voltar para o quarto de L e BB para prosseguir com a investigação.
- Onde estiveram? – Pergunta Matt com um olhar sugestivo.
- Na detenção. – Resmungo ao me sentar no chão.
- Por quê? – Ino continua.
- Porque o Mello inventou de fazer a Kim dormir na aula. – Resmunga Near enquanto termina de resolver seu cubo mágico.
- Oi? – Íris interfere. Pois é, minha sensibilidade extrema a carinho no cabelo era um segredo meu, do Near e do Mello até agora.
- Se você fica mexendo no cabelo da Kim ela apaga. – Mello responde. Todos os olhares se voltam para mim.
- É, pois é... – Digo. – Ei, Ushio, como foi com o L?
- Foi legal. Eles apenas escutaram os argumentos do L-kun e não falaram muita coisa. Mas o japonês do Ryuuzaki está perfeito. Não sobrou nem o sotaque para contar a história. – Rimos juntas.
- Mais um que entra para o clube de japonês. – Diz Ino. Ultimamente o menino anda muito quieto. Tirei a conclusão de que é algo relacionado a Ushio, mas não sei ao certo o que.
- Hai. Agora eu falo como primeira língua, A Kim fala como segunda e você também, mesmo que ainda precise de um pouco de ajuda, o Mello se salva, o L fala como... Décima língua? Sei lá. O Near fala alguma coisa, talvez o mesmo que o Mello, o Matt e a Íris também. É, pois é. – Responde a garota, que recentemente repassou a tinta roxa no cabelo, cobrindo a raiz preta que começava a aparecer.
- Estranho isso. – Comento. – Quando voltei do Japão, achei que nunca mais falaria japonês. Veja só como eu estava enganada.
- Nhé. – Geme Íris. – Bem... Vamos mudar de assunto?
Uma longa pausa se faz enquanto pensamos no que fazer ou sobre o que falar. No fim, acabamos decidindo ir logo para o Quarto de Investigações, como passamos a chamar o quarto de BB e L desde que o caso Kira começou.
Não demora para que estejamos novamente no quarto do detetive e do assassino, exatamente na mesma organização de hoje de manhã: Near na poltrona, BB atirando dardos, Matt e Íris encostados na parede olhando para o computador, na frente do qual está sentado L, eu na cama, sentada no colo de Mello sob o olhar vigilante de Near. Cada um de nós estimula incansavelmente o próprio vício, fazendo o cérebro trabalhar como uma máquina. Mello come uma barra de chocolate, alternando a posição da mão direita entre abraçar minha cintura por trás. Near trabalha em um cubo mágico. L come doces em tempo recorde. O olhar de Matt nem precisa mais se dirigir à tela do PSP para que ele jogue. Ushio está escutando J-Rock em um volume alto, com apenas um dos fones no ouvido. Ino parece fazer algum tipo de esquema do caso, mas está em japonês e, desta distância e ângulo, não consigo distinguir os kanjis. Íris está desenhando. A imagem no papel é incrivelmente parecida com Matt.
Não falamos nada por algum tempo. Depois L entra em um site de notícias do Japão e Ushio traduz para nós, já que ela lê kanji bem melhor do que eu. Na minha opinião, a escrita em romaji é bem mais simples, já que a pronúncia é legível.
- K... Kami-sama. – Geme Ushio, olhando fixamente para a tela do computador. – Ele matou fora do horário.
- Relaxe, Ushio. Ele só está tentando me confundir.
- É, Shio-chan, ele só quer mostrar ao L que pode controlar os horários de morte ao seu bel-prazer.
- Ah. Isso explica.
- Mas que idiota! Ele deveria ter esperado mais se não quisesse que suspeitássemos. Agora temos mais uma pista sobre quem ele é. – Cuspo, atraindo os olhares.
- Quer fazer as honras, Kim? – L, obviamente, já havia chegado a esta conclusão bem antes de mim.
- Por favor. Bem, se ele resolveu tentar provar que a afirmação de L sobre ele ser um estudante genial algumas horas depois de ele ter contado sobre a descoberta para a SPCO está provando que ou está na equipe de investigação ou que é próximo o bastante de alguém da equipe para hackear as informações. Kira está facilitanto muito as coisas, o que eu acho estranho, visto a incrível esperteza e inteligência que ele tem demonstrado.
- Estranheza que é facilmente explicada por sua infantilidade e desprezo pela derrota.
- Então é preciso que a equipe e os parentes da equipe sejam investigados a fundo, não? – Mello diz enquanto retira a mão direita de minha barriga para morder sua barra de chocolate.
- É o que direi para eles da próxima vez que entrar em contato com a SPCO. Agora já está ficando tarde e o toque de recolher é em cinco minutos, vocês já deveriam estar em seus quartos agora. Boa noite.
Saímos juntos do quarto de L pela segunda vez no dia. Caminhamos para o nosso andar. Abraço Near e beijo sua testa antes que ele vá para o quarto e eu me jogue contra o peito de Mello em um abraço apertando seguido de um beijo.
Entramos em nossos respectivos quartos e nos trocamos antes de entrar nas camas. Sei que é tudo uma grande farça. Nem eu, nem Ushio e nem Íris dormimos. Estamos todos pensando na mesma coisa: Na possibilidade de L se juntar pessoalmente ao caso. Na possibilidade de nós nos juntarmos ao caso pessoalmente. Na possibilidade de Kira nos matar ou matar aqueles que mais amamos; uns aos outros.
Notas finais
Beijos e abraços para todos! :D
Até o próximo capítulo!
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