Distância
21 Lamentos.
Notas iniciais
Bem, este cap é pro Ino-kun, que há alguns intantes me mandou uma MP perguntando pelo próximo capítulo.
Beijos! Boa leitura!
PDV – Matt.
Hoje é 13 de Dezembro, o aniversário do meu melhor amigo. Hoje é o pior dia da minha vida. Hoje é o dia em que destruirei corações e arrancarei o meu. Vim adiando minha partida desde o aniversário de Near.
O problema é que não consigo, não tenho forças ou coragem para contar para eles. Nem Mello sabe. Nem Íris. Ah, minha pobre Íris. Jamais conseguiria dizer para ela, olhando em seus olhos verdes. Certamente ficariam marejados. Certamente ela me faria voltar atrás, mas se eu deixar que a polícia venha comigo aqui, jamais conseguirei me perdoar. Íris não merece me ver ser arrastado para fora do Wammy’s House, para longe dela. E eu também não agüentaria vê-la infeliz sem poder sequer abraçá-la e me despedir.
Assim, eu sei a data certa para ir embora. Assim, eu posso ao menos deixar minha despedida, mesmo que não seja pessoalmente. Sou fraco demais para isso e não posso arriscar. Simplesmente não posso arriscar. É sexta-feira. Ao menos assim eu poderei desaparecer sem ser notado.
Pego um pedaço de meu caderno de geografia e uma caneta. Depois, começo a escrever.
Se estiverem lendo isso, é porque eu realmente me fui. Sendo assim, me perdoem. Não queria ter feito isso, não mesmo. Mas não me resta escolha alguma.
De fato, não me despedi pessoalmente. Mas, se me despedisse, talvez não tivesse forças para me obrigar a ir, já que minha vontade nunca foi e jamais será esta. Não lhes contarei aonde vou, uma vez que isso poderia trazer-lhes problemas. Mas estou saindo do país. Não se preocupem comigo, eu vou ficar bem. Venho me preparando para isso há tempos, há quem vá me ajudar.
Mello, me perdoe pelo que estou fazendo com você, meu amigo. Meu irmão. Eu não fiz isso. Não fui eu. Não foi ele quem contou. Eu fiz de tudo para protegê-lo disso, você sabe. Me perdoe.
Íris, meu amor, eu jamais conseguirei deixar de amá-la. Nunca. Você sempre estará em minha mente e em meu coração, saiba disso. Ah, Íris, gostaria apenas de poder ficar com você. Mas isso arriscaria a sua segurança, então não posso me permitir tal luxo. Por favor, Íris não sinta dor por minha partida. Sei que é triste, meu coração, enquanto escrevo, parece estar se despedaçando. Jamais imaginei que o termo “coração partido” pudesse ser tão literal, mesmo que Mello tenha mencionado algo assim quando Kim estava no Japão. Mais uma vez, meu amor, me perdoe. Farei de tudo para manter algum contato, se quiser, mas não é uma certeza. Por favor, mais uma vez, não lembre-se de mim com lágrimas nos olhos, mas do jeito como foi enquanto eu estava no Wammy’s. Lembre-se de mim do jeito que tudo começou. Com amor e sorrisos.
A todos vocês, cuidem bem da Íris. Espero que esta despedida não seja para sempre. Jamais poderia desejar pessoas melhores na minha vida. Eu realmente amo vocês.
Adeus.
Matt.
É isso. Não há mais desculpas. Acabou. Não levarei nada comigo, só a roupa do corpo, uma foto minha com Íris, a passagem e um pouco de dinheiro. Levanto-me, deixando a carta sobre o travesseiro.
Finalmente, saio do quarto e caminho pelo corredor. Caminho com pressa, tentando apagar da mente as lembranças que inundam o lugar. Não quero reviver os momentos, não quero sentir dor, só quero protegê-los! Só quero protegê-la. Pisco com força, apagando as lágrimas que se formam em meus olhos.
Para minha surpresa, encontro Íris no corredor. Íris, que sempre me fez sorrir até nos piores momentos. Até mesmo agora. Pego a morena no colo e a giro no ar, beijando-a de um jeito que jamais beijei. Um beijo que transborda amor, um beijo de despedida, um beijo que pede perdão.
- Matt! – Ela ri. Que sorriso lindo! – Que susto!
- Desculpe, Emmi. – Recentemente Íris me contou seu verdadeiro nome. Emily Linus. Seu codinome foi inspirado no nome da mãe, na verdade. Irônico. Ushio pinta o cabelo para esquecer da mãe, para não sentir dor. Íris lida com a perda de forma totalmente diferente. Eu, pessoalmente, apenas tento não pensar no rosto apavorado de minha mãe enquanto eu arrancava a faca de sua barriga. Enquanto eu a abraçava e chorava, pedindo que ficasse comigo. Agora, tudo o que quero é abraçar Íris e chorar, pedindo que ela não me deixe partir.
- Tudo bem. – Diz a morena, me beijando outra vez. – Bem, agora eu tenho que fazer a minha lição, ok? Até mais.
- Até, Íris. – Depois a aperto mais contra mim. – Eu te amo mais do que a minha própria vida.
- E... Eu também, Matt. Te amo mais do que tudo no mundo. – Responde, meio confusa, mas sendo sincera a ponto de doer. Seria mais fácil para mim se ela não me amasse, acho. Beijo seus cabelos e, finalmente, solto-a e vou embora. Saio pela porta, forçando-me a não olhar para trás. Finalmente deixo as lágrimas correrem.
*** PDV – ÍRIS – Cinco horas depois. ***
Observo Kim e Mello olharem-se profundamente nos olhos, como se enxergassem a alma um do outro. Mas, ainda assim, não é um olhar meloso, é mais como um dialogo mental entre os dois. Suas expressões são imutáveis, apenas os olhos se movem, conversando.
- Ok. – Mello encerra o que quer que estivesse acontecendo entre ele e Kim e se recosta na cadeira. – Eu entendo. Vamos subir?
- Certo. – Dizemos todos ao mesmo tempo enquanto nos levantamos e nos dirigimos para fora do refeitório, subindo as escadas e entrado nos quartos.
Arranco minha roupa e coloco o pijama. Vou me despedir de Matt antes de dormir, acho. Se bem que ele parecia precisar ficar um pouco sozinho quando o encontrei no corredor, mesmo que suas atitudes dissessem o contrário. Ou eu posso ter interpretado mal as coisas, só sei que ele estava triste, por algum motivo. Meloso demais, até para ele mesmo.
Dane-se, farei por ele o que puder fazer para que melhore.
Kim coloca sua camisola e Ushio entra no quarto.
- MERDA! – Escutamos a voz de Mello ressoar pelo corredor, seguida por um soco na parede. Kim dispara para fora do quarto, assustada, seguida por mim. Entramos no quarto, cuja porta já está aberta. Ushio e Near também entram, todos alarmados pela reação de Mello. A mão esquerda do louro está fechada em um punho, apoiando-o na parede ao lado da cama de Matt, que não parece estar no recinto. Na mão direita de Mello, está um pedaço de papel. Uma carta, aparentemente.
- Mello... O que houve? – Kim se aproxima dele e o abraça pela cintura. O braço que segura a carta vai automaticamente para os ombros de Kim, amparando-se nela. – O que foi? Fale comigo! – Continua, preocupada.
- Merda, merda, merda! Como isso foi acontecer? Como?! – Mello continua a gritar e xingar, mas motivo de seu descontentamento aparentemente não está presente. Matt? O louro se senta na cama, puxando a albina consigo. Ela puxa a mão da carta para mais perto de si, movendo os olhos pela carta na velocidade de um raio.
- Não... Não pode ser... – Choraminga, agarrando-se ao peito de Mello.
- Íris... Acho que você... Não sei como dizer...
- Íris, acima de todos nós, esta carta é para você. – Kim parece saber mais ou menos o que dizer.
- Como assim? – Pergunto, tomando a carta das mãos de Mello e começando a ler. Mal consigo passar da primeira linha antes que as lágrimas brotem de meus olhos, protestando por causa da intensa dor em meu coração. Não é mais sequer como se eu estivesse viva. Não posso estar viva! Tenho que estar sonhando! Por favor, alguém me acorde! É tudo o que quero pedir. Por que é que ninguém me acorda?
Deixo-me cair para trás, sendo segurada por Near. Dezenas de pequenas gotas de água salgada passam a escorrer de meus olhos, soluços voando para fora de minha boca. Minha melhor amiga se levanta e me abraça.
- Sh... Ele te ama, Íris, isso é o que importa. – Sussurra para mim enquanto enterro meu rosto em seu ombro, encharcando sua pele exposta pela alça da camisola. – Ele deixou mais claro do que nunca que te ama, então não fique triste. Vocês vão se reencontrar algum dia. Ele vai voltar a fazer algum contato... Algum dia. Eu sei disso... não é Mello? – Ela se vira para o namorado, que parece tão arrasado quanto eu.
- S...Sim. Eu espero que sim. De alguma forma o Matt vai continuar em contato, Arco-Íris. Nesta carta ele deixou bem claro que não vai desistir assim tão fácil.
- Eu... Mas como eu... Como ele... – Soluço.
- Íris... Eu não tenho muita experiência com estas coisas e também não sou menina, então não sei se sou de grande ajuda, mas... Bem, uma vez eu estava escutando uma música, Even in Death, acho que era o nome, e a última frase era “people die, nut the real Love is forever”. Tirando a parte da morte, acho que isso se encaixa aqui. O Matt sempre vai estar com você e uma parte sua sempre estará com ele. Vocês são muito unidos, então acho realmente que voltarão a ficar juntos um dia. – Near tenta me consolar. – Por enquanto, apenas tente esperar um pouco pelo primeiro contato.
- O... Ok. Eu... Vou... Tentar... – Soluço. – Acho que... Preciso ficar um pouco sozinha. T... Tudo bem? – Desta vez me dirijo a Kim.
- Tudo bem. Eu acho que... Que posso ficar aqui um pouco, para você ficar com o quarto.
- Hai, Íris-chan. Eu... Eu não sou boa com conselhos ou nada do tipo, mas posso dizer que Matt te ama muito. E também que eu posso ficar no quarto do Ino-kun até a hora do toque de recolher para você ficar um pouco sozinha.
- O... Obrigada, Ushio.
Entro em nosso quarto e me encolho na cama, abraçando o travesseiro. Em minha cabeça, meus últimos segundos com Matt voltam a acontecer. Eu devia ter notado que havia algo errado com o meu ruivo. Quer dizer, deveria ter notado suas intenções e ter lhe convencido de que eram completamente desnecessárias ou, ao menos, ir com ele. Não devia tê-lo deixado ir embora, não podia tê-lo deixado ir embora.
Agora, o amor de minha vida está longe de mim. Talvez nunca mais o veja. E eu nem ao menos sei o motivo. Tudo parecia estar tão perfeito nas últimas semanas! O que aconteceu? Kira? A baixa probabilidade de se tornar o próximo L? Matt nunca ligou muito para isso. Por ele, se o próximo L tivesse um bom coração estava tudo bem. Assim é o Matt, sempre a favor dos de bom coração. Deve ser por isso que, não só aturava o Mello, como o tinha como melhor amigo. Provavelmente ainda o tem, já que o louro e o ruivo são irmãos em tudo, menos no sangue.
Um sorriso se forma em meus lábios ao pensar em Matt. Sim, meu coração dói como se estivesse sendo espremido por uma gélida mão de aço. Entretanto, como não sorrir ao me lembrar de Matt? Como não sorrir ao pensar nas piadas do louro, em como era bobo e incrivelmente inteligente ao mesmo tempo? Como não abrir um sorriso de realização quando sei que realmente aprendi o que é amor?
- Eu realizarei seu desejo, Matt... – Digo para o nada, sorrindo ao mesmo tempo em que as lágrimas escorrem de meus olhos. – Amor e sorrisos. É assim que me lembrarei. Espere apenas que esta primeira fase acabe.
Fecho meus olhos, mantendo a imagem de Matt na mente. Finjo que ele está aqui, me abraçando e fazendo piadas. Apesar da dor, vai ficar tudo bem. Eu sinto isso. Mesmo que tudo dê errado, a simples experiência de amar Matt valeu a pena.
Ao menos é isso o que tento dizer a mim mesma. Assim que volto a abrir os olhos e me dou conta de que Matt não está aqui, a dor consome meu coração outra vez. Lágrimas escorrem incessantemente de meus olhos. Soluços baixos escapam de minha garganta. Abraço meu travesseiro, tentando inutilmente me manter inteira. Não menti quando prometi lembrar de meu ruivo sorrindo. Não menti. Cumprirei minha promessa, eu sei disso... Só que soa tão impossível sorrir neste momento... Mas se eu esperar um pouco e me esforçar bastante, sei que conseguirei. É por Matt que estou fazendo isso. E, ao mesmo tempo, por mim mesma. Por nós. E por nós dois eu faço tudo.
Notas finais
Bem, beijos, que eu tenho que postar logo esse cap.
Até a próxima, amores!
- Ushio
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