Notas iniciais
(EDITADO, ESTE ESTÁ BEM DIFERENTE) Shinkai é o irmão de Arya, é 5 anos mais velho.

Por entre as falhas azuis das nuvens, o sol ardia, fazendo com que o suor escorresse por entre os cabelos marrons de Arya enquanto esta pegava o trem acompanhada de Akio.

A pessoa ao lado lia um livro azul cobalto com uma serpe prateada cuja cauda corria livremente toda a capa da frente. Lembrou que gostava de ler quando era bem pequena, antes de conhecer os livros de robótica. Talvez eu leia alguns livros depois de construir meu robô.

Depois de mais de 4 horas, Arya aprendeu a olhar detalhes, horas que ensinaram mais do que anos. Jovens ouvem música em fones coloridos, adultos preferem os neutros e idosos só dormem. Se eu estivesse perto da morte aproveitaria a vida em vez de ficar dormindo – pensou enquanto acariciava Akio com os pés. Se viu pensando em como Akio tinha crescido em três anos, enquanto ela só cresceu 5 centímetros todo esse tempo.

O vento que entrava pela janela era um alivio, mas o vento parava às vezes e demorava pra voltar a bater. É uma brincadeira do vento. Uma brincadeira estúpida.

Depois de tanto tempo confinada em casa e na escola, finalmente Arya iria seguir seu sonho sem obstáculos, ou quase. Depois de ir embora sem sua mãe saber e deixar seu irmão chorando, estava com um sentimento de culpa muito grande. Será que ela ficou triste ou feliz depois de saber que fui embora? – pensou. Ela só trazia consigo uma mala e uma mochila, mas era o suficiente. Antes de ir embora seu irmão tinha dado uma grande quantia em dinheiro como “presente de aniversário”, pelo menos ela iria ter um lugar pra morar por um tempo.

De repente lembrou que não conhecia nada de Tóquio.

“Como sou burra!” falou alto demais. “Você está bem?” perguntou educadamente a pessoa que lia o livro azul ao seu lado, finalmente viu que era um garotinho de uns 12 anos de cabelos castanhos claros e olho direito azul, o outro olho tinha um tampão branco. Sentou-se direito. “E-eu só... estou me mudando pra Tóquio, e não sei aonde vou ficar.” Não tinha costume de falar com pessoas que não pertenciam á sua família por isso ficou sem jeito.

“Eu conheço uma pensão bem tranquila, se chama pensão da Akane, minha irmã mora lá!” falou e fechou o livro que parecia bem grande nas mãos dele. “Sério? Onde fica?” perguntou. Ele pegou um cartão do bolso e deu á ela “Esse cartão tem o endereço, fique com ele eu não preciso mais. Usava pra visitar minha irmã, mas agora já sei ir sozinho!” ela pegou o cartão e agradeceu “Que livro é esse que você está lendo?” perguntou curiosa. Ele acariciou a serpe da capa “É uma herança...” “Sobre o que fala?” ele olhou para ela “O futuro deste mundo.” Ela sorriu, gostava de livros assim “Você parece ser legal! Gosta de robôs?” ele corou “E-eu gosto de música... mas robôs também são legais.” Ela sorriu “Porque você ficou vermelho?” ele abaixou a cabeça “Geralmente ninguém me acha legal...” Arya ficou surpresa “Por quê?” ele abaixou a cabeça e uma lágrima brilhante e perfeita caiu do seu olho esquerdo e ele logo secou “Eu não sei...” ela ficou sem saber o que fazer “E-ei... sabe, você não deve acreditar tão facilmente nas pessoas. Elas enganam!” ele olhou pro rosto dela e começou a chorar “Eu sei.” Se levantou deixando o livro cair “Me desculpe!” e correu pro vagão da frente. Arya quis segui-lo, mas Akio estava prendendo seus pés. Limitou-se a pegar o pesado livro que o garoto estava lendo.

O livro tinha uma capa bem feita, Arya até achou que a serpe da capa fosse feita de prata. Ele não carregava titulo, o que deixou Arya curiosa. Abriu na primeira página. Era um índice com nomes estranhos, virou a página e viu que eram canções.

A primeira carregava o nome de “Fenrir” e estava em uma língua que Arya não conhecia, mas havia algumas anotações em japonês feitas a lápis. “Fenrir é pai” “Fenrir herda” “Fenrir foi visto injustamente”. A segunda canção chamava-se “Menray” e também estava numa língua estranha, as anotações diziam “Menray é mãe” “Menray é a astúcia” “Menray domina” e “Menray é deusa”. Ambas tinham cerca de 10 paginas cada. O que será que significam? – perguntou-se Arya. A próxima chamava-se “O Romance” e não possuía anotações o que era estranho, pois possuía 3 vezes mais páginas que as duas primeiras.

A quarta canção tinha o nome de “O Primeiro” e as anotações diziam “Não é importante” e “Renegado” e tinham 16 páginas. A quinta carregava o nome de “O segundo” e tinha muitas anotações, como “Primogênito da mãe” “o gênio” “o comandante” “o herdeiro” “Deus” e várias coisas do tipo, mas a canção só tinha 6 páginas. A próxima chamava-se “O Tempo” e só tinha uma anotação que dizia “O tempo varia” Arya tentou achar um significado pra isso, sem sucesso. A canção tinha 28 páginas. A sétima canção chamava-se “A terceira” e tinha algumas anotações, elas diziam “A Beleza” “A ilusão” “Deusa” “Bondade” esta canção tinha 10 páginas.

Antes de ler a oitava canção, um homem que parecia trabalhar para o trem silenciou todos e perguntou “Alguém conhece um menino que usa um tampão no olho?” as pessoas olhavam umas para as outras e de repente sem saber por que Arya se levantou “Eu!” o homem deu um olhar triste a ela e virou-se de costas “Venha comigo!”. Arya afastou Akio que ainda estava dormindo de seus pés, colocou o livro no assento e o seguiu.

Chegaram na cabine de trás, que era a última do trem. “O que aconteceu?” perguntou Arya. O homem apontou para os trilhos e Arya olhou e depois de procurar, encontrou.

O garoto estava dilacerado nos trilhos, provavelmente se jogou de algum espaço entre os vagões, estava irreconhecível, exceto pelos cabelos castanhos claros, que agora brilhavam mais do que tudo. Arya levou as mãos à boca e vomitou. O homem começou a gritar por ajuda e um médico apareceu quando Arya já estava desmaiada.

...

Quando Arya acordou se perguntou onde estava, mas antes de ter tempo de pensar um homem apareceu. “Você está se sentindo bem?” se sentou e viu que estavam em alguma estação de trem e que o homem que tinha perguntado a pouco era um médico. Do seu lado estavam a sua mala e sua mochila e quando pensou em Akio ele pulou com tudo nela.

“Foi verdade?” perguntou. O homem limitou-se a fazer um tímido gesto de concordância, e depois deixou Arya sozinha com Akio. Arya se sentia como se sua vida tivesse acabado, mesmo sem mal conhecer o garoto.

Levantou-se.

Eu nem sei o seu nome! – quis gritar, mas a voz não saia. E apesar de tudo, Arya não derramou uma lágrima sequer. Olhou o mapa das linhas ferroviárias e continuou seu caminho, seguindo o endereço do cartão que ele tinha dado.

...

Tóquio era incrivelmente grande e linda, milhares de prédios e lojas, milhões de carros e motos, bilhões de pessoas nas ruas e infinitas luzes coloridas. Mas tinha um tom de tristeza em todo azul que olhava.

O sol já estava se pondo e um vento frio e cantante tinha aparecido de repente. Ele gostava de música — lembrou. Abriu a mochila para pegar uma blusa mais quente e se assustou ao encostar em uma coisa dura. O livro! De repente se viu animada, mas quando pegou o livro se entristeceu novamente, e começou a lembrar da voz dele dizendo “Eu gosto de música”.

Guardou o livro, vestiu a blusa e continuou seguindo o endereço do cartão. O cartão é vermelho.

...

Chegou ao lugar quando a lua já predominava o céu. Era uma pensão de dois andares simples, mas parecia confortável. A senhora Akane era uma velha de 65 anos bem gentil, cobrou um preço barato e nem se importou com Akio. Quando Arya finalmente chegou ao quarto jogou a mala e a mochila no chão e se jogou na cama. Akio cheirou o lugar e, abanando o rabo, pulou no braço de Arya. “Sai!” gritou e o empurrou. O cachorro, que era quase do tamanho de Arya quando ficava em pé, correu e se escondeu na pequena varanda. “Desculpa, não estou bem... vou tomar um banho!” se levantou e espalhou todas as roupas no chão, decidiu que não iria mais usar azul. O livro caiu no chão enquanto Arya jogava as roupas, pegou o livro e colocou em cima da cama. Eu vou ler você depois – pensou enquanto acariciava a serpe de prata. Pegou um pijama e foi tomar banho.

Quando saiu do banheiro a lua já estava alta no céu. Foi direto pegar o livro, mas... Onde ele está? “Akio!” gritou com toda força que tinha nas cordas vocais.

Mas este não respondeu.

Olhou para a varanda. Ela estava assustadoramente escura, mas Arya foi até lá com uma ferramenta pesada nas mãos, com os passos lentos e leves...

Soltou um grito e caiu para trás. Não era Akio.

Era uma pessoa.

...