Disaster of Arya
3 Shinkai
Notas iniciais
O quarto estava agora vazio. Como ela consegue ser tão fria? Por mais que Shinkai tentasse se convencer de que uma hora ela iria embora, ele não estava preparado. Foi tão rápido.
Aquela manhã parecia agradável, talvez um pouco quente demais, mas agradável. Shinkai estava preparado para dar feliz aniversário à irmã. Acordou bem cedo pra fazer um bolo de cenoura, Shinkai sempre cozinhou muito bem. Sua mãe acordou e, depois de reclamar do barulho, perguntou qual era o motivo dele estar fazendo bolo. Comum, a mãe deles sempre esquecia o aniversário de Arya. “Hoje é Sete de Agosto, mãe!” ficou se perguntando se ela tinha esquecido alguma vez o aniversário dele “Sete de Agosto... ah, sei. Eu vou trabalhar então, tchau!” elas eram parecidas nisso de fugir quando não está com vontade de fazer alguma coisa “Tchau! Coma alguma coisa no caminho...” a viu saindo. Vou fazer chá também, ela não gosta, mas é bom pra ela.
Depois de terminar tudo, esperou o bolo esfriar e cortou três pedaços grandes cheios de cauda de chocolate. Colocou o chá na xícara de Arya, uma que tem um Pikachu. E colocou tudo numa bandeja. Ainda era cedo, achou que Arya ainda estava dormindo, já que sempre faltava na escola no dia de seu aniversário. Chegou devagar na porta do quarto dela.
Mas ela não estava dormindo. Estava arrumando suas malas. Ela vai embora.
Ficou desesperado, mas segurou o grito e o choro e disse por fim “Aonde você vai?” a voz dele estava tão assustadora que assustou a si mesmo. Mas parece que Arya nem notou, virou-se para ele e disse com uma voz calma “Eu vou embora, eu posso”. Por fim não aguentou e ergueu a voz “Você não pode ir! Como você vai se virar? Você não sabe cuidar de você mesma! Como vai cuidar de uma casa e alimentar um cachorro sem dinheiro?”. Com um olhar de desprezo que ele odiava, Arya olhou pra ele e depois voltou a arrumar a mala “Você não pode me impedir”. Aquilo foi o cúmulo, os dois começaram a discutir como se se odiassem. Mas na verdade era o contrário.
Por fim Shinkai se silenciou.
Deixou o bolo e o chá ali e saiu. Foi para o seu quarto. Não tem jeito. Abriu sua gaveta e pegou uma grande quantia de dinheiro.
...
Esperou ela no portão e quando ela chegou, com seus 1,58m, que não era muito mais baixa que ele com 1,69m. Você não cresceu nada, não só na altura. Entregou o dinheiro a ela e disse que era um presente de aniversário. Ela agradeceu com um seco “Obrigado”. Nenhum olhar. Nenhum abraço. Nenhum beijo. Nenhuma despedida. Ela está indo, talvez eu nunca mais a veja... e se, ela for morta por assaltantes? E se ela for pega por um estuprador? E se ela passar mal e cair nos trilhos do trem? E se ela não conseguir o que quer o dinheiro acabar e ela se suicidar por não querer ser uma garota de rua?
Shinkai pensava em muitas coisas, mas nenhuma vez ele considerou que ela voltaria pra casa. Conhecia-a muito bem.
Então as lágrimas vieram, como uma cachoeira sem fim, não sabia por que, mas se tinha uma pessoa que ele gostava era Arya. Ela é minha irmã, fora a minha mãe, ela é a pessoa com quem eu mais passei meu tempo... Nós brincávamos tanto... Porque ela mudou de repente? Foi naquele dia que encontrou Akio, nunca mais deu atenção pra mim... Ela vai pegar Akio na construção agora, ainda dá tempo de... Não. Não posso fazer isso! Caiu de joelhos, chorando.“PORQUE NÃO PODE SER MAIS SIMPLES???!!!” gritou com toda força que tinha.
Um garoto olhou.
“Você está bem?” perguntou. “Não é nada.” Respondeu secando as lágrimas, mas o garoto percebeu que não estava. Aproximou-se e se abaixou para olhar Shinkai nos olhos “A minha irmã é psicóloga, quer o número dela?” Shinkai olhou com surpresa e admiração para aquele garotinho que estava se preocupando com uma pessoa que nem conhecia “Obrigada” colocou as mãos nos joelhos e abaixou a cabeça. O garoto encostou um papel com um número de telefone na mão dele, mas antes de Shinkai pega-lo ele soltou e se levantou. “Desculpa!” e saiu correndo. Ele pensou que o garoto estava se desculpando por se intrometer na vida dele. Pegou o papel.
...
À noite quando chegou do trabalho, sua mãe estava na mesa jantando. O que ela vai dizer? Pendurou a bolsa, lavou as mãos e se sentou a mesa. “E sua irmã?” disse normalmente como se não fosse importante. “Foi embora” disse olhando para a mãe, esperando uma reação.
Mas ela não veio.
Levantou-se e bateu na mesa com força. “COMO VOCÊ PODE NÃO LIGAR PRA SUA PRÓPRIA FILHA???!!!” sua expressão era de extrema raiva e indignação. “Cala a boca” ordenou a mãe “Você é meu filho e tem que ter mais respeito comigo!” “Ela também é sua filha...” “Sim, ela também tem que me respeitar”
Encheu o coração de ódio “Errado! Você é que tem que respeitar ela! Coisa que você NUNCA fez! Você nunca foi gentil com ela e também nunca quis ouvir o que ela tinha pra dizer! Você não é uma mãe, é um monstro...” “Cale-se e pense antes de falar, foi ELA que quis ir, não tenho culpa!” “Se existe algum culpado nisso é você! Como queria que ela ficasse aqui se NUNCA expressou amor por ela???!!!”
Ouve um momento de silêncio.
“Quem disse que eu queria que ela ficasse aqui?” Shinkai caiu sentado na cadeira “Como?” ela deu um suspiro “Já está na hora de te contar...” ele se sentiu perdido numa floresta “Contar o que?”
“Arya não é minha filha!” Shinkai sentiu-se nocauteado “Você... está mentindo!” “Não é mentira, juro pela minha vida, Arya é filha do seu pai com uma amante!” Então, por isso... “Isso é verdade?” “Sim, um dia seu pai chegou com essa garota recém–nascida e disse que era filha dele e que a mãe dela morreu no parto. Eu aceitei, é claro, eu amava ele, mas três anos depois ele me deixou, disse que não aguentava mais essa família e foi embora.” Abaixou a cabeça “mãe...” “Foi por isso que eu nunca gostei dela, não tinha obrigação de cria-la, mas a criei como filha, mas nunca consegui dar amor a ela, via seu pai nela e tinha ódio dele, ainda tenho.” Levantou-se novamente “Mas porque nunca falou nada???!!!” “Sua avó não deixou, antes de morrer disse que não era pra mim contar isso de jeito nenhum pra vocês, se não iria acontecer uma coisa muito ruim.”
Shinkai não estava acreditando, tudo aquilo que ele achava que era não era. Mas, entendeu sua mãe, ela também era vítima por fim. “Desculpa mãe!” “Você não precisa se desculpar, eu entendo seu lado, ela é sua irmã, apesar de tudo.” “Preciso fazer uma coisa mãe, não vou jantar hoje, com licença” pegou suas coisas e foi pra seu quarto.
Pegou o papel que o garoto tinha dado e ligou com seu celular.
...
...
Passou a noite inteira conversando com Azuhi. Era uma mulher inteligente e educada, não era mais psicóloga, mas atendeu Shinkai mesmo assim, e ainda disse que queria marcar um encontro com ele para conversar melhor. Ela tinha dado muitas dicas ótimas, disse que tinha um irmão mais velho e um mais novo, que era aquele garoto, seu nome é Yasu. Conversando com ela se sentia confortável e bem, chorou umas 10 vezes, metade de alegria, metade de tristeza e Azuhi compartilhou com ele que também tinha problemas com o irmão, mas que já estava resolvendo. “Às vezes eles tem razão, temos que escuta-los pra entender... mas não cabe a você julgar se ele tem razão ou não... com o tempo você vê!” Azuhi fazia parecer que Shinkai era uma criança, não de propósito, tinha 2 anos a menos que ele e parecia uma sábia falando, até pensou que ela estava mentindo sobre a idade.
Combinaram um encontro dali a 2 dias num restaurante famoso de Tóquio, onde ela morava, e ela fez questão de pagar, disse que tinha gostado muito de Shinkai, e ele sentia o mesmo por ela.
No dia marcado, se encontraram no restaurante. Shinkai se impressionou com a beleza dela, olhos castanhos que brilhavam, cabelos loiros e sedosos que caíam soltos até a cintura, tinha feições muito bonitas, mas era mais alta que ele, tinha 1,74m. Estava usando um vestido vermelho com um decote no seu busto, não que ele tenha ficado olhando pros seios dela, mas eram grandes... Tinha também presilhas vermelhas no cabelo, mas o decote era mais interessante pra ele.
“Olá, boa noite. Você está muito bem” disse Azuhi a ele, Shinkai corou “I-imagina, você é que está linda!” ela soltou um risinho “Obrigada, vamos nos sentar?” Se sentaram numa mesa que tinha vista pra rua, Shinkai achava aquilo lindo, mas o decote era mais. Fizeram o pedido e conversaram olho no olho, ou olho no decote, enquanto a comida não chegava.
“Sua irmã não deixou nenhum contato?” perguntou Azuhi “Não, ela simplesmente foi embora” “Hmmmm.... se você quiser mesmo encontra-la, talvez você a ache pela internet” Shinkai pensou um pouco e olhou para a paisagem. “Eu acho que ela nem sabe usar a internet!” fez uma cara de idiota “É mesmo? Sua irmã realmente é bem diferente...” A comida chegou e eles comeram e beberam vinho. Quando a garrafa de vinho já estava acabando a conversa voltou.
“Como é o nome da sua irmã?” Nossa como eu sou burro, nem falei o nome da minha irmã, a irmã que eu disse que tanto amo... “Arya, Arya Oho” Azuhi largou a taça “Arya?” “É, eu sei, o nome é estranho, na verdade fui eu quem deu o nome dela...” “Não é isso!” Shinkai olhou ela nos olhos, nos olhos mesmo.
“Eu sei onde ela está!”
...
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