Diorama Of Shining Hearts

6 Doce, Doce Decadencia e as Cartas de um Baralho


Notas iniciais
"Isso é algo que nunca acabará.
E se você desistir quando a primavera chegar?"

Passei um bom tempo agarrada às grades de segurança da cobertura. Meu estomago revirava mas nada de devolver o almoço. Quando pensei estar melhor, resolvi voltar para minha sala e comer alguma coisa do meu bento. Talvez melhorasse.

Ouvi a porta se abrir. Imaginei ser Sorano-san, mas me enganei. Era Mingo-kun. Morino Mingo, irmão gemeo de Morino Ringo.

- Ryuu-chan, viu a nee-chan por aqui?

- A Ringo? Não passou ninguém aqui, Mingo-kun.

- A nee-chan disse que precisava ir ao banheiro também, mas vocês duas demoraram tanto...

- “Vocês duas”? – repeti

- Sim. – ele respondeu – Logo depois de você ir ao banheiro, a nee-chan foi atrás de você. Foi o que a Kiyomura-san disse.

- Hm... Não chame a Sakura-chan assim. Você sabe que ela não gosta.

- Não tenho culpa se ela é riquinha. – Mingo-kun enfiou as mãos nos bolsos e eu o segui pelas escadas – Nunca entendi porque essa escola faz isso.

- Isso o quê?

- Isso, oras. – ele deu de ombros, me mostrando o corredor – Temos mais bolsistas do que alunos particulares. O certo, seria o contrario.

Eu falaria alguma coisa mas estava cansada demais.

Ringo havia me contado que Mingo-kun sempre fôra apaixonado por mim. Não entendo porquê alguém se apaixonaria por mim. Sou tão comum.

Bem, sou uma garota que tem uma fada seguindo-a constantemente. Mas isso não me faz mais especial. Eu quase morri. De novo.

Mingo-kun era um pouco mais alto que eu. Usava o uniforme azulado da escola, e seus cabelos castanhos lhe caiam sobre os olhos e escondiam as orelhas. Olhos da mesma cor, bem emotivos e brilhantes. Ele era sim, um rapaz muito bonito.

Mas não fazia meu tipo.

Pensando sobre isso, iniciei a caminhada novamente. O sinal bateu e eu acompanhei Mingo-kun até sua sala. Ringo já estava lá, e Sakura-chan fechava meu bento com muito cuidado.

- Finalmente vocês voltaram! – Sakura-chan exclamou, me entregando a pequena trouxa de pano – Pensei que iriam matar aula.

Permaneci quieta e a segui também para nossa sala. Sentamo-nos em nossas mesas, e meu braço começou a coçar.

O segundo periodo começou, e um professor que trajava terno de risca de giz e oculos quadrados de armação grossa entrou. Escreveu algo no quadro negro e começou sua aula, mas eu realmente não conseguia ouvir. Meu braço coçava muito, e havia um zunido irritante em meus ouvidos.

- Diorama, o que está fazendo? – ouvi a voz da fadinha. Me pareceu distante, até eu perceber que estava dentro de minha cabeça.

- Qual o problema, Melody? – respondi, com uma pergunta

- O seu braço. Não está doendo?

- Não. Ele só está coçando muito e eu... – elevei a mão que usava para coçar o braço até meus olhos. Havia sangue por baixo das unhas – Melody... Melody, eu...

Olhei perplexa para à fadinha. Ela mordeu seu labio pequenissimo e suspirou, preocupada.

- Você comeu um pedaço da Dimensão, Diorama... Cada Dimensão é restrita, e possui um tipo de efeito colateral, caso você entre em contato direto com ela.

- Droga! – bati o punho na mesa, cerrando os dentes – Devia ter me avisado!

- Mas eu...

O zunido havia abaixado e pude perceber o mundo ao meu redor. Sakura-chan me olhava espantada, assim como todos os alunos.

- Kuzuryuu-kun! – o professor chamou, caminhando até minha mesa. Arregalou os olhos ao ver os profundos arranhões em meu braço – Kuzuryuu-kun, já para a enfermaria!

Levantei-me de subito, assustada com a voz elevada. Mirei os arranhões que mais pareciam cortes. Soltei um riso leve. Até parecia que minhas unhas eram feitas de laminas. Vi algo redondo percorrer a pele por baixo do braço, até escapar por um dos cortes e quicar no chão.

- Agora! Pare de sujar a sala! – o professor insistiu

Acenei com a cabeça e disparei para fora da sala, escadaria à baixo. Mordia o labio inferior, enquanto sentia mais bolotas passearem por minha pele e sairem pelos quatro arranhões do braço.

- O que está acontecendo, fada? – perguntei, num tom tão severo que até eu mesma me espantei

- Seu corpo adquiriu as caracteristicas da Dimensão. Eu diria que você está sangrando... Cerejas.

- O quê?! Que loucura é essa?! – exclamei. Aquilo estava passando so limites. Já era ridiculamente fantasioso dentro daquele mundinho de garota magica e, quando eu finalmente saia dele, ficava mais ridiculo ainda.

- As novatas costumam cair no truque dessa Dimensão. É algo que as Mistresses usam para enfraquecê-las. – a fadinha explicou, pensativa – Não tenho um caso assim faz um bom tempo; não me lembro quanto tempo dura...

- Bom... Se eu estou assim, acredito que... – minha linha de pensamento se quebrou quando vi Sorano-san sentada em uma das macas, segurando um balde avermelhado e vomitando com dificuldade uma fatia de bolo – Meu Deus, isso vai acontecer comigo também?

- Possivelmente sim. – Luna respondeu, sentada na cama à frente – Mas creio que foi nossa falha. Não acredito que esquecemos de um detalhe tão importante.

- Coisas assim... Acontecem... – Sorano-san consolou sua fada, com a voz fraca – Todos nós cometemos erros...

- Como está o estado de Sorano? – Melody perguntou, voando até à cama onde Luna estava

- Está vomitando pedaços de bolo e suspiros. – respondeu, simples

- Diorama está sangrando cerejas. Creio que os morangos virão mais tarde.

- Por onde acha que vão sair? – Luna perguntou, parecendo mais animada

- Acho vai ser pelo...

Pigarreei, interrompendo as duas.

- Sorano-san... O que eu faço com o meu braço?

- Não se preocupe... – a loura tossiu um pouco – Não é bem o seu sangue que está saindo, mas sim, cereja em calda – ela tentou sorrir, mas logo vomitou outro pedaço de bolo – Eu pedi à Cards que trouxesse algo para melhorar nosso estado. Ela deve chegar em pouco tempo.

- Cards? – perguntei

- Outra Diorama. Ela não mora nessa região. – Luna respondeu, revirando os olhos com minha expressão confusa

Deitei-me sobre a cama e larguei meu braço de um lado. O “sangue” escorria, e varios formatos arredondados saiam junto, e batiam contra o chão. Vez ou outra, Sorano-san sorria para mim, antes de vomitar mais um pedaço de bolo, ou biscoito.

Respirei fundo, tentando manter minha sanidade.

- Onde está a enfermeira? – perguntei

- Ela não reagiu muito bem ao caso. – Luna informou, apontando a terceira cama. Estava tão absorta naquela loucura que mal reparei o corpo dormente da enfermeira deitado sobre os lençois – Ela desmaiou no primeiro bolo.

- Seria engraçado se guardassemos os bolos e as cerejas para comermos depois, não é? – Melody perguntou, balançando as perninhas.

- Seria nojento.

- Ai. Foi só uma ideia...

Longos minutos de silencio se passaram exceto pelo barulho do esforço que o estomago de Sorano-san fazia para devolver pedaços inteiros de bolo.

Em determinado momento, uma poeira colorida e brilhante se juntou perto à cadeira de rodinhas que havia ali. Continuou se juntando até formar uma silhueta e, num piscar de olhos, uma garota se materializou ali, sentada com as pernas cruzadas e um olhar impaciente.

Seus cabelos eram extremamente longos e castanhos, adornados por duas tranças, uma de cada lado. Usava um sobretudo chamativo vermelho, com losangos por toda a costura e era abotoado por um grande laço branco que ficava preso pelo broche cravado com o desenho de uma carta de baralho e varias notas músicas.

Meias pretas sob botas de salto brancas e olhos purpura. Creio que ela é a Diorama mais espalhafatosa que eu já vi.

- Cards! Bem a tempo! – Luna exclamou voando até à garota que abanou suas mãos, tentando espantá-la como se fosse uma mosca.

- Onde está a Trump? – Melody perguntou

Uma fadinha de cabelos vermelhos e enrolados, trajando um vestido branco estampado com um naípe, talvez seja de paus, se materializou ao ombro dela. Parecia ser mais simpatica.

- Trump está aqui! – exclamou

As duas fadinhas voaram até elas e, girando no ar, soltaram alguns risinhos e começaram a conversar.

- Tsuki! Você está aqui há quase um ano e é a segunda vez que pega Doce, Doce Decadencia. – a tal Cards ralhou, com sua voz mimada – E ainda infectou alguém.

- Então essa é a Melody? – Trump comentou, saindo do circulo das fadas – Trump ouviu muito sobre Melody.

- Kuzuryuu Izuna. – Sorano-san corrigiu. Aparentemente, não nos chamavamos pelos nomes “Diorama” sem que estivessemos transformadas. – É uma de minhas alunas.

Cards elevou uma sobrancelha e pareceu morder o inferior da bochecha. Enfiou a mão no bolso do sobretudo e tirou duas ampolas.

- Trouxe o que me pediu, Tsuki. Ande logo e tome. – ela jogou uma das ampolas para à loira – Ver você vomitando bolos pela segunda vez é muito nojento. – agora ela entregou a última para mim – Francamente. Como alguém como você pode ser a Herdeira ao Ryuugenchi?

- Ora, vamos. – ela destampou a ampola e engoliu em seco, certificando-se de que nenhum outro bolo viria – Não sabemos quem será a Grande Herdeira.

Fiz o mesmo que Sorano-san e, quando ela virou a ampola na boca, fiz o mesmo tempo. Me arrependi imediatamente. O liquido azulado tinha um gosto amargo. Parecia até... Sei lá, era amargo.

Desceu até o estomago, e jurei que estava acontecendo a Terceira Guerra Mundial lá dentro. Sorano-san jogou-se na cama novamente, apertando o estomago com os braços.

- Sim, está acontecendo uma guerra em seu estomago. – Cards confirmou – Você comeu concreto magico, não devia reclamar de dores no estomago.

- Não tem ninguém reclamando aqui. – retruquei

- Que seja. – ela revirou os olhos – Preciso ir agora. Prometi não demorar. Vamos logo, Trump. Cuidado com as Mistresses.

Trump se despediu das outras fadas e voou em parafuso até pousar no ombro de Cards. Como pó, as duas desapareceram.

- Isso vai acabar com o meu cerebro...

- Logo você se acostuma.

- Quanto tempo faz que você está nisso?

- Uns três anos, quem sabe... – ela suspirou. Talvez a dor tenha passado, assim como estava acontecendo comigo – Fui transferida para cá.

- Por quê?

- A garota que cuidava dessa area morreu.

Notas finais
Acho que, finalmente, aprendi a escrever capitulos grandes!... Só não sei se estão bons =¬=)/~