Diorama Of Shining Hearts
7 Enfrente-a Sozinha e Kiyomura Sakura, Parte II
Notas iniciais
Nada vai mudar até você despertar.
Tudo continuará."
Não lembro de muita coisa daquela tarde. A enfermeira acordou e já estavamos melhor. Sorano-san não vomitava mais bolos e a calda já não escorria de meus cortes. Nem cortes mais haviam, nem arranhões, nem dores. Mas ainda assim, eu me sentia estranha.
O periodo seguiu-se e o sinal bateu. Devolvemos nossos sapatos internos enquanto nos despediamos de Ringo e Mingo-kun e Sakura-chan e eu caminhamos até uma bifurcação, onde ela seguia para a esquerda, e eu, em frente.
Sakura-chan usava o uniforme particular composto por meias claras, saia de pregas escura, uma camiseta social e suspensorios vermelhos junto de um paletó escuro com o emblema da escola. Seus cabelos pareciam ter a cor do mel, e desciam grossos até o meio de suas costas, num corte reto. O nariz era pequeno e os olhos azuis eram bem grandes. Sempre admirei a beleza dela, ainda mais sob as petalas de mesmo nome.
A rua estava, estranhamente, deserta.
Segui até em casa e meus pais continuavam não estando lá. Peguei uma das torradas do café-da-manhã e mastiguei-a, cansada. Meu corpo não doia, mas doia ao mesmo tempo. Eu não estava entendendo. Suspirei.
- Algum problema? – a fadinha perguntou
- Não... Eu não sei... Estou confusa e cansada... Não entendo.
- Você está tendo um dia bem agitado. Geralmente não é assim. Sinto muito, mas estamos em crise.
- Tudo bem. Eu espero estar ajudando ao menos.
- Claro que sim, claro que está!
Olhei a fadinha por um longo tempo. Suas asas batiam tão rapido que eu mal podia ver.
- Não está com fome? – perguntei, por fim
- Sim... – ela respondeu, timida – Na verdade, muita fome...
Estreitei os olhos para ela. O que uma fada comeria?
Quebrei um pedaço de outra torrada e entreguei a ela. Ela sorriu e pôs-se a devorar o pão torrado.
- Devia ter dito que estava com fome. Alias, sempre que sentir fome – aproveitei e mordi minha torrada, tentando dar uma descontraida – pode pegar qualquer coisa, e comer.
- Eu... Eu posso mesmo? – ela perguntou, de boca cheia
— Claro que pode.
Ela sorriu e eu acabei sorrindo. Tenho de admitir que nunca vi algo tão fofo em toda minha vida.
Senti algo quente no bolso de minha saia. Uma luz fraca emitia dalí e descobri ser meu Melody Clock.
Melody me contou que, cada Clock tem o nome da Diorama. Como Lunar Clock, Apple Clock e Cards Clock. Interessante.
Segurei o Melody Clock em mãos e, imediatamente, e melodia se formou em minha cabeça. Triste e urgente.
- Outro Shadow? – perguntei, surpresa
- Melhor se transformar! Rapido!
Assenti com a cabeça, elevando o pequeno relogio em minhas mãos – Melody, Make me Up!
O mesmo jogo de luzes e os mesmos efeitos. Exceto que eu já estava acostumada.
Sai correndo pela porta e hesitei. Estava chovendo fracamente e não havia nada, nem ninguém.
- A Dimensão... Está por aqui? Tão perto... – Melody comentou, baixinho
Dei de ombros e apontei o Tact para uma direção qualquer. Acho tão versatil essa coisa de “imagine o objeto em sua mão, e ele aparece”.
- Melody Tact, Open!
A Dimensão Restrita se abriu, e eu fui jogada em algo seco e esticado.
Seria minha primeira batalha solo e lá estava eu, indo para cima e para baixo em uma cama elastica.
- Melody! Melody! – gritei, tentando evitar novos pulos – Como eu paro isso?!
- Tente se manter inerte! Se não se mexer, os pulos vão diminuir... Eu acho... – ela disse a última frase bem baixo, mas ainda consegui ouvir
Quando finalmente mantive equilibrio, me coloquei de pé e olhei ao redor. Tentei alguns passos e, aos poucos, me acostumei com o chão instavel.
Parecia que aquele lugar fôra projetado para que alguém quicasse por todos os lados. A memoria do Shadow esferico que apareceu mais cedo veio até minha mente e meu estomago revirou.
Sacodi a cabeça e segui em frente. O piso ia e voltava, e me dava um frio na barriga extremamente irritante.
- Então... Cada dimensão é diferente?
- Sim. Elas costumam refletir os desejos e vontades, e caracteristicas do dono do coração. As vezes, elas são simplesmente randons.
- Entendi...
O lugar estava tão quieto e calmo que aproveitei para me divertir. Iniciei pulos baixos que aumentavam minha velocidade para não sei onde.
E finalmente cheguei. Uma parte onde a cama elastica era vermelha. Um Shadow em formato de mola estava ali. Pulando. Ridiculo.
Pulei até a parte vermelha e, como se fosse automatico, um tipo de grade nos cercou. Entendi aquilo como um “não há escapatoria”
- Diorama. Esse é um Shadow facil. Você só precisa...
Antes que Melody terminasse, o Shadow pulou e quando tocou a cama elastica, eu alcei vôo em linha reta e assim suscetivamente.
- Melody! – berrei, incomodada com o frio na barriga
- Tente mirar o Wave nele! – a fada gritou de lá de baixo.
Bom, não custa tentar.
Passei bons segundos acompanhando o Shadow com o Tact. Eles não pareciam criaturas muito espertas.
- Melody Wave! – bradei num momento certeiro. Jorrou luz de meu Tact, adornado com notas músicais. O Shadow vôou até uma parede de cama elastica e foi impulsionado contra outra, e mais outra, e mais outra até que, finalmente, parou. Se desfez em fumaça e deu lugar à Mistress 18.
- Diorama! É uma Magnitude 1, estamos com sorte! – vibrou Melody
Talvez estivessemos mesmo. Disparei em uma corrida desengonçada até ela, meu Tact se materializando em pique no meio do caminho. Assim que estava perto o bastante, desferi um golpe direto mas que apenas pegou de raspão acima do busto do inimigo. O macacão se cortou, e pude ver que não havia nada dentro, além de fumaça.
A Mistress pareceu urrar. Suas unhas cresceram num piscar de olhos e logo se chocaram contra o meu corpo, jogando-me para um canto isolado à direita. Quiquei na parede e aproveitei o impulso para voltar com velocidade total ao ponto inicial.
Preparei os pés como auxilio para pouso e desferi o cabo do pique nas pernas da Mistress que se desiquilibrou e caiu no chão. Girei uma vez e finquei a lamina do pique em seu abdomen. A fumaça pareceu escorrer do buraco que estava ali. Levantei meu pique com o corpo ainda preso à clave de sol, e lançei-o em direção a uma das paredes e ali, ele se fincou.
Elevei a mão à minha frente e o pique voltou até minhas mãos, materializando-se no Tact.
- Melody Forte Wave! – meu primeiro Forte Wave, finalmente! Uma grande torrente de luz negra adornada de notas músicais que parecia conduzir um enorme coração em direção à Mistress.
Um grito agoniado. Silencio.
- Foi perfeito! Foi incrivel! – Melody veio me elogiar, voando ao meu redor e batendo palminhas
Em meio a barulheira que a fada fazia, pude ouvir palmas.
Algo vermelho veio pulando até mim. Apple e sua boina graciosa.
- Parabéns, Diorama! Foi incrivel mesmo! – Apfel admitiu, admirada – Foi o Forte Wave mais lindo que eu já vi!
- Exagero seu... – respondi, sorrindo
- Parabéns mesmo. Pensei que precisaria de minha ajuda... – Apple começou a se movimentar, iniciando uma sequencia de pequenos pulos – Mas me enganei.
- Sim, se enganou. – por consequencia, comecei a saltar também – Mas era uma Mistress facil. Magnitude 1, parece.
- Poderia ser facil, mas nunca deixaria de ser perigoso. E você é novata nisso.
- Oe, não me chame assim!
- Não fique nervosa assim. É o que você é.
Ela riu.
Garota abusada.
- Mas não deixa de ser extremamente forte. – completou, mirando-me de cima a baixo – Não deixa de fazer jus ao seu nome, Kuzuryuu.
- Meu nome? O que tem ele?
Sem perceber, já estavamos indo alto demais. Pude ouvir o barulho da Dimensão se rachando relativamente mais alto.
- Alias... O que quer dizer Herdeira ao Ryuugenchi?
- Huh? Você não sabe?
Fiz que não com a cabeça.
- Imaginei que soubesse. Todas nós sabemos.
- Não sou todas vocês.
- Bem. Hora de ir.
- Mas eu...
Tão logo Apple desapareceu na mesma poeira brilhante, a Dimensão explodiu comigo em pleno salto. Cai no chão sobre os pés, dobrando os joelhos e usando uma das mãos como apoio. Eu estava pegando o jeito.
- Está tudo bem? – Melody perguntou
Desviei correndo de um carro que passou por ali e entrei em casa. O vestido se rasgou em pedaços e se desfez em poeira.
- Agora sim.
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