Dinastia 2: A Coroa de Espinhos
52 Capítulo 52
William sabia que estava diante do furo de reportagem mais promissor de sua carreira. Estavam a dois dias da eleição direta para primeiro ministro e o parlamento estava em palvorosa. Finalmente Bono Donnalson seria chamado para responder as perguntas dos deputados da CPI. Jamais poderia apostar ou se quer imaginar a um ano atrás que essa reviravolta aconteceria. Estava ali, chegando ao palácio do parlamento o maior líder do partido conservador para lançar o seu ponto de vista sobre diversos crimes que ocorreram e logo bem próximo ao dia de votação que ele mesmo esperara muito.
O jornalista observava as pessoas iradas do lado de fora e onde ele estava dava para ver toda a praça central habitada por um verdadeiro mar de pessoas. Haviam cartazes, gritos, muito tomate e ovo podre. Quando Bono Donnalson chegou, William temeu que ele fosse linchado por que as pessoas ali estavam mesmo em fúria. Foi necessário muitos seguranças abraçarem o parlamentar para que ele não fosse morto antes mesmo de prestar depoimento.
William nunca tinha visto tanto ódio da população assim antes. Era triste saber que tudo aquilo acontecera após a morte da duquesa. Ela que já tinha pregado tanto contra a pessoa que Donnalson era e poucos chegaram realmente a acreditar. Precisou que ela fosse assassinada para que as pessoas vissem quem ele era e lutassem por tudo de ruim que este mesmo homem fez. O jornalista tinha certeza absoluta que Bella tinha se dado conta que seu sacrifício representaria uma grande mudança. Que somente a sua morte mostraria a verdadeira face do demônio que Bono era.
Henry se aproximou de seu mentor e tocou o seu ombro. William tomou um susto, mas estava agradecido por ser o seu jovem amigo ali.
— Que dia louco, não? – Henry comentou.
— Os piores. Mas estou grato por tudo estar enfim acontecendo.
— Está bastante claro que ninguém por aqui quer que o subsitituto de Donnalson ganhe as eleições de domingo.
— É mais do que certo a vitória de Rernard. Tomara que ele faça um bom proveito disso.
— Lamento que a titia não tenha visto isto. Acho que ela foi à pessoa que mais o odiou.
— Lamento também. Mas acredite, Bono irá se safar dessa.
— Não acho. O parlamento está sendo pressionado. Nós da imprensa temos feito um bom trabalho e sou capaz de dizer que o povo é capaz de fazer justiça com as próprias mãos.
William sorriu e tocou o ombro do jovem Cullen. Ele era tão jovem e tinha tanto a aprender!
— Meu caro, Bono não está sozinho nesse esgoto. Tem muita gente aqui envolvida, pessoas tão grandes que você nem imagina. Ele vai falar as bobagens dele agora e vão tentar colocar tudo em panos quentes.
— Espero que isso não ocorra. Eu penso principalmente em minha família. Renesme, Tony e o tio Edward não merecem mais tanto sofrimento prolongado.
É claro que não. William imediatamente lembrou de Renesme, aliais, só em olhar para Henry já havia sido um gatilho para as suas lembranças. Ele estava há dias sem vê-la e tinha sido horrível estar longe de sua presença. Não tinha jeito! Ele estava terrivelmente apaixonado por ela. Nunca tinha sentido antes tamanha intensidade. Tentava respeitar as escolhas dela, mas estava sendo difícil não ter que aceitar essa barreira entre ambos.
— Como ela está? – ele perguntou a Henry.
— Nada bem. Ansiosa, como sempre, mas acredito que esteja pior. Aposto que ela está acompanhando tudo pela TV e roendo todas as unhas.
— Eu queria tanto que ela finalmente pudesse encontrar ao menos um consolo. Nada vai trazer Bella de volta, mas ao menos um pouco de paz. Tudo tem sido extremamente difícil em sua vida nesses últimos dias.
— Acho que ela ainda está muito confusa. Vê! Tentou até uma reconciliação com aquele patife! Mal pude acreditar!
É claro que William tinha visto as fotos da viagem dos dois para Aldovia há uns dias atrás. Tinha ficado possesso com aquilo, mas sabia que aquele gesto tinha sido uma resposta direta ao beijo deles. Era como se Renesme quisesse apagá-lo com Alec, porém ele sabia que seria impossível.
— Tomara que ele cuide dela como ela merece. – William falou quase cuspindo. Sentindo o seu sangue ferver.
Henry apenas balançou a cabeça. Alec era completamente alheio a qualquer coisa em sua volta. Era um vira lata em torno das vontades do dono dele, no caso, Aro Volturi. William só não tinha feito mais, lutado mais, por que sabia que ela estava casada e nada poderia fazer enquanto a isso.
— Henry e William venham! Já vai começar! – Erick avisou.
Todos se aproximaram da área reservada pela imprensa e aguardavam ansiosamente pelo tipo de pergunta que seria feita a Bono. William tinha certeza que não o poupariam, já que havia um grande movimento contra ele. Só restava saber se o deputado iria ou não proteger seus aliados ou arrastá-los para o inferno junto com eles. Aquilo sim seria algo interessante de se ver. Bono parecia confiante demais, mesmo com toda a situação que lhe envolvia. Psicopatas não eram capazes de se arrepender.
— Chamo aqui o deputado Daniel Lenix para iniciar a acareação.
William sorriu com tudo que via. Daniel Lenix era um dos opositores mais ferrenhos a Donnalson desde sempre, apesar de que ambos tinham o mesmo método, a baixaria.
— Eu gostaria de começar perguntando a vossa excelência algo que todo o povo de Belgonia deseja saber, o que o senhor sabe sobre todos os esses crimes de LGBTfobia realizado por grupos de apoiadores seus?
— Eu não sou dono das atitudes de ninguém. Não foi eu que mandei eles irem lá fizessem tudo aquilo. Apesar de que concordo com o fato de esse tipo de pessoa são defeituosas e ferem a nossa ordem social.
O parlamento foi tomado por um grande falatório. William podia ouvir as vaias vindas do lado de fora. Como jornalista tinha aprendido a controlar as suas emoções, mas diante daquilo estava muito difícil manter a imparcialidade.
— É mesmo? E você então concorda que todos aqueles pobres homens e mulheres que perderam a suas vidas de forma violenta e desumana mereceram aquele fim?
— Não desejei isso para eles. Mas o que eu posso fazer? Já está tudo feito.
— Então, o senhor não tem nada a ver com aquelas mortes e nem mesmo com o assassinato de Elton Rust?
— Não e nem sei por que estou sendo interrogado por isso.
Daniel riu. Quase como se não fosse capaz de entender tamanha frieza e cinismo vindo por parte daquele homem em sua frente. Mas não desistiu, partiu para a agressividade. Pegou o envelope em sua bancada, abriu-o e jogou as provas de corrupção encontradas pela polícia na frente de Donnalson.
— E o que você me diz de todo esse dinheiro destinado a esses grupos?
— Tem meu nome ai?
— Essas provas mostram que o dinheiro saiu de seu gabinete. Que pessoas ligadas a você financiaram esses grupos que não só atacaram vários membros da comunidade LGBT como também tentaram assassinar o próprio rei. O que você diz disso?
— Se esse dinheiro saiu do meu gabinete foi sem o meu consentimento. Eu não sabia de nada disso e acredito que deve perguntar as pessoas que estão nesses papéis ai.
Renesme segurava com força na cadeira. Não aguentava mais assistir aquilo. Era muita “cara de pau” para uma pessoa só e sabia plenamente que nada daquilo iria se resolver. Estava cansada desse eterno empacamento. Precisavam de algo mais sério para impulsionar as verdadeiras mudanças para vingar a morte de todas essas pessoas. Desligou a TV e se jogou na cama.
A dúvida ainda lhe impulsionava. Sentia uma dor tão grande ao saber que pouco havia sido feito para descobrir o verdadeiro culpado pela morte de sua mãe. Esse eterno círculo a deixava no limite. Queria gritar, queria fazer algo, mas o que? Agora tudo estava ainda pior. Por que se antes ela tinha total certeza que Bono Donnalson era o verdadeiro culpado agora estava ainda pior ao saber que Aro pode ter sido o grande algoz de sua mãe.
Havia a possibilidade dele ter articulado o maior plano que alguém já tinha planejado. De longe ele pode ter manipulado Donnalson e armado toda a confusão com Bella. Isso o favorecia por que independente de quem ganhasse essa guerra fria, ele se beneficiaria. Donnalson seria seu aliado ou inimigo. Mas tudo saira melhor do que encomenda, não é? Ele havia conseguido casar seu filho com a futura rainha de Belgonia.
Renesme apertou os lençois com tanta força que seria capaz de rasgá-los. Suspirou e tentou se controlar. Desde que se encontrou com Sean e soube da ligação de Aro e Donnalson vinha tentando planejar o que faria com essa informação. Não podia jogar a merda no ventilador sem provas concretas. Aro era muito inteligente e estava de olho em tudo como sempre esteve. Não tinha contado nem a seu pai sobre a conversa que tivera. O plano era agir na surdina e dar o bote na hora certa. Mas agora não tinha tanta certeza disso. Talvez fosse mais perigoso deixá-lo agir. Mas queria pegá-lo com as próprias mãos, isso era certo.
Virou-se e viu o diário de sua mãe. Vinha o evitando desde que o recebera das mãos de seu avô. Lê-lo era como reviver tudo aquilo. Mas resolveu abri-lo de uma vez só. Quem sabe sua mãe não havia dado mais pistas sobre o seu assassino?
E lá estava. Aquela letra redondinha e nada enfeitada. Renesme lembrava muito de vê-la dizendo que Edward tinha uma letra mais bonita que a sua. A princesa passou a mão pela folha do diário e sentiu a aspereza da caneta marcada no papel, como se Bella quisesse deixar a sua presença ali. Ela abriu na última página e leu.
01 de Agosto de 2044
Eu sei que hoje é o fim. Não quero ser nenhuma persimista, mas sinto isso. Na verdade tudo estava planejado para que fosse hoje e nessa circunstância. Imaginar que estou conduzindo isto parece mesmo um indicativo de minha loucura. Na verdade, já me perguntei muitas vezes se todos não tinham mesmo razão. Estou paranóica de alguma forma. Porém, nunca estive tão lúcida quanto agora.
Fico aqui olhando para o papai e Jacob e ainda me pergunto o que teria acontecido se eu não tivesse me casado com Edward. Não que eu me arrependa de alguma coisa. Não mesmo. Mas é algo que costumo pensar. Creio muito em destino. Se cheguei até aqui era por que estava escrito e se recebi tal propósito, deveria eu assumir de corpo e alma a missão.
Amo Edward isso é indiscutível! Amo a família que construímos juntos. Não me refiro a isso. Me pergunto sobre a pessoa pública que me tornei. Nem em um milhão de anos luz imaginei que um dia teria uma vida fora da minha interior. Entrar para a monarquia me deu isso e eu nunca soube bem como conduzi-la. Às vezes me pergunto se fui à pessoa certa para receber tamanha coisa e sempre pensei o que faria com aquele poder que me fora dado.
Há 33 anos, quando comecei os meus trabalhos para a família real, eu achava que estava entrando num mundo de sonhos. Aquelas pessoas gritando o meu nome, sorrindo e torcendo por mim era inacreditável! Era uma pessoa que eles nem conheciam! O que elas queriam de mim? Segui entorpecida, agindo como mandava o figurino. Depois fui me dando conta que eu tinha sim que ter voz. Aquelas mesmas pessoas que iam para todos os lugares que eu estava, queriam que eu usasse a minha voz. Então, segui. Lutando aos pouco pelo que eu acreditava que era certo. Por que nós, que somos muito visados, temos esse dever, de usar o holofote em prol do que realmente é importante.
Hoje percebo que essa voz muito incomoda. Não entendem que diante de tantas coisas ruins em nossa volta e tudo que está para acontecer essa é a hora que não podemos calar. Não julgo mais a minha família de lei. Eles seguem regras para o seu próprio controle e estão presos a elas. Não compreendem que eu não estou no momento de silênciar, este é o momento de gritar. Por amor a todas essas pessoas que estão lá fora e agora, somente agora descobri que isso é que elas precisam de mim. Não só uma voz baixa, mas um grito ecoante.
Tenho inimigos em toda parte. Não posso confiar em mais ninguém e nem mesmo posso contar isso para as pessoas que mais amo. Eles não acreditariam em mim. Bono não é o único me persegue, mas ele é o pior. Aquele que eu realmente quero que se destrua. E assim será. O mal por si só se destroe. Tenho fé nisso completamente.
Existem pessoas perto de mim que antes eu não via com muita clareza, mas agora consigo ver que não estão comigo totalmente. Não sou capaz de provar, mas quero pôr a prova. Desde que Sean me disse que Donnalson planeja um ataque contra mim penso em quais serão os meus futuros passos. Refleti muito a respeito. Não duvido que ele venha a tentar qualquer coisa. Tudo que eu venha a dizer ou fazer nada vai servir para que as pessoas enxerguem o monstro que ele é. Tenho que fazer o jogo reverso. Não tem jeito. Eu quero que ele tente, mas irei conduzir tudo de tal forma que ele mesmo mostre a todos o ser desprezível que ele é.
Planejei o encontro com Sean por que eu sabia isso iria colocá-lo a prova. Esperei para ver se ele teria coragem de me atacar em público juntamente com o seu concorrente. Não aconteceu, mas foi melhor assim. Antes seja comigo somente do que ao lado de meus filhos ou de alguém inocente. Por isso vim para o sítio de Jake, sem segurança e em um lugar que não afetaria ninguém. Quero ver o que ele vai fazer. Estou esperando qualquer coisa. Quero ver se James irá mesmo me defender. Desconfio dele e de muitos de minha equipe. Não os acho fiéis a mim e nem a monarquia. Quero pagar pra ver até onde vai a sua lealdade. Quero ver até onde Tom encontra-se fiel a minha filha. Tadinha! Ela pensa que eu não sei sobre o relacionamento deles. Lamento tanto que ela esteja sendo enganada de tal forma. Quero muito acreditar que ele está mesmo apaixonado por ela ou atraindo. Hoje descobrirei tudo.
Estou pronta para qualquer coisa. Não quero ser uma mártir. Tenho pavor a isso! Mas se tenho que me sacrificar para que a verdade prevaleça e os verdadeiros demônios sejam punidos. Estou indo de bom grado.
B.
E havia chegado o fim da linha. Renesme tremeu com aquilo. Mais uma vez aquela dor de não ter acreditado nela desde o princípio, por ter se deixado levar pelas aparências e não tê-la protegido como merecia lhe cortou. Ela queria bater em si mesma.
Era inacreditável a lucidez dela. Bella sabia de tudo desde o princípio e armou tudo. Se ofereceu como um cordeiro, mas um inteligente. Tristemente, ela não pôde ver o desenrolar de tudo. Mas ela estava certa, sempre esteve. Isso lhe doia ainda mais.
Mas a única forma de vingá-la seria punindo aqueles que foram contra ela e muitos que perderam a vida que ela tentara defender. Renesme estava determinada a ser essa força de ação. Traria a justiça e estava disposta a fazer qualquer coisa. Bella merecia isso. Pegou o telefone e ligou para Joel. Era hora de agir.
— Joel, bom dia! Graças a Deus que você atendeu.
— Por que não atenderia alteza?
— Pensei que estaria com William no parlamento.
— Não. Estou de plantão no distrito hoje. Em que posso ajudá-la?
— Entre em contato com Adam e com o chefe dele na SS, vamos começar as investigações aqui no palácio depois do casamento do meu irmão.
Edward observava o fim da careação com Bono Donnalson sem acreditar que ele era capaz de mentir tanto na cara de todos que sabiam claramente o quanto ele era culpado.
— Minha última pergunta. Qual o seu envolvimento na morte da duquesa?
Bono Donnalson riu como se aquilo fosse à piada mais engraçada do mundo. Edward tinha vontade de quebrar a TV.
— Ela não sofreu um acidente? O que eu tenho a ver com isso?
— O Serviço Secreto comprovou através de um depoimento de um apoiador seu que eles planejaram o assassinato dela.
— Eu não tenho nada a ver com isso. É o que posso dizer. Querem que eu minta? Prometi agora a pouco que não poderia fazer isso.
Edward desligou furioso a televisão e Esme se aproximou dele. Nada disso não levaria a nada.
— Eu tenho que ser mais duro, mãe. Não adianta eu fazer qualquer coisa que seja para tentar descobrir o que aconteceu, essa porcaria vai continuar empancada. Estou cansado de seguir tudo como manda a lei. Foram sujos com Bella e eu também vou ter que ser.
— O que pretende fazer?
— Vou vazar esses vídeos que temos da polícia ou qualquer coisa do tipo. Sei que isso vai prejudicar as investigações, mas não estou nem ai. Quero que comecem a abrir a boca.
— Não fará isso.
— O que?
— Bono sempre trabalhou com notícias falsas e é isso que iremos fazer também.
— Você acredita que seria melhor lançarmos na imprensa uma notícia anônima para colocar Bono contra os aliados dele? De forma que eles acabem logo com esse sigilo e liberem tudo que sabem?
— Sim. Renesme esteve com Sean e disse que ele tinha um espião. Está na hora de negociarmos para que esse cara entre em ação de novo.
— Muito inteligente. É exatamente isso que faremos. Vou tentar contato com Sean agora. Vou começar a jogar tudo que temos contra Donnalson. O povo já está revoltado, creio que agora terá que ser o fim para ele.
Esme tocou a mão do filho. Era bom vê-lo mais ativo e com força total. Estava começando a crê que tinha o perdido para a depressão.
— Edward, você também terá que está preparado para qualquer revelação que ainda podemos ter.
— Sobre os inimigos que ainda temos aqui dentro? Estou certo disso. O pegaremos na hora certa.
Esme assentiu e Edward levantou-se firmemente. Agora a guerra iria realmente começar. COMENTEM BASTANTE! ;)
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