Acordo só na hora do almoço e lembro que vou treinar hoje com a Pillar, saio do tanque lentamente, morrendo de sono, me olho no espelho e percebo que estou acabado, tive uma noite de sono ruim, graças a profecia — E graças a Pillar, e meus verdadeiros pais, e vários motivos.

Troco a água do capacete, pego uma mochila e desço as escadas para almoçar, vejo meu pai sentado no sofá assistindo futebol e minha mãe no lado dele com cara de tédio.

–Bom dia querida família — Digo ironicamente.

– Credo Leo! — Grita meu pai — Que cara é essa?

–Deixa de ser mau educado Ricardo — Diz minha mãe dando um tapa no meu pai — Ele só deve ter tido uma noite ruim de sono.

–Mais ou menos isso mãe — Digo sentando na mesa — Cadê o almoço?

–Ta me achando com cara de cozinheira? — Grita minha mãe — Vai no restaurante ali da esquina.

–Eita, só fiz uma pergunta — Digo levantando da mesa — Ah! Depois do restaurante eu vou na casa da Pri.

Exatamente não vou na casa da Pri, vou na casa da Pillar, mas se meus pais descobrem que eu conheci ela, eles me matam.

–Aí vai sair casamento — Diz meu pai.

–Deixa de ser louco Ricardo — Diz a minha mãe tacando uma toalha nele — A Pri é uma zumbi, nunca que ia dar certo.

–Estou indo — Digo saindo de casa — Não fiquem preocupados, eu volto cedo.

–Se cuida filho! — Consigo ouvir minha mãe falando de dentro de casa.

Almoço rápido e vou correndo pra casa da Pillar, estou super ansioso pra aprender magia, menos a do pudim de uva, acho um pouco desnecessário. Chego na casa da minha anã favorita e bato na porta, quando a porta se abre fico surpreso, a sala está totalmente diferente, a parede está amarela, o armário sumiu, olho pra cima e vejo o teto todo desenhado com símbolos egípcios, vejo também um cano branco muito alto, olho para baixo a procura da Pillar, mas não vejo ela.

–Sai de baixo! — Berra Pillar de algum lugar acima de mim.

Quando vejo não acredito, Pillar está descendo enroscada no cano como se fosse uma bombeira.

–Olá querido — Diz ela sorrindo, vejo que dessa vez ela está com uma calça preta e uma camisa escrito: " I Love Drácula".

–É, oi — Digo meio sem jeito.

– Pronto pra magia? — Diz Pillar rodando no cano.

– Mais pronto impossível — Digo botando minha mochila no chão.

–Então vamos lá — Pillar estrala os dedos e uma fumaça toma conta do lugar, quando a fumaça baixa vejo que Pillar mudou de roupa e agora veste um vestido laranja com flores verdes, ela estrala o dedo mais uma vez e uma mesa com um livro aparece na nossa frente.

– Posso sentar? — Pergunto já sentando na cadeira.

– Claro querido — Diz ela sentando na outra cadeira, Pillar estrala os dedos novamente e umas poções aparecem em cima da mesa, ela começa a misturar vários frascos e toma.

–Isso faz parte de algum ritual? — Pergunto meio confuso.

–Não, só estava com sede — Diz ela.

Olho para o livro e vejo que ele é um pouco diferente dos outros livros, ele tem um cristal bem no meio da capa, e ele parece brilhar, é um livro velho, marrom, parece ser feito a mão, o nome do livro é "Blitoff".

–Bom — Diz Pillar abrindo o livro — Hoje vamos aprender os quatro elementos, Água, Terra, Fogo e Batata.

–Batata? — Digo meio confuso — Acho que o quarto elemento é Ar.

–Você tem certeza? — Questiona Pillar coçando a cabeça — Devo estar maluca então.

–Mas bem que seria legal jogar batata nos humanos — Digo rindo.

–Verdade querido, seria muito empolgante — Diz Pillar levantando da mesa — Levanta aí grandão, temos muito que aprender hoje. Vamos começar com batata.

– Batata não é um elemento Pillar! — Digo levantando da cadeira.

–É verdade — Diz ela soltando uma gargalhada — Sempre me esqueço.

Passo o dia treinando o controle da Água e do Ar e lembrando a Pillar que batata não é um elemento , amanhã vou aprender Fogo e Terra, e talvez batata, quem sabe eu uso isso algum dia.

–Acabamos por hoje querido, amanhã treinamos mais — Diz Pillar abrindo a porta com um estralar de dedos — O ultimo lobisomem não deu muito certo, hoje vou sair com um zumbi, ele não liga só pra minha aparência, ele liga pro meu cérebro também.

– Só você mesmo né Pillar — Digo pegando minha mochila — Até amanhã.

–Até amanhã querido — Diz Pillar fechando o livro — Não se esqueça de trazer batata.

– Para que uma batata? — Pergunto rindo.

– Para eu comer, lógico — Diz ela rindo — Para que mais serve uma batata?

– Conforme você, para arremessar nos humanos.

– Não entendi — Diz Pillar me olhando séria.

–Esquece — Digo andando em direção a porta.

–Você que sabe Alteza — Diz ela me reverenciando.

–Até você? — Saio indignado da casa dela.

Ouço ela rindo atrás de mim, quando me viro para falar com ela, ela sumiu.

Volto para minha casa lentamente, já é final de tarde, estou morrendo de fome, paro em um carrinho de grifo-quente e peço dois. No caminho de casa passo por umas poças de água e espalho elas pela estrada.

Chego em casa e deito no sofá

–Apareceu a margarida — Diz minha mãe da cozinha.

–Eu disse que ia demorar — Berro da sala — Cadê o pai?

–Ele foi jogar futebol de novo — Diz minha mãe com um tom de irritação.

– Vou pro meu quarto — Digo já subindo as escadas.

Só chego no meu quarto e o telefone toca, é a Pri.

–Oi Pri, fala.

–Oi Leo, tenho duas notícias pra você, uma boa e uma ruim, qual quer primeiro?

– A boa né — Solto uma risadinha.

–A boa é que consegui ensinar o Reh a fazer uma magia, o pudim de uva.

–E a ruim? — Pergunto ansioso.

–A ruim é que um portal de outra dimensão foi aberto perto da escola.

–Como você sabe disso? — Pergunto.

–Eu senti isso.

–Como assim sentiu?

–Não tem como explicar, to aqui embaixo da sua casa, minha vó vai nos levar lá — E desliga o telefone.

Desço as escadas correndo.

–Mãe já volto — Berro saindo de casa.

Entro no carro delas e vamos em direção ao colégio.

– Oi Leo — Diz Dona Wood — Como você está grande.

– Oi Dona Wood — Digo apreensivo.

–Acelera logo esse carro vó — Grita Pri desesperada.

–Tenho um jeito mais rápido de chegar lá — Diz a doce Senhora.

–De novo não — Diz Pri estressada.

–De novo o que? — Pergunto.

Nem foi preciso elas responderem, a Dona Wood tacou o carro em uma parede, tudo ficou preto e quando percebi já estávamos no estacionamento do colégio.

– Odeio viagem pelas sombras — Diz Pri olhando pra vozinha.

Descemos do carro correndo e vamos para trás do colégio, chegando lá vimos um circulo colorido girando no ar.

– Oque será isso? — Pergunto à Pri.

– Não faço a minima ideia — Responde ela.

O circulo começa a brilhar e vejo alguma coisa saindo dele. Quando o brilho passa vejo o que era a criatura vinda do portal.

Um Humano.