Dimensão Monstro

1 Durmo na Aula de Literatura


Eu sou o Leo, sou um Marino, digamos que minha classe é uma das mais baixas. No topo estão os Vampiros, depois os Lobisomens, os Voadores, Zumbis, Assombrações e depois os Marinos.

Para sobreviver — Os Marinos — Precisamos de uma espécie de capacete com água, eu uso água doce, mas tem os de água salgada, em geral os de água doce são mais "fofinhos", e os salgados são mais ferozes. Na maioria temos pele com um tom azulado, mas tem alguns com o tom esverdeado — esse é meu caso — meus melhores amigos são o Renato e a Pri — Renato é um lobisomem, Pri é Zumbi .

-Leonardo! -Que? — levando da cadeira num pulo.

-Dormindo na sala de novo? — Diz a Sra. Pietra , minha professora de literatura, ela é uma assombração, nos dois sentidos, ela é uma velhinha que aparenta ter 100 anos de idade, sempre de vestido floral, o óculos amarrado no pescoço e um cachecol verde.

-Desculpa Sra. Pietra, não dormi muito bem a noite — Respondo com a voz touca de tanto dormir.

-Se eu te pegar dormindo mais uma vez na aula — Diz ela tossindo — Vou ter que te encaminhar para a direção!

Ouço umas risadas, vinda do canto da sala, principalmente dos vampiros — o "líder" deles é o Brad, ele sempre anda com uma jaqueta de couro, óculos escuros, parece um motoqueiro, e como todo vampiro, ele é branco.

Triiiiiiiim - bateu o sinal, todos saem correndo da sala, menos o Renato e a Pri.

Pri está bonita hoje, vocês devem achar que ela é feia "Mas claro que ela é feia, ela é um zumbi", sinto em lhe dizer, mas zumbis não são criaturas horríveis de carne e osso, cheios de sangue pelo corpo e roupa rasgadas. Eles são bonitos, são criaturas normais que se locomovem em uma velocidade não muito elevada, mas são bonitos. Voltando ao assunto, hoje a Pri está bonita, camisa azul marinho (minha cor favorita), calça jeans, cabelo solto (estilo rei leão). E o Renato, está com roupa de jogador de basquete (pra variar), mas avisando, ele não joga basquete.

-Finalmente bateu o sinal! Vou pra casa treinar pro jogo de amanhã! — Diz renato arremessando uma bola de papel no lixo.

-Nem me diga — Diz Pri aliviada — Tenho que estudar pra prova de Bilogia, não vou ter tempo pra nada nesse final de semana.

-Eu vou ficar em casa, dormindo, comendo pipoca e vendo filme — Digo animado — essa é minha bela rotina.

-Espera um pouco que o técnico ta me ligando — Diz Renato atendendo o telefone e se afastando de nós.

-Então, vai estudar mesmo o final de semana inteiro? — Pergunto á Pri.

-Sim, essa prova vale 50% da nota, Porque? — Questiona ela.

-Porque ia te convidar pra tomar sorvete.

-Santo Frankstein! — Diz Renato vindo em nossa direção.

-Que foi Renato? — Pergunta Pri — Não vai dizer que a tua vó quebrou a costela de novo?

-Não, é que eu fui expulso do time de basquete — Diz renato com os olhos cheios de lagrimas.

-Era isso que eu precisava ouvir — digo tentando animar ele — amanhã as sete horas na pracinha, vamos tomar sorvete.

-Mas tenho que estudar Leo! — protesta Pri.

-Estuda depois — Digo animado — tenho que contar uma coisa pra vocês.

-Tá bom — diz Pri — Até amanhã Bacalhau Podre

-Até amanhã, Senhorita Lesma — respondo educadamente.

-Até amanhã, garoto da água — diz Renato.

-Até amanhã pulguento — respondo rindo — Sete horas, não se esqueçam !

Fico na frente do colégio esperando meu pai passar pra me pegar. Passa alguns alunos da minha sala e se despedem de mim.

Vejo o carro do meu pai virando a esquina e vou pro portão de saída.

-Bom dia filho! — Diz meu pai animado — Como foi a aula hoje?

-Ah, a aula... foi boa! Melhor impossível.

-Ótimo! — Diz ele satisfeito.

-E o trabalho como foi? — Pergunto tentando puxar assunto.

-Foi bom também.

-Que bom — Geralmente não tenho muito assunto com meu pai, ele sempre está pensando no trabalho, me surpreendo que eles esteja me perguntando sobre o colégio.

-Filho, precisamos conversar! — Diz meu pai calmamente.

-Pode falar pai — Respondo desconfiado.

-Bem, chega uma hora, que nós homens, e as mulheres, precisam de amor, e carinho...

-Não! Não precisamos conversar sobre isso — Digo rapidamente — Estou bem assim, não preciso disso, valeu?

-Mas eu só queria saber se tem alguma peixinha na rede — Diz meu pai rindo, não sei se perceberam, mas ele é um comediante de mão cheia.

-Não, não tem ainda.

-Na sua idade eu também era assim, um dia...

-Pai!-Interrompo ele — Não precisa contar a história de como conheceu a mãe de novo, já ouvi isso, várias vezes!

-Ata — diz ele satisfeito de me ver irritado — Já vi que hoje o mar não tá pra peixe — diz meu pai soltando uma gargalhada.

-Nossa pai, minha barriga tá até doendo, de tanto que eu ri — Digo ironicamente.

-Tá bom, vou parar de piadas — Diz tossindo — A mãe ja deve ter feito o almoço.

-Oque ela fez de almoço? — Pergunto.

-Peixe — Diz meu pai, e cai na risada.

-Pai! já ta ficando sem graça essas piadas.

-Chegamos — Diz meu pai recuperando o folego.

-Ainda bem, to morto de fome.

-Ah pai! — Chamo ele.

-Fala filho.

-Vou sair sábado — digo rindo — e quero uma garoupa.

-Não entendi — Diz ele.

-Garoupa, peixe.

-Ata — diz meu pai — mas não teve graça, só eu que sei contar piadas filho.