Dimensão Monstro
2 Meu Pesadelo
–Oi mãe, cheguei — Digo entrado em casa.
–Oi filho! Como foi hoje na aula? — Pergunta minha mãe preparando o almoço.
–Como vocês se interessaram pela minha aula né?
–Claro que não Leo — Diz meu pai sentando no sofá — Sempre nos importamos com a sua educação.
–É verdade filho, você é nosso peixe favorito — Diz minha mãe passando a mão no meu capacete.
–Não sou peixe, tenho pernas — Digo balançando-as — Peixes tem nadadeiras.
–Mas nossos ancestrais tinham nadadeiras — Diz minha mãe.
–Eu sei mãe, sereias e tritões — Digo sentando à mesa.
–Almoço pronto! — Diz minha mãe cantarolando.
–Ainda bem mulher — Diz meu pai sentando-se à mesa também — Já tava quase morrendo de fome.
Você deve estar se perguntando: "como vocês comem com esses capacetes". Bom, podemos ficar algum tempo sem o capacete, ou usamos a entrada que tem no capacete. é como um canudo, que leva a comida até a nossa boca.
–Você conversou com ele Ricardo? — Pergunta minha mãe a meu pai.
–Eu tentei Helena, mas ele não quer falar.
–Falar sobre oque? -Pergunto.
–Sobre as meninas! Desde que você terminou com a Natália, não vi você com nem mais uma menina — Diz minha mãe enchendo a boca com salada — Ela era uma menina boa, era uma marina, tinha dinheiro.
–Mãe! Eu estou dando um tempo — Digo quase explodindo — Terminei com ela faz pouco tempo, quero parar um pouco sabe? Me concentrar nos estudos, e tu aí me pressionando pra arranjar namorada. Vou pro meu tanque, depois eu desço.
Pra quem sabe, os marinos dormem em tanques com água, para não ficar com o capacete direto.
–Mas filho! — Chama meu pai.
–Oi pai!
–E a Pri? — Diz ele rindo.
Pra quem não sabe, eu e a Pri já tivemos meio que um "romance". Mas os pais dela são um pouco ciumentos e não deixam ela ter um "romance" então meio que nos separamos. E nunca mais tocamos no assunto. E convenhamos um marino e uma zumbi nunca dariam certo.
–Vocês me torturam, e vocês gostam — Digo rindo — Só pode, vocês devem amar isso.
Tiro meu capacete e entro no tanque, eu amo o tanque, me sinto livre dentro dele – meu tanque é grande, incomodei muito minha mãe para ela comprar um tanque de casal para mim. E funcionou – fico nadando de um lado para o outro. E a melhor coisa do mundo é o meu celular, posso usar embaixo da água que ele não estraga – incomodei minha mãe também pra isso – O lado ruim de ser um marino é que quase tudo tem que ser a prova de água. Celular, som, TV, Computador, e quase tudo que você imaginar, até caderno, gosto de estudar embaixo da água, é mais calmo. Fecho os olhos e sonho.
Estou no centro da cidade, e está tudo destruído, vejo meus pais no chão feridos com os capacetes quebrados. Tento correr para ajuda-los, mas não consigo, tento gritar pelo nome deles, mas a voz não sai. Vejo uns carros enormes e estranhos com canos na frente atirando para todos os lados, monstros feridos correndo para todos os lados. -Leo corre! – Grita Pri me puxando pelo braço.
–O que tá acontecendo? – Pergunto perplexo.
–"Eles" chegaram cara! – Diz Renato desesperado – Estão destruindo tudo.
–Eles quem? – Foi aí que vi “eles”. "Eles” se parecem com nós, mas são todos iguais, parecem clones, parecem uma mistura de várias espécies de monstros. Todos de verde, nos carros esquisitos.
–Tem um aqui! – Grita um deles apontado para mim.
Tento sair correndo, mas é tarde de mais, estou cercado por vários desses clones, todos apontando para mim com armas. Um deles mira em mim e dá um tiro, o tiro acerta no meu capacete, não me atinge, mas quebra por completo meu capacete. Sinto que estou ficando sem ar mais rápido do que o normal, caio no chão de fraqueza. Minha última visão é Pri sendo baleada.
Agradeço por ser um marino e por dormir no tanque, pois tudo que digo dentro dele não sai som. Ainda bem, porque acordo berrando. Meu coração acelerado, e suando – uma coisa difícil de acontecer embaixo da água. Fico mal pelo sonho, ainda mais pela Pri e pelos meus pais. Meus pais! Saio do tanque correndo coloco o capacete e a roupa e desço as escadas correndo até a sala.
–Santo Drácula! – Digo aliviado – Vocês estão bem.
–Claro que estamos – Diz meu pai – Porque não estaríamos.
–É que tive um sonho, e nesse sonho vocês estavam morrendo, daí fiquei preocupado e vim ver.
–Ficou com a consciência pesada filho? – Diz minha mãe rindo – Acho bom ser bonzinho com a gente, ou meu pobre coração não vai aguentar.
–Vira essa boca para lá mulher – Diz meu pai – Vai se tratar! O menino só teve um sonho ruim.
–Eu tava brincando Ricardo – Diz minha mãe brava – Você nunca me entende, sempre me jugando, nunca concorda comigo!
–Calma amor!
–To brincando – Diz minha mãe soltando uma gargalhada.
–Gente! Minha família é louca – Digo assustado — Vou fazer minhas tarefas, e até.
Volto para meu quarto, pego meu caderno – a prova de água – tiro o capacete e entro no tanque. Para minha “alegria”, a tarefa é de literatura. Não sei como resolver, porque eu estava dormindo na aula. Vejo meu celular tocando no canto do tanque, vejo que é a Pri e atendo.
–Alô?
–Oi Leo? – Diz Pri
–Oi Pri, pode falar.
–Esqueci de te avisar que a professora de literatura passou um trabalho, em trio, e como sempre vamos o Reh, tu e eu, ok?
–Pode ser – Digo rindo – É sobre oque?
–Cada grupo tem que pesquisar sobre um escritor, eu pensei em pegarmos um nacional mesmo, já que todos vão pegar os internacionais.
–Pode ser Pri, combina com o Reh e depois me fala oque tenho que fazer.
–Ok, vou indo que tenho que limpar a casa, beijo.
–Beijo Pri, até amanhã.
Estou cansado demais para fazer a tarefa, talvez eu faça mais tarde, deito no fundo do tanque, coloco meus fones de ouvidos e durmo novamente.
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