Dimensão Monstro
4 A Punição do Rei
–Eu? Descendente do rei? – Pergunto perplexo.
–O Leo? – Pergunta Renato gargalhando – Ele não sabe fazer nada, imagina destruir os invasores.
–Mas ele vai! – Diz a velhinha – A profecia está se cumprindo, eles me disseram.
–Mas como assim? Quem te disse – Pergunta Pri desconfiada.
– Os meus amigos lá de cima – Diz a velhinha apontando para o céu e soltando uma risada fininha.
–Eu acho que ela tem problema – Diz Pri sussurrando.
–Acho melhor sairmos daqui – Diz Renato sussurrando também.
–Calma gente – Digo sussurrando para os dois – Vamos ouvir ela.
–Bom – Diz a velhinha me puxando pelo braço – Vou te mostrar uma coisa.
Ela estrala os dedos novamente e uma cartolina sai voando do armário e vai para a mão dela.
–Esse é o rei – Diz ela abrindo a cartolina – O último rei que tivemos na dimensão, ele que assinou o Tratado de Mudança. Ele nos trouxe para a Dimensão Monstro, e os monstros da carruagem de ferro são humanos, os atuais habitantes da outra dimensão, a Terra. E alguns monstros ficaram lá nessa mudança, ficaram lá assustando os humanos, e eles não gostaram muito, e decidiram acertar as contas, e por isso estão vindo atacar a nossa dimensão. Tudo que vocês aprendem na escola é mentira, eles contam que viemos para essa dimensão, porque a terra foi destruída pelo lixo, mas é só para não contar a verdade.
–Mas oque eu tenho com isso? – Pergunto.
–Santo Pé Grande garoto! – Diz a velhinha quase explodindo – Você é o descendente do rei! Isso é tão difícil de entender?
–Senhora! Não sou descendente do rei – Digo para a lobisomem anã – Sou um Marino, e o rei era um voador.
–E a rainha era uma Marina! – Diz Pri – Eu não lembrava disso. Minha vó me disse que o rei e a rainha queriam um filho, mas era impossível, eles eram de raças diferentes, então recorreram para uma bruxa.
–Eu mesma! – Diz a velhinha se aproximando da Pri – Sua vó foi uma ótima bruxa também, juntas fomos as melhores bruxas do mundo, até o acidente de 1857, mas isso não vem ao caso. O rei e rainha vieram até a minha casa e me pediram ajuda, e eu os ajudei. Mas com uma condição, eles não deveriam contar para ninguém sobre a magia.
–Mas eles contaram – Completa Renato – E como punição, eles entregaram a alma deles e o filho para você.
–E o filho era um Marino – Diz a bruxa com um brilho nos olhos – E dei o menino para um casal, Helena e Ricardo.
De repente tudo faz sentido, eu já desconfiava que eu fosse adotado, pois já ouvi uma conversa dos meus pais, mas não tinha certeza, e nunca perguntei pra eles, mas agora tenho certeza.
–Você é o escolhido Leo – Diz a bruxa – Você vai nos salvar.
– Mas como eu vou salvar? – Pergunto para ela.
–Com magia, claro – Diz a bruxa como se a resposta fosse óbvia.
–Mas eu não sei nada sobre magia – Digo decepcionado.
–Eu sei um pouco – Diz Pri levantando da cadeira – Como vocês sabem, minha vó era uma bruxa, ela me ensinou um pouco quando eu era menor.
–Oque ela te ensinou? – Pergunta a velhinha.
–Feitiços de Quatro Elementos, alguns de batalha, e um de fazer pudim de uva, não sei para que eu usaria, mas ela ensinou.
–Isso já está ótimo – Diz a velhinha – E você peludo? Sabe alguma coisa?
–Eu? – Pergunta Renato – Eu não sei nada de magia.
–Assim não dá gente – Diz a velhinha batendo com a cartolina no Renato – vocês tem que me ajudar também — Querida! Você pode me ajudar a ensinar esses bobalhões.
–Claro! Senhora... Como é seu nome mesmo? – Pergunta Pri.
–Pillar, meu nome é Pillar – Diz a velhinha sorrindo.
–Então Pillar, eu estava pensando, poderia fazer o seguinte, você ensina o Leo, e eu ensino o Renato, pode ser? – Pergunta Pri.
–Por mim tudo bem! – Concorda Pillar.
Ela estrala os dedos e tudo volta para o armário. Todos caímos no chão, menos a Pillar, que já estava preparada para desaparecer com a mesa e as cadeiras.
–Mas hoje não vai dar – Diz Pillar – Tenho uma festa para ir, e conheci um lobisomem muito interessante.
–Estamos indo! – Diz Renato sem pensar duas vezes – Voltamos amanhã no mesmo horário.
–Adeus crianças até amanhã! – Se despede Pillar.
Saímos da casa e descemos as escadas. Olho para a casa e vejo ela toda destruída por fora, quem diria que ela seria diferente por dentro.
–Então, senhor príncipe! – Diz Pri se reverenciando – Vai falar com seus pais?
–Acho que não, vou deixar assim por um tempo.
–Mas você vai ter que falar com eles cara – Diz Renato – E dizer que você vai salvar a dimensão.
–Eles vão pensar que eu estou ficando maluco – Digo rindo.
–A Pillar é meio louca né? – Diz Pri rindo.
–É sim, mas ela vai nos ajudar muito nos feitiços – Digo – Ainda não to acreditando nisso.
–Mas vai se acostumando vossa alteza, vou te incomodar muito agora — Diz Renato.
Vamos andando até a pracinha e nos despedimos, vou andando até a minha casa.
–Chegou filho? Estávamos te esperando para o jantar – Diz minha mãe.
–Não estou com muita fome agora mãe, depois eu desço pra comer.
– Mas não fica sem comer Leo! – Grita minha mãe.
–Tá bom mãe!
Entro no meu quarto e me taco no tanque, pego meu computador e procuro alguma coisa sobre magia. Não encontro nada que possa me servir, eu acho, mas tenho que praticar o que eu aprendi com a Pillar, espero que o Re e a Pri pratiquem. Saio do tanque, desço as escadas e vou comer. Fico pensando na profecia, será que vou conseguir vencer os humanos, ou será que não vou aguentar a pressão? Não sei, não quero machucar aqueles humanos, eles devem ter famílias, igual a mim, devem ter amigos, e oque os amigos deles vão pensar? Que um monstro matou seu amigo, não quero ser assim, e espero não ser. Como a comida que a minha mãe fez, volto para o tanque, e durmo.
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