Dilemas

45 Capitulo 45


No final do expediente, Dominique já se encaminhava para casa com Bruno. Mais uma sessão com a psicóloga. Mais uma sucessão de perguntas e respostas que só a faziam acreditar ainda mais que não teria Bruno de volta. Sentia-se animada pela campanha, pela gravidez que ia bem, e se sentia protegida toda vez que chegava ao apartamento.


Sua relação com Bruno tinha melhorado bastante, mas não sabia quanto tempo ia durar. Não comentaram com a psicóloga sobre sua libido e do clima que ficou entre os dois logo depois que aconteceu aquele momento na sala.

Ele foi direto para cozinha. Foi preparar algo para comerem, por ter se esquecido de ir a algum restaurante e jantar fora.

Ela se jogou no sofá e largou a sandália em qualquer canto. Colocou a perna em cima do puf da frente, e ficou admirando a vista linda da cidade. Bruno ligou o rádio para colocar uma musica relaxante e entregou a ela uma revista para mostrar a matéria que fizeram com a empresa dele e com ele.


— Uau! – ajeitou-se um pouco mais no sofá – Por que não me contou nada?

- Era pra ser surpresa. – parecia todo contente – Consegui uma promoção com essa matéria.

- Sério? – ela levantou e o abraçou – Parabéns. – ele a abraçou em retorno, um pouco mais carinhoso do que imaginou – Precisamos comemorar! – sorria – Podíamos aproveitar que hoje é sexta-feira e irmos a algum lugar legal. Que tal?

- Não está cansada não?

- Um pouco. – ela acariciava a barriga – Mas vale a pena!


Do mesmo jeito que estavam, saíram. De tanto darem voltas pelo bairro, resolveram ir para o Outback. Era mais pratico e não perderiam mais tempo.


- Vamos ficar um bom tempo esperando aqui. – Bruno comentou assim que pegou a chave do restaurante.

- Vamos nada. – ela se sentou em um local ali perto – Poderíamos ter chamado as meninas.

- Eu sei. – se sentou ao lado dela – Mas é sobre isso que queria conversar com você. Ainda não é oficial. Existem pormenores a serem resolvidos antes que se conclua e não quero que ninguém fique sabendo alem de você.

- Que bonitinho! – chegou mais perto dele e aproveitou que tinha apoiado o cotovelo em suas pernas e colocou seu braço por dentro. Chegou perto de sua mão e a apertou. Assim que ele a apertou em retorno, puxou sua mão e a beijou. Colocou a sua outra mão como que protegendo a dela por cima, e ela sentiu um conforto sem igual.


Ainda era difícil para Bruno lidar com todo o dilema em sua mente. Parecia que o coração já estava resolvido que o certo era voltar para Dominique, comprar uma casa, terem dois cachorros, mais dois filhos e a maldita cerca branca que todo mundo falava. Sorriu mentalmente do pensamento de mulherzinha que estava tendo.

Aproveitou que ela pegou seu celular e ficou presa em seu mundinho pessoal, mesmo ainda apertando sua mão firmemente e se permitiu pensar no futuro dos dois.


Foram chamados logo pela recepcionista, sentaram-se e fizeram o pedido.


- Me conta mais sobre sua promoção. – Dominique estava empolgada. Por algum motivo que nem ele conseguia entender, contar a ela sobre tudo, nos mínimos detalhes, acabariam com aquela animação inicial.


Preferiu não contar todos os detalhes. Nem que seu diretor estava preocupado com o fato dele estar esperando um filho com ela e que deu o prazo do nascimento para ele se assentar.


- Eu fico muito orgulhosa de você, Bruno! – ela riu e depois ponderou – Isso quer dizer que você vai ficar mais tempo trabalhando que em casa não é? – o que diabos ela estava fazendo?

- É... eu...

- Ora. Ora. – Bruno sentiu duas palmadas em seu ombro – Se não é Bruno Costa? – virou-se e viu Lucas, um amigo da faculdade com a namorada a tiracolo – Cara, eu soube que você voltou ao Brasil, mas ainda não tinha tido tempo de conversar com você!

- Tudo bom? – levantou e o cumprimentou com um abraço.

- Essa aqui é Amanda, minha noiva!

- Prazer Amanda. – Bruno esticou o braço e a cumprimentou com um aperto de mão – E parabéns para os dois! – sorria – Fico feliz que alguém conseguiu enlaçar meu amigo aqui.

- Ah para! – ele riu e olhou para o lado – Dominique?

- Oi. – ela apenas acenou e sorriu para os dois.

- Oh meu Deus! – ele chegou perto e a puxou para levantar e o abraçar – Quanto tempo!

- É verdade!

- Amanda, venha aqui! – chamou a noiva – Quero que conheça Dominique.

- Pode me chamar de Nique! – elas deram dois beijos.

- Ouvi falar muito de você. – ela estranhou – Na verdade, de vocês dois! – ela sorria para não mostrar o constrangimento – E parabéns também! Quantos meses?

- Vou completar três. – sorria com as duas e Lucas arregalou os olhos.

- Que isso hein amigão! – Bruno sorria sem graça – Já estava na hora de vocês dois formarem uma família.

- É claro!

- Por que vocês não ficam para jantar com a gente? – Dominique sugeriu, o que deixou Bruno ainda mais perdido. Como manter uma relação na frente dos amigos, se não estavam juntos?


Em teoria o jantar transcorreu bem. Limitaram-se a falar que moravam juntos e evitavam qualquer pergunta sobre casamento ou coisa do tipo. Quando puxavam o assunto para Lucas e Amanda, os dois conversavam tão animadamente sobre os preparativos, que Bruno imaginou que se um amigo mulherengo como ele, conseguia se transformar em alguém especial, para uma pessoa que Amanda mostrava ser também, ele seria capaz disso também?


- Nós terminamos duas vezes. Na segunda, tirei todas as minhas coisas do apartamento... – ela comentava e tomava um gole da cerveja – Um mês depois ele apareceu na casa dos meus pais com uma aliança. – olhava para ele ternamente – E me pediu em casamento.

- Sabe quando você percebe que não tem como viver sem aquela pessoa? – Bruno e Dominique se entreolharam – É claro. Vocês dois sabem muito bem disso. Vão ate ter um filho. – Lucas ria. Bruno engoliu em seco e para aliviar a tensão, Dominique acariciou a pequena barriga – Enfim, eu vi que não podia ficar sem Amanda. E a pedi em casamento.


O jantar chegou, comeram, continuaram conversando, até que Dominique pediu discretamente para ir pra casa. Estava cansada.

Despediram-se, não sem antes Lucas e Amanda convidarem os dois para o casamento, que seria no inicio de janeiro. Aceitaram com o maior prazer, afinal Bruno não faria desfeita a mais um amigo.


Vinte minutos depois estavam no apartamento. O silencio no caminho de volta, permaneceu ate a hora que entraram em casa.


Para não ter que encarar Bruno e se sentir a pior das mulheres, Dominique preferiu se dirigir direto para o quarto. Ele não sabia o que dizer. Não planejava nada daquilo durante o jantar dos dois, e vê-la daquela maneira, arrasou seu coração. Chegou perto da porta de seu quarto, e pensou muito se era prudente entrar. Queria abraçá-la, mas seria o certo?


Dominique já tinha tirado as sandálias que matavam seu pé. Sentou na beira da cama, e perpassou toda a conversa do jantar. Eles mentiram descaradamente para um antigo amigo, e pra que? Ele teria sua promoção, conseguiria tudo o que sempre desejou e iria para outro lugar. Sabia que o suporte aquela criança sempre existiria, mas pensar em não estar com ele, era algo que a atormentava demais. Deslizou na cama, sem ligar em tirar a roupa. Precisava encostar as costas. Se com a barriga pequena como aquela ela já se sentia morta e cansada, imaginava como seria depois com aquele barrigão.

E pela primeira vez aquele dia, ao olhar sua barriga, sorriu sincera. Estava sendo idiota em ficar apenas presa a pensamentos que não lhe trariam futuro, ao invés de aproveitar aquela gravidez. Finalmente tinha tempo e sanidade para guardar cada momento em sua cabeça.


- Posso entrar? – Bruno bateu levemente e a viu encostada entre os travesseiros – Parece que já está confortável. – sorriu e ela também.

- Entra. To só tentando aliviar um pouco a tensão das pernas e das costas.

- Quer uma massagem? – entrou devagar e já sem camisa. Nem era sua intenção, mas como o calor no Rio de Janeiro era de matar, precisou tirar a camisa para aliviar um pouco a situação – Deixa eu só ligar o ar. – assim que o viu mexendo no ar condicionado do quarto e aqueles músculos em suas costas movendo-se em perfeita sintonia, percebeu que a massagem não seria uma boa ideia.


Quando arrumou a temperatura, fechou a porta do quarto. Voltou-se para ela, que o encarava já com olhos cerrados. Era um olhar novo que lhe lançava, o que acabou lhe deixando sem graça. Sentou perto de seus pés, e antes que pudesse alcança-los, ela puxou a perna.


Why won’t you Love me – Toni Braxton


- Não precisa. – sorriu já ajeitando o vestido – Estou bem.

- Tem certeza? – ela assentiu.

- Você já ligou o ar. Daqui a pouco passa. Vou tomar um banho relaxante e vou dormir.

- Se você quiser eu deixo a banheira preparada. Assim você pode relaxar mais, eu posso...

- Bruno, para! – ela se ajeitou mais na cama e apontou a mão em direção a ele pedindo misericórdia – Não precisa tanta atenção.

- Mas o médico disse...

- Eu sei o que o médico disse. – ela o encarou séria – Mas esta sendo bem difícil lidar com meus sentimentos, quando você é tão atencioso assim. – Bruno sentiu um tapa na cara.

- Eu não fiz por mal, mas você é mãe do meu filho, e o médico disse que precisa de atenção especial... Quando estávamos mais distantes, você pediu que eu fosse mais participativo, sem te pressionar.

- Eu sei, tá legal? – ela concordou, já sentindo que as lágrimas viriam. Que droga de hormônios – Mas, mas... – ele já estava esperando o que viria – Lembra o que aconteceu outro dia na sala? – ele assentiu resoluto – Eu não queria que aquilo acontecesse. Estou tentando manter uma distancia saudável de você, para não sofrer mais. – falou finalmente.

- Nique...

- Não me chama assim. – falava com a voz triste – Eu te amo, droga. – ele parou e se distanciou um pouco – E to tentando me acostumar com a ideia de que não vou te ter de volta. Só que uma coisa é termos um relacionamento de amigos, de pessoas que vão ter o mesmo filho, do que quando você chega todo carinhoso e faz coisas que um namorado faz.

- Mas eu não...

- Eu sei que não. – ela o cortou de novo – Ir a consulta comigo foi algo maravilhoso, mas acendeu uma esperança em mim que você mesmo deixou claro que não deveria existir mais.

- Nique... – ela já o olhava chorosa – Vou continuar te chamando assim. – chegou mais perto dela – Não quero que me interprete mal. – colocou a mão em sua barriga – Mas esse é um laço que vamos ter pra sempre.

- E acaba ai. – ela colocou a mão dele em cima da sua. Bruno engoliu em seco. Por uns dez segundos, tentou não olhar nos olhos dela, mas assim que ela colocou as duas mãos em volta do seu rosto e o fez encará-la, toda a coragem, força, ou qualquer que fosse o motivo que o fazia se afastar dela, foi por água abaixo – Faz amor comigo. – ouviu o pedido dela e seu corpo todo tencionou – Não estou pedindo que case comigo, como o Lucas e a Amanda, mas eu preciso que você me ame.

- Nique... – falou com voz mais grave do que gostaria – Não posso.

- Pode sim. – puxou-o para encará-la novamente – Não sei se são meus hormônios, se é o amor que sinto por você, ou sei lá, qualquer coisa, mas eu preciso de você. Por favor, faz amor comigo.


Olho no olho e todo o sentimento se misturou. Bruno a pegou pela nuca e lhe deu um beijo, que no fundo era algo que todo o seu ser sentia falta. Ela retribuía do melhor jeito que podia. Parecia que nada era capaz de aplacar a saudade que ela tinha dele. Aqueles lábios nos seus eram todo o conforto que ela precisava na vida. Não estava ligando se tinha a ver com a gravidez, se era a necessidade de tê-lo, o desejo que nunca ia acabar, ou se ele estava fazendo aquilo apenas por caridade... Mas ele finalmente tinha baixado a guarda. Os beijos eram intensos, profundos e cheios de sentimentos, que os dois não podiam deixar de transmitir. Ele a puxou para cima, ficando de joelhos na cama, e fazendo com que ela sentasse em seu colo, com as pernas envolta de sua cintura.


Pararam o beijo apenas quando o ar faltava. Dominique queria morrer sufocada, se o seu fim fosse apenas beijá-lo. Não ligava. A sensação era a melhor de todas. Bruno já respirava forte, tentando conciliar a sua parte biológica, com sua racionalidade. Encostou entre seus seios e a abraçou ainda mais forte.


- Isso é uma loucura. – passava as mãos pelas costas dela, o que a fazia arquear as costas e esperar por um beijo em seu colo. E foi exatamente o que ele fez – Mas se continuar assim... – ela o encarou novamente. O olhar dele já era negro de desejo. Isso era bom. Mesmo que o amor morresse, o desejo estaria sempre ali, intacto. Era o mínimo que ela precisava para saciar sua vontade dele.

- Que seja. – beijou sua testa – Mas não importa. – beijou um dos seus olhos, e partiu para sua orelha, passando a língua em volta de seu lóbulo. Automaticamente as mãos dele foram para suas coxas, apertando-as com mais forças do que gostaria. Ela gemeu em seu ouvido sentindo um arrepio da ponta do dedão, até o ultimo fio de cabelo – Mas é uma loucura muito boa.


Delicadamente ele a colocou deitada na cama. Em menos tempo do que poderiam imaginar, já estavam praticamente sem roupa. Assim que ele deitou delicadamente entre suas pernas, hesitou um pouco.


- Isso não vai fazer mal...?

- O médico disse pra gente que não tinha problema...

- Tem certe...? – ela o calou com um beijo. Acariciou seu rosto com uma mão e com a outra em suas costas, quase perto de sua cintura, o puxou mais pra ela.

- Eu tenho toda a certeza do mundo.


Bruno finalmente se rendeu. Tinha deixado de lado todas as suas perguntas. Precisava dela com ele. Algo em seu ser necessitava daquele momento para se sentir completo. Não importava todos os problemas, as dificuldades, ela o queria, e ele a queria mais do que ninguém. O amor podia não estar totalmente em questão ali, o desejo sim. Mas a cada beijo, cada toque, cada gemido de satisfação que ela soltava em seu ouvido, ele sabia que a barreira era fina, e que iria se quebrar a qualquer instante. Todo o seu ser implorava por mais. Ela também. A necessidade de tê-lo para sempre em seus braços era muito maior do que qualquer problema que tinham.


Como tentar definir todo e qualquer sentimento quando a necessidade de sentir é maior do que a de explicar? A redenção concretizou qualquer nuvem que se encontrava em frente ao seus olhos. Mesmo achando que ele mesmo tivesse as posto lá. O dia seguinte já não importava mais. O momento seria guardado para sempre em seus corações.


O mundo parecia voltar a se encaixar no lugar... Os braços dela eram seu conforto, eram sua casa.


(...)


Dominique já dormia em seus braços. Abraçada a ele mais forte do que poderia imaginar para uma pessoa dormindo. E ele sabia o motivo. No fundo ela não queria que ele saísse dali. E ele sabia que não queria sair de lá. Mas prezou pela razão. Olhou para o relógio que marcava quatro da manha. Não conseguia dormir. Não conseguia pensar direito...


Devagar, saiu de seu abraço. Precisava de um banho, precisava raciocinar direito.


Assim que deixou o quarto dela com todas as suas roupas na mão, sentiu-se o maior canalha da face da terra. Provavelmente, ela se sentiria a pior das mulheres quando acordasse. A ideia da medica avisando que ela não poderia ter emoções fortes martelavam em sua cabeça, fazendo com que se sentisse muito mal, mas não podia evitar. Precisava daquilo.


Foi para seu quarto, ligou o ar condicionado e resolveu tomar um banho frio para esfriar as ideias. Mas é claro que mesmo tomando banho, ele não conseguiria esquecer cada pedacinho do momento que tiveram juntos. Eles não fizeram sexo, fizeram amor. E isso era algo imutável.


Assim que saiu do banho e percebeu que não dormiria mais, resolveu pegar uma cerveja na cozinha. Antes, entrou novamente no quarto dela, diminuiu mais a temperatura do ar condicionado e a cobriu mais.


Chegou a cozinha, pegou uma cerveja e foi para a varanda. O ar da noite estava um pouco mais fresco do que o do dia. Olhou para o céu pedindo algum tipo de ajuda.


A preocupação que lhe assolava era que se ele voltasse para ela, todo o trabalho em conseguir que ela falasse a verdade poderia ir por água abaixo. Tinha que encontrar um saída para toda aquela bagunça.


Respirou fundo. Pelo visto o dia seria longo quando ela acordasse. E pensar que ainda tinha a festa do Caio no final do dia.


SABADO DE MANHA


Olhou para o relógio e riu. Não tinha conseguido pregar o olho a noite toda, e o dia já raiava lá fora. Ainda bem que era sábado.


(...)


Preparar o café da manha era demais? Será que ela interpretaria errado?


Precisou colocar em sua cabeça, que mesmo tendo aceitado o fato de que iria ficar com ela, contar agora era perigoso. Teria que ir com calma, para não pisar de vez na bola com ela.


Chegou perto do quarto novamente a viu dormindo tranquilamente. Acordá-la agora seria até pecado. Ela precisava descansar. Decidiu preparar o diabo do café da manha. Não era porque estava pensando mil coisas, que também morreria de fome.


Mal sabia ele que nem ela tinha dormido direito. Sentiu um vazio na cama, e quando viu que ele não estava mais lá, um aperto no peito lhe tomou. Ele tinha se arrependido. Mas também se sentiu feliz, porque sentiu que ele retribuiu. Mesmo que por poucas horas.

Sentou na cama e sentiu o medo chegar forte em seu colo. Aquela relação dos dois afetaria o relacionamento deles de agora em diante. Tinha dito que o amava, droga. Não poderia nem fingir que era coisa de bêbado, porque não tinha bebido um gole. Estava confusa. E de nada adiantaria ficar deitada e criando respostas para perguntas que ela não sabia responder.


Vinte minutos depois, Bruno abriu a porta do quarto para avisar que o café da manha estava pronto. Mas ela já estava arrumada e terminava de ajeitar a cama.


- Acredito que esteja com fome. – ficou escorado com um braço no vão da porta e o outro se apoiando na maçaneta. Estava atento a cada movimento dela.

- Fome eu tenho o dia inteiro. Afinal, como por dois. – sorriu e chegou próxima a porta. Encararam-se. Engoliram e seco ao mesmo tempo, sem saber qual tipo de reação era a mais sensata. Ela queria dar um beijo de bom dia. Ele queria abraçá-la.

- Desculpa esfarrapada. – saiu do caminho para que ela pudesse passar. Optou pelo mais seguro, o que a fez se resignar – Essa fome sempre existiu. – foram andando para a cozinha – Não precisar usar o bebe de desculpa. – ela lhe deu a língua. – pegou uma maçã em cima do balcão e começou a comer.

- Engraçadinho você.


Jogaram a peteca um para o outro e no final ela caiu no chão. No meio do campo, deixando o jogo empatado. Bruno riu internamente. Ela se fazia de desentendida. Ele o mesmo. O de sempre. Teriam 90 anos e continuariam com a mesma infantilidade de quando se conheceram.


Para não piorar o constrangimento que estava começando a ter, Dominique resolveu comer. Assim ficaria com a boca cheia e não teria que responder qualquer pergunta que ele fizesse.


- Como sei que você não pode tomar café...

- Uma das desvantagens em ficar grávida. – completou ela. Colocou mais um bolinho na boca. Ele apenas riu.

- Enfim... Fiz suco de laranja para você. – para não abrir a boca, ela apenas assentiu com um ok de mão. Ele riu de novo e ela estranhou.


Sentou de frente para ela. O silencio tomou conta por uns vinte minutos, até ela reparar que ele não mais comia e só a observava.


- Que foi? – colocou o guardanapo em frente a boca.

- Vai comer a dispensa toda só para fugir de conversar comigo? – ela parou imediatamente de comer e olhou para o prato para não olhar nos olhos dele.

- Não. desculpa.

- Eu não ligo se for pra manter o meu filho alimentado... – deu de ombros – Mas sabemos que está fazendo isso pra passar mal e fugir de mim.

- Não é minha intenção. – ele arqueou as sobrancelhas – Não 100%. – acabaram rindo.

- Uma hora a gente vai precisar tocar no assunto.

- E precisa ser agora?

- Quer conversar quando tiver em trabalho de parto? – ela o olhou chocada – Desculpa. – ele riu olhando pro nada – Mas é bem a sua cara começar a jogar verdades quando tiver sentindo dor.

- Cretino! – jogou o guardanado em cima dele. imaginou que fosse ficar sério, mas de fato, ele estava de bom humor – Pensei que ia encontrar com você e estaria emburrado. Desgraçando-se e querendo me matar por ter feito você dormir comigo. – respirou fundo e esperou a resposta.


Ele bebeu um gole de café, pegou sua caneca, levantou-se e sentou ao seu lado.


- Você não me obrigou.

- Não fisicamente. – tentou conter um pouco o choro que queria vir – Mas emocionalmente... – bufou – Os hormônios não me deixam respirar direito.

- Quer dizer que culpa agora é dos hormônios?

- Não. – corrigiu-se – Quer dizer, em grande parte sim. Eu não teria pedido isso em sã consciência, na situação em que a gente se encontra. – respirou fundo – Mas não foi mentira. Nada do que eu disse.

- Entendo. – ele se apoiou na mesa – Não é que você esteja esperando que a gente volte não é? – ela engoliu em seco.

- Não. eu já entendi que isso não vai acontecer.


Bruno sentiu as duras palavras saindo da boca dela. Aquele momento seria certeiro para fazê-la pensar o contrário, pedi-la em casamento, se fosse necessário, mas só conseguiu encará-la calado.

Ela o olhava de volta. Tentava manter contato visual, esperando que conseguisse ler os pensamentos dele.

Para não piorar a situação, ele a abraçou. Os dois sabiam que a conversa tinha terminado ali, mas em seus íntimos, queriam que o mundo parasse para sempre naquele momento, para que nunca mais saíssem do braço um do outro.


CONDOMINIO ANIMALE


Aline e Leticia levantaram praticamente juntas. A sexta tinha sido difícil. Letícia tinha voltado bem tarde com Tiago da festa da faculdade. Aline e Dennis do jantar com Charles de Diana.


- Será que finalmente Diana e Charles vão assumir um romance? – Leticia falava enquanto Aline ia para a área de serviço com as roupas sujas. Será que estava tão óbvio assim? Tudo bem, que naquele jantar, só faltavam as mãos dadas... Algo tinha acontecido em Fortaleza.

- Eu não sei do que você ta falando.

- Sério mesmo? – aparecia com o pote de café na mão – Eu acho que se não tiveram alguma coisa, estão partindo pra isso.

- Se eles forem ter algum relacionamento... – Aline comentou enquanto escolhia as roupas que iam na máquina – Espero que sejam muito felizes. Dariam muito certo.

- Ahá. – Leticia apontou e riu – Sabia que você sabia de alguma coisa.

- Eu não sei de nada. – bufou e chegou na cozinha depois que ligou a máquina de lavar – Só estou comentando algo que eu acho que vai dar certo.

- Eu tenho certeza. – já pegava os pães do dia anterior, colocava manteiga e colocava no forno – Sem desperdícios.

- Por mim... – deu de ombros – Vou tomar banho.


CONDOMINIO MARTIN


Dennis e Tiago saiam do quarto ao mesmo tempo. Dennis ria do irmão que parecia ter uma cara de que não tinha dormido direito. Chegaram a sala de jantar, com o café da manha preparado por Marta.


- Eu não quero falar sobre isso. – Tiago olhava para o irmão que ria – Como foi o jantar com Diana e Charles.

- Ainda acho que os dois transaram em Fortaleza.

- Modos rapaz! – Ariana entrou com o café para colocar em suas xícaras – Seu primo não sai fazendo essas coisas ai não.

- Ah, desculpa Ariana! – Dennis respondeu e apontou o pão pra ela – Então ele fez amor com Diana. – tomou um tapa na cabeça.

- Eu disse respeito.

- Como se ninguém aqui nessa casa fizesse sexo Ariana. – Tiago comentou quando ela o olhou irada. Saiu da cozinha pisando forte no chão e os dois se encararam sem entender nada.

- Acho que ela não faz isso não. – Dennis sussurrou, o que soltou uma gargalhada do irmão – E eu sei que ele quer ser discreto com a vida dele. Me admira termos visto aquela moça com ele..

- Depois eu que não gravo o nome das pessoas. Monalisa.

- Whatever Tiago. Você não lembra o nome da garota que eu sei que saiu com você, mas lembra da que saiu com o Charles?

- Você acabou de falar que é raro vê-lo com alguém. Isso fica na cabeça.

- Aham. Sei. Só te perdoo porque eu sou do mesmo jeito. – deu de ombros.

- Não muda de assunto. – Tiago disfarçou – Estávamos falando do Charles.

- Eu estava falando dele. – Dennis foi enfático – Você lembra dela. – bateu na mesa – Bora, fala logo.

- Eu não lembro de ninguém.

- Não tem problema. Eu pergunto pra Aline o nome delas.

- E você acha mesmo que ela vai sair falando o nome da garota sem mais nem menos? – Tiago cruzou os braços.

- Eu tenho meus meios de perguntar isso pra ela. A não ser que você queira me contar logo quem ela é.

- Que saco cara! – virou o café logo de uma vez.

- Isso ai não dose de tequila não. – comentou apontando a faca que passava manteiga no pão – Eu já disse que vou descobrir. Se tem uma coisa que a nossa família tem de bom, é o dom para descobrir as coisas.

- Ok. Ok. – Tiago se rendeu – Na hora que não me lembrei dela não. Mas com você enchendo a merda do saco... O nome dela é Helena. – Dennis sorria – Estudamos juntos. Uma matéria em um período.

- E...?


- Existe um motivo de eu ter bloqueado ela da minha cabeça. – ele parecia sério, o que acabou com o sorriso de Dennis – Ela engravidou. – Dennis engasgou – E na época disse que o filho era meu.