Dilemas

43 Capitulo 43


Dennis ainda não estava muito satisfeito com a situação complicada que tinha se instaurado ali. Aline não parecia satisfeita com alguma coisa, mas o repelir daquele jeito era sinal de que não queria conversar. Ele entendia, tinha muita coisa em sua cabeça, pressão por todos os lados, mas ele também tinha. Então ficava apenas esperando uma oportunidade de comentar alguma coisa sem que a irritasse ou a deixasse ainda mais entediada.


O silencio foi tomado durante o trajeto. Aline não sabia se ele estava irritado pelo telefonema, ou se por ela tê-lo ignorado até agora. De fato, precisava de um silencio profundo para tentar racionalizar as ideias em sua cabeça. E por um lado ate o agradecia por estar quieto. Mas sabia que não poderia ignorá-lo para sempre. Assim que ele estacionou o carro, tirou o cinto de segurança e virou de lado no banco.


- Desculpa. – começou devagar.

- Sobre? – ele soltou o cinto e se acomodou mais no banco.

- Por ter ignorar. – sorriu sem graça – Estou ficando meio louca com tudo o que está acontecendo e está meio difícil de lidar.

- Sem problemas. – pegou sua mão e a beijou – Não te culpo, joguei tudo no seu colo. Ficou praticamente sozinha tomando conta de tudo.

- Com o trabalho eu posso lidar. – ela chegou mais perto e encostou o queixo em seu ombro. Ficaram a centímetros do rosto um do outro e ela admirava o olhar que ele lhe lançava – Mas existem outras coisas envolvidas fora dele.

- Antony? – ela apenas meneou a cabeça concordando – Acha que ele vai ser um problema?

- Que seu irmão não saiba disso, mas ele vai correr atrás da Leticia.

- E eu não posso falar isso pro meu irmão? – ele se afastou. Ela negou com a cabeça – Por que?

- Ela já falou comigo. E eu não posso ficar contando detalhes dos dois. Acho que ela que tem que ter essa coisa sozinha. Eu sei que ela gosta do Tiago, e que vai agir de maneira a repelir o Antony.

- Mas ele não vai aceitar.

- Pode ser que sim, pode ser que não. Queria te pedir um favor. – chegou mais perto – Eu vou falar com ela, ela vai falar com ele e vou pedir para ele ir ao apartamento para termos uma conversa com ele. Nós duas.

- Não acho isso certo não. – ele negou – Não porque não confio em você, mas ele se de repente decidir que vai querer que vocês trabalhem pra ele, eu perco a campanha e ficamos num beco sem saída.

- Eu quero que confie em mim. – passou a mão por trás de sua nuca, apertou com força comedida e acariciou os seus cabelos – Precisamos conversar pra ninguém sair prejudicado.

- Ok. Ok. – colocou uma mão na coxa dela e apertou também. Ela apenas sorriu – Mas quero saber o que vocês conversaram.

- Pode deixar. – ela aproveitou e o puxou pela nuca para beijá-lo. E claro que ele iria retribuir. Apertou ainda mais sua coxa fazendo-a arfar entre os beijos. Ela se interrompeu antes que acabassem não almoçando – Vamos. Estou morrendo de fome.


Assim que se instalaram em uma mesa no restaurante, começaram a conversar sobre o comercial. Aline recebeu uma mensagem no celular de Diana. O voo que estava com Charles tinha sofrido uma alteração, e tiveram que trocar de aeronave. Iam chegar mais tarde que o previsto, então ela só apareceria na empresa no final do dia.


- Diana vai chegar na empresa por volta das seis. Isso se ela conseguir chegar. O transito deve estar uma maravilha. – ele concordava – Charles esta com ela.

- Sério, por que os dois não assumem logo? – Aline largou o celular na mesa e o encarou – To falando besteira?

- Você já tinha comentado alguma coisa sim. – ela disfarçou – Mudando de assunto, queria te pedir uma coisa. Sábado tem uma festa na casa de um... – parou pra pensar no que ia falar

- De um? – ele olhava o cardápio já para fazer o pedido. O garçom estava parado ao lado dele, esperando o que ele ia pedir.

- De um ex-namorado. – ele apenas levantou o olhar para ela – Enfim, a gente se encontrou, estava com a Nique, e ele é amigo do Bruno. Ele disse que a mãe dele queria nos ver, e convidou a todos, inclusive Leticia. Enfim, vai todo mundo, é pra comemorar uma coisa ai da mãe dele da empresa dela, misturado com mais alguma coisa, virou um festão, e ele pediu para gente comparecer. Claro, levando nossos namorados e tal. – ela desatava a falar e o garçom disfarçou e afastou-se um pouco – Eu meio que já confirmei a nossa presença, até mesmo porque eles têm aquela coisa de RSVP, e claro que não podia ficar enrolando...

- Seu ex-namorado? – ele a interrompeu antes que ficasse sem ar – Ele te convidou? – ela assentiu – E desde quando você o encontrou com Nique e tal....

- Sem ciúmes tá? – ela se afastou um pouco da mesa – Foi no shopping. A gente tava passeando, nos encontramos por acaso... Enfim.... Eu não posso deixar de ir, porque gosto muito da mãe dele. E é um momento especial pra ela...

- E pra ele também, pelo visto. É o tal do Caio?

- É. – ela corou – Eu não aceitaria isso se não soubesse que é seguro irmos.

- Quando você aceitou? – ele chamava de novo o garçom e parecia mais calmo – Poderia ter me perguntado antes.

- Vamos pedir primeiro e depois a gente conversa direito.


Ele olhava o cardápio já sem saber o que queria comer. Desde quando ela aceitava convite de ex-namorado para qualquer coisa que fosse? E logo o tal que a fez sofrer? Ele tinha ido para Fortaleza por uns dias e era essa loucura toda que acontecia? Afinal, como poderiam as coisas irem tão rápido em tão pouco tempo?

Aline já tinha perdido a fome. Pediu uma salada qualquer só para não ir com o estomago totalmente vazio para o escritório. Depois pediria algo para comer. Isso se o bolo que estava em seu estomago parasse de azucrinar suas ideias. Quando percebeu que ele a olhava esperando uma resposta, seu telefone tocou de novo. Era sua mãe.


- Dona Aline????

- Oi mãe. – atendeu já percebendo pelo tom de voz que algo bom não vinha.

- Desde quando Caio sabe meu numero de telefone?

- Desde que a senhora tem o mesmo há mais de dez anos. – olhava suas unhas e Dennis já parecia distraído com o próprio celular.

- Você vai a festa da mãe dele? – pronto, mais gente pra ir e deixar as coisas mais complicadas do que já estavam.

- Vou.

- E seu namorado novo vai com você?

- Mae, to almoçando, estou cheia de coisas na empresa pra fazer e to sem tempo.

- Quer dizer que ele não vai. – ela conclui seria.

- Não mãe. Ele vai sim. Comigo. – Dennis já a encarava – E vamos ter que cancelar o jantar na sua casa, porque estou cheia de serviço pra resolver com ele, amanha tem o comercial que vamos apresentar e está uma loucura na empresa.

- Ok. – ela fez um muxoxo – Não tem problema. Vamos conhecê-lo na festa então.

- E você vai? – alarmou-se e ele apontava com a cabeça querendo saber o que era. Seus pratos chegaram e ela apontou para que ele começasse a comer.

- Mas é claro que eu vou. Já que ele conseguiu me achar e a mãe dele me encontrou no salão de beleza hoje de manha, e fez questão da minha presença lá, é claro que eu vou.

- Então a gente se vê lá. Manda um beijo pro papai. – desligou o telefone antes que a mãe desatasse a falar ainda mais.


Dennis não falou nada. Ela também não. Comeram, pagaram a conta, foram para o carro. Silencio. Ninguém se dava o trabalho de começar uma simples conversa até que o telefone de Dennis tocou e ele viu que Antony pediu uma reunião naquele dia com ele.


- Antony quer uma reunião hoje.

- Você deveria aceitar.

- Eu já aceitei.


Silencio novamente.


- Não vai falar mais nada? – Aline encarou-o quando o sinal fechou e o carro parou – Sério mesmo?

- Quer que eu fale o que? – respondeu desleixado – Que não concordo de você ter aceitado a ir essa tal festa? Que ele tá se aproveitando da festa da mãe dele para se aproximar? Que pelo visto chamou seus pais para ter mais munição para te convencer a voltar pra ele?

- Uau. – ela se assustou com a sucessão de perguntas retóricas.

- Agora minha dúvida é se você é tão inocente assim a achar que é só por causa da mãe dele, ou se quer desfilar com um namorado novo só para provar pra ele que deu a volta por cima.

- Eu não... – ela se sentiu ultrajada, mas ficou quieta. Ele não estava tão errado assim.

- Inocente eu sei que você não é. Então posso concluir que é a segunda opção.

- Eu gosto da mãe dele. Ela não tem culpa dele ser um completo canalha. – tentou diminuir a culpa.

- Você pode encontrar com ela em qualquer momento da sua vida. – ele já parecia mais irritado, porque ela não parecia ter ouvido uma palavra do que ele disse.

- Não é você que decide isso Dennis. – olhou para ele novamente e percebeu que ele se irritou ainda mais – Eu posso estar sendo inocente no sentido de achar que não tem nada demais, mas não é você que decide quando eu vou encontrar com quem ou não.

- Eu não disse nada disso Aline. – chegou ao prédio dela – Mas depois de tudo que aconteceu, você quer mesmo colocar mais um problema no meio? Porque me desculpe, ele voltar pra sua vida é um problema sim.

- Ele não está voltando pra minha vida, pelo amor de Deus. – agora quem se irritava era ela – Está fazendo tempestade em um copo d´agua. E não vem me falar nada dos problemas, porque eu aceitei ir antes de você vir com aquela bomba no meu colo.

- Ótimo. Quer dizer que você aceitou ir a uma festa do seu ex-namorado sem nem antes me consultar? – ele não acreditava no que estava ouvindo – Eu to ficando maluco não é possível. Eu te ligo de outro estado para perguntar se tem problema em sair pra uma boate com outras pessoas e você aceita um lance desses sem nem antes me consultar? To ouvindo isso mesmo?

- Ah é, você foi logo sair com o Matias e olha no que deu. – cruzou os braços.

- Não foge do assunto, eu não to falando de ter ido com o Matias e sim de te ligar pra perguntar se tinha problema sair. Eu não simplesmente sai e te liguei da boate dizendo que já estava lá. – deu com as duas mãos no volante do carro – Sei lá, mas to achando que no fundo você ainda gosta dele.

- Dele quem? – alterou a voz – Do Caio? – olhava pra Dennis sem acreditar – Sério mesmo que está me dizendo isso?


Ele ficou quieto. Como não obteve resposta, saiu do carro e bateu a porta com tanta força, que não quebrou o vidro da janela por um triz.

Dennis encostou a cabeça no volante enquanto o carro ainda parava de tremer. Não acreditava que estava tendo mais uma briga com ela. Ele estava tão errado assim?

(...)


Dominique ainda terminava de preencher um ultimo formulário para o cliente. Assim que viu Aline entrando que nem um furacão pelo setor dele, percebeu que coisa boa não vinha. Levantou e a acompanhou para o banheiro feminino mais próximo e assim que ela percebeu que só tinham as duas ali dentro, trancou a porta por dentro.


Aline andava de um lado para o outro. Jogou a bolsa na pia de qualquer maneira, tirou os sapatos e ficou descalça tentando se alongar apoiando-se na pia. Dominique arrumou uma cadeira ali perto e esperou o ritual terminar acariciando sua barriga. Minutos depois, Aline levantou o rosto e começou a chorar. Já nem sabia mais se chorava de raiva, frustração, estresse, tristeza, ou tudo junto.


- O que aconteceu? – Dominique não se moveu. Apenas esperou que ela se acalmasse um pouco mais. Aline sentou no chão perto dela e encostou a cabeça em suas pernas – A ultima vez que te vi assim você tinha visto o Caio com outra.

- Nem me lembra esse infeliz!

- Encontrou com ele novamente e vocês brigaram? – ela negou com a cabeça – Mas tem a ver com ele.

- Tem. – acalmou-se um pouco mais e encostou em uma parede próxima – Nem sei por onde começar.


Aline não tinha contado da historia de Antony direito para Dominique, nem de Matias. Contou das discussões tomando o maior cuidado em não revelar nada que a alarmasse demais. Ela não podia ficar estressada com mais motivos que já tinha.


- O que você acha?

- Preciso mesmo dar minha opinião? – olhou para Aline e pegou uns lenços que estavam a mão e lhe entregou – Limpa esse rosto. Você está horrível.

- Acha que o Dennis vai terminar comigo depois disso?

- Não sei.

- Eu fui muito idiota com ele não fui? – ela parecia insegura novamente. E não era isso que ela queria.

- Olha amiga, eu tenho minha opinião formada, mas é complicado porque não sei se você vai reagir bem ou não. – olhava para as mãos e depois para Aline. Ela ainda tinha aquele olhar esperançoso – Vou falar, mas depois não diz que não avisei.

- Vamos logo.

- Pode até ser que ele tenha sido meio rude e ciumento em achar que você ainda gosta do Caio, mas eu concordo com ele no sentido de que você quer mostrar que deu a volta por cima.

- Eu sei. – confirmou derrotada – Mas ouvir isso dele fez-me sentir tão suja. Não sei explicar. Como se não tivesse me desconectado totalmente dele.

- Ele tentou alguma coisa com você Aline? – ela desviava o olhar – Fala logo. – deu um chute de leve em suas pernas.

- Não se chuta cachorro morto.

- Ah mas você tá bem viva! – riu e se levantou – Agora já entendi. Teu problema é fogo no rabo. – Aline a olhava chocada – Tu tem uma atração forte pelo imbecil. E tá com medo dele dar em cima de você e não conseguir resistir. Eu sinceramente não sei como você ainda se deixa levar por ele, porque com um namorado com o Dennis...

- É pura atração sexual. – levantou já melhorando o temperamento – Eu achei que tinha superado totalmente, mas não. Ele tentou me beijar naquele dia no prédio do Bruno. – Dominique a olhava de canto de olho e balançava a cabeça de um lado para o outro sem acreditar – Eu consegui resistir.

- E acha que levando Dennis, desfilando com ele pra tudo quanto é canto da festa vai fazer o Caio se afastar? Logo o Caio? – riu sem humor – Falei que era má ideia ter ficado com ele naquele dia. Eu sabia que ia dar merda depois, mas você não me escuta.

- Para de falar. – reclamou e ajeitou a maquiagem – Eu sei que você tá certa.

- Eu sempre to certa. Sou sua consciência. – riu vitoriosa e Aline lhe mostrou a língua – Agora vê se para de dar uma de criança, volta ao modo Aline segura, resolve seu problema com o Dennis, que esse sim te ama, e pede desculpas.

- Mas...

- Mas nada. Se arruma ai que eu tenho uma penca de coisa pra fazer e você minha amiga, me atrasou bastante.

- Por uma boa causa. – fez dedo de escoteiro e Dominique revirou os olhos.

- Eu deveria era te dar uma surra!


PP


Dennis entrou furioso em sua sala. Pegou a primeira bebida disponível no bar e saiu virando logo duas doses. Sabia que tinha passado um pouco dos limites e que pela situação que se encontravam era complicado agir daquela maneira com ela, mas era meio difícil de engolir aquilo tudo. Tiago entrou na sala e viu o irmão já largando paletó para um lado, sapato para o outro e percebeu que bom ele não estava.


- Volto depois? – ele negou com a cabeça – Tá. – fechou a porta – Vou sentar aqui e quando você resolver conversar, eu ouço.


Dennis soltou tudo que estava entalado. Tiago apenas ouvia atentamente o irmão e por mais que não quisesse admitir que sentia um pouco de ciúme da situação toda, percebeu que o irmão entrou a fundo no lance do relacionamento sério. Muito mais do que ele. E passando por tudo aquilo, era sinal de que ele gostava mesmo de Aline. Não tinha como negar. Ele já tinha perdido aquela parada há tempos. O jeito era seguir mesmo com a vida dele, e se Leticia ainda estivesse incluída no bolo, seria apenas um plus.


- Tá me ouvindo? – Dennis o tirou de seus pensamentos – Não vou ter que repetir tudo, vou?

- Não. – sorriu – É que tá dando pra perceber que você gosta mesmo dela não é?

- Eu a amo Tiago. – Tiago engoliu em seco – E não sei se isso tem sido algo bom ou não. já parou para pensar que em tão pouco tempo, nosso relacionamento já foi posto a prova, mais vezes que relacionamentos de anos? – ele apenas assentiu – Eu não consigo entender o que eu to fazendo de errado pra tudo estar dando errado.

- Mas não está. – se era para atirar no próprio pé, que fosse – Cara, Aline te ama. Ela não gosta daquele cara. E você não precisava ter dito que ela queria mostrar que deu a volta por cima assim tão na lata.

- Eu sei. Ela me olhou com tanto ódio que achei que fosse me bater. – sentou e olhou para o irmão – Mas não estou errado. E isso me irrita. Eu nunca faria isso.

- Eu sei de tudo isso. Você é diferente de mim.

- Você faria isso. – concluiu e riu.

- Provavelmente. – riu-se. Nesse ponto, ele e Aline casavam direitinho – Acho que a pessoa merece ver e ouvir que perdeu. – de fato estava dando um tiro no próprio pé, porque ele estava vendo isso bem na sua frente quase todos os dias e Aline nem percebia que era algo inconsciente. – E acho que você deveria estar lá ao lado dela. O cara é um safado de marca maior. Sacaneou ela sem dó nem piedade.

- Você vai também, tá sabendo?

- To. – respondeu e Dennis se assustou – Letícia me contou hoje mais cedo. – Vai falar com ela?

- Agora não. Acho que vou deixar pra mais tarde, ou amanha. – Tiago não entendeu nada – Você não está entendendo como ela está atarefada. Acho que se nos encontrarmos agora só vai atrasar nosso trabalho e nos estressar ainda mais.

- Ai é com você. – levantou – Vou deixar esses papeis nessa pasta para você analisar e assinar. O jurídico acabou de me mandar. Vou trabalhar também, porque tenho é coisa pra fazer.

- Ok.


MP


O dia ainda transcorria de maneira tranquila. Aline ainda tentava se concentrar em todos os seus problemas de trabalho, ao invés de pensar na briga com Dennis. Leticia a olhava vez por outra tentando entender porque tinha ficado tão fechada depois do almoço. Sabia que tinha algo a ver com ele, mas como ela não falava nada, não achava justo ficar pressionando. Ela já tinha pressões demais para um dia só.


- Aline. – Amanda entrou na sala ainda afoita – O pessoal da produção está te chamando de novo. – Aline bufou – Disseram que é algo importante.

- Como sempre. – levantou cansada e entregou uma pasta para Leticia – Dá uma olhada nesse portifolio. Me disseram que estava pronto, mas tem alguma coisa que não está batendo.

- Ok.


Aline foi novamente para a produção. Foi tomada por uma surpresa muito grande ao ver que só tinham os chefes sentados. O resto do setor estava todo vazio.


- Aconteceu alguma coisa aqui?

- Pedimos que deixassem tudo vazio para que você pudesse ver o comercial em primeira mão, sem interrupção, sem barulho, enfim... Senta aqui.


Aline esperava que tudo ficasse realmente bom. O dia ainda não tinha nem terminado e trabalho era o que não faltava. Assim que se instalou em alguma poltrona, os editores sentaram junto com ela e passaram o comercial. 25 segundos que pareciam longos para eles. Não sabiam qual seria a reação dela. Assim que terminou, um sorriso se instaurou em seu rosto. Ela olhava orgulhosa e satisfeita para os dois. Finalmente o trabalho tinha dado resultado.


PP – 17:00h


Tiago ainda terminava de resolver pendências com outro cliente. A reunião tinha sido exaustiva, mas finalmente tinha acertado a propaganda. Conversaram mais um pouco e assim que saiu de sua sala, viu Antony sentado na recepção. Não sabia se sorria ou se fechava a cara. Aquele cara queria Leticia. E ele não estava disposto a entregá-la de mão beijada de jeito nenhum. Claro que Antony já devia saber do relacionamento dos dois. Quem procura saber das coisas, sempre acha.


- A que devo a honra Antony? – ele levantou e cumprimentou Tiago assim que o viu chegando em sua direção – Veio pra alguma reunião?

- Sim. Falei com o Dennis mais cedo e pedi para termos uma reunião rápida. Estou com uma certa pressa pra fechar negócio.

- Que bom! – ele sorriu – Quer esperar na sala de reunião? Eu peço para trazerem alguma coisa pra você, café, suco, chá. Algo para comer se quiser.

- Eu aceito o café. To cheio de sono. – riu – Podemos ir conversando antes disso?

- Claro. – ele sorria satisfeito. Não sabia o que o irmão tinha conseguido fazer para trazer Antony ali. Mas que pelo visto algo finalmente tinha dado certo, tinha.


(Uma hora antes)

MP


Letícia estava entretida em seu trabalho, tentando finalizar o portfólio que Aline tinha lhe entregue. Já tinha chamado Deus e o mundo pedindo todas as fotos do mundo, e encontrava-se agora na sala da edição com o fotografo, a editora de moda e o designer.


- Não está bom. Esse layout não ficou legal. E esse papel não é o tipo que pedi.

- Mas Leticia, não precisamos daquele papel. O layout não vai sofrer diferença.

- Vai sofrer muita. Vocês mesmos me disseram que o papel influi na cor. Não quero saber, não vou apresentar isso para o cliente se estiver com o papel errado. – bufou e sentiu seu telefone tocar – Pede para o boy buscar na papelaria o papel que eu pedi, muda, que daqui a uma hora eu volto pra ver isso. Preciso apresentar amanhã de manhã antes dos Palmas chegarem para reunião.

- Ok.


Saiu da sala da edição. Pegou o celular e viu que o numero era o do Antony. Ela já tinha marcado aquele numero na cabeça desde quando ele ligou pra ela e ela estava almoçando com Bruno.


- Fala logo o que você quer.

- Que isso meu amor, não precisa ficar nervosa.

- Não me chama de meu amor. – sussurrou e foi para a escada do prédio – Não quero você me ligando, nem perturbando meu juízo, não já terminamos? Foi pra sempre. Nunca mais vamos ficar juntos.

- Nunca diga nunca Le. – ele ria do outro lado – Estou na porta do seu prédio, acho melhor você descer e me encontrar, senão eu subo.

- Aqui? – ela se alarmou – Ficou maluco?

- Maluco por você sim. – ria novamente – E não vem dizer que eu não consigo subir. Sei ser muito persuasivo quando quero.

- Já to descendo.


Letícia queria xingar o mundo todo. Ele não poderia estar falando sério, o que diabos estava fazendo ali? Tibet o caramba isso sim. Essa ideia budista foi tudo desculpa na época para não terem nada mais sério. Como queria enfiar a mão na cara dele.


Assim que chegou ao andar de baixo, recebeu uma mensagem que ele estava no café esperando por ela. Chegou e o viu de costas em uma mesa distante. Estacou ali mesmo. De costas, ele já parecia muito mais homem de quando ela o deixou. O cabelo um pouco mais curto, com aquelas duas pintas que sempre faziam com que ela o beijasse bem ali, uma cor mais viva do que a de costume, aquela postura linda e ao mesmo tempo irritante.

Ele parecia sentir sua presença, porque assim que ela deu outro passo, ele se virou e abriu um sorriso que só ele sabia dar. Suas pernas vacilaram por um momento. Ele de fato estava mais lindo do que antes. Como era possível uma coisa dessas?


- Boa tarde, minha linda! – ele levantou e chegou perto para cumprimentá-la. Mesmo com a postura rígida, ela não pode deixar de sentir o cheiro do seu perfume. Só quem já passou por uma situação dessas sabe como é complicado fazer o corpo não reagir quando a química é mais forte do que qualquer coisa.

- Não tenho muito tempo para conversar. – ela nem o deixou beijá-la direito, afastou-se e sentou em frente a cadeira dele – Vamos logo ao que interessa. Que invenção é aquela de colocar Aline pra ser modelo de campanha? Ficou maluco? Quer que ela perca o emprego dela?

- Não, ela é minha amiga e não desejo mal nenhum a ela. – respondeu sério.

- Então essa palhaçada toda é para conseguir minha atenção? – cruzou os braços indignada.

- Tá me olhando assim porque? – sorriu safado – Eu sei que você gosta.

- Você passa não sei quanto tempo lá onde judas perdeu as botas, não da satisfação, não liga... Poxa, foi você que terminou comigo.

- Epa, quem terminou aqui foi você. Eu pedi para vir comigo. Você que não quis.

- Que seja. – balançou as mãos em desdém – O que importa é o presente.

- O que importa é que ainda te amo. – ela engoliu em seco – Eu não tenho intenção de ficar aqui de verdade, mas se você disser que me aceita de volta, eu faço o que for necessário para ficar com você.

- Agora que você me diz isso? Eu já refiz minha vida, já estou namorando, estou apaixonada por outra pessoa.... – balançou a cabeça em negativa – Olha, eu não vim até aqui pra isso. – ficou mais calma antes que mandasse qualquer coisa pra cima dele.

- Toma um chá.

- Quero chá coisa nenhuma. – reclamou – Quero que você aceite lá o projeto e nos deixe em paz.

- Que projeto? – ele estranhou – Do que está falando?

- Você sabe do que eu estou falando, não se faça de idiota. – levantou revoltada – Como se eu não soubesse que você pesquisou toda a nossa vida antes de voltar e chegar do jeito que chegou. – ele riu e assentiu. Claro que não era nenhum idiota.

- Me admira Aline ter quebrado o sigilo. Ou até seu namorado. Só mostra que não são de confiança.

- Me poupe você. Eu só to sabendo dessa palhaçada porque você correu atrás de mim. Todo mundo aqui é profissional. E ninguém quer perder o emprego por causa disso. – cruzou os braços novamente.

- Eu só queria sua atenção Leticia. – olhava pra ela já parecendo mais o Antony de sempre – Eu já disse que não quero prejudicar ninguém. Vou aceitar a campanha por vários motivos e isso inclui você.

- Eu? Mas eu não tenho nada a ver com isso. – reclamou e depois entendeu o que ele queria – Voce não vale nada Antony. – saiu andando e depois voltou quando percebeu que ele já ia atrás dela – Não é nada bom sermos vistos juntos. – olhou para os lados.

- Não vou desistir Leticia. – chegou mais perto – Vou ter você de volta.

- Nos seus sonhos. – sorriu pra ele já mais meiga – Por favor, não estraga as coisas por conta da gente. Não vamos misturar as coisas.

- Ok. – pegou levemente sua mão e ela tirou rapidamente – Desculpa. Podemos jantar depois?

- Sério isso? – não acreditava no que estava ouvindo de novo – Tchau Antony.


Assim que entrou no elevador, procurou tomar todo o ar que tinha perdido enquanto conversava com ele. O corpo todo tremia, as pernas estavam bambas e o cheiro dele estava por todo seu ser. Menos de cinco minutos de conversa e ele ainda conseguia deixa-la quase a mercê dos seus encantos. Por pouco não se deixou levar. “O que importa é que ainda te amo.”. Mas porque o maldito tinha que tocar nessa palavra justo agora?


Parecia estar sentindo ainda a mão dele na sua, mesmo que por poucos segundos. O toque de seu andar a acordou para realidade. Deu de cara com Aline, que parecia ter um sorriso de 64 dentes no rosto e acabou se contagiando sem nem saber o que era.


- O comercial ficou perfeito. – dava pulinhos que a fizeram esquecer por um pequeno espaço de meio minuto sobre o ocorrido – Acho que eles vão se apaixonar.

- A empresa vai ganhar um premio por causa disso?

- Ah, concorrer com certeza nós vamos! – não conseguia tirar o sorriso da cara – Mas ainda temos coisas pra resolver antes de ir embora e Diana daqui a pouco deve chegar por ai.

- Vou la na edição ver se trocaram o papel que pedi para o portifólio.

- Sabia que tinha algo estranho. – olhou para o relógio – Vamos logo adiantar as coisas.


(Voltando.... 17:00h)


Dominique estava sentada e já encarava o relógio agoniada. Parecia que a outra consulta não acabaria nunca e a pessoa não se tocava de que outros pacientes esperavam para serem atendidos. Bruno ainda respondia alguns e-mails pelo celular, sem se aperceber da hora.

Depois de um tempo, a doutora saiu com um dos pacientes e os chamou. Ficou feliz em ver que ele estava se tornando participativo da vida dela. Mesmo que fosse só pelo bebe, já faria um bem enorme para os dois.


Como primeira visita, a doutora preferiu não se expandir muito no assunto, mas ao longo da conversa e de algumas indiretas que um lançava para o outro, ela percebeu que tinha um sentimento reciproco. Ela, a doutora já sabia, mas o dele que não foi muito difícil de decifrar. Ele a queria também, mas se mantinha perto com a desculpa de ser tudo pelo bebe só para não assumir que ainda a amava e que já a tinha perdoado.


- E quando vão saber o sexo do bebe? – ela perguntou e ainda anotava algumas coisas no caderno.

- Semana que vem. – Dominique sorria – Consegui antecipar um pouco, porque ele disse que tinha uma folga na semana.

- E o que esperam?

- Por mim pode vir menino ou menina. – ele também sorria – Eu gosto dos dois.

- Nós já até pensamos nos nomes.

- Que bom. – sorriu ao vê-los sorrindo um para o outro – É importante que vocês dois tenham essa cumplicidade até a criança nascer. O bebe precisa ser criado em um ambiente harmonioso, calmo. As coisas vão se acelerando ao passo que ele ou ela vai crescendo.

- Eu li algo a respeito. – Bruno comentou e as duas o olharam intrigada – Nós dois não estamos juntos e isso me preocupou um pouco. Porque muitas crianças não conseguem se adaptar a dois lares diferentes.


Dominique engoliu em seco. A sentença de que ela passaria a morar em seu apartamento de novo e que ficariam separados lhe dava náuseas só em pensar. Com ele falando daquele jeito, o refluxo era quase certo. No fundo, não queria nada disso.


A doutora percebeu a apreensão dele. Os olhares demonstravam algo totalmente diferente do que a postura que impuseram. Ela sorriu já querendo dizer que isso provavelmente não aconteceria e que já estava prevendo duas alianças bem grossas nos dedos dos dois. Mas se ateve ao momento. Nada poderia ser apressado. E as pessoas também eram difíceis com certas decisões e as coisas poderiam andar em caminhos opostos ao que ela imaginava.


- Se tudo for muito bem acertado entre os pais, não vejo problema em afetar a criança. No começo sempre vai ser um trabalho árduo ter que explicar porque ela tem duas casas, porque os pais das outras crianças estão juntos e seus pais não... Mas não devemos nos precipitar. – procurava passar serenidade apenas com o sorriso – Temos que nos preocupar com a saúde da mãe e do bebe, cada etapa de uma vez.

- Ok. – assentiram.

- Vamos continuar então.


PP


Antony e Tiago conversavam animadamente na sala de reunião. Tiago imaginava que dariam grandes amigos se não fossem tantos outros poréns envolvidos naquela situação. Dennis entrou logo em seguida, e a servente trouxe mais três xícaras de café.


- Tomando café assim, eu não vou conseguir dormir. – aceitou a xícara e Dennis sentou na cadeira ao lado do irmão.

- Fiquei um pouco surpreso com sua ligação. – Dennis começou – Entao acho que é você que precisa me dizer algo.

- Claro que sim. – sorriu – Como estou mesmo responsável por escolher com quem vamos trabalhar, gostei muito do projeto que me apresentou. Queria fechar a conta.

- Que bom! – Dennis sorria. Olhou para Tiago que também parecia feliz – Eu meio que já tinha pedido ao setor jurídico para redigir um contrato, mas não precisa assinar agora. Pode levar, falar com seu advogado e me encaminhar a cópia assinada amanha.

- Sem problemas. – pegou o papel da mão de Dennis – Eu só queria conversar um pouco mais sobre a ideia que você me apresentou. É que meu sócio pediu umas informações, me deu um questionário e gostaria de tratar isso com vocês.

- Bom, eu até ficaria para ajudar... – Tiago levantou – Mas tenho uma ultima reunião daqui a dez minutos. Antony... – esse se levantou também para cumprimentá-lo – Está em boas mãos. Qualquer coisa que precisarem, só ligarem para minha sala.

- Pode deixar.


Assim que ficaram sozinhos, Antony sentou novamente e ficou de frente para Dennis, que já ligava o retroprojetor para mostrar mais algumas ideias.


- Posso só te fazer uma pergunta? – Dennis o olhou – Como decidiu tão rápido? Depois do jantar, de dizer que queria Aline como modelo...

- Ah, não se preocupe. Percebi que estava fazendo uma tempestade num copo d´água. Eu ainda estou tentando entender essa coisa de empresas que trabalham juntas, mas ao mesmo tempo não. – sorriu – Enfim. Espero que me perdoe pela indelicadeza no jantar e de ter imposto algo totalmente ridículo.

- Que isso! Nem sempre podemos atender a necessidade dos clientes, mas ficamos satisfeitos quando eles ficam satisfeitos.

- Bom saber. – riram. Dennis sabia que tinha muito mais coisa envolvida naquilo e que tinha a ver com Leticia e Aline. Mas se faria de idiota a principio, pelo simples fato de que Antony, naquele momento, era sua tábua de salvação.

- Vamos continuar então?


18:00h – porta da MP


O carro deixava Diana na porta da empresa. Ela e Charles ainda estavam abraçados um ao outro desde que saíram do aeroporto, e ela não conseguia se soltar dele. Não queria mais que isso acontecesse. Se pudesse, o levaria como um chaveiro colado a si até a hora de ir embora e ficarem os dois juntos ate o dia seguinte, para sempre.


- Por que não deixa pra ver essas coisas amanha? – ele sussurrava enquanto a puxava mais para seu abraço – Podemos ir pra minha casa, tomar um vinho, aproveitar mais um pouco...

- Seria ótimo meu amor. – se separou dele antes que se rendesse e ficasse por ali mesmo – Mas tenho muita coisa pra resolver antes de termos aquela reunião amanha.

- Então tá. – beijou-a novamente – Ainda bem que o vidro é fumê – riram.


Diana pegou sua mala no porta malas e foi para empresa. Muitos saíam as seis, então não seria difícil encontrar pessoas ainda indo embora, outras fazendo hora extra.

Assim que chegou em seu andar, viu que as recepcionistas iam embora. Encontrou Helena no caminho, e esta lhe disse que Aline e Leticia estavam na sala de edição entre um monte de papeis com os designers.


- Muito bom. Qual a agenda que tenho pra amanha? – Helena puxou uma cópia de todas as suas reuniões. Diana percebeu que houve uma mudança com um dos clientes, e Helena respondeu que Aline mesma se encontrou com ele para não atrapalhar o calendário do Stolt. Diana apenas sorriu. Deu boa noite a Helena, foi em sua sala, deixou suas coisas em cima da mesa, pegou seu óculos e partiu para a sala de edição.


Leticia já estava deitada em um sofá próximo com a maior dor de cabeça da face da terra. Queria muito ver o comercial, mas Aline não deixou. Não podia. Era surpresa. Enquanto isso, Aline tentava terminar o portfólio do cliente para não ter mais erros.


Andava de um lado para o outro olhando para o quadro a sua frente com todas as opções e layouts espalhados em uma ordem detalhada de apresentação.


- Eu acho que a parte onde o rapaz chega na moça deveria mudar. Não dá pra ser ao mesmo tempo que ela chega dentro do restaurante. Fica estranho. – pegou o layout e trocou de lugar com a chegada da orquestra.

- Nós já vimos isso. – Leticia respondia ainda de olhos fechados – Se trocarmos de posição, muda o foco da história. Vai dar errado.

- Eu sei. – Aline pegou a caneta e amarrou o cabelo em coque – Mas não é possível, tem alguma coisa errada.

- Eu acho que ficaria melhor inverter. Começar do final. – Diana chegou já fazendo os ocmenta´rios dela assustando todo mundo. Letícia foi ao chão, Aline quase caiu sozinha e os outros pararam de comer e fingiram que estavam fazendo anotações – Como se eu não soubesse que vocês estão mortos e querendo ir pra casa. – riu – Parece que estamos empacados.

- A reunião é amanha. – Leticia já falava sem graça – E ainda não conseguimos terminar essa ideia.

- Já disse. – chegou perto do quadro, mas antes pegando um salgadinho que estava na mão da designer – Bom isso. – acabou pegando o pacote da mão dela e todos riram – Se você não consegue dar segmento para o final, comece por ele e você consegue explicar aonde quer chegar. De qualquer forma, se tiver algum problema no meio do caminho, como o final meio que já foi descoberto, você tem mais opção para chegar nele.

- Salvação senhor! – levantou uma das meninas – Aqui gente. – pegou um dos cartões e puxou pro inicio, conseguindo encaixar o meio até o fim.

- Ótimo! – Aline ria – Como consegue Diana?

- Bom, minha cabeça está mais fresca que a de vocês. – sorriu – Devem estar todos tensos com esse monte de informação.

- Você não tem ideia. – Aline comentou e viu Diana já terminando o pacote de salgadinho – Está com fome?

- Que tal irmos jantar em algum lugar? Assim vocês me contam como está o comercial.

- Aline não me deixou saber Diana! – Letícia cruzou os braços – Disse que é uma surpresa.

- Então está pronto? – Aline via brilho nos olhos de Diana. Já imaginava que não era só sobre trabalho que aquele olhar brilhava tanto e apenas assentiu para não dar uma gargalhada.

- Sim. Mas eu já disse que é surpresa e intimei toda a equipe de edição e produção a ficarem quietos. Só posso dizer que ficou maravilhoso! – todos sorriram cúmplices.

- Já que temos outra reunião importante amanha, vamos todos jantar. Levem apenas uns papeis para continuarmos o que vocês estavam fazendo aqui. Com barriga cheia todo mundo pensa melhor.


Essa quinta feira de fato prometeu. E a semana ainda tinha mais três dias para acabar. Altas emoções ainda estariam por vir, pelo ponto de vista de Aline. E ela ainda não tinha conversado nada com Dennis.