Dile: A prometida
2 Capítulo 2 - Arvak Fenwick
Notas iniciais
apítulo 2 — Arvak Fenwick
‘’O poder da beleza transforma a honestidade em meretriz
mais depressa do que a força da honestidade faz a beleza se assemelhar a ela.’’
William Shakespeare
Capitulo 2- Arvak Fenwick
Querido Diario
Então vi uma silhueta de longe, meu coração falhou uma batida, por um momento achei que morreria ou que desmaiaria, meu sonho estava de ante de mim, sim ele estava lá, eu sempre tive fé só que o ser humano é fraco e tão impotente que no meu inconsciente sabia que era loucura, porem ele estava ali de ante de mim, com um terno preto de bom corte e alta costura, pele branca pálida, cabelos negros sedosos caindo sobre o rosto, olhos azuis glaciais como gelo pareciam queimar, lindo ou perfeito não saberia descrever mais meu coração estava prestes a explodir ele tão perto de mim a três cm, o mundo parecia girar entre mim e ele mesmo sem palavras ele já dizia muito, tudo era eu e ele, ele parecia flutuar, parecia um anjo, parecia que consigo trazia minha vida, então depois de meu frenesi e encanto, sibilei um nome, nome cujo nunca ouvira mais que era tão familiar ao mesmo tempo:
–Aron. –disse através de um sussurro quase mudo.
Não saia desse transe incrível tão cheio de poder e magia, eu não conseguia dizer nada ele era intocável, eu queria toca-lo queria senti-lo porem não consegui, apenas fiquei parada o olhando como se fosse o próprio Jesus Cristo.
–Dile lembra-se de mim? – Sua voz forte e cortante como ferro, porém delicada e melodiosa como vidro.
Não sabia o que dizer parecia que eu estava hipnotizada então com certa dificuldade falei finalmente.
–Não há como lhe esquecer. –Falei baixinho quase em um murmúrio.
Falei devagar sabia que tinha corado mais não me importava, ele riu de forma estridente e suave como ele todo, um riso baixo e que observei para poder grava-lo em minha mente.
–Escolhida... Como se tornou tão formosa e bela... — pronuncio-se com um jubilo formoso e seus olhos brilharam.
Ele tocou em minha face e á acariciou sorrindo e se aproximando mais e mais, o meu coração de desfazia explodia e eu continuava viva, segurei suas mãos em meu rosto e fechei meus olhos, então bem perto de me lóbulo ele sussurrou.
–Isso é tão proibido!
Eu estremeci e fiquei mais corado não que eu fosse atirada era apenas um homem que eu amava mais com certeza nunca confessaria a ele, ele era alto mais alto que eu mesmo eu já sendo esguia ele não era alto e sem atrapalhado ele era sensual e repleto de charme, cheirava a perfume masculino como Ferrari Black e mais alguma coisa que não soube identificar.
– Sou uma humana frágil.
–Dile- Ele riu alto, porém muito suave ainda colado ao meu corpo, seu dentes ainda eram como agulhas. -Você saberá na hora correta.
–...Perdoe-me...- Não queria que saísse desse jeito, ah droga era para ser tudo perfeito! Eu me odeio!
–Não á o que perdoar, vamos não temos muito tempo.
Fiquei em silencio o seguindo pelas avenidas até um barco que nos esperava, eu estava com receio mais meu amor por ele falava mais alto, então vi uma lagrima cair sobre a minha face, rolando, eu tinha estragado tudo, eu queria ser delicada mais pareci uma adolescente rebelde e soltei uma bomba para cima dele, sem educação nenhuma falando de modo vulgar pôr isso era muito pouco para eu chorar se fosse por qualquer outra coisa eu não me importaria mais era com ele, com a pessoa que mais amava no mundo, apenas me deixava feliz e tranquila o modo como eu segurava em sua mão firme, macia e gelada,então chegamos, entrei naquele barco de luxo, ele me ajudou a subir e entramos na sala, era linda com sofás macios, um mini-bar, televisão enorme, cortinas, era de luxo com certeza, era lindo demais, então Aron acenou para me sentar e o fiz, sentei do lado dele.
–Aron, preciso que me diga o que esta acontecendo, por favor...-Mesmo me irradiando de felicidade por estar com ele precisava saber, como eu sei dele e porque eu soube como ir até a praça? Porque eu sonhava com isso, porque eu?Entre outras perguntas eu estava pirando com tudo isso e todas essas perguntas.
–Dile, lembra quando apareci á você quando tinha cindo anos aproximadamente, como já deve suspeitar continuo o mesmo e nunca envelheço, sou Aron Schalfer, você é serva de Lilith como eu a diferença e que eu sou um vampiro e você é a descendente, estamos indo á Arvak Fenwick. Arvak é um ‘’país’’ ele fica em outra dimensão nesse momento estamos indo para lá passando de um portal que é a ponte onde você ficou me esperando...
Por um momento parecia que minha alma deixou meu corpo fiquei sem resposta não sabia o que dizer, eu estava em choque mais aos poucos fui caindo na real.
–O QUE?O QUE SIGNIFICA TUDO ISSO? PORQUE EU TE VEJO DESDE MEUS CINCO ANOS? PORQUE TENHO O MESMO SONHO SEMPRE OU MELHOR, PORQUE SONHO ISSO? -Me exaltei levantando e andando de um lado para o outro, um radio estava ligado a musica que eu reconhecia devido a minhas aulas clássicas de piano era sonata ao luar, minha predileta ao ouvir e tocar, porem ela não me deixava calma me dava raiva vontade de quebrar aquele aparelho caro e de ultima geração, porém aquela musica não convinha com a situação que me encontrava.
–Peço que me perdoe não sei de mais nada... — Ele estava calmo diferente de mim, com as pernas cruzadas, e cabelos jogados para traz, exalava um perfume forte e suave do tipo que não enjoa, tinha um jeito charmoso natural.
–Ok não sabe de nada não é?Esta mentindo!Então porque eu sonhava com você?- Continuava exaltada, apontando para o homem dá minha frente que um dia fora o ‘’homem dos meus sonhos’’, minha voz estava esganiçada e aguda, sempre quando me exaltava minha voz ficava mais fina e feminina mais do que o comum.
–Não estou. Porque como eu disse sou eu quem a leva para o sacr...sou eu quem a leva para Dama da escuridão...- Ele descruzou o as pernas, junto ao sua calça de alta costura, ele não se exalta continuava com a mesma expressão que não pude identificar.
–O que nem conheço ‘Dama’’ e não pretendo conhecer me deixei na ponte... Por favor! –Disse mais calma agora só que minha tristeza me abatia nada naquele olhar me dava confiança que voltaria tão cedo.
Então me sentei distante dele apoie minhas mãos em minha cabeça e soltei algumas lagrimas que nem percebi que já rolaram em minha face, pensei: droga onde eu fui me meter isso me doía tanto, amar alguém que no final é apenas um homem frio e ridículo com seu terninho de alta costura, eu queria espanca-lo, me arrependi afinal eu deixara meu pai para ficar com o que julgava amor da minha vida e agora estou aqui chorando pateticamente e fragilmente perto de um cara babaca.
–Chegamos!- Disse ele com a voz um pouco mais elevada porem calma, foi rápida a viagem, durante o trajeto ele arrumava seu terninho e apreciava a bela musica com os olhos fechados como de pudesse sugar a energia calma da musica.
Recompus-me um pouco antes da chegada, minha maquiagem já estava toda borrada com certeza não estava ‘’bonita’’ ou ‘’atraente’’ mais não me importava mais com minha aparência.
O segui até a porta para subir ao deck do navio a escada era íngreme ele subiu com uma grande facilidade como se caminhasse sobre o chão fofo e macio de um parque e me deu sua mão como um gentleman mais recusei e subi não me importava com seus gestos finos.
Sua beleza externa era de encantar qualquer de deixar sem fôlego mais percebi que seu encanto era momentâneo.
Quando cheguei ao deck àquela visão era perfeita e muito familiar, era à noite lua azul algo jamais visto no mundo humano um azul angelical o ar carregado por um cheiro de flores lavanda e ferrugem, a cidade era toda iluminada, estávamos em rio que espelhava as luzes neon que pareciam queimar como um fogo ardente, como se fosse ano novo, elas queimavam de varias cores, estava fascinada com tudo aquilo observava com certo entusiasmo desnecessário.
Então senti uma batida forte no meu coração, como uma agulha perfurando-o, doía aquilo doía muito, e quando vi estava de joelhos, respirando como dificuldade parecia que o ar havia sumido e agora tudo havia se apagado, e foi voltando aos poucos minha visão, meu ar, abri os olhos vagarosamente, tudo era um borrão, Aron estava de joelhos ao meu lado e me chamava, porém parecia que minha fala e palavras foram embora, fiz um grande esforço para falar e o que conseguia fazer cuspir sangue, ou melhor, derramava sangue de meus lábios, minha visão foi cortada junto com meu ar, eu morri, pensei.
Acordei devagar, porem percebi que era como se nada tivesse me acontecido eu estava ótima, percebi o ambiente, era um quarto grande, estava eu deitada em um sofá estilo vitoriano azul marfim e dourado era lindo, todo aquele quarto era lindo moveis dos mais antigos e pesados aos mais modernos como uma televisão enorme, um tapete todo bordado, havia uma varanda enorme com uma mesa como as de jardim e vários tipos de flores.
Fui até uma porta que devia ser o banheiro, acertei era o banheiro tinha um enorme espelho, o teto era de vidro com imagens que eu não pude decifrar, porém era parecida com as pinturas de Botticelli no período renascentista, também havia uma enorme banheira linda como todo o cômodo e tranquei a porta e me olhei no espelho, estava com um vestido enorme e lilás parecida com uma debutante não havia notado essa mudança em mim, quer dizer até o momento que acordei não havia nem mesmo reparado em mim, o vestido era lindo porem fino então supus que era um pijama, arrumei meu cabelo ou tentei arrumar porque estava molhado, meu rosto sem maquiagem alguma como eu preferia, estava com olheiras e o rosto inchado de tanto dormir pressuponho eu, meu nariz não gostava do meu nariz nunca gostei achava-o desproporcional ao meu rosto porem ele também estava inchado, lavei meu rosto o que me deixou melhor e com um aspecto mais vivo e bonito, sai do banheiro após o meu ritual.
Levei um susto imenso,quando abri a porta Aron estava lá, tive que me conter para não gritar, levei as mãos a boca.
–Te assustei?-Perguntou com um sorriso no rosto, parecia um boneco de cera com a pele branca como o mármore e seus olhos verdes como esmeralda brilhando.
–Não, é que costumo a fazer esse rosto de pânico e conter gritos... -Falei ironicamente a fim de machuca-lo.
–Já ouvi falar que garotas mundanas são bipolares mais sua bipolaridade me surpreende... –Falou ironicamente e com um sorriso malicioso nos lábios.
–O que estou fazendo aqui, ou melhor, onde é aqui?- Minha duvida transparecia em meu rosto expressivo e triste.
–Bom aqui é sua nova ‘’casa’’-ele fez um gesto com as mãos como aspas- e você fica aqui como a prometida. — Seu rosto continuava belo e frio, me deu arrepios.
–Eu não quero ficar aqui eu não quero isso... –Falei vagamente como um pensamento que saiu pela minha boca.
–Ok, querida menininha, você não esta com sono dormiu por três dias, ou seja, repousou o bastante, agora tome um banho, dentro de uma hora voltarei, suas novas roupas ficam nesse closet. –E assim ele saiu, ele vestia um enorme casaco bordado parecia um príncipe tão cheio de classe e ao mesmo tempo tão frio, abri meu closet estava repleto de roupas vitorianas de todas as cores e formas junto com sapatos fabulosos, me senti feliz e triste ao mesmo tempo mais aquilo era cheio de luxo e charme me encantava, era como um baile de marcarás onde ninguém nunca saberá quem você é então escolhi um vestido rodado, vermelho de renda, que ia mais o menos até meus joelhos e atrás era longo, me senti Maria Antonieta, naquele momento eu era uma princesa, eu era fabulosa por um segundo, escolhi um sapato de verniz não muito alto não gostava muito de saltos, as roupas pareciam ser feitas para mim, eram do meu tamanho.
Fui tomar banho, minha alegria momentânea acabou, era pequena demais para durar, me senti inútil me senti deplorável tive nojo de mim, nojo de um dia ter amado, pessoas nunca saberão se ama mesmo, amar é mentira, chorei, chorei por todas as minhas frustrações, pela minha mãe morta e que teria vergonha de mim, pelo pai que tanto me cuidou, chorei por nunca ser amada, chorei por tudo, mais meu choro era manso e baixo, minha visão era embaçada.
Sempre costumei a pensar: Como adolescentes só conseguem pensar em sexo e bebidas alcoólicas? Meu mundo era repleto de pensamentos altos, pessoas que se contentam com uma vida humana medíocre, ter filhos, casarem e morrerem, eu sempre quis ser imortal, ser imortal é tão sedutor tão adorável, provar desde o mais puro vinho a água mais suja, conhecer pessoas e se apaixonar, não temer a morte ser dona dela, viver como se nunca fosse morrer, eu sempre tive medo de perder as pessoas por isso nunca vivi como se fosse morrer sempre vivi como se fosse eterna, eu não queria sair dessa banheira eu queria gritar, eu me sentia sozinha como se arrancassem tudo e deixassem apenas meu corpo, me senti horrível, eu queria morrer, queria entrar na água da banheira e nunca mais sair de lá.
Entrei na banheira que já estava cheia de água e sabão, entrei com minha roupa, senti minhas roupas molharem na água morna até elas pesaram como me puxando para baixo, fechei meus olhos mais as lagrimas ainda desciam, e junto com elas eu desci, mergulhei em baixo d’água, queria parar de viver, tudo isso era tão cansativo e sem sentido, deixei a água me levar, minha visão ficando preta aos poucos me sentindo leve, morrendo isso a morte, a morte era aquilo a morte que nunca temi doce e apaziguadora.
Estava sonhando com um lindo príncipe, porém a visão era borrada, seus cabelos eram negros demais as trevas estão lá, mais seu rosto me dizia que era um anjo, ele estendia a mão e sorria, eu a pegava com agilidade, porém a visão foi ficando cada vez mais clara e na verdade esse príncipe estava com horror nos olhos e desespero na voz.
Aron, o príncipe era ele gritando e me chamando com certo desespero, fui acordando, estava com um grande sono, e vi-o me chamando aos poucos meu transe foi passando e assim com mais agilidade, consegui falar.
–O que?-falei bem baixo quase não audível, estava com dor na cabeça e nos olhos, minhas mãos estavam enrugadas.
–Nossa eu saiu e você tenta se matar, sabe você foi a mais difícil que já lidei, olha está toda molhada- Disse apontando para minhas roupas que pesavam, aos poucos voltou ao seu jeito frio.
–Vou me trocar com licença. –Falei com o mesmo tom frio para fazer com que sentisse inútil, eu queria feri-lo como eu estava ferida, porem é muito egoísmo.
Sua face banhada de incredulidade e frustração, com minhas únicas palavras e sem explicações, olhei-o por um tempo como se quisesse guardar sua imagem bem de perto na memória, seus cabelos molhados, grudados em sua face, por me tirar da água vi um fantasma de uma breve decepção, então mudo ele se retirou do banheiro.
Quando terminei de me vesti, me olhei no espelho porem não vi nada, apenas uma garota triste, sem vida e vazia, queria estar em casa com meu pai, como quando eu tinha 15 anos e ele me deu de aniversario a corrente que minha mãe usava que uso até hoje, doía meu peito pensar que ele estaria em profunda depressão e como ele reagiria a isso, á minha perda, me fortaleci abri a porta e sai daquele lindo banheiro, parecia tudo tão surreal, tudo tão rápido, sentei sobre aquela cama macia e estranha, mas algo me impediu de repensar em tudo, um barulho na janela fui até lá ver, a noite já estava queimando como as trevas no céu, abri vagarosamente a janela.
Não vi nada além do escuro e luzes de neon queimando distante, estou sentada agora em uma cadeira branca sentindo o aroma das rosas, porém ainda preocupada com esse barulho, passou-se um tempo, mas logo algo surgiu atrás de mim, derrubei as flores e gritei, vi dois pares de olhos lilás olhos sobrenaturais olhos que nunca havia visto em nenhum humano, e cada vez mais de perto foi chegando, exalava um aroma indecifrável, porém tão viciante, tinha certeza que não era Aron, não sabia como mais tinha certeza que não era ele, então cabelos castanhos como nozes lisos e bagunçados foram surgindo em meio à escuridão, eu não tive medo não quis gritar era como se ele me hipnotizasse, então chegando mais perto da luz pude ver um homem alto e forte, com cabelos até o pescoço e olhos lilases, era lindo, mais logo em seguida quebrei o silencio penetrante.
–Quem é você e o que quer?-Que pergunta mais clichê por tanto era a única cabível nesse momento.
–Olá dama, é a prometida nova não é mesmo, perdoe-me os maus modos, sou Erick, qual se nome senhorita?- Pegou minha mão com uma rapidez incomum era demasiado branco, esse gesto me fez corar, pequenos gestos me faziam enrubescer, sempre me corei facilmente isso me faz ter raiva de mim mesma.
– D-Dile Vandort...-Me odiava por gaguejar na frente dele me mostrando vulnerável.
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