A empolgação tomava conta dos Digiescolhidos enquanto o dia da viagem para o resort se aproximava. Todos estavam ansiosos, contando os dias e se preparando com entusiasmo. Um a um, começaram a organizar suas malas, fazer listas e sair para comprar os itens necessários — roupas leves, protetor solar, acessórios para descanso e, claro, guloseimas para os Digimons.

Como de costume, Tai era o mais despreocupado do grupo quando se tratava de planejamento. Esquecido e sempre deixando tudo para a última hora, ele sequer havia começado a se organizar. Foi então que Kari, sua irmã mais nova, decidiu intervir.

Kari entrou no quarto com passos firmes, abriu as cortinas e se aproximou da cama.


Kari: Tai! Acorda, já passou da hora de dormir. — Disse, balançando o irmão pelos ombros.


Tailmon, que estava ao lado da porta, observava com um olhar divertido.


Tailmon: Sinceramente, não sei como o Tai consegue dormir tanto. O Agumon também é outro que vive preguiçoso.

Agumon: Ei! Nem sou preguiçoso... vocês que falam demais.

Tailmon: Eu já estou de pé faz tempo. E vocês dois ainda estão aí, parecendo ursos em hibernação.

Agumon: Tá bom, tá bom... vou comer alguma coisa. — Disse, se levantando com esforço e saindo do quarto.

Tai: Kari, só mais cinco minutinhos... por favor.

Kari: Você vai levantar ou quer esperar a Sora vir aqui te tirar da cama?

Tai: Sora? Como assim?

Kari: Ela pediu para ir com a gente na viagem. Eu disse que tudo bem, e ela deve estar chegando a qualquer momento.


Tai, agora completamente desperto, jogou o cobertor para o lado e se sentou na cama, surpreso.


Tai: O quê? Ela vem mesmo?

Tailmon: Só assim mesmo para ele levantar rápido. — Comentou com um sorriso.

Tai: Kari, como você marca uma coisa dessas sem me avisar?

Kari: Ah, Tai... não faz drama. Qual o problema de ela ir com a gente?

Tai: Não tem problema, só fiquei surpreso. Mas tudo bem... vamos logo.


Tai já havia se levantado e se arrumado, vestindo roupas leves e confortáveis para o dia de compras. Ao lado de Kari, Sora e seus respectivos Digimons, ele estava pronto para sair e garantir tudo o que precisavam para a tão aguardada viagem ao resort.

Com todos reunidos, o grupo seguiu animado pelas ruas da cidade, conversando sobre o que levar e fazendo listas mentais de itens essenciais. A empolgação era visível — afinal, não era todo dia que tinham a chance de viajar juntos para um lugar tão especial.

Enquanto isso, Mimi já estava no shopping, acompanhada de Palmon, explorando vitrines e enchendo sacolas com roupas novas, acessórios e produtos de beleza. Como sempre, ela não economizava quando o assunto era estilo e conforto.

Depois de várias horas de compras, Mimi decidiu que era hora de ir embora. Ao sair pela entrada principal do shopping, percebeu que alguns rapazes a observavam com insistência. Ela manteve a postura elegante, ignorando os olhares, enquanto Palmon caminhava ao seu lado, atenta e protetora.


— Ei! Solte a garota agora mesmo!

Palmon: Mas é o...

Mimi: Joe!


Joe se aproximou com firmeza, o olhar sério e determinado.


Joe: Vou repetir só mais uma vez... antes que as coisas fiquem realmente ruins para você.


O rapaz, visivelmente intimidado pela postura de Joe, recuou com nervosismo.


— Eu... eu só estava brincando com ela... — disse, tentando disfarçar o medo, antes de se afastar rapidamente.

Mimi: Muito obrigada, Joe. Se você não tivesse aparecido... eu nem quero imaginar o que poderia ter acontecido.

Joe: Que isso, Mimi. Eu só fiz o que qualquer um faria.

Mimi: Mas... o que você está fazendo aqui no shopping?

Joe: Ah, vim comprar algumas coisas para nossa viagem. Já deixei tudo no carro e voltei só para comer alguma coisa. — Disse, coçando a nuca, um pouco envergonhado. — Quer... quer comer alguma coisa comigo?


Mimi sorriu, tocada pelo gesto.


Mimi: Claro que sim. É o mínimo que posso fazer como agradecimento por ter me salvado daquele cara.

Joe: Então vamos colocar suas compras no meu carro e depois te deixo em casa. Pode ser?

Mimi: Perfeito. E obrigada mais uma vez, Joe.



Após guardar cuidadosamente as compras de Mimi no porta-malas do carro, Joe convidou-a para comer algo antes de levá-la para casa. Palmon, sempre atenta, ficou por perto enquanto os dois se acomodavam em uma lanchonete tranquila do shopping.

Depois de fazerem seus pedidos, os dois começaram a conversar com naturalidade. O clima era leve, e a conversa fluiu com facilidade — falaram sobre a viagem, sobre os preparativos, sobre os Digimons e até sobre momentos antigos que viveram juntos como Digiescolhidos. Entre risadas e lembranças, a conexão entre eles parecia se fortalecer ainda mais.



Joe: Então, Mimi... confesso que achei que você não aceitaria essa viagem tão facilmente.

Mimi: Ah, você sabe como é. Entre os estudos e os desfiles, minha rotina anda puxada demais. Estou exausta, por isso resolvi aceitar. Acho que vai me fazer bem.

Joe: Faz sentido. Um descanso é mais que merecido.

Mimi: Me diz uma coisa, Joe... você não estava namorando?


Joe arregalou os olhos, pego de surpresa pela pergunta.


Joe: O quê? Quem te falou isso?

Mimi: Ouvi o Izzy comentando que você estava saindo com uma garota.

Joe: Ah... sim. Mas não era nada sério. Só uma colega de um curso que eu estava fazendo. A gente saiu algumas vezes, só isso.

Mimi: Então vocês dois... — disse ela, com a voz quase sumindo.

Joe: Não, não rolou nada entre nós. Mas por que essa pergunta, Mimi?

Mimi: Curiosidade à toa. — Respondeu, rindo e visivelmente sem graça.

Joe: E você? Está namorando?

Mimi: No momento, não. Mas... estou gostando muito de uma pessoa.

Joe: Olha só... esse cara deve ser bem sortudo. Conta aí, como ele é?

Mimi: Eu conheço ele há bastante tempo. Sempre estivemos juntos, e com o tempo fui percebendo que ele é especial para mim. Ele é educado, inteligente, super gentil... e fofo demais.

Joe: Uau... parece que ele é perfeito para você.

Mimi: Eu acho que sim. Mas ainda não sei se ele sente o mesmo. Em breve eu te conto quem é.

Joe: É alguém que eu conheço?

Mimi: Digamos que sim...

Joe: Hmm... agora você me deixou curioso.

Mimi: Bobo! Depois eu conto. Agora é melhor a gente ir. Preciso organizar minhas compras.

Joe: Verdade! Desculpa te prender aqui tanto tempo.


Após ajudar Mimi com suas compras, Joe a levou para casa junto com Palmon, garantindo que tudo estivesse em segurança. A despedida foi rápida, mas cheia de gratidão por parte de Mimi. Em seguida, Joe seguiu para sua própria casa, decidido a organizar suas coisas para a viagem — não queria deixar nada para a última hora.

Ao estacionar e abrir o porta-malas, Joe percebeu algo inesperado: uma sacola havia ficado esquecida no banco de trás. Reconhecendo que era de Mimi, ele pegou o celular e imediatamente ligou para ela.



Telefone On

Joe: Alô, Mimi?

Mimi: Oi, Joe... olha você de novo. Tudo bem?

Joe: Tudo sim. Só te liguei porque fui tirar minhas coisas do carro e percebi que você esqueceu uma sacola aqui.

Mimi: Ah, é verdade! Eu senti que estava faltando uma... obrigada por avisar.

Joe: Se quiser, posso passar aí depois para te entregar.

Mimi: Pode ser. E já que meus pais saíram, seria bom ter um pouco de companhia... você me faz essa gentileza?

Joe: Companhia? Só nós dois? — Disse com um sorriso tímido, meio sem saber se estava sendo ousado.

Mimi: Claro que sim, Joe. Não vejo problema nenhum.

Joe: E a Palmon, onde está?

Mimi: Foi para casa da Sora. Quis dormir com a Piyomon hoje.

Joe: Ah, entendi. Bom... se não for atrapalhar, eu passo aí sim. Que horas?

Mimi: Que tal às 20h?

Joe: Perfeito. Mais tarde eu levo sua sacola... e fico um pouquinho, se você quiser.

Mimi: Vou esperar. Beijinho... até já.

Joe: Outro para você. Até logo.


Telefone Off


Gomamon: E aí, deu certo, Joe?

Joe: Deu sim... só que tem um detalhe. A Mimi vai estar sozinha em casa. Fico meio preocupado, vai que os pais dela chegam e acham estranho.

Gomamon: Ah, relaxa! Vai sim. E para ser sincero... acho que a Mimi gosta de você.

Joe: Mimi? Gostar de mim? Não sei não... ela comentou que está interessada em um cara que eu conheço.

Gomamon: Joe, quem mais esteve ao lado dela no Digimundo? Foi você. Sempre foi você.

Joe: Mas isso já faz tanto tempo...

Gomamon: Posso te perguntar uma coisa?

Joe: Pode.

Gomamon: Você gosta da Mimi? Tipo... de verdade?

Joe: Olha... não é uma pergunta fácil, mas... sendo sincero... sim. — Disse, abaixando o olhar, meio sem jeito.

Gomamon: Eu sabia! Então por que não fala com ela?

Joe: Tá maluco? Ela é toda extrovertida, cheia de energia... eu sou mais quieto, mais na minha. Não acho que ela se interessaria por alguém como eu.

Gomamon: Bom... se você acha isso, quem sou eu para dizer o contrário. Mas às vezes, o que parece improvável é exatamente o que surpreende.


Joe sentia uma mistura de insegurança e surpresa ao lidar com seus próprios sentimentos. Quem diria que ele acabaria se apaixonando justamente por Mimi — tão diferente dele, tão espontânea. Mesmo com o coração inquieto, ele se manteve firme no combinado: naquela noite, levaria a sacola que ela havia esquecido em seu carro.

Enquanto isso, os Digiescolhidos começavam a se organizar para a viagem. Malas sendo abertas, listas sendo feitas, risadas e expectativas preenchiam o ar. A ida ao resort prometia mais do que descanso — seria o início de momentos que mudariam não apenas os dias deles, mas também suas vidas.


Continua...