Diga Adeus à Inocência
20 Capítulo 19
– Bianca. – Malic puxa o meu braço, o que gera um tranco em meu corpo.
– O quê? – franzo o cenho e puxo o meu braço de volta.
– O que aconteceu? Você está me assustando.
– Encontrei um moletom dentro da cabana. – pego fôlego.
– Claro que encontrou, já parou para pensar nos mendigos? – ele cruza os braços – Algum deles deve ter dormir aqui.
– Não, você não me entendeu. – discordo – Vi esse mesmo moletom em um menino hoje na faculdade.
– E o que tem?
– Ele estava saindo do banheiro feminino e eu sai para procurá-lo e não o encontrei mais, a Camila até falou que podia ser uma menina, mas eu sei o que eu vi.
– Tá – ele suspira -, sei que você anda assustada com essa história de assassinatos e tudo mais, mas você tem que parar para pensar antes de sair dando uma de louca por aí.
– Está me chamando de louca? – cruzo os braços.
– Bom, nesse exato momento, você pareceu uma. – ele comprimi os lábios.
Suspiro. Ele tem razão, tenho mais acusações que respostas. Não superei o suficiente o ocorrido, mesmo tentando enganar minha própria consciência e sanidade, ainda sei que não esqueci, ainda sinto medo. Essas desconfianças vão acabar me enlouquecendo ou me fazendo parecer louca.
– Tudo bem. – passo a mão no cabelo – Vamos embora?
– Como quiser. – ele passo o braço por cima do meu ombro e voltamos a caminhar, em um ritmo mais lento e silencioso.
Passamos pela pequena cachoeira e seguimos pela trilha que viemos. Malic mantém o olhar para baixo, o que me encarrega de fazê-lo desviar das árvores. Desvio de uma árvore e tropeço na raiz da outra. Um vidro quebra. O chão é o único que ampara a minha queda. Meu joelho lateja.
– Mais que merda. – sussurro me erguendo.
– Você está bem? – ele arregala os olhos e segura o riso.
– Não consigo mexer meu joelho. – arfo e sento, esticando-o.
– Parece que você rasgou sua calça. – ele ajoelha e analisa o tecido, sujando os dedos de sangue – Acho que você cortou.
– Está muito feio? – tento visualizar o machucado.
– Deixe-me ver. – ele segura o rasgo de minha calça e o alarga, o tecido estica e cede, deixando meu joelho completamente exposto.
– Você caiu em cima de uma garrafa. – ele retira um pequeno caco de vidro camuflado no sangue – Está doendo?
– Mais ou menos. – minto com um sorriso, prendendo a respiração.
Ele joga o caco fora e observa a ponta dos dedos, sujos de sangue. Seus músculos parecem enrijecer e ele fica paralisado, encarando os dedos, seu olhar tem um tom mais escuro e sombrio, como se a qualquer momento ele pudesse me atacar, como um tubarão ao sentir o cheiro de sangue. Engulo seco. Será que ele é aquele tipo de pessoa sensível a sangue? Ele pode desmaiar? Espero que ele não desmaie, é muito pesado para eu o carregar. O olhar fixo passa dos dedos para o meu joelho ensanguentado. Ele esfrega, singelamente, a ponta dos dedos umas nas outras.
– Malic. – chamo-o – Malic.
Não tenho resposta.
– Malic. – toco em seu ombro.
– Sim. – ele me encara, assustadoramente sério.
– Está tudo bem com você? – sento mais ereta e puxo minha perna – Você ficou paralisado.
– Eu só... Está tudo bem?
– Você tem alguma sensibilidade ao ver sangue? Se tiver, posso dar um jeito de tampar o machucado.
– Relaxa, está tudo bem. – ele dá um rápido sorriso e volta a feição séria – Sangue me faz lembrar de coisas.
Franzo o cenho.
– Tipo o quê?
Ele suspira.
– De hospital, por exemplo, onde fiquei internado. – ele levanta – Vamos sair daqui antes que você pegue uma infecção. – ele estende a mão.
Seguro em sua mão e dou o impulso para levantar, meu joelho dói e isso impede que eu estique a perna. Respiro fundo para não reclamar e solto o ar devagar.
– Apoie em mim. – ele passa meu braço por seu ombro e assim seguimos: ele curvado para conseguir ficar na minha altura e eu tentando aprender a me apoiar nele para caminhar.
– Entre no meu carro. – ele o destrava com um aperto na chave – Não vai conseguir dirigir com o joelho assim.
Não apresento objeção, apenas entro e coloco o banco para trás – na tentativa inútil de não dobrar o joelho.
– Vamos para a casa da vovó. – ele diz enquanto entra no carro e sorri presunçoso.
– Só estamos esquecendo os docinhos. – sorrio de lado.
– Você é o docinho. – ele pisca para mim.
Reviro os olhos e sinto minhas bochechas esquentarem.
– Não acho que minha vó gostaria de me jantar.
– Quem disse que irá sobrar alguma coisa para ela? – ele sorri e posso notar um toque lascivo no ato.
– Ai meu Deus. – rio – Vou até ligar o rádio depois dessa.
Ele ri.
– Seu cérebro precisa se distrair pra você esquecer da dor, nada melhor que minhas seduzentes cantadas.
– Claro. – sorrio.
Chegamos em casa mais rápido o esperado por mim. Ele me ajuda a descer do carro e a chegar até a varanda.
– Quer entrar? – convido-o, gentilmente.
– Sua avó não gosta de mim.
– Eu gosto de você. – rebato.
– Que motivo convincente.
– Entra logo. – abro a porta e puxo-o pelo braço – Vó!
– Oi!
Em segundos ela aparece na escada.
– Credo, o que aconteceu com você? – ela olha para o meu joelho e depois para o Malic – Oi.
– Vovó. – ele faz um breve aceno com a cabeça, cutuco-o e ele limpa a garganta – Dona... Hm... Qual o nome da sua avó?
Ela revira os olhos e eu respiro fundo.
– Tropecei e cai por cima de uma garrafa. – mudo o foco do assunto.
– Venha. – ela caminha para a cozinha.
Manco para chegar lá e encosto na mesa, observando-a deixar a pia e bancada livre.
– O que você vai fazer? – questiono.
– Sente. – ela bate na bancada.
Aproximo-me devagar e tento dar impulso para o salto, mas não tenho resultado positivo.
– Deixa que eu faço isso. – Malic se aproxima e segura em minha cintura, me erguendo.
– Pronto. – falamos em uníssono.
– Retire a... – ela me encara e depois encara Malic.
– Não tem problema. – sorrio.
– Também não vejo problema nenhum. – ele sorri.
– Para com isso. – sussurro e dou um tapa em seu braço – Ela vai te expulsar daqui com uma vassourada na cabeça.
– Retire a calça. – ela nos ignora.
Malic volta-se para mim e desabotoa o botão de minha calça.
– Eu puxo e você ergue o quadril. – ele informa.
– 1... 2... 3 – ergo o quadril e ele puxa a calça, o tecido raspa no machucado, a dor é aguda e reflete por toda a minha perna, ardendo. Cerro os punhos e fecho os olhos, uma lagrima escorre pela lateral do meu rosto.
– Sinto muito. – ele murmura assoprando o meu ferimento. Sorrio.
– Coloque o pé na pia. – ela ordena, se aproximando da pia com seu quite de emergência.
Faço o que ela pede e evito olhar para o seu procedimento de cuidados, só para não me desesperar e sentir dor antes da hora ou sentir mais dor que o necessário.
– Se concentre na beldade aqui. – ele acaricia minha outra perna – Não vai doer.
– Não minta para mim. – resmungo.
– Vai doer pra cacete, mas se você se distrair...
Algo repuxa em meu joelho, como se um pedaço de minha carne tivesse sido arrancado. Suprimo um grito abraçando Malic.
– Havia um caco. – vovó informa, indiferente.
– Isso dói muito. – as lágrimas borram minha visão.
– Ei. – ele envolve meu rosto com as mãos – Já vai passar.
Grito novamente, puxando minha perna assim que minha vó despeja um líquido desconhecido no machucado. Ela envolve meu calcanhar e volta o pé para a pia novamente.
– O que é isso que você jogou? – questiono.
– Álcool. – Malic responde.
– Mas o quê?! – finco os dedos no tecido da blusa dele e trinco o maxilar com força para não gritar quando ela começa a esfregar o ferimento, mas não consigo conter as lagrimas.
– Vá tomar banho e lave. – ela diz, se afastando.
Desço com a ajuda dele e subimos a escada bem devagar. Meu joelho formiga e o musculo de minha perna está tenso. Malic me deixa na porta do banheiro, entro e começo a me despir ao mesmo tempo em que abro o registro do chuveiro. Espero a água esquentar para entrar e deixo meu joelho o mais longe possível da água e das gotículas. Vovó entra um tempo depois.
– Você precisa lavar ele. – ela me repreende – Coloque-o embaixo da água.
Suspiro e sento no chão, deixando-o embaixo da queda da água, pego o sabão e passo-o na esponja.
– Passe no joelho. – ela ordena.
Coloco a esponja em cima do joelho e o choque me faz fazer uma careta. Esfrego-a devagar, sem fazer força ou muita pressão. Satisfeita, ela sai do banheiro e encosta a porta. Segundos depois a mesma é aberta.
– Está lavando bem? – reconheço a voz, é Malic.
– Defina bem. – sorrio.
– Esfregue com força. – ele estreita os olhos – Nem está encostando a esponja.
– O joelho é meu. – rebato.
– Para de ser criança e lava isso aí. – ele abaixa a tampa do vaso sanitário e senta.
– Dói muito, não tenho coragem. – mordo o lábio inferior.
– Deixa que eu faço isso. – ele abre o vidro do box, sobe a calça jeans até o joelho e retira o tênis.
– Que? – franzo o cenho.
– Dá a esponja. – ele pede. Entrego-a com certo receio.
Ele puxa o meu calcanhar e me faz escorregar pelo chão, rio.
– Dá o sabonete. – ele estende a mão. Entrego-o.
Delicadamente, ele passa o sabonete na esponja e depois a coloca em cima de meu joelho, fazendo uma leve pressão. Prendo a respiração e desvio o olhar para não ver. De repente ele levanta e entra no box.
– O que você está fazendo?
– Me dá aflição ver o chuveiro aberto sem ninguém entrar. – ele fecha o registro.
– Você e seus jeitos estranhos. – comento.
– Não é estranho, é consciente. – ele me corrige e volta a sentar no chão, retomando o trabalho com a esponja.
Prendo a respiração.
– Desculpa, senhor ecológico. – forço um sorriso.
Agora ele esfrega forte, quase arrancando minha pele. A água que escorre por meu joelho é rosada, assim como a espuma.
– Está doendo muito? – ele para de esfregar e o local formiga.
– Magina.
A porta é aberta novamente. Vovó entra. Quase vomito meu coração.
– Trouxe os – ela interrompe o que estava falando para nos encarar. Trocando olhares entre mim e as costas de Malic. Ele suprime a risada e morde o lábio inferior.
Droga.
Puxa o ar com força e fecha os olhos por um momento, como se estivesse digerindo a cena.
– Os curativos. – ela os coloca em cima da pia e sai, fechando a porta.
– Meu deus. – coloco a mão no rosto e sinto minhas bochechas esquentarem, Malic ri.
– Você não queria contar pra ela? – ele ergue uma sobrancelha – Fizemos melhor, deixamos bem claro que estamos juntos.
– Claro até mais.
Ele coloca a esponja de lado e levanta, liga o chuveiro e aciona o chuveirinho.
– Vire de costas. – ele ordena.
Obedeço sem hesitar. Ele senta atrás de mim, colocando uma perna de cada lado do meu corpo e encostando seu tórax em minhas costas. Gentilmente joga água em meu joelho, encosto a cabeça em seu ombro e suspiro. Água arde, porém, é bem mais agradável que a esponja.
– Pronto. – ele desliga o chuveirinho e automaticamente o chuveiro aciona, molhando suas pernas e as minhas – Termine de tomar banho.
– Você não quer me ajudar? – sussurro – Meu joelho ainda está doendo muito.
– Você é muito convincente. – ele beija meu ombro e desencosta o corpo do meu, me ajuda a levantar e se afasta.
– Não vai entrar? – fecho a porta de vidro e desembaço-a, vendo melhor suas ações.
– Vou, só não quero deixar mais claro para a sua vó. – ele sorri e tranca a porta.
– Também acho uma boa ideia.
Observo-o retirar a roupa e se aproximar do box, abro a porta e mordo o lábio inferior assim que ele entra.
– Deixe eu esfregar suas costas. – ele pega o sabonete. Viro de costas e coloco meu cabelo para frente.
Seu toque é delicado e forte ao mesmo tempo, fazendo pressão e relaxando o musculo de minhas costas. Chegando na altura de meu quadril, ele desliza as mãos para minha barriga e torna a subir, suavemente, me causando arrepios. Viro de frente para ele sem avisar e choco nossos corpos, passo meus braços por seu pescoço e puxo seu rosto na direção do meu. Beijo-o avidamente.
Encosto minhas costas na parede gelada e puxo-o para mais perto. Suas mãos apertam meu quadril. Deslizo as mãos por suas costas até seu quadril e aperto uma de suas nádegas. Afasto meu rosto e mordo seu lábio.
Desligo o registro.
– Não podemos gastar água. – murmuro contra seus lábios.
– Claro que não. – ele raspa os lábios nos meus.
Suas mãos passeiam pelo meu corpo. Ofego e o som fica três vezes mais alto ao repercutir pelo banheiro.
– Shh – ele coloca o polegar na frente de minha boca – Aqui o som é muito alto, assim não iremos fazer sua vó só ver melhor, também vamos fazer ela escutar melhor.
Minhas bochechas esquentam e meu pescoço engrossa.
Saímos do banheiro, recolho os curativos e ele suas roupas. O corredor está apagado e a casa silenciosa, minha vó deve estar dormindo.
– Não estou vendo você. – ele sussurra.
– Silêncio, vai acordar ela. – sussurro.
Caminhos às cegas até a porta de meu quarto. Ascendo a luz e aguardo por ele, assim que ele entra, tranco a porta e respiro fundo.
– Passamos.
– Senta na cama. – ele ordena.
– Como o senhor quiser. – mordo a lateral de meu lábio, largo a toalha e sento na cama.
Ele joga as roupas em um canto do quarto, seu corpo ainda está molhado, seu cabelo grudado na testa. Tão lindo.
– Vamos cuidar de você. – ele pega os curativo e ajoelha na minha frente.
– Cuide muito bem de mim. – sussurro.
Ele sorri de lado e abre um envelope de gase e depois pega o esparadrapo; primeiro a gase e depois enrola o esparadrapo. Suas mãos deslizam por minha perna até o meu calcanhar e depois sobem até minha cintura, ele inclina o corpo e beija minha clavícula e depois meu pescoço. Acaricio seu cabelo.
Suas mãos apertam minha cintura e erguem meu quadril, com um impulso forte, ele me joga para o meio da cama.
Acordo com o sol nascendo, Malic está deitado de bruços e totalmente descoberto. Rolo para cima dele e dou um selinho em sua bochecha.
– Bom dia. – sussurro em seu ouvido.
Ele respira fundo e afunda a cara no travesseiro.
– Mais cinco minutos. – ele fala, com a voz embargada pelo sono.
– Vamos nos atrasar. – deito a cabeça em seu ombro.
– Vamos faltar.
– Minha vó não vai gostar.
Ele suspira, derrotado.
Levanto e vou direto para o armário, pego uma muda de roupa e começo a me vestir enquanto ele rola na cama, até que finalmente para em uma posição; na horizontal de bruços, observando cada passo que dou.
– Você é tão bonita. – ele sussurra.
– Obrigada. – sorrio.
– Seu joelho sangrou.
Olho para o meu curativo e noto a mancha vermelha.
– A gente faz outro. – termino de vestir a blusa.
– Igual a gente fez ontem? – posso notar timbre da malícia em sua voz.
Rio.
– Não, a gente só vai fazer o curativo hoje. – me aproximo – Vá se trocar.
Ele sai da cama arrastando o corpo até a muda de roupa jogada no chão. Aproveito para desfazer o antigo curativo e passa anticéptico, fazendo um novo curativo.
– Vamos escovar os dentes. – abro a porta.
– Vou escovar com o que? – ele ergue uma sobrancelha.
– Minha vó deve ter uma escova reserva ou você escova com o dedo. – saio do quarto.
Descemos e vamos direto para a cozinha, minha vó prepara o café.
– Bom dia. – falo me sentando.
– Bom dia. – ela coloca a jarra de suco e nota que Malic ainda está aqui.
– Bom dia. – ele senta ao meu lado.
– Vó, eu preciso te contar uma coisa. – debruço sobre a mesa.
Ela encosta no gabinete da pia.
– Só não me fale de gravidez.
– Credo. – faço uma careta.
– Pode prosseguir. – ela olha rapidamente para Malic.
Como vou falar para ela que estou tendo um caso com o Malic? Ela não vai entender, isso não é do tempo dela.
– Assim, eu e Malic gostamos um do outro, mas não assumimos nenhum relacionamento. – razoável – Não é nenhum relacionamento aberto, é um relacionamento, mas não é um namoro.
– Temos um caso. – Malic é curto e grosso – Ficamos por aí, mas sem assumir nada e não jogue a culpa em cima de mim, foi a sua neta que quis assim.
Encaro a mesa. Espero que ela entenda.
– Tudo bem – ela senta à mesa -, vocês são jovens e estamos no século XXI. Admito que não gosto de você e sinto que isso é reciproco, mas se a Bianca gosta de você, quem sou eu para julgar?
Sorrio.
– A única coisa que peço a vocês é camisinha e anticoncepcional, não quero ser bisa e nem vocês querem ser pais.
Contraio os lábios e minhas bochechas esquentam.
– Ontem eu tinha duas hipóteses na cabeça – ela levanta e pega os pães -, você poderia estar ficando com a minha neta ou ser o amigo gay metido a macho dela. De duas, uma.
Malic ri.
– Comam, se não vão se atrasar. – ela coloca os pães na mesa e vai para o quintal pela porta da cozinha.
– Não foi tão ruim. – ele comenta.
– Sim.
A faculdade estava com o pátio cheio, nunca o vi assim. As pessoas olhavam alguma coisa e parecia estar por todo lugar.
– Que bom que você chegou! – Amiony corre até nós.
– O que aconteceu? – franzo o cenho.
– O trabalho do Ruffles vingou, eles colocaram em exposição por toda a faculdade.
Arregalo os olhos. Ele mereceu, fez um bom trabalho.
– Colocaram todas as fotos?
– Apenas as mais impactantes. – ela me puxa pelo braço – Aqui está a sua.
A foto é a que estou segurando um machado e encarando a câmera de baixo para cima. Meus olhos saíram em uma tonalidade escura e o hematoma falso em minha bochecha e olho dão um ar opressão, submissão, mas sobretudo de reação. Não me reconheço.
– Achei que eu fosse o único a te ver assim. – Malic comenta – Está incrível.
Os estudantes que fotografavam a foto começam a murmura sobre minha presença.
– Virou celebridade. – Amiony comenta.
Sorrio.
– Nem acredito que essa sou eu. – encaro a foto mais uma vez – Parece mentira.
– Vocês criaram uma revolução para o protesto contra a violência feminina. –Amiony comenta, satisfeita.
– Quero ver quando essa foto chegar nas mãos do Lobo Mau. – alguém na multidão de alunos comenta.
O frio percorre minha espinha. Olho para trás na tentativa de identificar a pessoa, contudo não tenho sucesso.
– Não acha que ficou muito explicito? – encaro Amiony – Nós fazemos referência ao Lobo Mau nessa foto, está na cara.
– Nós criamos um protesto, se ele se incomodar, que reaja. – ela cruza os braços.
Ela quer uma reação maior que um próximo assassinato?
– Talvez vocês expuseram demais as modelos. – Malic pondera.
– Ninguém expôs ninguém, elas fizeram por espontânea vontade. – ela discorda.
Espontânea vontade até certo ponto.
– Você acha que ele pode reagir? – murmuro para Malic.
– Não se ele não levar isso como afronta. – ele murmura – Caso contrário, teremos mais uma vítima.
Engulo seco.
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