– Bianca. – Malic puxa o meu braço, o que gera um tranco em meu corpo.

– O quê? – franzo o cenho e puxo o meu braço de volta.

– O que aconteceu? Você está me assustando.

– Encontrei um moletom dentro da cabana. – pego fôlego.

– Claro que encontrou, já parou para pensar nos mendigos? – ele cruza os braços – Algum deles deve ter dormir aqui.

– Não, você não me entendeu. – discordo – Vi esse mesmo moletom em um menino hoje na faculdade.

– E o que tem?

– Ele estava saindo do banheiro feminino e eu sai para procurá-lo e não o encontrei mais, a Camila até falou que podia ser uma menina, mas eu sei o que eu vi.

– Tá – ele suspira -, sei que você anda assustada com essa história de assassinatos e tudo mais, mas você tem que parar para pensar antes de sair dando uma de louca por aí.

– Está me chamando de louca? – cruzo os braços.

– Bom, nesse exato momento, você pareceu uma. – ele comprimi os lábios.

Suspiro. Ele tem razão, tenho mais acusações que respostas. Não superei o suficiente o ocorrido, mesmo tentando enganar minha própria consciência e sanidade, ainda sei que não esqueci, ainda sinto medo. Essas desconfianças vão acabar me enlouquecendo ou me fazendo parecer louca.

– Tudo bem. – passo a mão no cabelo – Vamos embora?

– Como quiser. – ele passo o braço por cima do meu ombro e voltamos a caminhar, em um ritmo mais lento e silencioso.

Passamos pela pequena cachoeira e seguimos pela trilha que viemos. Malic mantém o olhar para baixo, o que me encarrega de fazê-lo desviar das árvores. Desvio de uma árvore e tropeço na raiz da outra. Um vidro quebra. O chão é o único que ampara a minha queda. Meu joelho lateja.

– Mais que merda. – sussurro me erguendo.

– Você está bem? – ele arregala os olhos e segura o riso.

– Não consigo mexer meu joelho. – arfo e sento, esticando-o.

– Parece que você rasgou sua calça. – ele ajoelha e analisa o tecido, sujando os dedos de sangue – Acho que você cortou.

– Está muito feio? – tento visualizar o machucado.

– Deixe-me ver. – ele segura o rasgo de minha calça e o alarga, o tecido estica e cede, deixando meu joelho completamente exposto.

– Você caiu em cima de uma garrafa. – ele retira um pequeno caco de vidro camuflado no sangue – Está doendo?

– Mais ou menos. – minto com um sorriso, prendendo a respiração.

Ele joga o caco fora e observa a ponta dos dedos, sujos de sangue. Seus músculos parecem enrijecer e ele fica paralisado, encarando os dedos, seu olhar tem um tom mais escuro e sombrio, como se a qualquer momento ele pudesse me atacar, como um tubarão ao sentir o cheiro de sangue. Engulo seco. Será que ele é aquele tipo de pessoa sensível a sangue? Ele pode desmaiar? Espero que ele não desmaie, é muito pesado para eu o carregar. O olhar fixo passa dos dedos para o meu joelho ensanguentado. Ele esfrega, singelamente, a ponta dos dedos umas nas outras.

– Malic. – chamo-o – Malic.

Não tenho resposta.

– Malic. – toco em seu ombro.

– Sim. – ele me encara, assustadoramente sério.

– Está tudo bem com você? – sento mais ereta e puxo minha perna – Você ficou paralisado.

– Eu só... Está tudo bem?

– Você tem alguma sensibilidade ao ver sangue? Se tiver, posso dar um jeito de tampar o machucado.

– Relaxa, está tudo bem. – ele dá um rápido sorriso e volta a feição séria – Sangue me faz lembrar de coisas.

Franzo o cenho.

– Tipo o quê?

Ele suspira.

– De hospital, por exemplo, onde fiquei internado. – ele levanta – Vamos sair daqui antes que você pegue uma infecção. – ele estende a mão.

Seguro em sua mão e dou o impulso para levantar, meu joelho dói e isso impede que eu estique a perna. Respiro fundo para não reclamar e solto o ar devagar.

– Apoie em mim. – ele passa meu braço por seu ombro e assim seguimos: ele curvado para conseguir ficar na minha altura e eu tentando aprender a me apoiar nele para caminhar.

– Entre no meu carro. – ele o destrava com um aperto na chave – Não vai conseguir dirigir com o joelho assim.

Não apresento objeção, apenas entro e coloco o banco para trás – na tentativa inútil de não dobrar o joelho.

– Vamos para a casa da vovó. – ele diz enquanto entra no carro e sorri presunçoso.

– Só estamos esquecendo os docinhos. – sorrio de lado.

– Você é o docinho. – ele pisca para mim.

Reviro os olhos e sinto minhas bochechas esquentarem.

– Não acho que minha vó gostaria de me jantar.

– Quem disse que irá sobrar alguma coisa para ela? – ele sorri e posso notar um toque lascivo no ato.

– Ai meu Deus. – rio – Vou até ligar o rádio depois dessa.

Ele ri.

– Seu cérebro precisa se distrair pra você esquecer da dor, nada melhor que minhas seduzentes cantadas.

– Claro. – sorrio.

Chegamos em casa mais rápido o esperado por mim. Ele me ajuda a descer do carro e a chegar até a varanda.

– Quer entrar? – convido-o, gentilmente.

– Sua avó não gosta de mim.

– Eu gosto de você. – rebato.

– Que motivo convincente.

– Entra logo. – abro a porta e puxo-o pelo braço – Vó!

– Oi!

Em segundos ela aparece na escada.

– Credo, o que aconteceu com você? – ela olha para o meu joelho e depois para o Malic – Oi.

– Vovó. – ele faz um breve aceno com a cabeça, cutuco-o e ele limpa a garganta – Dona... Hm... Qual o nome da sua avó?

Ela revira os olhos e eu respiro fundo.

– Tropecei e cai por cima de uma garrafa. – mudo o foco do assunto.

– Venha. – ela caminha para a cozinha.

Manco para chegar lá e encosto na mesa, observando-a deixar a pia e bancada livre.

– O que você vai fazer? – questiono.

– Sente. – ela bate na bancada.

Aproximo-me devagar e tento dar impulso para o salto, mas não tenho resultado positivo.

– Deixa que eu faço isso. – Malic se aproxima e segura em minha cintura, me erguendo.

– Pronto. – falamos em uníssono.

– Retire a... – ela me encara e depois encara Malic.

– Não tem problema. – sorrio.

– Também não vejo problema nenhum. – ele sorri.

– Para com isso. – sussurro e dou um tapa em seu braço – Ela vai te expulsar daqui com uma vassourada na cabeça.

– Retire a calça. – ela nos ignora.

Malic volta-se para mim e desabotoa o botão de minha calça.

– Eu puxo e você ergue o quadril. – ele informa.

– 1... 2... 3 – ergo o quadril e ele puxa a calça, o tecido raspa no machucado, a dor é aguda e reflete por toda a minha perna, ardendo. Cerro os punhos e fecho os olhos, uma lagrima escorre pela lateral do meu rosto.

– Sinto muito. – ele murmura assoprando o meu ferimento. Sorrio.

– Coloque o pé na pia. – ela ordena, se aproximando da pia com seu quite de emergência.

Faço o que ela pede e evito olhar para o seu procedimento de cuidados, só para não me desesperar e sentir dor antes da hora ou sentir mais dor que o necessário.

– Se concentre na beldade aqui. – ele acaricia minha outra perna – Não vai doer.

– Não minta para mim. – resmungo.

– Vai doer pra cacete, mas se você se distrair...

Algo repuxa em meu joelho, como se um pedaço de minha carne tivesse sido arrancado. Suprimo um grito abraçando Malic.

– Havia um caco. – vovó informa, indiferente.

– Isso dói muito. – as lágrimas borram minha visão.

– Ei. – ele envolve meu rosto com as mãos – Já vai passar.

Grito novamente, puxando minha perna assim que minha vó despeja um líquido desconhecido no machucado. Ela envolve meu calcanhar e volta o pé para a pia novamente.

– O que é isso que você jogou? – questiono.

– Álcool. – Malic responde.

– Mas o quê?! – finco os dedos no tecido da blusa dele e trinco o maxilar com força para não gritar quando ela começa a esfregar o ferimento, mas não consigo conter as lagrimas.

– Vá tomar banho e lave. – ela diz, se afastando.

Desço com a ajuda dele e subimos a escada bem devagar. Meu joelho formiga e o musculo de minha perna está tenso. Malic me deixa na porta do banheiro, entro e começo a me despir ao mesmo tempo em que abro o registro do chuveiro. Espero a água esquentar para entrar e deixo meu joelho o mais longe possível da água e das gotículas. Vovó entra um tempo depois.

– Você precisa lavar ele. – ela me repreende – Coloque-o embaixo da água.

Suspiro e sento no chão, deixando-o embaixo da queda da água, pego o sabão e passo-o na esponja.

– Passe no joelho. – ela ordena.

Coloco a esponja em cima do joelho e o choque me faz fazer uma careta. Esfrego-a devagar, sem fazer força ou muita pressão. Satisfeita, ela sai do banheiro e encosta a porta. Segundos depois a mesma é aberta.

– Está lavando bem? – reconheço a voz, é Malic.

– Defina bem. – sorrio.

– Esfregue com força. – ele estreita os olhos – Nem está encostando a esponja.

– O joelho é meu. – rebato.

– Para de ser criança e lava isso aí. – ele abaixa a tampa do vaso sanitário e senta.

– Dói muito, não tenho coragem. – mordo o lábio inferior.

– Deixa que eu faço isso. – ele abre o vidro do box, sobe a calça jeans até o joelho e retira o tênis.

– Que? – franzo o cenho.

– Dá a esponja. – ele pede. Entrego-a com certo receio.

Ele puxa o meu calcanhar e me faz escorregar pelo chão, rio.

– Dá o sabonete. – ele estende a mão. Entrego-o.

Delicadamente, ele passa o sabonete na esponja e depois a coloca em cima de meu joelho, fazendo uma leve pressão. Prendo a respiração e desvio o olhar para não ver. De repente ele levanta e entra no box.

– O que você está fazendo?

– Me dá aflição ver o chuveiro aberto sem ninguém entrar. – ele fecha o registro.

– Você e seus jeitos estranhos. – comento.

– Não é estranho, é consciente. – ele me corrige e volta a sentar no chão, retomando o trabalho com a esponja.

Prendo a respiração.

– Desculpa, senhor ecológico. – forço um sorriso.

Agora ele esfrega forte, quase arrancando minha pele. A água que escorre por meu joelho é rosada, assim como a espuma.

– Está doendo muito? – ele para de esfregar e o local formiga.

– Magina.

A porta é aberta novamente. Vovó entra. Quase vomito meu coração.

– Trouxe os – ela interrompe o que estava falando para nos encarar. Trocando olhares entre mim e as costas de Malic. Ele suprime a risada e morde o lábio inferior.

Droga.

Puxa o ar com força e fecha os olhos por um momento, como se estivesse digerindo a cena.

– Os curativos. – ela os coloca em cima da pia e sai, fechando a porta.

– Meu deus. – coloco a mão no rosto e sinto minhas bochechas esquentarem, Malic ri.

– Você não queria contar pra ela? – ele ergue uma sobrancelha – Fizemos melhor, deixamos bem claro que estamos juntos.

– Claro até mais.

Ele coloca a esponja de lado e levanta, liga o chuveiro e aciona o chuveirinho.

– Vire de costas. – ele ordena.

Obedeço sem hesitar. Ele senta atrás de mim, colocando uma perna de cada lado do meu corpo e encostando seu tórax em minhas costas. Gentilmente joga água em meu joelho, encosto a cabeça em seu ombro e suspiro. Água arde, porém, é bem mais agradável que a esponja.

– Pronto. – ele desliga o chuveirinho e automaticamente o chuveiro aciona, molhando suas pernas e as minhas – Termine de tomar banho.

– Você não quer me ajudar? – sussurro – Meu joelho ainda está doendo muito.

– Você é muito convincente. – ele beija meu ombro e desencosta o corpo do meu, me ajuda a levantar e se afasta.

– Não vai entrar? – fecho a porta de vidro e desembaço-a, vendo melhor suas ações.

– Vou, só não quero deixar mais claro para a sua vó. – ele sorri e tranca a porta.

– Também acho uma boa ideia.

Observo-o retirar a roupa e se aproximar do box, abro a porta e mordo o lábio inferior assim que ele entra.

– Deixe eu esfregar suas costas. – ele pega o sabonete. Viro de costas e coloco meu cabelo para frente.

Seu toque é delicado e forte ao mesmo tempo, fazendo pressão e relaxando o musculo de minhas costas. Chegando na altura de meu quadril, ele desliza as mãos para minha barriga e torna a subir, suavemente, me causando arrepios. Viro de frente para ele sem avisar e choco nossos corpos, passo meus braços por seu pescoço e puxo seu rosto na direção do meu. Beijo-o avidamente.

Encosto minhas costas na parede gelada e puxo-o para mais perto. Suas mãos apertam meu quadril. Deslizo as mãos por suas costas até seu quadril e aperto uma de suas nádegas. Afasto meu rosto e mordo seu lábio.

Desligo o registro.

– Não podemos gastar água. – murmuro contra seus lábios.

– Claro que não. – ele raspa os lábios nos meus.

Suas mãos passeiam pelo meu corpo. Ofego e o som fica três vezes mais alto ao repercutir pelo banheiro.

– Shh – ele coloca o polegar na frente de minha boca – Aqui o som é muito alto, assim não iremos fazer sua vó só ver melhor, também vamos fazer ela escutar melhor.

Minhas bochechas esquentam e meu pescoço engrossa.

Saímos do banheiro, recolho os curativos e ele suas roupas. O corredor está apagado e a casa silenciosa, minha vó deve estar dormindo.

– Não estou vendo você. – ele sussurra.

– Silêncio, vai acordar ela. – sussurro.

Caminhos às cegas até a porta de meu quarto. Ascendo a luz e aguardo por ele, assim que ele entra, tranco a porta e respiro fundo.

– Passamos.

– Senta na cama. – ele ordena.

– Como o senhor quiser. – mordo a lateral de meu lábio, largo a toalha e sento na cama.

Ele joga as roupas em um canto do quarto, seu corpo ainda está molhado, seu cabelo grudado na testa. Tão lindo.

– Vamos cuidar de você. – ele pega os curativo e ajoelha na minha frente.

– Cuide muito bem de mim. – sussurro.

Ele sorri de lado e abre um envelope de gase e depois pega o esparadrapo; primeiro a gase e depois enrola o esparadrapo. Suas mãos deslizam por minha perna até o meu calcanhar e depois sobem até minha cintura, ele inclina o corpo e beija minha clavícula e depois meu pescoço. Acaricio seu cabelo.

Suas mãos apertam minha cintura e erguem meu quadril, com um impulso forte, ele me joga para o meio da cama.

Acordo com o sol nascendo, Malic está deitado de bruços e totalmente descoberto. Rolo para cima dele e dou um selinho em sua bochecha.

– Bom dia. – sussurro em seu ouvido.

Ele respira fundo e afunda a cara no travesseiro.

– Mais cinco minutos. – ele fala, com a voz embargada pelo sono.

– Vamos nos atrasar. – deito a cabeça em seu ombro.

– Vamos faltar.

– Minha vó não vai gostar.

Ele suspira, derrotado.

Levanto e vou direto para o armário, pego uma muda de roupa e começo a me vestir enquanto ele rola na cama, até que finalmente para em uma posição; na horizontal de bruços, observando cada passo que dou.

– Você é tão bonita. – ele sussurra.

– Obrigada. – sorrio.

– Seu joelho sangrou.

Olho para o meu curativo e noto a mancha vermelha.

– A gente faz outro. – termino de vestir a blusa.

– Igual a gente fez ontem? – posso notar timbre da malícia em sua voz.

Rio.

– Não, a gente só vai fazer o curativo hoje. – me aproximo – Vá se trocar.

Ele sai da cama arrastando o corpo até a muda de roupa jogada no chão. Aproveito para desfazer o antigo curativo e passa anticéptico, fazendo um novo curativo.

– Vamos escovar os dentes. – abro a porta.

– Vou escovar com o que? – ele ergue uma sobrancelha.

– Minha vó deve ter uma escova reserva ou você escova com o dedo. – saio do quarto.

Descemos e vamos direto para a cozinha, minha vó prepara o café.

– Bom dia. – falo me sentando.

– Bom dia. – ela coloca a jarra de suco e nota que Malic ainda está aqui.

– Bom dia. – ele senta ao meu lado.

– Vó, eu preciso te contar uma coisa. – debruço sobre a mesa.

Ela encosta no gabinete da pia.

– Só não me fale de gravidez.

– Credo. – faço uma careta.

– Pode prosseguir. – ela olha rapidamente para Malic.

Como vou falar para ela que estou tendo um caso com o Malic? Ela não vai entender, isso não é do tempo dela.

– Assim, eu e Malic gostamos um do outro, mas não assumimos nenhum relacionamento. – razoável – Não é nenhum relacionamento aberto, é um relacionamento, mas não é um namoro.

– Temos um caso. – Malic é curto e grosso – Ficamos por aí, mas sem assumir nada e não jogue a culpa em cima de mim, foi a sua neta que quis assim.

Encaro a mesa. Espero que ela entenda.

– Tudo bem – ela senta à mesa -, vocês são jovens e estamos no século XXI. Admito que não gosto de você e sinto que isso é reciproco, mas se a Bianca gosta de você, quem sou eu para julgar?

Sorrio.

– A única coisa que peço a vocês é camisinha e anticoncepcional, não quero ser bisa e nem vocês querem ser pais.

Contraio os lábios e minhas bochechas esquentam.

– Ontem eu tinha duas hipóteses na cabeça – ela levanta e pega os pães -, você poderia estar ficando com a minha neta ou ser o amigo gay metido a macho dela. De duas, uma.

Malic ri.

– Comam, se não vão se atrasar. – ela coloca os pães na mesa e vai para o quintal pela porta da cozinha.

– Não foi tão ruim. – ele comenta.

– Sim.

A faculdade estava com o pátio cheio, nunca o vi assim. As pessoas olhavam alguma coisa e parecia estar por todo lugar.

– Que bom que você chegou! – Amiony corre até nós.

– O que aconteceu? – franzo o cenho.

– O trabalho do Ruffles vingou, eles colocaram em exposição por toda a faculdade.

Arregalo os olhos. Ele mereceu, fez um bom trabalho.

– Colocaram todas as fotos?

– Apenas as mais impactantes. – ela me puxa pelo braço – Aqui está a sua.

A foto é a que estou segurando um machado e encarando a câmera de baixo para cima. Meus olhos saíram em uma tonalidade escura e o hematoma falso em minha bochecha e olho dão um ar opressão, submissão, mas sobretudo de reação. Não me reconheço.

– Achei que eu fosse o único a te ver assim. – Malic comenta – Está incrível.

Os estudantes que fotografavam a foto começam a murmura sobre minha presença.

– Virou celebridade. – Amiony comenta.

Sorrio.

– Nem acredito que essa sou eu. – encaro a foto mais uma vez – Parece mentira.

– Vocês criaram uma revolução para o protesto contra a violência feminina. –Amiony comenta, satisfeita.

– Quero ver quando essa foto chegar nas mãos do Lobo Mau. – alguém na multidão de alunos comenta.

O frio percorre minha espinha. Olho para trás na tentativa de identificar a pessoa, contudo não tenho sucesso.

– Não acha que ficou muito explicito? – encaro Amiony – Nós fazemos referência ao Lobo Mau nessa foto, está na cara.

– Nós criamos um protesto, se ele se incomodar, que reaja. – ela cruza os braços.

Ela quer uma reação maior que um próximo assassinato?

– Talvez vocês expuseram demais as modelos. – Malic pondera.

– Ninguém expôs ninguém, elas fizeram por espontânea vontade. – ela discorda.

Espontânea vontade até certo ponto.

– Você acha que ele pode reagir? – murmuro para Malic.

– Não se ele não levar isso como afronta. – ele murmura – Caso contrário, teremos mais uma vítima.

Engulo seco.