Diga Adeus à Inocência
17 Capítulo 16
Rafael repetiu mais algumas fotos como precaução e depois tivemos direito a uma pequena comemoração do trabalho.
– É um aquecimento. – Monique ergue a taça de vinho.
– Nossa noite será quente. – Coraline bate de leve a taça na de Monique – Espero voltar acompanhada, bem acompanhada.
As duas riem. Reviro os olhos e brindo.
– Vocês são ridículas. – Falo, sorrindo.
– Ah, por favor, não venha com sua moral de freira. – Monique ri – Não nego que adoro um tanquinho, principalmente quando ele está na minha cama.
– Você é uma tarada. – Rebato.
Coraline ri.
– Quem não gosta de um tanquinho? – Camila se aproxima.
– A dona santa aqui. – Monique aponta para mim com a taça.
– Vocês são tão triviais. – Finjo estar incomodada.
Elas riem.
– O trabalho está incrível. – Rafael se aproxima abraçado com Amiony. Eles são bonitos juntos, mas não consigo colocar fé nele.
– Claro né, olha as modelos. – Coraline brinca.
– De fato, elas não são de se jogar fora. – Matthew se aproxima.
Camila o encara por alguns longos segundos e então desvia o olhar com um sorriso tímido. Ela ainda não superou a separação deles, será que ainda sente alguma coisa por ele?
– Tenho que terminar de arrumar as coisas aqui, vocês podem ir – Rafael se desvencilha dos braços de Ony -, tudo certo para a festa?
– Sim. – Monique confirma.
– Então nos vemos mais tarde. – ele dá um rápido selinho em Ony e sai andando. O selinho não passa despercebido, sendo acompanhado de gritos histéricos das meninas.
– Vamos parar? – Amiony cruza os braços com as bochechas vermelhas.
– Até que enfim vocês se assumiram. – Camila sorri.
Ignoro um pouco a cena a minha frente e observo Rafael ajudar uma das meninas de sua equipe a desmontar o tripé, por que tocar tanto nela? Estreito os olhos. Talvez eu esteja desconfiando muito dos homens ultimamente, não é porque o Malic fez aquilo que todos irão fazer.
– Vamos? – Camila chama minha atenção – Temos que comer alguma coisa e já começar a nos arrumar.
Concordo com um meneio de cabeça.
***
A república de Camila está vazia, pois de acordo com ela: todos saem de fim de semana para ir encontrar os pais em suas determinadas cidades.
Sento em sua cama e a observo andar pelo quarto.
– Que roupa você vai usar? – ela pergunta, enquanto abre o armário.
– Um vestido, salto e só. – abro minha bolsa.
– Acho que vou usar um shorts e uma blusa. – ela vasculha uma gaveta – O Matthew vai?
– Ele não deu certeza. –franzo o cenho e olho para o chão – Acho que nem cheguei a perguntar.
Ela suspira.
– Tenho que parar de me importar com isso.
– Você ainda gosta dele? – pergunto, mansamente.
– Claro que não! – ela exclama, aflita – Está tão na cara assim?
– Não sei – dou de ombros -, é que sou muito observadora, então acabo notando coisas que as outras pessoas não percebem.
– Então irei contar com seu instinto observador e acreditar que mais ninguém nota isso. – ela dá um rápido sorriso.
Fico em silêncio.
– Por que não tenta investir hoje? – questiono – Aproveite a festa e vá pra cima.
– Não tenho coragem e se ele me rejeitar?
Reviro os olhos.
– Só se ele for gay. – sorrio – Vocês tiveram um relacionamento na adolescência, você era menininha e idiota, mas agora você é uma mulher.
– E o que isso muda? – ela retira a blusa e experimenta outra.
– Que agora você está diferente.
Ela suspira novamente.
– Vamos ver.
Lá para às 18:30 começamos a nos arrumar e íamos apressando o ritmo à medida que Monique nos ligava histérica. Camila mudou de roupas mais algumas vezes até decidir usar um vestido.
– Que maquiagem eu passo? – ela me encara.
– Vou passar rímel, lápis, uma sombra com brilho e um batom roxo escuro. – falo enquanto observo as maquiagem em minha bolsa.
– Acho que vou fazer a mesma, só que irei usar uma sombra mais forte e um bato mais claro.
Dispo-me e começo a colocar o vestido.
– Esqueci de devolver a lingerie. – falo ao me observar no espelho e notar que ainda a uso.
– Eu também. – Camila ri – Na semana devolvemos.
– Tudo bem. – dou de ombros.
Coloco o vestido e o ajeito no corpo. Adoro usar vestidos em festas, mesmo ele sendo desconfortável para dançar.
– Adorei a cor dele. – Camila passa a mão para sentir o tecido e termina de colocar o seu.
Os vestidos têm quase o mesmo modelo; os dois são colados no corpo como uma segunda pele, o meu tem alças e o dela é tomara-que-caia, o meu é azul báltico com alguns brilhos e o dela é um preto básico. Dou uma ajeitada no meu cabelo para evitar pentear e início minha maquiagem enquanto Camila procura por um sapato. O celular toca mais uma vez.
– Ê cassete, o que foi? – Camila atende – Já falei que já estamos nos arrumando.
– Daqui... Daqui a pouco... A festa vai durar a madrugada toda, não tem problema chegar mais tarde... Você está me atrasando. – ela desliga – Vamos logo.
Termino minha maquiagem e vou calçar o sapato.
– Estou pronta. – anuncio pegando minha bolsa e chave do carro.
– Ótimo – ela diz me encarando pelo espelho -, coloque as bolsas no carro. Certifique quee você pegou seus documentos e dinheiro.
– Peguei tudo. – abro minha bolsa e dou uma revirada.
– Então vamos.
A festa ficava a meia-hora de distância da república e mais uma vez não era uma balada, e sim uma casa vazia. Estaciono o carro na frente da casa.
– Parece estar lotada. – ela comenta – É assim que eu gosto.
Entre umas cantadas, buzinas e “elogios”, chegamos na porta – onde somos barradas por um segurança imenso para revista e depois para a compra da pulseira.
– Ainda bem que não foi ele que nos revistou. – Camila cochicha – Iria me sentir estuprada pelo olhar dele.
Rio.
– Credo.
Compramos as pulseiras que nos dão direito ao open bar e, finalmente, podemos entrar na festa propriamente dita.
O teto é vazado, o que permite ter a visão do outro andar da casa que foi feito de camarote – cujo nossa pulseira nos dá acesso. Há caixas de som espalhadas por todos os cantos das paredes, mas a pista de dança e o Dj ficam no lado de fora perto da piscina. O bar da pista fica aonde deveria ser a sala de jantar e a entrada para a cozinha não permite que os convidados invadam o bar, como não permite acesso ao lugar em que as bebidas estão guardadas. As luzes me deixam tonta.
– Acho que as meninas estão na piscina. – Camila grita.
– Vamos lá. – grito de volta.
Temos que nos espremer para passar entre as pessoas e chegar na área de fora, não demora muito para avistar Monique e sua saia curta, Coraline usa um shorts e uma blusa roxa aberta na lateral, Juliana é mais comportada de todas; sua calça jeans é o contraste entre shorts, saias e vestidos.
– Achei vocês não iam vir nunca. – Monique nos encara – Essa festa está cheia de gatos.
– Graças a Deus! – Camila comemora.
– Vocês já pegaram bebidas? – Juliana olha para nossas mãos.
– Acabamos de chegar. – informo.
– Então vamos lá. – ela pega na mão de Camila e nos arrasta para dentro da casa novamente.
3 drinks depois...
Resolvemos ficar na pista de dança do camarote; está mais vazia e os meninos mais bonitos estão aqui em cima. Monique já achou sua companhia para a noite e sumiu pelos cantos, Coraline e Camila resolveram ir dançar, perdi a Juliana de vista.
– Você está bonita.
Olho para o lado e encontro Matthew.
– Isso significa que na faculdade sou feia? – sorrio.
– Não, você está sempre bonita. – ele sorri.
Prendo a respiração. Isso não foi uma cantada, espero.
– Curtindo a noite? – mudo de assunto.
– Perdi o Jonas em algum lugar por aqui. – ele comenta.
– O Jonas veio? – pergunto, incrédula.
– Sim.
– Legal. – sorrio.
– Bianca. – Coraline grita – Vem dançar!
Salva.
Começo a caminhar na direção delas quando Matthew agarra meu pulso e me faz parar. Meu coração dispara e o ar escapa de meus pulmões. Por favor, não peça...
– Bianca – ele se aproxima -, tem uma coisa que eu gostaria de te falar.
Não, você não quer me falar nada.
– Por que você não me dá uma chance? – ele envolve meu pescoço com uma mão – Prometo que sou melhor que ele.
Engulo seco. Preciso responder alguma coisa.
– Por favor.
Meu deus. Ele está perto demais, muito perto. Não posso fazer isso, não posso fazer isso com a Camila.
– Não posso. – afasto-o – Desculpa, mas não dá.
– Você ainda gosta dele? – ele pergunta, incrédulo – Mesmo depois do que ele fez com você?
– O quê? – admiro-me – Isso não tem nada a ver com o Malic.
Ele estreita os olhos e ao invés de responder, simplesmente sai, se misturando no meio da multidão. Respiro fundo e coloco um sorriso no rosto para me juntar as meninas.
– Não sei dançar. – Falo me aproximando.
– É só mexer o corpo. – Coraline diz.
– Isso vai te ajudar. – Camila me entrega um copo.
– O que tem aqui? – questiono.
– Álcool. – ela ri.
Claro, por que não teria? Dou um gole e o liquido queima minha garganta.
Elas dão um grito de empolgação, sorrio.
Entre uma música e outra, Camila olhava para um ponto fixo do recinto, tentei localizar o mesmo ponto, mas as luzes coloridas me causam vertigem. De tanto olhar para o mesmo lugar, ela resolveu ir até lá e não voltar mais.
– Ela deve ter encontrado um menino. – Coraline grita no meu ouvido.
– Óbvio. – sorrio – Ela e a tarada da Monique já ganharam a noite.
– Onde está a Juliana? – Coraline franze o cenho.
Puts, esqueci dela.
– Não sei. – olho em volta – Eu perdi ela.
– Tanto faz. – Coraline volta a dançar.
Imito os movimentos dela e para a minha sorte uma eletrônica em um ritmo mais lento começa.
– Está vendo? – ela me encara – É só balançar o quadril no ritmo da música.
Fecho os olhos e faço o que ela manda.
– Vou pegar uma bebida. – ela fala.
Concordo com um meneio de cabeça e continuo dançando. Passo a mão por meu cabelo e viro, meus olhos encontram os dele. Perco o ar e paraliso. Merda.
Ele está com um copo na mão e um cigarro na outra, parece que fez mais uma tatuagem no braço. Sua calça está caída nos quadris, deixando o elástico de sua cueca aparecer – do jeito que eu gosto. Ele está tão lindo...
Respiro fundo e viro para o outro lado, volto a dançar e vez ou outra encaro-o por cima dos ombros. Coraline volta com o copo de bebida.
– Não achei ninguém interessante. – resmunga.
– Quer dar uma volta? – sugiro.
– Sim.
Ela caminha na frente e vou logo a trás, sem perdê-la de vista. Passamos ao lado dele e faço questão de encará-lo.
No meio do caminho encontro Camila aos beijos com Matthew. Sorrio, graças a Deus não fiquei com ele. Não encontro Monique ou Juliana.
– Você não acha perigoso elas sumirem assim? – pergunto.
– Elas sabem se cuidar.
– Mas e o Lobo Mau...
– Ah, por favor, não reviva essa história. – ela me repreende – O cara já deve estar em outra, faz tempo que uma menina não morre aqui, então não reviva os mortos!
Mordo o lábio inferior. É incrível como as pessoas podem ignorar o que não está ao alcance de suas mãos.
E o que eu temia aconteceu: Coraline arranjou um cara com que teve uma conversa superinteressante, me deixando de lado. Com certeza a Camila vai voltar com o Matthew para casa, então ela não vai precisar da minha carona, acho que já posso voltar para casa.
– Avisa a Cam que eu já fui. – informo Coraline e me retiro.
Espremo-me entre as pessoas para conseguir chegar na saída e corro para o carro, não levando mais de três segundos para entrar. Engato e sigo para casa.
Está tudo apagado, o que indica que minha vó já deve estar dormindo. Entro em silêncio e deixo minhas coisas na poltrona, me surpreendendo ao encontrar vovó dormindo no sofá. Sorrio e desligo a tv, pego um cobertor e cubro-a. Deposito um delicado beijo em sua bochecha.
Subo vagarosamente até o meu quarto, abro a porta e fecho-a em seguida. Ficando no completo escuro. Uma corrente gelada bate contra o meu corpo e me deixa arrepiada. Mas por que minha janela está aberta?
O medo abraça meu âmago e tenho a urgente necessidade de ascender a luz, procuro pelo interruptor e não o encontro. Meu coração bate rápido e não consigo respirar. Ascendo a luz e dou de cara com ele.
Grito. Sua mão vai de encontro a minha boca e o abafa, seu corpo vem de encontro ao meu e me imobiliza.
Onde está meu celular? Merda, minha bolsa ficou lá embaixo. Debato-me.
– Promete não gritar se eu tirar a mão de sua boca? – ele sussurra.
Confirmo e vagarosamente ele retira a mão.
– Você é demente?! – esbravejo – O que está fazendo no meu quarto?! Como você entrou aqui?
– Queria falar com você. – ele senta em minha cama – Pela janela, é fácil escalar a parede da sua casa.
Estreito os olhos.
– Isso é invasão. – acuso-o – Vou chamar a polícia.
– Vá em frente. – ele dá de ombros.
– Exijo que você vá embora. – rosno – Por onde você entrou.
– Me expulse. – ele levanta – Anda.
Trinco o maxilar e me aproximo.
– Vá embora. – empurro-o – Não quero mais olhar pra você.
Ele dá um passo para trás.
– Tudo o que aconteceu é culpa sua. – empurro-o novamente – Toda a desgraça dessa semana foi culpa sua! Você só se importa com você e foda-se as outras pessoas, odeio pessoas assim! Eu odeio você.
Mais um passo para trás.
– Minha vontade é te tacar por essa janela. – falo entre dentes – Tem noção do quanto eu já chorei? De quanto tive que fingir que estava tudo bem? Eu me escondi durante uma semana por vergonha.
Seus olhos não expressam sentimento nenhum.
– E você continua me encarando assim! – me controlo para não gritar – Como se eu não fosse nada!
Empurro-o e ele bate as costas contra a parede.
– Você me dá nojo! – empurro-o novamente – Nunca vou te perdoar por isso.
Afasto-me e passo a mão em meu cabelo.
– Não quero falar com você – encaro-o – Nunca mais.
Ele se aproxima.
– Nem mais um passo. – ameaço.
Malic torna a se aproximar.
Disparo na direção da porta, mas sou contida por ele. Bato contra a madeira, seu corpo pressiona o meu. Encaro-o por cima do ombro. O grito entala em minha garganta.
– Me solta. – falo, entre dentes.
– Gosto de você – ele sussurra -, mais do que eu deveria gostar.
Não.
– Agi errado e sei disso – ele afrouxa o aperto de minhas mãos -, sei também que não vale a pena lamentar agora.
Fecho os olhos.
– Também sei que você está lutando contra suas vontades e também sente a minha falta como eu sinto a sua. – ele murmura contra a pele de meu ombro.
NÃO.
Mordo o lábio inferior.
– Só uma segunda chance. – ele beija a curva de meu pescoço.
Isso é jogo baixo.
– Faça o que você quiser. — Ele solta as minhas mãos, imediatamente viro de frente para ele.
Meu olhar queima o seu, sou capaz de matá-lo com o olhar. Acerto um tapa em seu rosto, minha mão arde.
– Não pense que sou essas meninas que você costuma ter. – rosno.
O vergão vermelho em seu rosto toma a forma de minha mão.
Estou ofegante e com certo medo, não devia ter batido nele. Voltamos a nos encarar, seus olhos ardem, deixo a boca entreaberta para respirar melhor. Encosto na porta e tento me manter firme. Sua bochecha está um pouco inchada, mas isso não parece o abater.
Controle. Isso é um jogo de controle e você consegue se controlar.
Não consigo.
Dou um impulso, bato contra o seu corpo e enlaço o seu pescoço, finco os dedos em seu cabelo e puxo seu rosto ao encontro do meu. O choque das bocas me causa arrepios. Preciso dele. O beijo é urgente, intenso e autoritário. Suas mãos passeiam pelo meu corpo como se estivessem reivindicando um território perdido. Uma delas segura os cabelos de minha nuca enquanto a outra aperta uma de minhas nádegas. Arfo e meu lábio inferior é retido por seus dentes.
– Bianca – ele sussurra – Eu – coloco meu indicador na frente de seus lábios:
– Não diga nada. – sussurro – Não me lembre que eu posso mudar de ideia.
Volto a beijá-lo e caminhar pelo quarto. Bato em minha escrivaninha, Malic passa as mãos por minhas coxas e me ergue, sentando-me na escrivaninha.
– Vai demorar para chegar na cama. – ele murmura, arfante.
Sorrio e enrosco minhas pernas em sua cintura, puxando-o para mim.
– Não tem problema. – sorrio.
Suas mãos seguram a barra do meu vestido e com apenas um puxão, não o visto mais.
– Não vamos mais precisar disso. – ele sussurra e sorri lascivamente.
Minhas bochechas esquentam e não existe mais saliva em minha boca. Sinto seus lábios em meu pescoço e vagarosamente eles vão descendo até meu ombro. O que eu estou fazendo? Não devia perdoa-lo. Ele não irá mudar e se algum dia precisar ser agressivo, não vai hesitar assim como não hesitou no pátio. Ele abaixa a alça de meu sutiã. Ofego e arqueio o corpo. Preciso de mais contato. Volto a beijá-lo e aperto ainda mais minhas pernas em sua cintura, suas mãos encontram o feixe do sutiã em minhas costas, abrindo-o. Suspiro ao sentir a brisa em contato com a pele quente de meus seios.
Inclinando o corpo para frente, sinto seus lábios em meu seio direito. Mordo o lábio inferior, aperto a beirada da mesa e arqueio o corpo. Deus do céu. Sua boca é gelada em comparação a minha temperatura.
– Malic – arfo e seguro a barra de sua camiseta.
Ele endireita o corpo novamente, aproveito a ação para retirar sua camiseta e jogá-la longe. Contemplo-o mais uma vez. Quem não gosta de um tanquinho? A dona santa aqui. Sorrio com a lembrança, o que será que a Monique falaria ao descobrir o que eu estou fazendo agora?
– Do que está rindo? – sua mão aperta minha coxa.
– Nada importante. – encaro-o de baixo para cima.
– Você me deixa louco. – ele sussurra e raspa seus lábios nos meus, mordo seu lábio inferior e puxo-o levemente.
A ponta de seus dedos roça em minha barriga e me faz ter arrepios. Mordo o lábio inferior. Sinto seus dedos bem ali embaixo, com a surpresa, suspiro em um quase gemido e tombo a cabeça para trás.
– Já está pronta pra mim assim tão cedo. – ele murmura, arfante.
Ele introduz um dedo. Desprevenida, a sensação vem duplicada e faz meu corpo ter espasmos. Para evitar um grito, mordo o meu lábio inferior e aperto a mesa de tal modo que não sinto a ponta dos meus dedos. Ao mesmo tempo em que manipula o vértice de minhas pernas, ele estimula meus seios com os lábios.
Puta merda.
– Malic – gemo.
Meu corpo tem mais espasmos e aquela sensação familiar volta a esmagar meu corpo e então Malic para tudo o que estava fazendo. O quê? Não!
– Por quê? – arfo.
– Ainda não. – ele murmura contra meu pescoço, onde deposita um beijo.
Aperto mais minhas perna envolta de seu corpo, sinto sua ereção. Congelo. Ele tateia os bolsos.
– Merda, estou sem camisinha. – ele resmunga.
– Não tudo bem. – me endireito – Isso quer dizer que você não pensou nisso. – sorrio.
E agora? Use isso sempre, não quero ser avó muito nova. Um flash em minha mente me lembra o dia em que minha mãe me deu uma camisinha antes de vir para cá. Tateio a escrivaninha às cegas a procura de minha pequena bolsinha onde guardo meus materiais velhos – canetas, lápis, borrachas antigos. Encontro o papel laminado. Obrigada mãe.
– Aqui.
Ele não mexe um musculo para pegar a camisinha. Reviro os olhos.
– Coloque. – seu tom é de ordem.
Mas o quê? Eu não sei colocar isso, ele deveria colocar isso!
Abro o involucro e sinto o toque pegajoso da borracha do preservativo.
– Seguro a ponta e então desenrole, mas você não quer ar nenhum na ponta desse negócio. – ele explica.
Respiro fundo e fecho os olhos.
Observo-o abrir o botão e zíper da calça, assim como ela desliza graciosamente por suas pernas. Mordo o lábio inferior e inclino-me, e bem lentamente faço o que ele falou, com muita concentração e cuidado.
– Nossa. – ele ofega. Termino de desenrolar e o encaro, aguardando o próximo movimento.
Seus dedos gelados puxam o elástico de minha calcinha e em segundos não tenho mais peça de roupa no corpo. Ofego e fico rubra. E então ele está dentro mim. Agarro a beirada da mesa em completa exasperação e aperto ainda minhas pernas envolta de sua cintura, ele ofega e inclina o corpo sobre o meu, apertando fortemente minha coxa com a mão. Havia esquecido de como era tê-lo em mim. Céus.
Ele se mexe, me penetrando com força e fazendo a mesa de madeira bater contra a parede, provocando um ruído consideravelmente alto. Gemo e ele me beija. Passa a mão por minha cintura e me puxa, provocando um choque entre os corpos – um choque que sinto, deliciosamente, por todo o meu corpo.
O ritmo recomeça, rápido e forte.
– Oh... Meu... Deus. – abraço-o para aliviar a tensão e adrenalina que correm em meu corpo.
Sofro espasmos, meu corpo se comprime e parece explodir em pedaços logo em seguida, para não gritar, chupo seu pescoço. Malic arfa e para de se mover, me segurando no lugar.
Tombo a cabeça para trás e suspiro. Meu deus, preciso de ar. Ele apoia a testa em meu ombro e tenta regularizar a respiração, prendendo-a por alguns segundos. Seguro seu queixo em minha mão e ergo sua cabeça, fazendo-o me encarar. Puxo seu rosto na direção do meu e beijo-o.
Um beijo mais lento e carinhoso.
– Vamos para cama. – ele diz se afastando.
Faço uma careta diante da sensação estranha de não tê-lo mais.
– Minhas pernas estão moles. – murmuro.
Ele termina de retirar a calça, mas coloca a cueca novamente, se aproxima e meu puxa pela cintura, me fazendo deslizar pela mesa e tocar os pés no chão.
– Quer que eu te carregue até a cama? – ele pergunta, inclinando a cabeça.
– Não. – dou um rápido sorriso – Preciso colocar meu pijama.
Enquanto coloco meu pijama, ele deita na cama e permanece em silêncio. Evito tocar em qualquer assunto – o que favorece o silêncio. Termino de me vestir e deito ao seu lado, minhas pálpebras estão pesadas.
Sua mão acaricia minhas costas, fecho os olhos e suspiro. Tenho medo de acordar amanhã e tudo ter voltado ao normal, de ele voltar a ser o Malic decepcionante de antes, de que nada mude.
Abro os olhos e o encaro.
– Você promete nunca mais me decepcionar desse jeito? – toco em seu rosto – Promete nunca mais me olhar daquele jeito? Ou me segurar daquele modo?
Ele fecha os olhos por alguns segundos e suspira.
– Prometo. – sussurra.
– Como posso ter certeza disso? – franzo o cenho.
– Sou um homem de palavra. – ele garante.
– É o que veremos. – fecho os olhos.
Durmo.
Sinto algo gelado tocar em minhas costas, braços, ombros e pescoço.
– Para com isso. – murmuro contra o travesseiro – Quero dormir mais um pouco.
– Sua vó passou cantando aqui umas milhares de vezes, acho que ela tem medo de abrir a porta e encontrar algo indesejável aqui dentro, vulgo minha linda pessoa.
– Deixa ela. – remexo-me – Nem consigo abrir meu olho.
Sinto sua cabeça contra meu ombro direito.
– Por que ainda está aqui?
– Você é tão gentil.
Rio.
– Agora é sério, responde.
– Sei lá, eu acordei – ele suspira -, fiquei com preguiça de levantar e resolvi ficar mais um pouco, ai fiquei te observando roncar.
– Eu não ronco, mentiroso. – resmungo e rio.
– Como você pode saber se está dormindo? – ele ri.
– Simples, se eu roncasse, eu acordaria. – dou de ombros.
– Ah, claro. – ele ri – Seu corpo é biônico e sabe quando você está roncando e passando vergonha.
– Sim.
– Tudo bem – ele se dá por vencido -, você não ronca, só baba um pouquinho.
– Para de ser idiota. – acerto um leve tapa em seu braço.
Ele ri.
Vozes no andar debaixo me fazem despertar. Quem mais estaria aqui?
Reconheço a voz de Felipe próximo a escada.
– O namorado dela veio de novo. – comento para ninguém em especial.
– Sua vó é bem das modernas, daqui a pouco ela aparece com umas tatuagens.
Rio.
– Ela não gosta de você por causa de suas tatuagens. – informo.
– Que preconceito. – ele desaprova.
– Preciso levantar. – faço força para erguer o corpo, mas ele me empurra contra o colchão novamente.
– Por favor, agora consegui ficar em uma posição confortável. – ele lamenta – Você quase me derrubou da cama.
– Devia ter derrubado da janela. – retruco.
Ele ri.
– Você é violenta.
Rolo para o lado e o movimento surpresa o faz bater com a cabeça contra o colchão. Sento e o observo. Seu peito sobe e desce vagarosamente, o que chega até a relaxar. Procuro por alguma tatuagem nova.
– Alguma tatuagem diferente? – pergunto ainda analisando seu corpo.
– Apenas retoquei essa aqui. – ele vira e me mostra a tatuagem de lobo no braço direito, a tatuagem está logo abaixo de uma cobra que envolve uma de suas tribais.
– Suas tatuagens me confundem. – toco a retocada – Muito bonita, gosta de lobos?
– Não. – ele dá um sorriso de lado – Mas as tattoos de lobos são bonitas.
Ele tem uma frase em outra língua escrita nas costelas.
– O que significa? – toco-a.
– O passado está além de nosso controle.
– Que filosófico. –sorrio.
– Sou um pensador contemporâneo.
– Porque não... – zombo.
Continuo observando cada curva de seu corpo até notar uma pequena e estreita cicatriz um pouco mais abaixo que seu peito.
– Como fez isso? – passo o dedo em cima dela.
– Canivete.
Dessa vez será necessário mais que um canivete para me derrubar. Mordo o lábio inferior.
– Foi o Matthew? – balbucio.
– Briga. – ele suspira.
– Pode me contar como foi? – arrisco.
– Quem sabe uma outra hora. – ele sugere.
Reviro os olhos.
– Qual o problema de me contar agora? – questiono.
– É uma história longa.
– Resume.
– Acontece que o Matthew nem sempre foi tão sociável quanto ele é agora. – ele me encara – Ele já se envolveu com gangues na cidade e fui assim que ele quase me matou.
– Quase te matou? – inclino a cabeça.
– Quase tive meu baço perfurado, a sorte que era a merda de um canivete. – ele senta na cama – Outra hora te conto a história completa.
– Conta agora. – seguro seu pulso – Por favor.
– Você precisa descer e fazer social para as suas visitas. – ele dá um rápido sorriso – E também tenho que ir fazer sala para o meu pai.
Solto o ar com força e deito na cama.
– Até amanhã? – encaro-o.
– Por que a pergunta? Deveria ser uma afirmação. – ele estreita os olhos.
Dou de ombros.
– Nunca se sabe. – mordo o lábio inferior.
– Para de ser idiota. – ele joga o cobertor na minha cara e levanta.
– Não quer almoçar?
– Não estou com fome.
Retiro o cobertor da cara e fico olhando ele se trocar. Assim que ele termina, se inclina sobre a cama e beija minha testa ao mesmo tempo em que acerta um tapa em minha bunda.
– Se comporte. – ele diz caminhando até a janela.
– Eu quem deveria dizer isso a você. – levanto da cama e o acompanho.
Ele desce segurando no suporte das trepadeiras de minha vó e caminha pela lateral da casa, assim se alguém abrir a porta da entrada não consegue vê-lo. Aguardo até ele entrar no carro.
Suspiro e vou pegar uma muda de roupa. Corro até o banheiro e abro o registro do chuveiro, pego minha escova de dente e a pasta, dispo-me e entro.
Uns 15 minutos após eu entrar no chuveiro, termino o banho e desço. A impressão que tenho é que todos estão na sala.
– Bom dia. – digo assim que me aproximo.
A tv está no jornal, entro no momento em que a repórter confirma que o corpo encontrado hoje pela manhã é mais um dos assassinatos do Lobo Mau.
Meu corpo trava e instantaneamente penso em Juliana.

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