Diga Adeus à Inocência
15 Capítulo 14
Notas iniciais
– Olha aqui, você acabou de jogar dez reais no lixo – ela se aproxima de mim -, está tudo bem?
Mordo o lábio inferior e sou incapaz de responder. Se eu abri a boca, irei desabar em choro. Puxo o ar com força e limpo meus olhos.
Não acredito que fui tão trouxa a acreditar que podia existir alguma coisa a mais, que ele era o tipo de cara que me ligaria no dia seguinte, que se importaria em saber como eu estou, que sabe da existência de meus sentimentos e que eles podem ser magoados. Caminho na direção do grupo e deixo Amiony falando sozinha. Cada passo que dou me faz relembrar a noite anterior e isso se torna uma tortura, lembranças que quero excluir de memória.
Cruzo o pátio tão rápido que mal raciocínio quando chego na rodinha, apenas empurro quem encontro pela frente, indo parar no meio dela e, subitamente, o assunto hilário cessa.
Estou de frente para ele, seu olhar não esboça nenhuma reação de surpresa ou vergonha. Está impassível, frio, mortal. Desvio o olhar para encarar a menina em seu colo, um nó se forma na boca de meu estômago, me dando vontade de chorar novamente.
O barulho agudo do tapa deixa o ambiente a nossa volta completamente silencioso, todos do pátio estão olhando para nós. O olhar frio, agora, está acompanhado de uma marca vermelha na bochecha direita. A menina em seu colo arregala os olhos e singelamente escorrega para o banco, saindo da nossa zona de conflito.
– Nunca mais ouse olhar pra mim. – Falo entre dentes – Tenho nojo de você, do seu olhar, da sua boca, de suas palavras e principalmente tenho nojo de mim, por ter sido tocada por você.
As lagrimas querem escapas e minha voz fraquejar, mas detenho-me.
Ele levanta, de repente, me pegando desprevina e sem ação. Recuo alguns passos e tropeço em meus pés. Meu braço é agarrado por sua mão e meu corpo recebe trancos transmitido por seu braço, me balançando para me fazer parar de se andar. Sou apenas uma boneca em sua mão.
– Você é louca? – Ele rosna, seus olhos queimam.
Engulo em seco. Posso escutar as batidas de meu coração, tenho vontade de vomitar.
– Você foi a primeira a falar que não queria nada comigo e agora faz esse espetáculo?! Você só pode estar louca.
Malic é forte. É impossível lutar contra o aperto de sua mão, quanto mais tento puxar meu braço, mais ele aperta.
– Isso era antes! Antes de ontem, antes do que aconteceu. – Esbravejo – Você achou mesmo que não significou nada? Achou mesmo que passaria apenas como mais uma noite?
Seus olhos ardem, queimando minha alma.
– Achei. – Ele estreita os olhos – Virgindade não é nenhum presente dos deuses, é apenas uma condição física.
O choque bate contra o meu corpo e posso me imaginar no chão. As lagrimas voltam a deixar minha visão turva e não tenho reação.
– Você está me machucando! – Debato-me. Machucar nunca teve tantos sentidos como agora.
– Solta ela. – Amiony se aproxima e o empurra.
Como ação e reação, Malic devolve o empurrão, acertando o ombro de Amiony e a levando ao chão. Arregalo os olhos e puxo o meu braço, o que faz o aperto ficar com mais pressão ainda – o que eu considerava impossível. Encaro-o novamente, prendendo o olhar nos olhos amarelos e por um pequeno momento, posso imaginá-lo como o assassino no beco aquela noite – seu olhar causa o mesmo efeito.
– Não é educado segurar moças a força.
Olho para o lado e vejo Matthew. O sinal indicando o fim do intervalo toca, mas ninguém mexe um musculo sequer.
– Ninguém te chamou aqui, projeto de psicopata. – Malic retruca.
– Não é preciso me chamar para eu me intrometer. – ele fica ao meu lado e segura o braço de Malic – Agora solta ela.
– Ou o quê? Irá me ameaçar com alguns de seus canivetes? – Malic ergue uma sobrancelha – Dessa vez será necessário mais que um canivete para me derrubar.
Como assim? Mais que um canivete?
– Não quero me sujar hoje. – Matthew dá de ombros.
– Malic, solta. – exijo – Vamos acabar logo com esse espetáculo.
– Concordo plenamente. – uma voz se sobressai no meio da multidão e, instantaneamente, todos do pátio começam a pegar o caminho para os complexos.
Assim que todos se dissipam e Malic solta o meu braço, posso notar quem é o dono da voz: o diretor da faculdade. Cacete...
– Acho que todos aqui gostariam de fazer uma visita a minha sala, não? – Ele encara cada um de nós – Vocês dois já tem um histórico bem sujo por lá e continuam fazendo as mesmas coisas patéticas, será que nunca vão cansar de sua infantilidade? – Ele se volta para Malic e Matthew.
Solto o ar devagar e dou as costas para a situação, indo encontrar Amiony, que continua paralisada no chão.
– Você está bem? – Abaixo ao seu lado – Me desculpa, eu não sabia que ele era assim... Não era par ter sido assim... Achei que... Achei que ele era um cara legal. – As lagrimas surgem em meus olhos novamente.
– Só reze para eu não ter quebrado minha bunda. – Ela ri, na tentativa de me fazer rir.
Em meios as lagrimas, sorrio e solto o ar dissonante, iniciando uma risada. Me aproximando dela e a abraço, voltando a chorar novamente.
– Bianca, ele te machucou?
Ergo o olhar e me deparo com as meninas. Se ele me machucou? Não, ele me matou, milhares de vezes seguidas. Fungo e tento me recompor.
– Quem ele pensa que é? – Juliana cruza os braços – Um palhaço.
– Está tudo bem. – minto – Vai ficar tudo bem.
– Não está e não vai ficar se você não contar o que aconteceu. – Camila intervém.
– Nós contamos depois – Amiony levanta com o apoio de Monique -, precisamos dar uma passada na sala do diretor e vocês precisam ir para a aula.
Entrando em um acordo, elas saíram e seguiram para seus determinados prédios. Levanto e fico ao lado de Amiony, o diretor encara todos nós mais uma vez e segue. Caminho com mais retardo em relação ao grupo, Amiony fica ao lado de Matthew – trocando poucas palavras com ele, Malic fica um pouco mais atrás que eles e vez ou outra olha para trás. Evito encará-lo.
Respiro devagar.
Só conhecemos as pessoas quando nos decepcionamos com elas.
Um soluço desencadeia meu choro e mais uma vez sou levada por pensamentos para a noite anterior. Havia mais caras legais para encontrar, havia mais tempo. Tenho sim arrependimento. Sinto-me suja e usada, uma prostituta.
Olho para o meu braço e não me surpreendo em encontrar um vergão vermelho onde ele segurou – o que me faz querer chorar mais. Minha vó tinha razão, ele não era o cara certo e esse é o preço que pago por não escutá-la.
Ele para e por instinto, também paro. Os olhos amarelos me encaram por cima do ombro e fazem meu corpo todo congelar. Matthew e Amiony já entraram no prédio. Minha respiração fica ruidosa. Por favor, não se aproxime.
O diretor reaparece na porta do prédio, o que faz Malic despertar e continuar. Respiro aliviada e espero alguns segundos para voltar a andar.
Sou a última a ser convocada pelo diretor, tendo que aguardar do lado de fora. Malic é o penúltimo e ainda aguarda a sua vez sentado nas fileiras de cadeiras a minha frente. Mantenho meu olhar para o chão e o cabelo cobrindo meu rosto, alguma lagrimas ainda insistem em continuar caindo e meu braço está dolorido.
– Que prazer você vê nisso? – Ergo o olhar para ele – Olha o que você causou. – Fungo – Qual a dificuldade de encontrar outra? Existem tantas meninas que dormem com caras por dormir, que não se importam. Por que fazer isso comigo?
Ele não diz nada.
– Diga alguma coisa! Não sou retardada para falar sozinha.
Mais uma vez sem resposta.
– Você viu o que fez para a Amiony? Para uma pessoa que não tinha nada a ver com a nossa briga. – Estreito os olhos – O que mais me dá angustia é pensar se você quisesse me fazer mal, me machucar de verdade...
– Eu nunca machucaria você – ele limpa a garganta -, não fisicamente.
– Olho o meu braço. – Ordeno – Isso não é machucar?
Seus olhos se fixam no hematoma em meu braço – onde, anteriormente, estava sua mão.
– Se isso não é machucar, por favor, então me diga o que é.
– Você acertou um tapa na minha cara, na frente dos amigos, na frente da faculdade inteira e esperasse que eu ficasse quieto? – Ele retruca.
– Não esperava seu silêncio, mas também não esperava por violência.
– Você quebrou a zona de conforto.
– Quebrei zona de conforto? – Admiro-me — Você tem noção de como eu me senti? De como tive nojo do meu corpo e de mim mesma? De como me senti usada? Tive vontade de morrer! Esperava que eu fizesse o quê? Fosse chorar em algum canto e depois fingir que estava tudo bem?
– Você nunca quis nada comigo. – Ele me acusa – E eu já falei que comigo é tudo ou nada, você optou pelo nada.
– Mas que merda do antes você não entendeu? – Esbravejo em um tom moderado – Achei que você se tocaria que significou alguma coisa pra mim.
– Significou tanto que você saiu fugida de minha casa.
– Eu tenho uma casa! – Retruco – Uma vó preocupada me ligando e você estava dormindo, queria o quê? Um café da manhã na cama ou um bilhetinho dizendo que sai? Por favor.
Ele revira os olhos.
– Não revire os olhos pra mim. – Digo entre dentes.
Ele revira os olhos novamente. Estreito os olhos e engulo qualquer objeção contra o ato.
– Nós dois erramos. – Ele conclui.
– Nós dois é o cacete. – Discordo – Você errou. Errou bonito.
– Bianca, me desculpe. – Ele levanta da cadeira – Reconheço que perdi a cabeça e não deveria ter feito o que eu fiz.
Levanto da cadeira em um salto.
– Não encoste em mim. – Ameaço – Você não tem mais esse direito.
– Quantas vezes quer me ouvir pedir desculpa? – Ele se aproxima.
Recuo alguns passos para o lado.
– Agora é tarde demais para pedir desculpa. – Mantenho-me firme – Não quero mais nada vindo de você.
Antes que ele possa responder, a porta da diretoria é aberta. Ajeito-me e observo Amiony e Matthew saírem de lá com cara de enterro.
– Ele vai falar muito na sua cabeça. – Amiony resmunga.
Dou de ombros.
– Deu em alguma coisa? – Pergunto, tentando avistar o diretor dentro da sala.
– Nada, só conversa mesmo. – Ela dá de ombros.
– Os dois podem entrar. – Ele nos chama.
Os dois? Por que nós dois? O problema foi porque nós dois estávamos juntos.
Sem pestanejar, entro na sala e sento na cadeira em frente à sua mesa. Coloco os braços em meu colo e respiro fundo. Ele não pode me culpar de nada, sou a vítima nessa história e ele irá compreender. Malic entra graciosamente devagar e senta ao meu lado, com um sorriso de lado quase imperceptível.
– Bianca Pavilion, não é a primeira vez que você causa problemas em meu colégio. – Ele cruza os braços na mesa, em cima de minha possível ficha.
Como é? Eu sou a vilã da história agora?
– Perdão, mas não entendo aonde o senhor quer chegar com isso. – Inclino a cabeça – Não me lembro de causar nenhum problema para a escola no passado.
– Seu envolvimento com o serial killer da cidade trouxe inúmeros repórteres para a porta de minha instituição, causou revolta interna entre os estudantes, incomodo e se não bastasse o problema que os repórteres causando fora da escola, tive que os colocar aqui dentro porque a senhorita resolveu que faria uma entrevista. – Ele me encara com as sobrancelhas grossas levemente franzidas – Pelas minhas contas, você causou mais de um problema.
Meu queixo vai ao chão.
– Primeiro: o meu envolvimento com o assassinato não foi proposital, recebi ameaças e quase fui linchada dentro da sua instituição de ensino. Segundo: a entrevista não foi apenas para os repórteres, todos os membros da faculdade comparecerem, pois o assunto era de interesse público. – Contesto.
– A senhorita está insinuando que sou manipulador da verdade?
– Não, claro que não. – Ajeito-me na cadeira – Apenas que o senhor é um mal entender sobre os assuntos que dizem respeito a mim.
O silêncio é palpável. Isso é ridículo, ele jogar a culpa toda em cima de mim com coisas passadas e nem sequer tocar no assunto do acontecimento atual. Encaro Malic e noto que seu sorriso está mais visível que antes, ele está se divertindo com isso.
– Bom – o diretor se ajeita na cadeira -, se você se intitula vítima dos problemas passados, não irei duvidar que também é uma mera vítima da briga de hoje.
– Mas é claro que eu sou! – Admiro-me com a acusação – A criatura aqui ao meu lado me agrediu, tanto psicologicamente quanto fisicamente.
– Não vi nenhuma agressão física. – Ele rebate – E mais respeito com os seus colegas.
– Por favor. – Aponto para o hematoma em meu braço – No mundo em que vivo isso não é uma forma de carinho, acredito que ele mereça uma punição.
– Se me permite dizer – ele se inclina sobre a mesa -, as mulheres são o sexo frágil da relação, qualquer toque com um pouco mais de força pode causar marcas.
O que?! Não posso estar escutando isso. Não posso estar recebendo esse comentário em pleno século 21 vindo de um diretor de uma universidade. Isso é piada, ele deve estar brincando comigo.
– Não consigo entender como alguém tão arcaico consegue governar uma universidade. – Retruco – O senhor tinha que ser retirado da diretoria imediatamente perante esse pensamento machista e atrasado.
Algo quente envolve meu pulso, olho para baixo e noto que é a mão de Malic.
– Por favor. – Retiro sua mão da minha e me levanto – Me recuso a continuar essa conversa.
– Você tem duas opções senhorita Pavilion: Sentar na cadeira e permanecer em silêncio enquanto eu falo ou receber a visita de sua vó e explicar essa situação para ela.
Minha vó não, por favor. Ela não pode nem sonhar o que aconteceu ontem, quem dirá hoje. Ira surtar se ver esse hematoma no meu braço e mais ainda por saber que eu dormi com o Malic. Contra a vontade, sento novamente. Mãos fortes envolvem meus ombros e um hálito quente bate contra meu ombro, perco o ritmo de minha respiração sentindo meu corpo se arrepiar. Como ainda posso sentir alguma coisa com seu toque?
– Você precisa relaxar um pouco. – Ele sussurra no meu ouvido – Deixe eu me entender com ele.
– Mário, você conhece os relacionamentos atuais – ele começa, com a voz mansa -, tivemos apenas um desentendimento e foi um erro fazê-lo em público.
– Assuntos pessoais permanecem fora de minha universidade, estamos entendidos? – As sobrancelhas grossas franzem.
Respiro fundo para não bufar e concordo com um meneio de cabeça. Levanto e afasto as mãos de Malic dos meus ombros. Caminho até a porta e a abro.
– Obrigada por sua grande ajuda. – Encaro o diretor e saio, batendo a porta.
Malic sai logo atrás de mim, posso escutar os seus passos.
– Meu pai construiu essa escola, eles são amigos. – Ele explica – Por isso eu falar iria ser melhor, mas isso não quer dizer que você não tenha razão no que disse.
Não respondo, apenas continuo andando.
– Bianca. – Ele me chama-Me ignorar não vai adiantar em nada.
É uma tentativa de te esquecer.
Sua mão envolve meu pulso e me puxa, bato as costas contra a parede, sendo pressionada por seu corpo.
– Me ignorar não vai me deletar de sua mente, de seu corpo. – Ele fala, com a voz rouca e mansa – Eu gosto de você, mais do que eu deveria gostar.
Continuo em silêncio. Não demonstre fraqueza.
– Nunca devia ter feito isso. – seu polegar acaricia o hematoma em meu braço – Perdi a cabeça e acabei te machucando.
Fecho os olhos para não precisar encará-lo. Sinto os seus lábios tocarem levemente a marca em meu braço – como um beijo materno na promessa de cura. Mordo o lábio inferior e prendo minha respiração. Ele pode ter esse controle sob o meu corpo.
– Sua pele é tão bonita – ele murmura -, sinto tanto por ter feito isso.
– Que bom que você sente. – Abro os olhos – Me deixe ir, agora.
– Até quando você vai me ignorar? – Ele se afasta, me dando passagem.
– Preciso digerir isso tudo e depois regurgitar. – Saio.
Eu gosto dele, mas o gostar não resolve a situação. Preciso de um tempo para ver no que vai dar, como as coisas vão seguir.
Assim que saio do prédio encontro Matthew e Amiony me esperando nos bancos, conforme vou me aproximando eles levantam.
– Olha o que aquele babaca fez. – Matthew segura o meu braço.
– Não está doendo muito. – Dou de ombros.
– Você nunca mais vai falar com ele. – Ele me encara e posso notar certa ordem em sua fala.
– Não acho que precisa ser assim – Amiony discorda -, todos têm direito a segunda chance e se você gostar dele...
– Você gosta dele? – Matthew me encara.
– Podemos mudar de assunto? – Peço.
– Claro. – Amiony sorri – Vamos para a aula.
Seguimos em silêncio o resto do caminho. Ele merece uma segunda chance? Todos merecerem de acordo com Amiony e não posso afirmar que sou totalmente a favor desse argumento, não são todas as pessoas que merecem uma segunda chance. Olho para trás e o vejo sair do prédio, ele também me encara, desvio o olhar e continuo o meu caminho.
Eu gosto de você.
***
A semana de provas ocupou meu tempo e me deixou pensar menos sobre o assunto – e é nesse ponto que aprecio os estudos, eles te ajudam a esquecer coisas triviais. Minhas notas foram acima da média o que me deu certo alívio e diminuiu a pressão de meus ombros. O assunto da briga não foi mais comentado por nenhuma das meninas ou pelos meninos, o que ajudou ainda mais. Tenho usado mais blusas de manga comprida que o normal.
– Que tal sairmos esse fim de semana? – Monique sugere – Encher a cara e comemorar o fim das p1.
– Por mim. – Juliana dá de ombros – Topo qualquer festa.
– Não curto essas coisas. – Amiony comenta – Mas eu topo.
– Então está confirmado. – Monique sorri.
– Só duas pessoas confirmaram. – Matthew discorda.
– A Bianca eu sei que vai – ela me encara -, o Jonas curte mais um videogame e o Rafael gosta de tirar foto, uma balada tem muito lugar para tirar foto.
– Desculpa estragar o seu plano de curtição – Rafael intervém -, mas nesse fim de semana pretendo fazer meu trabalho.
– O que eu tenho a ver com isso? – Ela ergue uma sobrancelha.
– Você será a modelo, junto com a Bianca. – Ele relembra.
– Que horas vai ser? – Juliana pergunta.
– De manhã até, possivelmente, à tarde. – Ele liga a câmera.
– Festas são só de madrugada, ainda vai dar pra ir. – Camila comenta – Confirmado?
Dou de ombros. Não estou em clima de ir para festas ou tirar foto, mas se isso ajudar em alguma coisa minha situação. Todos confirmam.
– Beleza. – Monique coloca os braços na cintura – Esse fim de semana vamos brincar de ser modelo e depois brincar de ser puta e passar o rodo na balada.
– Prefiro mais uma orgia. – Matthew ri.
– Do jeito que você é gay, bem possível mesmo. – Juliana o encara – A orgia vai ser você e mais cinco negão.
Ele revira os olhos enquanto Jonas ri.
– Vou ver se consigo dar uma passada na festa de vocês. – Jonas comenta.
O sinal toca, levantamos no banco e seguimos para os complexos de prédio. Ultimamente não tenho conversado muito com ninguém e minha vó anda achando que estou em depressão. Não creio que eu esteja em depressão, está mais para uma decepção aguda.
Então ele está bem ali, sentado perto de sua rodinha de amigos- não a integrando. Está usando uma regata preta, consideravelmente, justa no corpo, deixando todas as suas tatuagens visíveis. Amo as tatuagens dele. Seu olhar está para baixo e não consigo ver seu rosto. Tenho impulsos imaginários de ir falar com ele, mas detenho-me no lugar e então percebo que estou parada no meio do caminho.
Seu olhar ergue para mim. Meu corpo trava e meu coração acelera, faço alguma coisa? Continuo encarando-o, estática. Um braço envolve meu pescoço e me impulsiona para frente, olho para o lado e vejo Matthew.
– Por que está parada aí? – Ele pergunta, erguendo uma sobrancelha.
Não respondo, olho para trás e vejo que Malic levantou do banco, mas não sei para onde seguiu.
– Estava só pensando. – Murmuro.
– Não sabe andar e pensar? – Ele sorri.
– É mais seguro parar. – Tento forçar um sorriso.
Ele não vai mais se aproximar.
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