Differences
9 Alma Perdida
Notas iniciais
Soul Society
Na medida em que as folhas do outono perdem sua cor, o impiedoso frio do inverno invade o coração das pessoas, abrindo espaço às cores da primavera. A morte tem seu significado quando dois corações decidem se unir e formar um só. Este era o breve resumo da vida de Kurosaki Ichigo e Kurosaki Rukia. Foi no meio da primavera que a pequena shinigami deu à luz seu filho, o fruto do seu amor. E agora, nesta bela estação onde as flores desabrochavam, Aiko sentia o começo da sua grande história de amor. Sentia-se perdido, mas graças a ela, à filha da Lua, encontrou a sua direcção. E agora que a encontrou não a perderia por nada deste, ou de outro, mundo.
Aiko olhava pela varando do seu quarto, apreciando o brilho nocturno. Desde que conhecera a arrankar temperamental que passou a observar tudo ao seu redor de um modo diferente. Não se limitava a enxergar pela aparência, queria ter uma segunda impressão, uma análise mais profunda. O pequeno ruivo aprendeu que nem tudo o que parece, de facto é. Yue era uma arrankar, e partindo dessa ideia ele poderia pressupor muita coisa a seu respeito, mas tudo estava completamente errado. Não se podia prever o comportamento de alguém pela sua natureza.
Os olhos lilases contornavam a lua cheia. Sorriu singelamente, até a lua tinha várias facetas. Ela não mantinha uma forma fixa. Mesmo que a bela arrankar que ele conheceu no Mundo Real fosse alguém censurável como o hollow que ele matou, ele não tinha o direito a julgá-la. Ele deveria tentar chamá-la à razão para o seu mau comportamento, na esperança que ela pudesse mudar, assim como a lua.
Recordou-se de alguns momentos que ele viveu com a morena de olhos verdes… Ela tinha várias facetas, e era muito árduo descodificar todas elas. Mas seria com o maior prazer que o faria. Sentia um gosto amargo ao lembrar-se da sua despedida, era algo inevitável e doloroso. Ele queria voltar a estar com ela. Mas como? Nem sequer tinham como comunicar-se um com o outro, a única coisa que os unia era a promessa que nunca se esqueceriam um do outro, que um dia voltariam a reencontrar-se.
– Jya née…
– Tem mesmo de ser não é, Aiko-kun?
– Não faças essa cara Yue, nós voltaremos a vermo-nos. Esta não é uma despedida definitiva, é um "até logo".
– Prometes?
– Prometo, minha pequena.
Com satisfação, lembrou-se de como a tratou, na altura deixou-se levar pelo caloroso momento e pronunciou as palavras com o intuito de a aconchegar. O rosto feminino ficou róseo e a morena abriu um enorme sorriso, o mais bonito que vira. Ela não se importou quando ele se referiu a ela como sua, e Aiko não deixou de reparar nesse detalhe. Ele sentiu um calor preencher seu peito com as memórias a invadirem-lhe. Não sabia se o destino conspiraria a favor deles, mas enquanto Aiko Kurosaki pudesse lutar, nunca desistiria. Ele lutaria por ela até o final, e isso nem Kami o poderia evitar.
– Filho, a lua hoje está bonita, não concordas?
O shinigami olhou de relance para trás, vendo sua mãe olhar carinhosamente para ele. Ela era observadora o bastante para compreender a mudança das suas atitudes. Andava mais distraído, pensativo e nada passa por alto a Rukia Kuchiki Kurosaki. Ele podia conseguir enganar seu pai desastrado, mas sua mãe era impossível. Desabafou com ela, sabendo que a morena compreenderia suas palavras melhor do que ninguém. Mesmo a tenente não sabendo da sua história, ela entenderia.
– Hai… Sabes uma coisa okaa-san, um dia a Lua será minha companheira. Não por um par de horas, nem somente durante a noite. Eu a quero a tempo inteiro, de dia e de noite… Ela será a minha companheira.
Fale com o autor