Differences
10 O Segredo da Lua
Notas iniciais
Hueco Mundo
– Ulquiorra, precisamos conversar.
A ruiva adentrou no grande salão, onde seu companheiro analisava alguns arquivos. Observou como o Rei do Hueco Mundo olhou-a desconfiado. Não o recriminava por isso. Raras as vezes o tratava pelo nome e quando o fazia o assunto era importante. Acrescentando a serenidade na sua expressão e voz, só acentuava mais a preocupação do ex quarto espada.
– O que aconteceu onna?
Orihime respirou fundo, decidiu ser directa. Conhecia perfeitamente o temperamento do moreno e sabia o quanto ele odiava divagações.
– É sobre a Yue.
Ulquiorra desmanchou a sua expressão calma. Ficou preocupado que algo estivesse incomodar a sua morena. Pela reaitsu sabia que ela estava segura, fisicamente. O que o alarmava era o estado psicológico dela.
– A Yue? Aconteceu algo? Ela aprontou uma das dela?
Orihime pode perceber a mudança do tom de voz do arrankar, ele fazia de tudo para não transparecer seu desespero. Tentou transferir a sua tranquilidade para ele, falando mais suavemente.
– Acontecer, aconteceu. Mas não é nada de errado… Na realidade é natural na idade dela.
– Então porque não veio ela falar comigo?
– Porque eu não deixei, quis ser eu contar-te a novidade.
– E o que seria?
– Ela está apaixonada por um…
Ele reagiu da forma como ela esperava. Interrompeu-a bruscamente, nem a permitiu acabar a sua fala. Explodiu mal falou que ela se interessou por alguém… Sempre temeu este momento, Ulquiorra era um esposo e pai extremamente ciumento e protector.
– NÃO! Não vou permitir qualquer tipo de relacionamento!
Ulquiorra estava possesso, fora de si. Nem parecia mais o homem calmo que sempre foi. Ele partiu a mesa onde estavam os papéis com que trabalhava. Ignorava por completo a importância da papelada. A ruiva suspirou pesadamente, teria uma longa conversa.
– É tarde de mais para isso, Ulquiorra.
Escolha errada de palavras. Só percebeu isso quando encarou o olhar mortífero do espada.
– Como assim? Ele tocou-a? Eles fizeram…
– Claro que não Ulqui-kun! Eles são crianças, ainda não pensam nisso!
Ela ignorou completamente o segundo sentido da sua frase anterior, obviamente como bom e cauteloso pai que Ulquiorra era, ele não deixaria de pensar nessa possibilidade. Francamente, ele não conhecia a filha que tinha?
– Onna, os hollows não fazem essa distinção, que os humanos fazem. De certeza que ele já tentou…
– Ele não é um hollow.
Pela primeira vez desde o início da conversa, viu o semblante curioso na face do arrankar. Isso era um bom sinal, estava a ficar atraído pela conversa.
– É um humano?
– Não, é um shinigami.
– Um shinigami? Mas como isso aconteceu? Como se conheceram?
Os olhos esmeraldas mostraram a mais pura confusão. Ele não iria recriminar Yue por se apaixonar por uma espécie inimiga, nem tinha moral para isso. Mas estava desnorteado quanto às circunstâncias que levaram a essa relação.
– No Mundo Real, aqueles três meses. Ela foi atacada desprevenida por um adjucha e ele salvou-a. Mas isso não é tudo Ulquiorra.
– Dizes-me que a nossa filha está apaixonada por um shinigami e dizes que ainda há mais? O que pode haver pior que isso?
Ulquiorra não idealizava situação mais grave do que aquela que estava a enfrentar. O tormento que ele tanto temeu, tornou-se realidade. A sua filha cresceu e quer a devida liberdade. Mas isso seria inevitável, ele nunca esperou que isso fosse era acontecer tão cedo, ela nem ainda tinha quatrocentos anos e já queria namorar. Miúda ousada!
– É o filho do Kurosaki-kun com a Kurosaki-san, o nome dele é Aiko…
Os olhos esmeraldas perfuraram a sua mulher. Ela só podia estar a zombar dele, a desfrutar do seu pânico. Era inacreditável tamanha adversidade para um ser suportar, como ele aguentaria tal desgraça? Será que Kami não tinha nem um pouco de compaixão com ele?
– Onna nem te atrevas a brincar com uma situação dessas.
– Achas que eu estou para brincadeiras Ulquiorra!? É sério… E pelo que sei, ele corresponde aos sentimentos dela.
– Mas é claro que corresponde! Isso em nada me admira, desde o primeiro dia em que a vi que temi isto… Mas porquê um Kurosaki? Aquela família só trás desgraças… E se ele for como o pai? Minha pobre filha.
O moreno sentou-se num cadeirão para poupar a pouca sanidade que ainda lhe restava. Nunca cogitou a ideia que poderia enfrentar este infortúnio. Ele, familiar de Kurosaki Ichigo? A sua doce filha com o filho daquele ruivo miserável?
– Não é caso para tanto Ulqui-kun.
– Tu por acaso ouves as barbaridades que dizes?
– De qualquer forma, temos de ir à Soul Society falar com eles…
– Não há nada para conversar.
– Preferes ignorar os sentimentos da tua própria filha? Se ela gostar mesmo dele, ela vai procurá-lo mesmo contra as tuas ordens, e o mesmo acontece com o Aiko. Se esta situação não for esclarecida eles podem ser dados como traidores!
Tinha a impecável noção das consequências que este romance poderia acatar. Sua filha poderia ser considerada conspiradora contra a Soul Society, e obviamente ele defendê-la-ia mesmo que ela tivesse feito algo censurável. Era sua única filha e não estava alheio a isso. Mas também tinha noção que isso era guerra directa entre os dois mundos. Eles tinham poucos espadas para combater, seriam sem dúvida dizimados pelos shinigamis.
– Ulquiorra não podes impedir que duas pessoas apaixonadas fiquem juntas, ser Rei de Hueco Mundo não te dá esse direito ou poder. Pensa na felicidade da Yue. É verdade que vai ser difícil, ele é um shinigami, e para piorar ele pertence a uma família nobre mas temos de a apoiar quando ela mais precisa de nós. Por acaso não confias na tua filha?
– Eu confio cegamente nela. Não confio é no Kurosaki.
– A qual deles te referes?
– Aos dois!
Orihime teve uma imensa vontade de desatar a rir, mas tinha de manter a compostura para não piorar o péssimo humor do carinhoso espada.
– Marcarei uma reunião com o Comandante para nós irmos à Soul Society.
– Só nós? E a Yue?
– Fica em casa que é o lugar dela. Tudo isto começou por ela ter saído do seu quarto…
– Ulquiorra… Se fizeres uma crueldade dessas eu também nunca mais saio do quarto da nossa filha e habituas-te a dormir, sozinho.
O espada olhou estupefacto para a sua onna. Ele não era imbecil, sabia muito bem ao que ela se referia e de certeza que não era ao acto de dormir. Ela estava severa a austera mostrando que não estava a debochar. Ele esperou ansioso que ela começasse a mostrar resíduos de um sorriso mas isso não aconteceu. Seguiu a ruiva com o olhar que abandonava a sala, fechando a porta com força, muito além do necessário.
Uma fúria tomou conta do moreno, as suas mãos cintilavam de uma luz verde intensa e letal.
– Eu vou matar aquele moleque insolente!
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