Diferentes idades
3 Ele é mais velho
Notas iniciais
Não sabia se deveria ou não falar com o rapaz, e se ele fosse maior de idade e me quisesse violar. Mas porque haveria de fazer isso pelo um jogo de telemóvel? Pelo facebook era mais fácil. Bem pode ser que queira apenas ser meu amigo.
Eu: Oi! Sim e tu como estás?
Danieldri: Estou bem. Não esperava que me voltasses a falar.
Eu: Então e porquê?
Danieldri: Porque até agora, és a única que me dá bola.
Eu: E tentas falar com mais pessoas?
Danieldri: Claro, eu sou muito sociável :D
Eu: Ok.
Danieldri: Então e que estás a fazer?
Eu: Estou a comer e a falar contigo. E tu?
Danieldri: Falo apenas contigo. Estás em casa?
Eu: Porque haveria de estar? Hoje é dia de escola!
Danieldri: E é dia de greve. Espera! Tu andas na escola?!
Eu: Sim, qual é o espanto pensavas que tinha aulas em casa?
Danieldri: Que idade tens afinal?
Eu: Não sei e tu, quantos anos tens?
Danieldri: Não sabes a tua idade?! Diz logo eu não te quero violar!
Eu: Eu tenho 13!
Danieldri: :O Meu Deus!
Eu: Qual é o espanto?! Não viste a foto?
Danieldri: Eu tenho 16!
Eu: O quê? Eu pensava que tinhas a minha idade!
Danieldri: E eu pensava que tinhas 20!
Eu: Tenho de ir. Adeus!
Desliguei o telemóvel sem esperar por resposta. Estava muito assustada. Ele era mesmo mais velho, não era muito, mas na nossa idade faz diferença. E em que mundo pareço ter vinte anos! E porque haveria ele de quer conhecer alguém com vinte anos?!
Precisava de falar com Anna. Por isso liguei-lhe. Mas ela não atendeu.
Então, tinha de fazer as pazes com Robert. Não me sentia bem comigo por estarmos chateados. Tinha de falar com ele.
Procurei por todo lado, no bar dos alunos, em todos os blocos, nas mesas perto do campo de futebol, no campo de futebol e de basquete, só me faltavam as casas de banho, mas eu não podia lá entrar.
Na verdade, não queria saber.
Corri até às casas de banho dos rapazes, eu tinha mesmo de falar com ele, antes de entrar respirei fundo e perguntei:
– Oi, malta. Está ai o Robert?
– Não, não está aqui ninguém. – eu conhecia aquela voz, era o Robert.
Eu tinha mesmo de falar com ele, não o queria perder como amigo, nem queria que ficássemos chateados por causa de um estúpido comentário.
– Eu vou entrar! E vou falar com o Robert!
Não podia acreditar que iria fazer aquilo, mas ele era muito mais importante que o meu orgulho. Entrei, e vi-o. Ele estava com o Marcos e outro rapaz, o Pedro. O Pedro, não tinha nada a ver com o Marcos. Seria bom se Robert tivesse outro melhor amigo, porque não o Pedro.
O Robert estava sentado em cima do lavatório, a chorar, e ao seu lado estava o Pedro. O Marcos estava apenas a rir, mas não sei onde isso ajudaria fosse quem fosse.
– Robert, estás bem? — estava com receio de falar com ele, talvez o Robert não me quisesse ouvir.
– Desculpa, eu não queria dizer aquilo. Não sei porque disse.
– Estás a chorar por minha causa? — Ao dizer chorar ele enxugou as lágrimas e olhou para mim com um olhar tão triste. Aí quem queria chorar era eu.
– Seu parvo! Estás a estragar esses olhos azuis lindos! Todos nós somos parvos de vez em quando. Também peço desculpa. — cheguei-me perto dele, que já tinha descido do lavatório, e abracei-o com muita força. Sei que para mim aquele abraço tinha um significado diferente. Mas ele retribui o abraço, com tanta intensidade quanto eu. Talvez significa-se algo para ele também.
– Vamos sair daqui. Vamos dar uma volta. Acho que precisas de falar, e eu também. – Robert assentiu com a cabeça, e despediu-se dos colegas.
Fora da casa de banho, puxei-o pela mão até chegarmos às mesas perto do campo de futebol. Aí larguei a mão dele e sentamo-nos os dois.
– Robert, não te deixes influenciar pelo Marcos. Sei que só dissestes aquilo por causa dele. -pronunciei todas as palavras com calma, não queria que nos chateássemos outra vez.
Ele afastou-se um pouco de mim, pensei que se fosse embora, mas em vez disso, deitou-se no meu colo.
Não resisti, tinha de mexer naqueles cabelos pretos. Comecei a pentear-lhe os cabelos e ele não disse nada, apenas sorriu.
– Tens razão. — finalmente disse alguma coisa.
E agora que ele já não estava a chorar, que já tínhamos feito as pazes. Eu tinha de lhe contar sobre o rapaz do jogo.
– Olha é assim, eu preciso muito de te contar uma coisa.
– Não penses duas vezes. Conta logo. — Robert estava cheio de curiosidade, mas eu tive de pensar bem no que iria dizer a seguir.
– Então, eu comecei a jogar um jogo. — ele franziu as sobrancelhas. — e um rapaz meteu conversa comigo.
– Ah! Um rapaz! Pensei que ias falar comigo sobre um jogo! — vi que estava irritado, mas ao mesmo tempo tinha curiosidade.
– Deixa-me acabar. Nós começamos a falar, e talvez agora que falo contigo não pareça assim tão mau, mas ele têm dezasseis anos.
– Qual é o mal. Desde que ele não tenha segundas intensões. — parecia mais descontraído agora.
– Mas eu acho que ele tem. — ele olhou-me muito surpreso, mas mesmo assim continuou deitado no meu colo. — Ele falou numa ex-namorada, que tinha o meu nome. Ele disse que me queria conhecer. E depois quando soube a minha idade ficou muito chocado, pois ele pensava que eu tinha vinte.
– Clarissa, isso não vai acabar bem. Em que planeta tu pareces ter vinte anos, talvez quinze, mas não vinte. As segundas intensões dele podem ter ainda terceiras intensões. – falou de olhos fechados, como se não quisesse falar muito no assunto.
– Achas que me quer fazer mal! – apertei-lhe a cara com as palmas das mãos, o que o fez abrir os olhos. — Achas mesmo?
– Não sei, mas ficava mais descansado se te afastasses.
– Mais descansado? — eu começava achar que estava a sonhar, ele chorou por mim, deu-me um abraço forte, deitou-se no meu colo e agora preocupava-se comigo.
– Claro, eu preocupo-me contigo! — ele ficou pasmado com a minha pergunta, levantou-se do meu colo, mas ainda sentando, olhou para mim, com aqueles olhos azuis enormes. – Nós somos amigos, não é?
– Sim, claro. — sorri fraco, ao dizer amigos deitou-me abaixo, ele sabia que para mim ele era muito mais que um amigo. Mas as minhas palavras mortas fizeram-no deitar-se no meu colo de novo.
Continuamos a conversar. Estava finalmente a divertir-me. E ao ver o sorriso maravilhoso dele, só tinha vontade de sorrir também, e não escondi a minha vontade. Sorri e pronto.
Ficamos a falar até ser hora de irmos para a aula de Inglês. Nem chegámos a ir ao segundo tempo de história, mas a professora deve ter faltado.
(…)
E um dia de aulas se passou.
Depois das aulas terem acabado, dirigi-me a casa, mas fui andar com muito calma. Quase como se ansiasse chegar a casa.
Finalmente tinha chegado, já eram sete e meia, vim mesmo devagar. As aulas tinham acabado às seis e vinte.
O jantar já estava na mesa e cheirava mesmo bem.
– Clarissa! Finalmente chegaste! Onde tens o teu telemóvel? — o meu irmão Lucas estava preocupado.
Mas com o que ele disse lembrei-me que tinha desligado o telemóvel. Por isso liguei-o. E recebi uma mensagem do jogo.
Danieldri: Não te queria assustar. Precisamos de falar.
Fale com o autor