Diferentes idades
4 Eu amo-o
Notas iniciais
Achei por bem não responder ao Danieldri. Então deixei de jogar e de lhe responder durante dois dias. Mas ele parecia preocupado, pois deixou muitas mensagens.
Danieldri: Por favor! Precisamos de falar!
Danieldri: Responde-me!
Danieldri: Não te quero fazer mal!
Danieldri: Eu não quero arranjar problemas!
Danieldri: Vamos resolver isto.
Estava a ficar com pena dele, mas o mais acertado a fazer era deixar o assunto de lado.
Anna continuava sem me falar. Não ligou. Não mandou mensagens. Algo de errado se passava. Como já era sábado, achei que estaria em casa e fui lá.
Toquei à campainha. Esperei algum tempo. E finalmente alguém abriu a porta.
– Olá Clarissa! Como estás? Entra, entra. — quem abriu a porta foi a mãe da Anna, Isabella.
– Olá Isabella. Eu estou bem e vocês estão todos bem? – Anna tinha dois irmãos, o Fernando e o Carlos, ambos eram mais velhos que ela. E eles viviam todos com a mãe, pois o pai deles falecera há algum tempo.
– Estamos bem, obrigada. A Anna está no quarto.
Agradeci e dirigi-me ao quarto de Anna. Bati à porta e entrei. Ela estava sentada na cama, agarrada ao computador.
– Olá, posso entrar? — não sabia se ela estava chateada, por isso achei melhor perguntar.
– Claro. Então, está tudo bem? — colocou o computador de lado e dirigiu o seu olhar para mim, não parecia muito chateada.
– Sim. De ti não posso perguntar o mesmo. Estás doente?
– Não, porque perguntas isso?
– Primeiro disseste que ias só comer. Estiveste a comer até hoje? Segundo não atendes os meus telefonemas. E por último não deixaste mensagem nenhuma a dizer porque não falavas.
– Desculpa. — ela estava a pedir desculpa, mas não parecia um pedido muito sincero. – eu preciso de te contar uma coisa, mas não sei bem como, nem por onde começar.
– Com a boca e começa pelo princípio. — estava irritada, não me parecia uma boa razão para me ignorar assim.
– O Robert tem falado comigo. — ela falou entre um suspiro. — e tem falado sobre ti.
A conversa começava a ficar interessante.
– Não fiques magoada comigo. Ele disse que andas uma chata. Que te começa a achar convencida. Ele quer mudar de lugar porque não te suporta mais.
– Estás a falar a sério? — não estava a gostar nada da conversa. – não acredito que ele tenha dito isso Anna.
– Mas disse. E mais! Ele disse que te vestes mal! Que não suporta mais que gostes dele! Metes-lhe nojo. – Anna estava quase a gritar
– Anna eu não acredito. — eu não me cheguei a sentar ao lado dela e nem o iria fazer, ia-me embora. — eu vim só ver como estavas, já vi que estás ótima. Até tens tempo para mexericar nas minhas costas. Atender as minhas chamadas é que está de chuva.
Estavas prestar a sair quando ela se levanta.
– Não acreditas em mim? Há quantos anos nos conhecemos? — parecia irritada, mas não tinha razão para isso.
– Não, não acredito. Ele não iria dizer isso de mim! Muito menos à minha melhor amiga! Seria estúpido! Porque haveria ele de te contar a ti? Era óbvio que me irias contar! — eu estava super chateada com ela, estava mesmo a gritar com ela.
– Porque ele gosta de mim. — Anna finalmente disse alguma coisa, apesar de ter preferido que continuasse calada.
– E tu dele. Queres ver? — ao falar, ouvi alguém subir as escadas, deveria ser um dos irmãos da Anna.
– Sim! Eu amo-o! — Anna estava a gritar também.
Vinha mais que uma pessoa a subir as escadas.
– O que se passa aqui? — Era o Fernando, o irmão mais velho da Anna, ele tinha vinte e três anos, mais dez anos do que a Anna, ele entrou no quarto muito preocupado
Atrás dele vinha o Carlos, era o mais simpático e mais amável de todos, tinha dezassete anos, mas parecia ser mais velho que Fernando, devido ao seu corpo musculado.
Eu não devia explicações a ninguém, pedi licença para passar, desci as escadas, despedi-me de Isabella e sai.
Corri até minha casa. Estava a conter as lágrimas. Mas assim que entrei no meu quarto, elas escorreram pela cara abaixo.
Lucas entrou no quarto, eu invejava a idade dele, mas adorava-o, ele era muito querido, muito simpático e protetor. Eu lá no fundo até gostava que ele fosse mais velho.
– Clarissa, porque choras? — a sua voz era tão doce e eu queria mesmo dizer-lhe o porquê de estar a chorar.
– Vai embora! — foi o que saiu da minha boca.
– Clarissa, sei que queres falar. Diz logo. — ele conhecia-me bem demais.
Corri até ele e abracei-o com força, ele retribuiu o abraço, apesar de saber que a sua camisola iria ficar toda molhada.
Eu adorava o meu irmão. Um simples abraço seu era o suficiente para me consolar. Ele para além de querido, era giro. Ele podia ser meu irmão mas eu não era cega. Ele era loiro, tinha uns olhos azuis acinzentados, e tinha o corpo mais definido que alguma vez vi.
Ele olhou para os meus olhos e viu como eu continuava a chorar.
– Achas que é preciso chorares tanto? Os teus olhos vão ficar vermelhos e inchados. – ele estava preocupado, mas sabia que se me pressionasse para falar, eu iria inventar uma desculpa qualquer.
– Mesmo quando os teus olhos estão inchados e vermelhos, continuam mais bonitos que os meus. — não sei bem porque disse tal coisa, apenas disse.
– Claro! Os olhos azuis batem tudo! – soltei um sorriso com o que ele disse, o que o fez sorrir também.
Lucas tinha uma aparência muito semelhante à do meu pai, já eu, pelo aquilo que vejo nas fotografias sou mais parecida com a minha mãe. Cabelo com alguns caracóis com uma cor dourada e olhos castanhos.
– Vais falar?
– Acho que sim. — eu sabia que ele não ia desistir. — É uma longa história…
– Não te preocupes eu tenho tempo. — ele sorriu e eu também.
Levou algum tempo, eu chorei um pouco, mas contei-lhe tudo, exceto do jogo, também não achei que fosse importante para este assunto.
Ele não disse nada enquanto falava, o Lucas sempre me ouvia até ao fim. Quando finalmente acabei, ele estava com o olhar de infinito e com as sobrancelhas arqueadas.- Lucas, que estás a pensar? Não vais dizer nada?
– Hum? Nada, não estava a pensar em nada. — quando ouviu a minha voz pareceu sair de transe e voltou a olhar para mim.
– Sim… — estava à espera que ele falasse, ele sempre dizia alguma coisa.
– Eu não sei bem o que te dizer. Mas sei no que estava a pensar. A tua amiga não presta.
– Não digas isso! — por mais que estivesse magoada, não queria falar mal dela.
– O que queres que diga? — Lucas estava confuso, realmente a sua teoria estava correta, Anna estava a demostrar ser um lixo.
– Não sei! Se soubesse não estava a pedir a tua ajuda!
– Olha Clars, eu acho que a tua amiga pode gostar de quem quiser. Mas a história dela… a atitude dela… isso não bate certo. Ela está a tramar alguma coisa. — o Lucas chamava-me muitas vezes de Clars, é uma coisa que a minha mãe fazia.
– Talvez tenhas razão. — estava triste por admiti-lo.
– Sim, eu acho que sim. — ele levantou-se da cadeira onde estava sentado, deu-me um beijo na testa e foi para o seu quarto.
Sentia-me melhor. Iria esperar até segunda para falar com Robert, queria ver qual o seu lado da história.
Entretanto tinha de me entreter com algo. Porque não jogar.
Abri o jogo, mas com todas aquelas mensagens não conseguia, tinha de falar com ele.
Eu: Oi
Danieldri: Oi! Finalmente uma resposta.
Eu: Pois…
Danieldri: Eu só te queria pedir desculpa.
Eu: E porquê?
Danieldri: Por te ter assustado.
Eu: Desculpas aceites.
Danieldri: Então, tens treze anos?
Eu: Sim e tu tens dezasseis.
Danieldri: Como fazes perguntas tão difíceis? És boa aluna?
Eu: Sim, eu acho que sou.
Eu: Tenho de te fazer uma pergunta.
Danieldri: Tudo o que quiseres.
Eu: Porque estavas tu interessado numa rapariga de 20 anos.
Danieldri: Não me dou bem com pessoas da minha idade. E tu também não te deves dar.
Eu: Aí não? E porque dizes isso?
Danieldri: Porque se te desses não continuarias a falar comigo. Terias outro entretenimento.
Ele tinha razão, eu não me dava muito bem com pessoas da minha idade, ou talvez apenas não me desse bem com ninguém. Talvez o problema fosse esse. Eu não me dar bem com as pessoas.
Eu: Talvez tenhas razão, ou posso estar apenas curiosa.
Danieldri: Sobre o quê?
Eu: Sobre a tua ex-namorada.
Danieldri: Pois… tenho de ir, diverte-te.
Pela segunda vez, ele foi-se embora assim que falei da ex-namorada. A rapariga deve tê-lo magoado muito.
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