Diferentes idades

6 A resposta é sim


Notas iniciais
Este capítulo é especial, é contado por Daniel. Espero que gostem! Boa leitura!

Acordei, mas deixei-me ficar na cama, por mais um pouco.

A Clarissa fazia parte da minha vida agora. Pensava a toda a hora nela. A nossa ida à praia fora há quase duas semanas, mas eu todas as noites sonhava sempre com o mesmo, o nosso beijo.

Continuámos a falar-nos, mas não pessoalmente. Apenas falávamos pelo chat do jogo.

Começava a sentir que podia falar com ela, eu sempre fui uma pessoa muito reservada, era muito raro falar sobre o que quer que fosse, com quem quer que fosse.

Em minha casa não falamos muito uns com uns outros, o que se tornou um hábito para mim. Vivo com o meu pai, o meu irmão e Micas, um gato.

O meu pai, Jaime, é raro se encontrar em casa, ele passa muitas horas a trabalhar. Ele é o diretor de uma empresa de imobiliária e desde a morte da minha mãe que o meu pai se mantem muito tempo na empresa. Depois da sua morte, o emprego tornou-se uma distração para ele, era a única maneira de não pensar todo o tempo na falecida mulher.

O meu irmão, Rafael é a melhor coisa que a minha mãe me podia ter deixado. Claro, ele sente a falta da mãe. Mas ele aprendeu a aceitar. Por coincidência ele têm a mesma idade que Clarissa, muitas vezes pensei que talvez ele fosse mais adequado para ela, mas a idade não me interessa, não mais. O Rafael tem um gato, o Micas. Ele adora aquele gato, é quase como um melhor amigo para ele.

Todos os meus pensamentos foram interrompidos por uma mensagem.

@Clarissa: Bom dia!

Eu: Bom dia princesa!

@Clarissa: Como estás?

Eu: Bem e tu?

@Clarissa: Também. Eu queria-te perguntar uma coisa.

Eu: Pergunta.

@Clarissa: Já que tu não perguntas e que hoje é sábado, queres ir dar uma volta?

Eu: Desculpa, mas não posso.

@Clarissa: Eu pensei que talvez...

Eu: Não tem nada a haver contigo. Eu queria muito ir. Mas o meu pai está a trabalhar. Tenho de cuidar do meu irmão.

@Clarissa: Ok! Olha tenho de ir. Trabalhos de casa.

Eu: Adeus.

Ela ficou desiludida com a minha resposta. Mas, por mais que quisesse, não podia.

Eu tinha de fazer alguma coisa, talvez devesse pedi-la em namoro. Isso iria aproximar-nos. Seria difícil para mim, não sou muito romântico, mal talvez devesse tentar. Ou estaria a precipitar-me.

– Bom dia dorminhoco! Eu e o Micas já estamos com fome. — era o meu irmão, ele entrou e trazia o gato ao colo.

– Tem de ser já? — eu queria ficar a pensar mais um bocado.

– Sim. Deixa-la a tua namoradinha em paz. — ele disse aquilo com um sorriso de gozo, ao ver que eu estava com o telemóvel na mão.

Atirei o telemóvel para cima da cama, e levantei-me.

– Então, o que queres para o pequeno-almoço?

– Tu prometeste-nos panquecas. — ele apontou para si e para o Micas.

(…)

Eram quatro da tarde, já tinha os calções vestidos e estava pronto para mergulhar na piscina do jardim da minha casa. Mesmo antes de mergulhar, ouço a campainha tocar. Suspiro e vou ver quem é.

– Olá! – cumprimentou-me uma rapariga que vinha com o fato de banho por baixo da roupa, que se podia ver bem, e uma toalha ao ombro.

– O que estás aqui a fazer? Não estava à espera da tua visita.

– Estás com amnesia? Tu convidaste-me! — ela parecia bastante convicta.

– Se calhar estou. — respondi ao coçar a cabeça. — Entra, entra. – pedi-lhe que entrasse pois com a surpresa até a deixei ficar na rua.

Fomos os dois até à piscina e ela continuava a insistir que eu a tinha convidado por mensagem.

– Clarissa! — exclamou o meu irmão que já estava dentro de água. — Ainda bem que vieste!

– O quê? – questionei-o. — Tu conheces?

– Na verdade conheço. E digo-te uma coisa. Não esperava que namorasses uma rapariga tão nova. — o meu irmão respondeu-me como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Clarissa olhou para mim e sorriu fraco.

– Talvez tenha sido ele a convidar-me.

– Isso faz muito mais sentido. – sussurrei para Clarissa.

Olhei para o Rafael como se o fosse matar.

– Andaste a mexer no meu telemóvel?! E a enviar mensagens como se fosses eu?! – gritei.

– Eu? Eu nunca faria tal coisa. — falou com uma voz de gozo, de novo.

– Estás morto! — corri até à beira da piscina, saltei e apertei-lhe o pescoço (na brincadeira, claro) dentro de água.

A Clarissa sorri-a ao ver-nos. E como o seu sorriso era lindo. Ao olhar para ela distraí-me o que deu tempo para o Rafael se soltar e me apertar o pescoço.

Ela riu mais.

– Não entras? — perguntei assim que aquele pirralho largou o meu pescoço.

– Sim, claro. — ela também parecia distraída.

Tirou as suas roupas e mergulhou. Como as suas curvas eram perfeitas. Como o seu cabelo estava lindo. Conhecia aquela rapariga há pouco tempo, mas ela já começava a deixar-me louco.

– Para o que estás a olhar? – ela perguntou quando chegou perto de mim.

– Para ti. — sorri ao falar.

– Bem, eu vou deixar-vos sozinhos. — o meu irmão estava feliz por mim. — Vou brincar com o senhor Micas, se não ele fica triste comigo.

– Rafael! — chamei.

– Agradeces depois! — ele gritou para que eu pudesse ouvir, pois já estava a chegar à porta de casa.

Ele entrou em casa. Clarissa olhava para mim, aqueles seus olhos grandes e castanhos estavam vidrados em mim.

– Ainda bem que estás aqui. — sorri de novo, não podia evitar, estava feliz.

O silêncio predominou por alguns minutos.

– Eu conheço o teu irmão. — fez uma pausa — Só não sabia que era teu irmão.

– Ele é mais bonito que eu? — perguntei no gozo.

– Ele não é nada como tu. — ela falou baixinho e pós a sua mão sobre o meu peito.

– Mas é da tua idade.

– Eu dou-me bem com pessoas mais velhas. — aquela garota riu sozinha e em seguida molhou a minha cara.

Eu não tive tempo de a molhar, pois nadou para longe, até ficar junto à pedra na zona mais funda da piscina. Fui atrás dela. Agarrei-me com os dois braços à pedra, ela estava no meio dos meus braços. Eu queria muito sentir os seus lábios de novo. Ela colocou os dois braços à volto do meu pescoço, para puder ficar da minha altura. Aproximei-me mais dela, mas ela voltou a parar-me, pondo a sua testa encostada à minha.

– Eu estava com saudades tuas. — Clarissa sussurrou. Desta vez ela tomou a iniciativa de me beijar.

Foi outro momento mágico, assim esta noite teria um sonho diferente. Os seus braços começaram a enroscar-se com mais força no meu pescoço. Eu encostei-a contra a pedra e os nossos corpos ficaram muito juntos, mas em seguida os nossos lábios separaram-se lentamente.

– O teu irmão deve precisar de ti.

Desencostei-me dela e saí da piscina. Sequei-me numa toalha verde e sentei-me numa das espreguiçadeiras. E comecei a olha-la. Assim que reparou sentou-se ao meu lado.

– Eu tenho andado a pensar. A pensar em nós. Eu sei que não saímos muitas vezes. Mas eu começo a sentir algo forte por ti e acho que sentes o mesmo por mim. Por isso… eu queria perguntar-te… — estava a começar a ficar muito atrapalhado, não estava a correr nada bem.

Respirei fundo, ia tentar de novo, mas Clarissa pós a sua mão sobre a minha perna.

– Eu sinto o mesmo por ti. A resposta é sim.

Não foi preciso dizer mais nada, felizmente ela tinha percebido. Eu não era muito romântico, mas o importante era que estávamos oficialmente a namorar.

Peguei na mão de Clarissa e levantei-me da espreguiçadeira.

– Vamos ver se aquele pirralho precisa ou não de nós.

Ela agarrou nas suas roupas, vestiu os calções e ficou com a camisola e a tolha na mão.

Entrámos em minha casa e encontrei um bilhete na mesa:

Já volto.

O senhor Micas fugiu.

Rafael

– Isto acontece muitas vezes. Ele já volta. — acalmei-a.

Ela poisou a camisola e a toalha numa cadeira e olhou em volta.

– Vais mostrar-me a casa?

– Vou. — pus a minha mão à volta da sua cintura e encostei-a a mim, ela era mais nova mas era quase da minha altura.

Mostrei-lhe toda a casa. Deixei o meu quarto para último.

Ela sentou-se na minha cama, olhou para o chão e em seguida para mim.

– Tu és rico? Piscina, casa enorme… — a sua voz estava receosa.

Ajoelhei-me à sua frente, de modo a que ficássemos da mesma altura.

– Clars, é… — fiz uma pausa para pensar bem no que iria dizer — Mas sim, tenho tudo o que preciso — olhei para os pormenores do meu quarto — e o que não preciso.

– Porque me chamaste Clars? — a sua voz mudou de tom, neste momento parecia assustada.

– Não sei. – respirei fundo e sentei-me ao seu lado. — Porquê? Não gostas?

– Não é isso. É algo que — fez uma breve pausa — apenas Lucas faz.

– E eu? Posso chamar-te assim? — não sabia bem o que dizer.

– Sim. Eu acho que sim. — ela sorriu para mim. — Para mim isso significa: eu preocupo-me contigo. — sorri também.

Nós sorriamos muito um para o outro. Nunca tinha sorrido tanto assim.

– Olha, eu tenho uma pergunta para te fazer, desde há muito tempo. — ela deitou-se para trás e levou-me consigo.

Estávamos deitados lado a lado a olhar um para o outro.

– Não tens de me avisar que tens uma pergunta, perguntas e pronto.

– Assim que nos conhecemos, tu disseste que a tua ex-namorada se chamava Clarissa. Mas afinal era o nome da tua mãe. — ela parou por algum tempo e eu assenti com a cabeça. – E como se chamava a tua ex-namorada?

– Charlotte.

– E o que fez ela para te magoar tanto?

– Clars, é… é complicado. Mas como sabes que me magoou? — não queria mesmo falar no assunto, mas estava curioso.

– Não sei bem. Eu apenas sabia. — ela acariciou-me a cara e eu ri.

– Que foi? — perguntou franzido as sobrancelhas.

– És linda. É só isso. — ela acabou por sorrir também.

Os nossos olhos ficaram presos, eu não conseguia parar de olhar para aqueles olhos, pareciam chocolate, a Clarissa era mesmo perfeita para mim.

– Sabes – ela quebrou o hipnotismo – agora que estamos juntos oficialmente. Vou conhecer os teus amigos?

Aquela pergunta fez-me pensar em Will. O meu melhor amigo. Não falávamos há quase um mês. Que raio de amigo estava eu a ser. Assim, que Clarissa voltasse para casa iria ligar-lhe, a ele e a uma grande amiga minha, Sammanta, era dois anos mais nova, mas era muito simpática, e acho que Clarissa iria gostar de a conhecer.

– Sim. Vais conhecê-los mais cedo do que pensas.

A beijei de novo. Puxei-a mais para mim e tanto os nossos corpos como os nossos lábios estavam bem coladinhos. Senti os seus braços apertarem o meu pescoço. Não resisti, as minhas mãos já estavam nas suas ancas.

Os nossos lábios separaram-se, ela encostou a sua testa na minha, pensei que me fosse beijar de novo, mas levantou-se.

– Já se faz tarde. Tenho de ir. – olhei para ela ainda deitado na cama, revirei os olhos e levantei-me para a acompanhar à porta.

Chegámos à porta.

– Obrigada.

– De nada. – assim que acabei de falar ela deu-me um beijo na bochecha e saiu.

Já eram oito horas, o Rafael continuava sem vir. Talvez se tivesse distraído a brincar com o senhor Micas no parque.

Telefonei para o Will.

– Will! Há quanto tempo?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Comentem! Encontramos-nos no próximo capítulo!