Diferente
1 Episódio 1 - O começo
Dante nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, como toda criança nascia: em um hospital normal, de parto normal, mas desde pequeno ele sabia que não era igual as outras crianças normais. Ele sabia que tinha algo dentro de si que o fazia ser estranho aos olhos dos outros, só não entendia o que era, e por ser muito pequeno não se importava com isso, porém sua mãe também notara e, diferente dele, se preocupava com aquilo.
Quando Dante completou quatro anos, sua mãe o levou a um hospital distante de sua casa — era um local onde não tinha nada nem ninguém a não ser aquela estrutura —, sem informar o motivo. Dante foi examinado rapidamente por um médico que usou uma máquina muito estranha e depois daquela análise viu sua mãe conversando com o doutor, ambos distantes do paciente. O menino era curioso e tentou ouvir algo, porém não conseguiu.
Dois anos depois, ele estava na escola e já era hora da saída. Um colega de turma foi implicar com ele. O garoto sempre implicava com Dante, mas naquele dia, algo estranho aconteceu, impelindo o garoto a ser agressivo. Quando isso aconteceu era como se Dante não fosse mais ele mesmo. Era como se alguém mal e vingativo o estivesse controlando.
Ele correu em direção ao colega, pulou nas costas dele e quando o implicante caiu no chão por causa do impacto, Dante — ou seja lá quem era aquele por trás de tal atrocidade — ficou sentado em cima do garoto, segurando a cabeça dele e esfregando a cara no chão áspero. A diretora surgiu após o início do alvoroço, deu bronca nos alunos e Dante, além de uma boa bronca dada por sua mãe, também ouviu que ficaria de castigo.
Dante estava em sua casa — já em seu estado normal — sentado no sofá da sala vendo televisão, quando sua mãe chegou calmamente no cômodo, sentou ao seu lado e o chamou para conversar. Ele olhou para ela com total atenção e assim a matriarca começou a explicar, devagar e com uma certa doçura em sua voz, para o menino tudo sobre os Diferentes.
— Em um mundo normal, cheio de coisas normais e pessoas comuns, existiu um homem que parecia ser muito inteligente. Diziam que ele possuía um QI de duzentos e vinte e nove…
— O que é QI, mamãe?
— QI é Quociente de Inteligência. É como se fosse uma régua para medir o quão inteligente a pessoa é. Quanto maior o número, mais esperto você é.
— Tendi.
A mãe então continuou de onde seu filho havia interrompido:
— Mas o QI médio de uma pessoa normal está por volta dos cem, e por causa disso aquele homem era alguém especial. Ele desenvolveu uma teoria em que dizia ser possível dar habilidades especiais às pessoas. O pesquisador apresentou suas ideias teóricas ao governo de seu país, mas foi rejeitado.
— E agora?
— O cientista usou sua tamanha inteligência para realizar, sozinho, aquilo que acreditava ser possível. Montou um laboratório com o dinheiro do governo, com o pretexto de ter que fazer outras pesquisas e começou a trabalhar em seu projeto secreto. Ele passou anos trabalhando sozinho naquela pesquisa, mas não esperava cometer um erro que acarretaria em uma mudança no mundo.
O menino olhava atentamente para a mãe enquanto ouvia aquela história. O jovem Dante mal piscava.
— Aquele erro causou uma enorme explosão que destruiu todo o laboratório e também jogou no ar uma estranha energia que ninguém conseguia ver. Naquela época nem sequer havia como detectá-la. Aquela energia rapidamente dominou toda a atmosfera do planeta, mas nada aconteceu. Algumas horas depois daquele acidente, em um país distante, foi registrado o nascimento de uma criança que emitia luz. A primeira criança com superpoderes.
— O neném brilhava?
— Sim, querido — respondeu a mãe sorrindo. — O neném brilhava e aquilo demonstrou que a pesquisa do cientista estava quase certa e que pessoas poderiam desenvolver habilidades especiais, mas somente algumas, pois nem todas as crianças demonstraram poderes ao longo de sua vida. Poucos anos depois das primeiras pessoas nascerem com poderes, foi criada uma nova lei mundial: todas as pessoas que possivelmente tivessem poderes deveriam ir a um hospital especializado em cada estado do país onde seriam analisadas por uma máquina que detectaria se a pessoa tem ou não algum poder. Após ser detectado um poder, a pessoa deverá ser automaticamente registrada em um documento que a classifica como Diferente. Esse mesmo documento, depois de registrado no hospital, vai direto para o governo e assim, somente o governo, os pais e os médicos daquele hospital saberão da existência do Diferente.
Depois de toda a explicação que ela deu, Dante ainda parecia um pouco confuso com tudo o que estava acontecendo.
— Você lembra que a mamãe te levou num hospital, longe de casa, quando você era mais novinho?
— Uhum — o menino não parecia ter certeza do que disse.
— E você lembra que foi examinado por uma máquina?
— Não… — desta vez, a feição da criança condizia com a resposta dada.
— Então querido, você foi sim examinado. Eu não sei o nome daquele aparelho, mas ele serve para detectar se você é Diferente ou não.
— E eu sou mamãe?
— Sim meu filho, mas isso não muda nada! Saiba disso. Está tudo bem! Mas sua mãe quis saber um pouco mais e devido ao seu comportamento lá na escola eu pedi para que o doutor ativasse a função para verificar quantos poderes você tem e ela indicou que você tem mais de um poder, embora ela não mostre qual seja ele.
— Uau. Que legal — o menino sorria de felicidade com aquela notícia.
— Acho que sim né — a mãe sorriu levemente para a criança.
A mulher optou por usar aquela máscara de falsa alegria apenas para que o garoto não ficasse marcado negativamente sobre esse novo mundo pelo resto de sua vida. O real sentimento da matriarca era de preocupação, mas isso não a impediu de continuar explicando sobre as coisas pro filho.
— Outras máquinas e objetos também foram criados para ajudar, de alguma forma, pessoas como você a terem uma vida normal.
Dante também fez outros questionamentos, mas não obteve respostas. Ele fez uma última pergunta, a qual acreditava que sua mãe saberia lhe explicar:
— O que você vai fazer agora, mamãe?
— Vou te matricular em uma escola que poderá te ensinar tudo!
O menino viu sua mãe dar alguns telefonemas. Quando ela desligou foi falar com o filho.
— Você vai para a Escola Nacional dos Diferentes. Também conhecida como E.N.D.
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