Diferente
2 Episódio 2 - Escola Nacional dos Diferentes (E.N.D.)
No dia seguinte, ainda no Rio de Janeiro, Dante estava parado em um terreno deserto próximo de sua casa. Sua mãe disse que ali ele deveria esperar pela condução que o levaria até a E.N.D. Depois de cinco minutos de espera ele ouviu um barulho, como se um ônibus tivesse acabado de estacionar bem ali, mas o garoto não via nada além de grama e árvores cortadas. De repente, Dante viu um automóvel aparecer do nada, bem na sua frente, como se tivesse acabado de chegar, mas o menino tinha certeza de que não vira nada se aproximando de onde estava. Depois do susto que tomou, ele reparou bem e viu que aquela era a condução que sua mãe havia descrito antes. Dante entrou no veículo:
— Como foi que eu não vi isso aqui antes? — O garoto parecia confuso.
O motorista ouviu e achou que a pergunta havia sido feita para ele então respondeu ao jovem de forma simpática:
— É porque este veículo não é normal. Ele foi comprado como um ônibus comum e depois foi modificado pelo governo para continuar mantendo o segredo dos Diferentes.
Dante se lembrou do que sua mãe o havia contado sobre as coisas criadas para ajudar os Diferentes, mas isso não o impediu de ficar surpreso e confuso. Ele novamente repetiu a pergunta, só que desta vez em um tom de voz bem baixo. Quando o garoto terminou de sussurrar ouviu uma resposta:
— O ônibus aterrissou estando invisível e depois ficou visível, novato!
Após a resposta dada por um aluno, que aparentava estar irritado com a pergunta, Dante ficou surpreso e muito feliz porque encontrou ali, dentro daquele automóvel, um antigo amigo de infância chamado Carlos. Seus sentimentos viraram emoções, sendo expressados na forma de um cumprimento amigável e logo depois disso ele se sentou ao lado do colega. Para recuperar o enorme tempo que os dois meninos passaram afastados um do outro, eles ficaram conversando sobre as coisas que cada um fizera após o distanciamento.
— Vamos decolar! Apertem os cintos.
Depois do aviso sério do motorista, os alunos veteranos rapidamente colocaram os cintos. Os novatos viram aquilo e, assustados, também o fizeram. O motorista apertou um botão para acionar a invisibilidade, fechou as portas com uma manivela que ficava em seu painel, apertou um botão para liberar as asas nas laterais e as turbinas na traseira, acelerou e depois apertou o último botão, justamente o que ligava as turbinas, dando um grande impulso. O veículo terrestre logo se tornou um veículo aéreo e decolou rumo ao seu destino.
Enquanto o veículo voava em direção à escola, algumas crianças olhavam pelas janelas e viam as belas paisagens dos campos e algumas cidades cheias de prédios e casas, tudo isso em um tamanho muito pequeno, demonstrando que o ônibus estava em uma altura elevada.
Carlos contou para Dante sobre como era ser Diferente, na visão dele. Ele adorava ser assim, adorava ter um poder, se sentia alguém especial, uma pessoa descolada. Só não se sentia ainda mais feliz por ter que fazer segredo sobre isso além de não poder usar sua habilidade em público.
Ele já tinha ciência de alguma coisa sobre a escola e falou sobre o que sabia, o que não era muito. Contou que a E.N.D ficava em Brasília, que ela era enorme, com diversas salas de aula. Eles teriam que estudar lá de manhã até a tarde e que ela é muito importante para todos os Diferentes do país. Carlos tinha ouvido essas coisas por outros Diferentes que conheceu antes dessa viagem e decidiu contar ao seu amigo. Dante ficou feliz, confuso e um pouco nervoso com todas aquelas informações que vinham com a velocidade de um rio agitado.
— Chegamos! A Escola Nacional dos Diferentes!
Nenhum aluno ouviu o motorista. Estavam todos distraídos conversando com seus colegas e ouvindo músicas com fones de ouvido. Isso fez com que o condutor ficasse chateado e voltasse sua atenção para o seu próximo objetivo: aterrissar a aeronave em uma rua deserta.
Dante olhou pela janela e não viu nada, exceto dois casarões abandonados. Quando todos os alunos perceberam que o automóvel estava finalmente parado no chão, saíram. Os mais velhos simplesmente seguiram reto em direção a um beco entre as duas casas velhas.
Os novatos, assim que viram os outros alunos entrando naquele beco e desaparecendo do nada, ficaram assustados. Após aquilo, alguns calouros então se arriscaram, seguindo por aquele caminho, e estes desapareceram. Outros, incluindo Dante, decidiram fazer o mesmo, assim como todos que adentraram naquela reta. Chegando perto daquela entrada estreita, Dante fechou os olhos e simplesmente seguiu direto.
Depois de alguns passos, atravessando aquela estranha passagem, o garoto decidiu abrir seus olhos para ver o que estava acontecendo e foi aí que se surpreendeu com a escola. Por morar no Rio de Janeiro, capital, ele comparou aquela instituição com algumas construções que ele havia conhecido até aquele momento de sua vida: o tamanho parecia ser duas vezes o estádio do Maracanã e a aparência era similar as escolas particulares brasileiras.
Depois de segundos admirando a escola, Dante e outros novatos foram recebidos por um aluno que vestia uma camiseta com as laterais verdes — incluindo as mangas —, a parte central amarela, com letras em preto escrito “E.N.D.” na altura do peito e uma gola azul. Este estudante, que parecia ser mais velho que todos os novatos ali reunidos, cobrava dinheiro em forma de taxa para que os calouros ali presentes pudessem entrar na escola.
— Ninguém disse nada sobre taxas para novatos! — Um garoto demonstrou tristeza com aquele ato de cobrança.
Antes que as crianças pegassem seus trocados para darem ao veterano, uma senhora apareceu de repente, do nada, e deu uma bronca no cobrador. Após o esporro dado ela se direcionou para os jovens e começou a falar:
— Por favor, os alunos que já estão matriculados, entrem e dirijam-se para suas salas.
Depois que os veteranos daquele grupo foram em direção as escadas que levavam para as salas de aulas a diretora continuou:
— Bem-vindos à Escola Nacional dos Diferentes. Vocês também podem chamá-la de E.N.D. Eu sou a diretora Lívia. Esta escola foi construída para ficar invisível enquanto está no seu horário escolar, não deixando as pessoas de fora vê-la e terem desconfianças sobre este local. Antes das aulas, como agora, por exemplo, ela fica visível para que os alunos consigam enxergá-la e assim entrar. Os ônibus sempre irão buscá-los nos mesmos horários e locais de hoje, independente do estado e cidade onde vocês morem, para que cheguem aqui em Brasília a tempo…
A diretora foi interrompida por uma mão levantada. Era um menino, bem arrumado, que segurava uma caneta e um caderno na mão com anotações escritas dando a entender, para todos ali, que este garoto gostava de saber das coisas e anotar seus conhecimentos para talvez os estudar posteriormente.
— Sim? — Perguntou Lívia, supondo que aquele gesto do menino seria de uma pergunta a ser feita.
— Como esses ônibus conseguem voar tão rápido para nos pegar em cada estado diferente do país? — Perguntou o menino.
— Esses automóveis foram comprados pelo governo brasileiro e depois foram feitas modificações neles por engenheiros para que conseguissem, além de levantar voo, alcançassem mais de sete mil quilômetros por hora estando no ar.
Todos os novatos ficaram extremamente chocados com aquela informação e, enquanto a maioria tentava compreender a possibilidade daquilo, o tal garoto anotou a informação em seu caderno.
— Mais alguma pergunta? — A diretora indagou.
O jovem interessado foi o único que realmente respondeu a profissional, com o sinal negativo com a cabeça, enquanto todos os outros ficaram quietos o que fez com que a dirigente voltasse com a palavra.
— Muito bem. Vocês ficarão aqui durante quase o dia todo. As aulas começam na parte da manhã, as sete horas, indo até meio dia, quando vocês param para o recreio e almoço, e depois retornam no início da tarde, às treze horas, para terem mais aulas até as dezessete horas que é quando acaba o horário escolar. Me sigam que os levarei para a Arena de Exibição e Desenvolvimento onde vocês receberão mais explicações.
Lívia adentrou a escola sendo acompanhada pelos calouros.
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