Dies Illa

36 Capítulo XXXIV - Casa De Lobos -


Notas iniciais
vocês gostam de porrada, amigos leitores? (๑•́ ω •̀๑)

Um aroma floral que há tempos não sentia acordou Rihito naquela manhã: era o cheiro de rosas que o louro exalava com abundância em dias passados. Não havia se dado conta até senti-lo novamente.

Aquilo era o retorno da alegria em Morgan. Fora bem cedo até seus pertences e tirara o memento mais precioso que possuía de sua mãe morta, o perfume de rosas silvestres e cuidadosamente o borrifou na pele.

Olhos ainda pesados de sono, Rihito esfregou os dedos neles e procurou pelo amigo em seu quarto. Ele sentava ao pé da cama. Não soube precisar se era culpa da miopia ou se realmente o menino erguia-se do algodão dos lençóis, fazendo parte deles, com raios de sol incidindo leves e colorindo-lhe os cabelos. Vestiu os óculos e deitou-se outra vez, a armação incomodava-lhe um pouco quando a pressionava contra o travesseiro. Ambos ainda permaneciam despidos.

Com movimentos suaves, Morgan virou-se para Rihito e tracejou sua coluna com o dedo indicador.

– Dormiu bem, Hito-Rin?– Havia traços de insegurança em sua voz aqui e ali por usar o apelido que inventou.

– Esse seu cheiro — Disse, ignorando a pergunta anterior e despertando curiosidade em Morgan — Seu cheiro me faz sentir estranho. Sempre.

O peito do garoto inchou-se de um sentimento caloroso e confortável, fazendo-o sorrir. Rihito virou-se de barriga para cima e vendo o brilho no olhar do amigo, abriu os braços para envolvê-lo. Morgan rapidamente atirou-se sobre ele para se aconchegar. Não tinha certeza se podia ou se era apropriado, mas resolveu arriscar e beijá-lo. "Coitado..." pensava. "Claramente não fui capaz de dá-lo prazer ontem e ainda assim ele se mantém se dedicando a mim com tanta veemência". Fechou então seus olhos celestiais e por um tempo só ouviu o barulho dos estalos dos beijos que trocavam e da saliva a passar carregada por suas línguas. Alguns minutos depois sentiu seu quadril sendo cingido novamente e logo Morgan começou a roçar suas partes íntimas na coxa do garoto.

Seu primeiro ímpeto foi o de afastá-lo imediatamente e recolher-se num canto, mas pensou melhor e deixou fazê-lo como desejava. Pobre menino, era como um cãozinho no cio! Assim como seu colega de quarto, o louro não sabia se era apropriado, mas resolveu arriscar também. Era a primeira vez que transar tinha se provado tão bom e apesar de tudo, permanecia contente como nunca esteve. Rihito temia que ele percebesse o quão intranquilo aquilo o punha, ser usado como objeto de masturbação de outro rapaz, e não querendo magoá-lo, fez a cara mais sóbria que pôde, chegando até aparentar certa frieza.

Pousou a mão no topo de sua cabeça quando ele acabou. Sendo final de semana, não tinham aulas no período da manhã, deixando apenas os estudos teológicos na parte de tarde, que eram uma matéria complementar (mas não optativa) em Kensington Academy. Os meninos consideraram faltar, mas como Morgan já não comparecia há mais de um mês, desistiram da ideia da qual não podiam dispor.

Se arrumaram então em suas gravatas azuis e abandonaram o quarto de eternas fantasias.

Morgan quis andar de mãos dadas, no entanto Rihito o proibiu. Disse que era perigoso demais se exporem tanto. "Ainda mais," conjecturou ele "Ainda mais pela fama que você ganhou..."

Imaginou como ele reagiria caso visse Simon. "Será que consigo ficar calmo?" o moreno andava lado a lado com o outro mas certamente absorto em seus próprios pensamentos. "Não é como se eu estivesse fazendo algo de errado, estou apenas 'ajudando' o Morgan..."

Na esquina do jardim de ameixeiras que ficava ao fundo dos dormitórios e levava a um atalho para a capela onde se ministravam as aulas de teologia, os garotos ouviram uma voz.

– Juntos de novo? — A voz perguntou — Ridículo. Não me digam que vão pra aula na igreja?– E riu debochadamente.

– Adam... — Exclamou Morgan, ao mesmo tempo surpreso e descontente em vê-lo.

– Sinceramente, achei que você pudesse ser um dos nossos. Que decepção, cara. É só esse mestiço estalar os dedos que você corre pra ele — Continuou o líder dos vagabundos.

Rihito percebeu que o tal Adam não estava só. Na verdade, o grupo parecia bem mais numeroso do que se recordava. "Será que essa gente toda estava vindo atrás do Morgan...?"

Sentiu uma pontada de nojo de tamanha clientela.

– Não me enche.. Vamos que já estamos atrasados, Rihito.

E quanto tentaram sair, um cerco se fechou ao redor deles, como o nissei esperava.

– Opa! Vamos com calma aí que eu não acabei de falar. Você está muito enganado se acha que a gente vai te deixar fora dessa tão fácil.

A roda humana se constringiu além com olhares perturbadores.

– Lembra que da última vez que te perguntamos você não deixou chamar o "metido a esperto" pras nossas reuniões, né? — Adam se aproximou e puxou os cabelos de Morgan, gerando certa comoção — Sua resposta ainda é a mesma? Hm!?

– Claro que é! Agh! — Ele repontou, o couro cabeludo ardendo com os puxões.

– Já pensou, Adam... — O conhecido pervertido inesperadamente interveio — Eles dois trabalhando juntos pra nós? Duas vadias~

Uma pitoresca imagem se desenhava na cabeça dele onde Morgan e Rihito transavam com eles e para eles, "gangbang" e "bukkake", os dois a chuparem seu pênis ao mesmo tempo e depois se beijarem com os rostos imundos do seu esperma.

– Cala a boca, só eu falo aqui. — Adam o repreendeu por interromper, cortando seus devaneios.

Novamente, a única "arma" do nosso menino era um livro que carregava consigo, mas ao tentar golpear Adam foi restringido pelos outros.

– Esse truque velho de novo, não, garoto! Que patético. Quem é você pra achar que permite ou não que a gente estupre seu amigo?

– Solta o Morgan! — Rihito rosnou, enraivecido.

– Hahá! Como vai lidar com isso, fracote? Sua besta fera não está aqui desta vez pra te proteger — E num rompante socou seu rosto com toda a força que conseguiu juntar.

Agora que mencionara, é verdade. Não via Simon há alguns dias.

– Rihito!!! — Um grito agudo de agonia escapou da garganta de Morgan.

Instantaneamente o nariz do nosso garoto começou a escorrer sangue e de um momento a outro a camisa que vestia passou a ter a gola vermelha.

– Minha mandí--bula... Es..Tá torta, torta a... Torta — Ele balbuciava em pânico. Havia algo de errado com seu rosto.

Não teve muito mais tempo de reclamar pois logo novos chutes e pontapés chegavam por todos os lados, o bando de delinquentes torcia seu corpo inteiro procurando mais modos de torturá-lo. Até quem prendia seus braços para que não reagisse o fazia de um modo que não era deste mundo. Rihito tentava levantar mas estava em evidente desvantagem, subjugado. Pasmou no entanto ao ver Morgan esticando a mão em sua direção não bastasse estar sendo agredido também.

Desacostumado com abraços ou apertos de mão sequer, o nissei era forçado a experimentar o contato físico ao extremo na violenta sessão. Mas Morgan chorava muito. Não se importava que também estava apanhando, ele apenas enxergava. Todo som havia sumido. Todo tato. Todo cheiro. Apenas enxergava com a vista borrada do pranto o amigo sendo espancado. Cuspido no rosto. Pisado.

"Oh... Chutaram terra nos olhos dele... Naqueles santos olhos azuis de Rihito..."

– Japonês maldito! Ainda faz essa cara de durão — Reclamou Adam — Vou tirar esse seu orgulho à força! Convencido!

– Mas Adam, acho que se você continuar eles vão desmaiar... — Um deles advertiu, irritando o líder.

– Tch! Pois eu queria mais é que morressem... Desgraçados...

E enfim o bando cessou.

– Só estou te devolvendo o presente daquele dia, oh grande presidente de classe, — Escarneceu o irônico e brutal Adam cutucando a cara machucada de Rihito — do dia em que sua aberração me mordeu! E quanto a você, — Ele se virou para o louro — Saiba que isso tudo só foi possível graças a você.

Os outros riram da involuntária expressão de dor que ele fez ao ouvir e compreender o que foi dito e partiram.

Rihito tentava se sentar a todo custo e a primeira coisa que seu amigo fez foi ajudá-lo. "Temos que ir para a enfermaria", disse numa voz rouca e desabou a chorar lembrando que já tinha lhe falado a mesma frase outra vez, e por culpa das mesmas pessoas.

– Me perdoe Rihito! Eu não... Não queria te envolver em nada disso..! — Morgan chorava um choro doloroso de lágrima mornas e ininterruptas.

Se achou a mais egoísta das criaturas, que para obter o que desejava colocara em perigo quem mais ele amava. Sim, não fosse por sua culpa, Rihito não teria sofrido aquela atrocidade. Se ele não tivesse ficado com aqueles moleques, se não tivesse faltado tanto nas aulas! Tinha estragado tudo.

Justo agora que ele havia me aceitado.

Morgan era fraco demais.

Notas finais
apelidos carinhosos ao querido Rihito: Rihitinho foda-ruim, Rihitinho meia-bomba, Rihitinho banana ouro, etc -Q gostariam de adicionar algum? -q desculpem sempre estragar o momento triste da história com piadas infames... espero que gostem do desenho e do capítulo, e espero que gostem de ver o Rihito babando sangue também.