Dies Illa

10 Capítulo IX - Da Indigestão -


Notas iniciais
Agora é um momento sobretudo de aproveitar interações Simon x Rihito na maior parte das vezes, sua florescência de sentimentos e do mais que mais acontecer.. então talvez a história pareça mais lenta.

Era hora do almoço em Kensington Academy. Morgan estava aborrecido e um tanto distante, percebia-se isso no fundo de seu caráter alegre. Seus amigos também o tratavam diferente, como se estivessem receosos de se aproximarem e serem assediados. Uma atmosfera nem um pouco agradável os circundavam. Com Rihito, porém, tudo continuava o mesmo e inexoravelmente, o conceito e consideração pelo gentil menino de olhos azuis só aumentava em seu coração. Seria tão bom se...

– Wah! eu estava com tanta fome! — Exclamou o louro dando leves tapinhas em suas bochechas -Essa sobremesa quase me fez chorar de tão saborosa~ — Ele completou, de olhos fechados e fazendo beicinho.

Rihito terminava sua taça de mousse de chocolate trufado quando achou Morgan gracioso e desejoso demais.

– Toma, aqui. — Ele levantou uma grande colherada na frente dos lábios do amigo.

Quem sabe aquilo o animasse um pouco?

Os grandes olhos escuros do louro se abriram e cintilaram contentes. Abocanhou a colher e engoliu de uma vez. Rihito sorriu.

– Obrigado! Hmm, hmm! — Disse o louro, abraçando o amigo.

Aquele cheiro feminino que dele exalava fez nosso menino sentir-se um tanto estranho. Seus dourados cabelos também pareciam tão macios. Quis tocá-los, mas se reprimiu.

A espontaneidade de Morgan muito agradava Rihito.

–-- ♪ ---

O garoto de óculos andava pelos campos do internato com alguns cadernos nas mãos buscando aquela presença singular e pálida de Simon. Pensou até que seu vampiresco colega pudesse ter voltado para os dormitórios quando encontrou-o a nadar na piscina. Sozinho. Lá ficava vazio a maior parte do ano, inclusive em seus arredores, mas ainda assim seu uso não autorizado era proibido. Rihito correu até onde estava Simon.

– Hey! — O menino chamou, sem obter resposta.

Chegou esbaforido. Ele assistiu por alguns momentos os elegantes meneios do corpo de Simon na água que por sua brancura ou brilho úmido pareciam refletir a luz do céu em suas largas costas. Rihito viu-se novamente encantado por sua beleza. Com um impulso, Simon emergiu da piscina e veio até a borda ter com ele. Seus cabelos selvagens pingavam água em seu rosto.

– Saia daí, Simon! Não temos permissão para usar a piscina qualquer hora. — E estendeu o braço livre para auxiliar o colega a sair da água.

Simon riu com o incômodo do menino de olhos azuis. Seus olhos eram azuis como a piscina em que ele nadava. Simon também nadava nos olhos de Rihito.

– Onde está a sua toalha? — Rihito perguntou, olhando ao redor, vendo apenas um uniforme atirado ao chão — Você não trouxe nenhuma!?

Não é possível que ele planejasse se vestir sem se enxugar para voltar!, pensou Rihito já impaciente para trazer-lhe uma toalha.

– Fique aí um momento com meus livros que eu já lhe busco uma! — Ele dizia, entregando seus pertences ao seu "desajeitado" companheiro.

Simon, já fora da piscina, agarrou-lhe o braço que oferecia os cadernos e murmurou em seu ouvido:

– Você tem certeza? Eu estou todo m o l h a d o .

Rihito corou instantaneamente. Fingiu, no entanto, não ter entendido.

– Precisamente por isso que eu quero trazê-la, para você se secar!

E tentando se livrar da mão que o apertava, foi imediatamente puxado contra o corpo de Simon. Ele o abraçou e pôs a mão em sua nuca, colando o rosto de Rihito contra seu peito desnudo e molhado. Nosso menino reparou que os mamilos dele estavam arrepiados pelo vento fresco que soprava neles dois. Simon cheirou os cabelos de Rihito.

– Hmm... Você comeu, foi? — Perguntou de olhos fechados.

– Sim... Por quê? — Ele estranhou.

Simon meteu-lhe a mão por debaixo da roupa e tocou bem onde encontrava-se seu estômago.

– Você não se excita também? Sentir o estômago cheio e quente, se movendo leve e vagarosamente? — Ele deslizava os dedos por sua pele — Quanto sangue não estará passando aqui nesse exato momento..?

Simon abaixou o rosto, tocando delicadamente a ponta de seu nariz na bochecha de Rihito, com seu pescoço já em vista.

– Se excitar com a digestão? — Nunca havia pensado nisso.

– Eu também tenho fome. — O garoto das pintas já sugava o pescoço do outro, se deliciando com cada gota daquele líquido grosso que jorrava em sua língua.

Suas mãos caminhavam pelo corpo de Rihito, dando leves apertões nas partes mais carnudas. Ele então passou a beijar os lábios do tímido garoto que mais uma vez tentou escapar sem sucesso.

– Você sempre me provocando tanto, justamente quando as coisas se tornam interessantes você sai...

Era uma presa brincando com seu predador.

–-- ♪ ---

Hoje porém não eram apenas os dois garotos que se procuravam reciprocamente em seu jogo particular. Morgan suspeitava do comportamento do amigo que desaparecia durante toda a tarde e portanto saiu à sua procura colégio afora. Em algum momento, encontrou duas figuras próximas a piscina, que ficava muito longe do resto das instalações. Resolveu então se aproximar e observar, parecia algo proibido o que faziam.

– Rihito... Eu... — Simon intercalava suas palavras sussurradas com beijos — Eu quero que você seja... Minha presa particular...

O garoto dos óculos tinha já seu corpo incendiado pelos toques do outro e deixava seu desejo aflorar, procurando os lábios de Simon com a mesma veemência. Por vezes ele punha sua pequena língua para fora com o intuito de que Simon a tomasse-a em sua própria boca e brincasse com ela lá dentro.

O pálido garoto sentou Rihito em seu colo, de frente para ele, para que pudesse acariciar suas partes mais sensíveis com conforto. Tocou em seu baixo-ventre por fora das calças, isso já fora o suficiente para estremecer-lhe as pernas e para baixos e curtos gemidos escaparem-lhe da garganta. Seus toques semelhavam um veneno intoxicando seu sistema. Como aquilo poderia ser tão bom?

Rihito então teve medo do que Simon tentaria fazer a ele e conseguiu se soltar. Pegou seus cadernos e jogou o uniforme sobre o vampiro. Saiu limpando sua boca e correndo pelos vastos campos de volta aos dormitórios.

Aquele certamente fora o mousse trufado mais amargo que Morgan já comeu na vida.

Notas finais
E o Simon sabia que o Morgan estava lá, só pra constar ( ̄∇ ̄;)