Dies Illa
11 Capítulo X - Do Garoto que Colecionava Luas -
Durante a aula de história à qual a sala assistia, o professor de história que chegara carregado de materiais só então percebeu que havia esquecido seu mapa-múndi. Os alunos faziam todos suas piadas quando coisas do gênero aconteciam porque ele já era velho. Sabem porque o professor sabe disso daí? É porque ele viveu naquela época e viu tudo pessoalmente! Hahaha!
Rihito ficava impaciente, mas não dizia nada.
– Ah, meu jovem! — Disse o mestre, apontando seus dedos esqueléticos ao menino de óculos — Isso meu filho, você mesmo. Me faça o favor de me trazer o mapa aqui?
Rihito ficou naturalmente tenso por ser tímido, mas educadamente aceitou o pedido.
– Está na sala do Sr. Norman, se ele estiver lá diga que fui eu quem o mandou.
Senhor Norman era o professor coordenador de Kensington Academy. Homem austero, de fisionomia soberana e uma expressão solene, um homem muito respeitável, lá pelos seus 30 anos de idade, mas que já havia alcançado um posto de prestígio na instituição onde trabalhava. Tinha muito afeto por Rihito, porém. Considerava-o um garoto excepcional, muito inteligente, dedicado e algo mais que não deveria admitir em sã consciência. De olhos e cabelos castanhos, pela altura do maxilar, lisos e asseados, tinha o pomo de Adão bem proeminente. Podia-se dizer que Norman era charmoso, afinal.
Simon estava indo ao banheiro quando encontrou Rihito pelos amplos corredores e então decidiu segui-lo. Não fazia questão de permanecer oculto, apenas andava atrás de Rihito sem dizer palavra. Em algum momento, Rihito fatalmente o viu, mas também ficou muito nervoso para dizer qualquer coisa significante. Chegaram ambos à sala de Norman. Bateram à porta, mas sem resposta. Ele não estava lá.
Simon então meteu a mão na maçaneta e empurrou a porta. Rihito segurou a manga da jaqueta de seu uniforme.
– Hey, não faça isso! Temos que chamar alguém para podermos entrar. — Exclamou nosso menino, preocupado em invadir aquele lugar assim.
O garoto das pintas não deu ouvidos, entrou rapidamente e puxou Rihito para dentro, fechando imediatamente a porta atrás deles.
– Você queria entrar, não queria? — Ele perguntou, explicitando toda sua simplicidade.
– É, mas... Vamos sair logo, não quero ficar aqui. — Respondeu o garoto, já procurando o mapa-múndi de seu professor, completamente desconfortável — Você vê algum mapa?
Simon só via o mapa do sistema circulatório dele.
– Que droga, detesto que me peçam essas coisas, nunca encontro nada! Encontrar a sala que devo entrar já é um sacrifício...
Simon permanecia em silêncio.
– Estou bagunçando tudo... Eu nem lembro onde estava isso.
Simon abriu um armário.
– Esse mapa que você quer? — Indagou.
– Esse mesmo! Obrigado... — Rihito ajustou os óculos e se aproximou.
Eles ouviram vozes vindo do lado de fora, pertenciam a Norman e mais uns três professores. O garoto de olhos azuis entrou em pânico e mais que depressa, Simon agarrou-o pelo braço novamente e puxou-o para dentro do armário com ele, fechando-os logo em seguida. Fez um sinal com o dedo indicador em frente aos seus lábios para que mantivesse silêncio.
Norman e os outros adentraram a sala, ainda conversando. Nosso menino estava uma pilha de nervos. E se alguém resolvesse abrir aquela porta? O que seria feito de nós? Apesar de seu professor de história tê-lo pedido um favor, entrar sem permissão ali e ainda se esconder num armário era absurdo.
Simon continuava com o dedo sobre a boca de Rihito, todavia abraçou-o pela cintura e iniciou a beijá-lo no rosto e pescoço. O garoto não acreditava em tamanho abuso e ousadia.
– Pare com isso, Simon!– Ele sussurrava, indignado.
– Mas você está tão nervoso... Melhor se acalmar... Relaxar um pouco... E sobretudo não emitir nenhum som... Você não deseja ser visto assim nesse lugar, certo?
O garoto das pintas carregava um belo sorriso perverso. Que diabrete era ele! Rihito enrijeceu os ombros e uniu as sobrancelhas. Seria abusado sexualmente e ainda teria de ficar calado. Simon levantou a camisa do colega, deixando seus mamilos expostos. Abaixou o rosto e beijou-os suavemente antes de sugá-los e na sua área ao redor também. Os óculos de Rihito escorregavam-lhe do rosto e pendiam na ponta de seu nariz, ele mordia os lábios numa tentativa de repreender qualquer barulho que dele pudesse provir enquanto duramente tentava abstrair sua mente de tudo aquilo.
Pensava que se fossem pegos seriam expulsos... E se não fossem aquelas finas portas que os separavam daquela gente e os protegiam! Podia até vê-los, muito debilmente, por entre as finíssimas frestas do móvel em que se encontravam. Inconscientemente imaginou-se ali com Simon, exposto no canto da sala com todas aquelas pessoas presentes e os observando. Seu pueril corpo queria se manifestar. Aquela ideia toda o incitava.
Simon então decidiu massagear gentilmente seu torso. Fazia aquilo não somente para seduzir o menino, mas também porque havia um motivo muito maior para ele. Deixar sua presa excitada sexualmente estimulava a circulação sanguínea e tornava a extração do sangue muito mais facilitada e abundante. O menino-vampiro mordeu-o mais uma vez e o garoto agora colecionava feridas. Rihito virava o rosto e tentava lutar contra aquilo silenciosamente.
– Hey, calma. — Chamou Simon– Somos namorados agora...
Os olhos azuis do menino se arregalaram enquanto ele punha a mão sobre a boca. Namorados? Eles eram namorados? Desde quando? Rihito lembrou-se da beirada da piscina. Namorados... No masculino! Por quê..?
Subitamente as vozes desapareceram, a de Norman fora a última, mas pelo modo como falavam, logo estariam de volta. Além do que, seu velho professor de história viria atrás dele caso demorasse um segundo a mais e certamente o encontraria no armário, com os mapas e Simon. Não gostava nem de cogitar a possibilidade.
Com a sala vazia, Simon atirou-se para fora do armário, arrastando Rihito com ele. No momento do impacto, no entanto, os óculos do nosso menino, que já segurava o enorme mapa enrolado nas mãos, caíram no chão carpetado da sala do professor coordenador do internato.
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