Dies Illa

15 Capítulo XIV - Da Sua Vontade -


Notas iniciais
Primeiramente Feliz Natal, amigos leitores!

Era mais uma corriqueira tarde no internato e Rihito, como de costume, saía à procura de Simon. Não tinha ao certo uma definição para o garoto, apesar de serem tão próximos. Seria ele ainda apenas um colega de escola? Não poderia, pois conversava muito mais com ele que com os outros meninos de sua classe, aos quais no máximo dirigia um "bom dia" dito por entre os dentes. Seria ele então seu amigo? Também não, pensava. Meu amigo é o Morgan.

Rihito tinha plena consciência de que o que ele fazia caracterizava um relacionamento. E homossexual, ainda por cima. Mas achava imprudente e precoce denominá-lo um namorado propriamente dito. Ele nem tinha certeza das intenções de Simon, não fazia ideia se o garoto das pintas estava apenas se satisfazendo com seu sangue, e esse sendo seu único e máximo interesse. E realmente, nunca havia sido consultado à respeito.

Afinal, a questão continuaria em aberto.

Em frente ao prédio principal via-se uma grande fonte decorativa com cavalos esculpidos em mármore negro a empinarem-se, todos circundando um chafariz de cascatas e que derramavam água por suas bocas. Sentado em sua beirada estava Morgan, que era abordado por um grupo de rapazes. Rihito vinha de longe, mas já observava a cena e o louro parecia desconfortável. Ele pensou ter escutado alguém pronunciar "... que você é gay!" ao se aproximar deles.

– E se eu fosse, o que vocês tem com isso? — Ele indagou, aparentemente irritado.

Os rapazes riram enquanto se entreolhavam. Morgan bufou.

– Eu não tenho paciência com idiotas feito vocês.

– Ui, ela está brava!– Um deles caçoou, provocando mais risos entre o grupo.

– Morgan! — Chamou Rihito, agarrando seus livros fortemente, esperando tirá-lo daquela situação.

O louro olhou para trás e viu seu amigo. Seu coração encheu-se de alegria e alívio com sua chegada.

– Ah, Rihito! Que bom, vamos sair logo daqui.

Um dos meninos, ao ver o garoto de óculos, comentou surpreso, "Hey, mas a gente não tinha quebrado aquilo?" e foi repreendido pelo outro que parecia ser o líder deles com um tapa na cabeça. "Imbecil, ele pode te ouvir daqui." Depois este último rapaz virou-se para o louro e avisou-lhe:

– Esta não é a última vez que nos falamos, compreendeu? — E saiu, levando seu bando junto a ele.

Morgan coçou a testa, suspirando.

– O que houve?

– Vieram me infernizar... Alguém deve ter contado aquilo para eles...

Ele se referia a ser gay. Rihito parecia preocupado.

– Além do mais, você ouviu o que eles disseram no fim? Eu tenho quase certeza que foram eles que quebraram seus óculos! Esses desgraçados! — Morgan estava muito nervoso.

Isso também gerava revolta em nosso menino. Resolveram voltar aos dormitórios por enquanto.

–-- ♪ ---

Rihito retomara seu objetivo inicial. Desta vez entretanto nem teve de procurar muito, já encontrou Simon na entrada da floresta. Estava deitado ao pé de uma das árvores coníferas, dormindo. Realmente dormindo. Rihito aproximou-se lentamente e agachou-se ao seu lado. Ele observava toda compleição de seu companheiro, sua pinta mais especial, que era a de baixo do olho. Timidamente resolver acariciar seus negros cabelos bagunçados que enrolavam-se no gramado. Sentiu um calorzinho se expandindo em seu peito. Ele é lindo demais.

Simon acordou tranquilamente e sem nada dizer. Ainda tinha sono, mal abria seus olhos, parecia não ter muita firmeza em seus dedos ou pulsos, sua cabeça pendia um pouco para os lados. Gentilmente procurou o pescoço de Rihito. Deu-lhe uma mordida apenas e algumas lambidelas em sua ferida fresca a fim de parar o sangramento antes de voltar a dormir, pondo a cabeça em seu colo pela segunda vez.

Rihito surpreendeu-se. Como aquilo lembrava-o de uma gata que tivera enquanto criança! Ela teve filhotes e eles se amontoavam, desastrados e desajeitados para tomar-lhe o leite. Simon parecia tão frágil naquele momento como aqueles gatinhos. "Em que diabos estou pensando?" Subitamente ele se achou ridículo. "Eu nem sei quantos anos essa pessoa tem de verdade." Mas Simon estava visivelmente vulnerável. E ele era lindo.

Rihito respirou fundo, engolindo coragem pelo que iria fazer e encostou os lábios nos dele. Abraçou-o por debaixo dos braços e beijou-o, beijou-o de vontade própria. Queria sentir o gosto da boca de Simon. Só que para seu espanto, sua boca tinha gosto de sangue. Rihito não ligava mais, não era como se aquele sabor não fosse agradável também.

Notas finais
Rihito aos poucos descobrindo coisinhas novas de que ele gosta ( ̄▽ ̄)ノ