Dies Illa
16 Capítulo XV - Das Suas Mãos
Notas iniciais
Norman foi cedo à classe de Rihito e avisou-o para que ele passasse em sua sala depois. Desejava falar-lhe, foi o que disse.
"Ehh... O que será que o Sr. Norman quer com o geniozinho? Será que ele fez algo de errado? Eu queria saber! Oh, deve ter a ver com aquele menino que dorme com ele! Isso mesmo, aquele gay! Hahaha..."
Rihito cerrou os punhos. Como seus colegas poderiam ser tão inúteis? E aquele assunto particular de Morgan estava infelizmente se espalhando rápido demais.
–-- ♪ ---
– Sr. Norman? — O garoto batia em sua porta.
– Entre, por favor.
– O Sr. disse que queria falar comigo. — Rihito já sentia seus músculos tensionarem-se, sua voz era baixa e ele evitava contato visual, porém continuamente olhava seu rosto para não ser antipático.
Norman observava seus óculos fixamente e reconhecia-os daquela noite. Rihito sentiu suas costas ficando quentes, não conseguia decifrar as intenções do coordenador. Ele não o vira saindo pela janela aquele dia, certo?
– Sim, tenho um favor a te pedir. Você é um amigo próximo de um garoto chamado Simon, não?
Ao ouvi-lo pronunciar aquele nome, nosso menino sentiu um leve frio na barriga, como se tivesse recebido uma descarga de adrenalina. Nem sabia o que deveria responder.
– Sei que você é um excelente aluno, inteligentíssimo, aliás é o melhor dentre os primeiros anos!
Rihito agradeceu, acanhado. Seus olhos de serpente cintilavam vendo garotos tímidos e modestos como ele.
– Você então poderia levar as lições dos últimos dias para o Simon? — A voz de Norman era agradável e gentil — É que, você sabe, ele está suspenso.
Seus olhos azuis arregalaram-se. Não estava informado disso, eles nem eram da mesma classe.
– Levo sim, Sr. Norman.
– Obrigado, Rihito. Não poderia esperar menos do meu aluno preferido.
Norman não era seu professor, mas como ele que chefiava todos os outros, sentia-se no direito de considerar-se como tal.
– Oh, o que é isso em seu pescoço? Parece sério! — O coordenador mudara a gravidade de sua voz juntamente com seu semblante cínico.
Rihito olhou para todos os lados e tampou a ferida com a mão.
– Não é nada..!
– Não, deixe-me ver, Rihito!
Aquilo era uma ordem. Ele se aproximou e descobriu seu machucado para que Norman pudesse examiná-lo.
Quanta obediência, pensava o homem enquanto acariciava aquela ferida túrgida com cor de carmim que tanto se destacava de sua pele clara.
– Você sabe? — Ele finalmente disse, delicadamente colocando a franja de Rihito atrás de suas orelhas com os dedos — O Simon é meu sobrinho.
O garoto ficara boquiaberto. Não sabia daquilo também.
– Agora vá, leve-o suas anotações de sala. — Sua voz era novamente gentil.
Rihito teve a impressão de que Norman cuidava bem de Simon e era nisso que pensava até alcançar o seu quarto.
–-- ♪ ---
– Simon? — Ele chamava batendo à porta.
Era a segunda vez que fazia isso no mesmo dia.
– Eu vou entrar, tudo bem?
Será que ele não estava lá? Rihito girou a maçaneta e entrou no aposento apenas para flagrá-lo se tocando.
– Ah..! Rihi~to... É você, entre, entre..
Simon não parou apesar da visita. Rihito hesitou, completamente desconcertado. Regressou para o lado de fora e falou através de um vão da porta.
– Tenho que deixar minhas lições aí com você mas já vou-me embora! M--me desculpe atrapalhar!
Sentia que seu rosto poderia cair de tanta vergonha. Simon, impaciente com as negaças do companheiro, levantou-se da cama para puxá-lo pelos pulsos para dentro novamente.
– O que você quer?
Rihito arrancou seu braço bruscamente da mão dele. Ela estava... Grudenta?
– Ah, que horror! Você estava usando essa mão para se-- ! — Abaixou então seu tom de voz chocado para um sussurro zangado — Você encostou em mim com essa mão que estava usando pra se masturbar!? – Sentia como se seu pulso pesasse 200 quilos.
– E daí?
– E daí que... Hmm... — Ele vacilou, de bochechas vermelhas — É esquisito, isso não se faz!
Seus olhos azuis encontraram as pintas de suas pernas às quais ainda não havia sido apresentado.
– Esquisito é você querer esconder que faz isso.
Simon sentou-se ao lado de Rihito em sua cama para acabar o que estava fazendo. Beijava-o, enquanto afagava seus cabelos e movimentava sua mão dominante. Por alguma razão sua franja estava para trás, deixando suas orelhas expostas. Simon lambeu-as, descendo pelo maxilar, indo ao pescoço e até as clavículas, dando algumas mordidinhas pelo trajeto. Sua respiração ofegante arrepiava a pele de Rihito, que sentia cócegas estranhas a corroerem seu corpo.
Ao pressentir-se na eminência de ter um orgasmo, Simon virou-se para frente e usou ambas suas mãos. Seus movimentos tornaram-se interrompidos e mais suaves. Sua coluna arqueou-se, seus músculos retraíram-se, seus quadris empinaram-se e o garoto das pintas ejaculou, mirando em sua própria boca. Metade do esperma liberado escorreu pelo seu queixo e Simon se deitou, exaurido.
Rihito assistia, sentindo uma pontinha de nojo, mas quanto mais ponderava sobre o assunto, mais natural lhe parecia. Seus pensamentos embaralhavam-se em seu cérebro. Ele conseguia ver a virilha de Simon pulsar junto com seus batimentos cardíacos, era sua veia ilíaca que por ali passava.
Seus livros continuavam espalhados pelo chão.

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