Dias Imprevisíveis

38 Capítulo 38 - Medo


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Myle! Linda, adorei sua recomendação. Obrigada! Fic se aproximando do final, gente. Beijos!

‘Um suspiro em meio ao caos, tudo parece está perdido, mas fracamente a esperança de um dia melhor ainda persiste em está viva.’

–Claire!

Sem mais poder ignorar o chamado de Megan, parei virando-me para ela. Visivelmente insatisfeita, ela cruzou os braços e crispou os lábios.

–O que você está tentando fazer vindo aqui?

–Qualquer coisa que não me faça sentar e esperar o dia de amanhã.

Exasperada, Megan se encostou a parede, mantendo seu olhar fixo. –Você está dando um passo maior que as pernas. Sabe disso, não é?

Deixei o silêncio falar por mim. Megan estava coberta de razão, mas minha razão estava longe de se igualar a dela.

–Se uma de vocês não me dizer o que está acontecendo agora, vou embora imediatamente, e tenham em mente que levarei meu carro. – ameaçou Nicholas, tornando sua expressão exigente.

–Claire acha que, falando com Crash, Ethan estará livre dele. – explicou Megan enfatizando cada palavra.

–O quê? – Nicholas sorriu irônico e um tanto incrédulo. –Você acha mesmo que Crash é movido a palavras bonitas?

–Foi o que eu disse a ela. – conspirou Megan.

–Vocês não conhece Crash como eu conheço. Eu falei com ele, conheci um lado humano que outros podem não ter conhecido nele. – minha explicação serviu de piada. –Talvez o jeito dele seja somente uma camuflagem.

O mesmo assunto poderia ser debatido um milhão de vezes, Megan e Nicholas jamais mudariam suas opiniões. Mesmo eu não querendo admitir, a verdade dos meus amigos era mais realista que a minha. Crash não seria influenciado por meia dúzia de palavras minha, ainda que elas fossem inteiramente sinceras.

–Eu realmente acreditei que nós poderíamos fazer alguma coisa. – desabafei afogando minha crença na ilusão. –Vamos embora.

–Claire, a gatinha do Brooklin! – para minha surpresa, Crash apareceu diante de nós. –Megan, Nicholas, como estão?

–Bem. – responderam juntos.

–Veio acompanhar o garoto prodígio?

A pergunta dele encorajou-me a tomar outro rumo que não fosse a porta de saída.

–Vim falar com você. – respondi mortalizando o olhar de Megan.

–Estamos de saída, Crash. – disse Megan segurando meu braço.

–Tem um tempinho pra mim? – perguntei a Crash, sabendo que Megan tentaria me arrastar.

–Claro. – respondeu sorridente. –Vamos ao meu escritório.

–Claire...

–Tá tudo bem, Megan. – olhei-a determinada e sem mais delongas segui Crash.

Andamos até chegar ao único lugar que Crash considerava privado, seu carro. Antes de entrar nele, olhei em volta, constatando que Megan e Nicholas ainda estavam à minha espera.

–Faz um bom tempo que não nos vemos, certo?

–É. Acho que da última vez eu estava 'grávida'. – brinquei arrancando uma sonora gargalhada dele. –Tem muita gente aqui, talvez mais que o normal.

–Tem sim. Há um competidor novo nessa pista. É um garoto de vinte e um anos. Ambicioso, destemido, e com muita sede de adrenalina. – explicou com euforia. –O que te trouxe aqui?

–Minha necessidade de debater um assunto muito complexo com você. Acho que isso está claro, não é?

–Acho que sim e imagino que Ethan não sabe disso. – balancei a cabeça em afirmação. –Olha, você é a única pessoa que desperta muita curiosidade em mim. O que tá pegando?

Olhei-o sem saber por onde começar.

–É sobre Ethan.

Crash se remexeu no banco do carro, e agitado tamborilou os dedos no volante.

–Desde quando ele te mantém informada sobre nossos assuntos?

–Desde o momento que ele decidiu confiar em mim. – respondi entrelaçando os dedos. –Sei que é idiotice ter vindo até aqui falar com você sobre Ethan, mas eu tinha que tentar.

Crash sorriu, olhando-me de soslaio. –Por que você toma esse tipo de atitude por causa de uma pessoa? – perguntou mantendo seus olhos fixos nos meus.

–Por que eu o amo muito e não meço esforço para protegê-lo, mesmo que isso não esteja ao meu alcance. – Crash coçou o queixo como se estivesse avaliando minha resposta. –Sei que é ridículo dizer esse tipo de coisa a você, mas...

–Não é. Eu gosto da sua sinceridade. – confessou causando-me alívio. –Mas você sabe o que importa nisso tudo.

–Não, Crash, a única coisa que eu sei é que não posso perder Ethan para você ou para qualquer outro que faça parte dessa sujeira. – falei sem mais conter minhas palavras. –Ele não é um dos seus, você sabe muito bem disso, ainda assim...

–A dívida...

–Uma dívida impagável, não é? – indaguei com ironia. –E pelo quê? Por uma coisa que você chama de palavra? – Crash desviou o olhar. –E a sua palavra? Que valor ela tem nisso?

–Controle-se, Claire. – pediu calmamente, mas seu olhar era frio. –Não sei por que estou te dando ouvidos. – reclamou levemente irritado. –Você não passa de uma garota apaixonada, que encara o mundo de uma maneira errada, chora, sorri, e mantém suas próprias crenças ridículas. Eu realmente não deveria está ouvindo e falando tantas bobagens.

Naquele momento percebi que minha ideia assombrada não passou de um sonho fictício. Não havia mais nada para fazer. Não estava e nem nunca esteve ao meu alcance penetrar um pedacinho daquele mundo.

–Desculpe. – respirei fundo, pronta para sair do carro.

–Espere. – Crash segurou meu braço, impedindo-me de sair. –Ainda não terminamos.

Ele vestia uma fria e dura armadura, mas eu não conseguia enxerga-lo como um cavaleiro mal. Em algum lugar Crash havia deixado seu sorriso simples e passara sorrir com ironia e sarcasmo.

–Essa será a última corrida de Ethan para mim. – revelou deixando-me atônita. –Eu pensei que a ambição dele fosse engoli-lo por inteiro, mas ele fora o único que se manteve lúcido diante de tanta sujeira. É realmente um grande desperdício dispensá-lo, mas sou um homem de palavra. – enfatizou sabendo que eu pensava o contrário. –Além disso, a polícia e algumas pessoas andam na minha cola. Preciso respirar longe de New York.

–Isso significa que...

–Hey! – interrompeu-me. –Eu não te disse nada. – sorri balançando a cabeça. –Vá.

Apressei-me a sair do carro, mas antes, dei um rápido abraço em Crash.

–Obrigada.

–Eu já disse para você ir. – resmungou sentindo-se desajeitado com o abraço repentino.

Com o coração batendo fortemente em alívio, saí do carro, respirando como há tempos não fazia. Em passos curtos – e no rosto carregando um grande sorriso –, prosseguir pensativa.

–Eu disse que iria te achar, Crash!

Olhei para trás, ouvindo aquela voz grave. Como os flashes de várias câmeras fotográficas, diversos tiros foram disparados contra o carro que eu estive a pouquíssimos segundos. Fora muito rápido até a sensação de pânico se alastrar por todo canto. Por uma curta fração de tempo, aliados de Crash revidavam o ataque.

–Abaixe!

Meu corpo imóvel fora agarrado bruscamente e jogado ao chão. A voz grave de Ethan perambulou meus sentidos, despertando-me do transe ocasionado pela mortífera cena. Completamente desesperada, por que eu tentava em vão controlar minhas emoções, fechei os olhos fortemente, agarrando-me a Ethan com urgência.
Quando os tiros finalmente cessaram, gritos desesperados ecoaram por todas as direções. As pessoas corriam de um lado a outro, fugindo em seus carros, ou a pé.

–Temos que ir.

–Mas... – Ethan levantou-me bruscamente e eu o segui correndo, sem saber aonde iríamos.

–É uma questão de tempo até a polícia chegar. – explicou abrindo a porta do seu carro.

–E Megan e Nicholas? – perguntei acomodando-me no banco.

–Não temos mais tempo!

Visivelmente nervoso, ele ligou o carro, tirando-nos do lugar que cheirava a sangue.

&&&&*&&&&

Em um lugar desconhecido para mim, e um pouco desertado, Ethan parou o carro. Olhei-o de esguelha e fora a primeira vez que o vi com as mãos trêmulas.

–Meu Deus! Meu Deus! – levei as mãos ao rosto, fazendo o possível para controlar o resto da minha sanidade. –Preciso respirar!

Deixei o carro desesperadamente, antes que eu sofresse um desmaio. Ethan saiu do carro e se aproximou de mim.

–O que tenho que fazer para mantê-la quieta em um lugar, droga? – gritou segurando-me pelos ombros. –Por que você foi vê-lo?

–Você está irritado por algo tão bobo! Crash está morto agora e sabe Deus quantas pessoas também não morreram!

–Algo tão bobo? – indagou incrédulo e na urgência de resposta apertou mais meus ombros. –Você teria morrido com ele se não tivesse saído daquele carro a tempo! Qual é seu problema, garota?

–Você está me machucando!

Ao ouvir minha reclamação, Ethan soltou-me, e manteve certa distância entre nós. Sentindo-me emocionalmente exausta, cambaleei.

–Claire? – Ethan amparou-me. –Você está bem, certo?

Preocupado, ele examinou as partes visíveis do meu corpo, certificando-se de que eu não estava machucada.

–Francamente! – resmungou pegando-me no colo. –Você me deu um tremendo susto!

&&&&*&&&&

Ainda de expressão irritada, Ethan adentrou o quarto, carregando uma xícara fumegante.

–Seu chá. – disse evitando firmar seu olhar no meu.

–Obrigada. – desajeitada, peguei a xícara. –Como você sabia? – perguntei chamando a atenção dele. –Como você sabia que eu estava com Crash.

–Megan me procurou e revelou suas ideias descabidas. – confessou em tom irritado. –Sinceramente, achei que eu não poderia encontra-la com vida.

–Por causa...

–Não. Eu não sabia que àqueles homens iam está lá essa noite. Simplesmente, acreditei que Crash se cansaria de você. – explicou com frieza. –Por mais assombroso que seja pensar dessa forma, foi a realidade que você se colocou. – confessou angustiado. –Eu pedir inúmeras vezes para você não se meter nisso, mas você ignorou tudo o que eu lhe disse.

–Eu...

–Pensando em quê? – indagou irônico. –Em me ajudar? – ele sorriu com incredulidade. –Se eu quisesse sua ajuda, já teria pedido há muito tempo, não acha?

–Ah! Realmente eu acho. — as lágrimas caíram impiedosamente. -Eu acho que você nunca vai me incluir inteiramente em sua vida!

–Se você ter um pouco mais de paciência... perceberá que já estou fazendo isso.

–Claire?

Ao lado de Nicholas, Megan adentrou o quarto.

–Graças a Deus vocês estão bem! – trêmula, Megan me abraçou.