Dias Imprevisíveis

37 Capítulo 37 - Afrontando o destino


Notas iniciais
Demorei, gente, mas o capítulo saiu. Estamos na reta final da fic. Beijos!

‘Nós escrevemos nosso destino ou o destino escreve nossa história?’

Meus dedos se movimentavam nos botões da camisa xadrez de Ethan, e meus olhos concentravam-se nos últimos raios de sol. Eu podia ficar de frente aquela janela por longas horas; cercada de devaneios que me levavam a velhas, e recentes lembranças.

–Ainda está com fome?

Virei-me para trás, e deparei-me com Ethan, tentando vestir uma camiseta sem deixar que o celular caísse.

–Um pouco. – respondi.

Ouvindo minha resposta, Ethan pôs o telefone na orelha.

–Peça sim. Claire está faminta. – disse olhando-me de soslaio.

–Está falando com quem?

–Megan.

–Oi, Claire! – gritou Megan fazendo Ethan jogar o celular na cama.

–Oi, Megan.

–Pedi comida mexicana para nós. Vem logo senão o Nicholas vai comer os pratos.

Sorri. –Ok. Chego aí daqui a pouco.

Ethan fazia planos diferentes dos meus. Eu pretendia ir à cozinha e jantar comida mexicana, Ethan iria ao outro lado da cidade, arriscar-se dentro de um carro turbinado.

–Você precisa ir mesmo naquele lugar?

–Minha vida ainda está naquele lugar. – respondeu dando uma leve bagunçada no cabelo molhado.

–Eu vou com você. – falei determinada, mas pelo olhar interessante de Ethan, eu estava longe de ser inclusa naquele programa. –Por que está me olhando assim? Eu já fui lá uma vez. Estou longe de sofrer um ataque cardíaco quando o ronco potente do seu carro soar na pista.

Ethan parecia pensar no meu caso, embora eu já soubesse que ele se oporia.

–Não é uma boa ideia.

–Por que não? – indaguei indo a ele. –Eu poderia ser como àquelas garotas que determinam a largada. – parei de frente a ele. –Acho que não existe regulamento para esse tipo de coisa, não é? – brinquei. – O que preciso fazer? Ser sexy e destemida?

–E dormir com os organizadores. – disse fazendo-me rir. –Nem pensar!

–Claro que eu não quero ir lá e mostrar meu bumbum em um shortinho apertado. Eu quero torcer por você.

–Faça isso aqui. – falou afastando-me de lado, depois se levantou olhando o relógio. –Vou acabar me atrasando.

Encostei-me a cama, observando cada movimento que ele fazia. Até certo momento, permaneci tranquila, como alguém que já estava cansada de encarar a mesma rotina. Mas a intriga era insaciável.

–Sério, Ethan, eu vou com você. – ouvindo tanta determinação em meu tom de voz, seu olhar caiu sobre mim cansativo. –Eu não vou ficar aqui sentadinha e esperar pacientemente por você.

–Claire...

–Além do mais, você não impedia Sarah de acompanha-lo.

–É diferente.

–Então, explique como. – exigir cruzando os braços.

Exasperado, Ethan jogou a mochila nas costas, chegou o mais perto possível de mim, e, encerrando o diálogo, beijou minha testa rapidamente.

–Eu volto.

Aquela simples frase carregava outra ‘até amanhã’. Ele não mais olhou para trás, apenas bateu a porta e deixou o quarto; trazendo-me de volta à realidade de ter ficado com a angústia ao invés dele.

–Ethan!

Chamei por ele, abrindo a porta impetuosamente. Aumentei os passos pela casa, até chegar à sala, onde vi a porta de entrada ser fechada bruscamente.

–Por favor, não me diga que vocês brigaram novamente. – pediu Megan entrando na companhia de Nicholas.

–Não brigamos. – suspirei desabando no sofá. –Bem, eu acho que não foi uma briga. Eu só queria ir com ele naquele lugar de disputa. Só isso.

–Você está namorando o cara que leva às regras ao pé da letra. – comentou Nicholas. –Regras dele, obediência sua.

–Que ideia machista! – reclamou Megan.

–Acontece que estou a fim de burlar quaisquer regras que Ethan Scott impor. – Nicholas olhou-me com intriga. –É uma regra minha e ele aceitou.

–Mandou bem, garota! – disse Megan com euforia. –Vamos esquecer meu irmão querido agora e atacar a comida que...

–Nicholas, me empresta seu carro? – perguntei interrompendo Megan que, surpresa, observou-me fixamente. –O que foi?

–Nada, mas... Você é uma boa motorista?

–Acho que desde que eu fiz quatorze anos. – respondi a Megan. –Meu pai achou que eu era muito responsável, por isso, me pôs ao volante bem cedo.

–Você não tem cara de quem dirige bem. – duvidou Nicholas com muita intriga. –Além disso, estou trabalhando duro no meu carro, em breve ele será uma máquina.

–Sua resposta é?

–Não, é óbvio! – respondeu Nicholas voltando à cozinha.

–Só estou pedindo seu carro emprestado, não vou assaltar um banco com ele. – tentei convencê-lo enquanto o seguia.

–Será muita irresponsabilidade minha. – concluiu Nicholas firme em sua decisão.

–Claire... – Megan segurou meu braço. –Fale a língua dele.

–Foi o que imaginei. – pisquei para ela. Sorrateiras, ficamos frente a frente com nosso alvo. –Nesse caso, estou disposta em alugar sua máquina.

Nicholas parecia tentado pela proposta. –Alugar, é? – indagou visivelmente interessado. –Quanto?

–Duzentos dólares.

–Isso é mixaria. – disse ele desiludido.

–É o que um taxista nos cobraria, idiota. – retrucou Megan.

–Sendo assim, vão de táxi. – deu de ombros mostrando que o lance baixo não o agradava.

–Trezentos dólares. – insisti.

–Quinhentos e não tocamos mais no assunto. – ofertou sabendo que eu toparia.

–Tudo bem. Quinhentos dólares e o carro será meu por essa noite.

–Certo, mas eu dirijo.

–Nem vem. O carro será meu por essa noite e eu quero a chave dele na palma da minha mão. – exigir arrancando um suspiro agoniado de Nicholas. –É pegar ou largar.

–Tá! Você venceu! – afirmou entregando-me a chave do carro.

–Você foi ótima, Claire!

–Obrigada, Megan. Alguém aí quer uma carona?

&&&&*&&&&

Por volta das oito e meia da noite, chegamos ao nosso destino. Nicholas estava muito prestativo, temia um arranhão no carro que ele considerava uma máquina, entretanto, meu desempenho ao volante acabou afastando seus temores íntimos.

–Legal, chegamos sãos e salvos! Agora, aonde vou deixar esse carro? – indaguei olhando em volta.

–Perto da largada. – respondeu Nicholas. –É confiável, eu já fiz isso.

–E como chegaremos até lá? – perguntou Megan.

–Tem um esquema, mas para isso, preciso dirigir meu possante.

–Tudo bem. Vou emprestar o carro um pouco. – falei.

Pegamos o tal atalho mencionado por Nicholas que, sem dúvidas, conhecia bem o lugar onde estávamos nos enfiando. Acabou que não se tratava de um lugar iluminado e privilegiado. Era um espaço meio escondido e escuro, que começava a encher de carros.

–Da pra ver os apostadores daqui.

–É verdade, Megan. Olha lá! Ethan está com Crash. – apontei avistando-os há dez metros de distância. –O que podem está conversando agora?

–Dinheiro. Dinheiro. E mais dinheiro. – falou Nicholas chamando minha atenção. –Cuidado com a chave.

–Eu já disse que sou responsável.

–Não tenho mais dúvidas quanto a isso. – confessou Nicholas saindo do carro. –Vamos nos separar, certo?

–Isso aqui não é uma missão, primo querido. Vamos ficar todos juntos.

–Qual é, Megan? – reclamou Nicholas com cara de choro. –Preciso falar com uma garota porto-riquenha que trabalha aqui.

–O que ela faz? É uma estripe? – indagou arrastando Nicholas pelo braço. –Precisamos de guarda-costas e você é nosso único candidato.

–Gente, Crash está se afastando da multidão. – falei seguindo os passos do homem que não parecia está animado. –Ethan também se afastou, mas seguiu direção oposta.

–O que é isso, Claire? Estamos seguindo o Crash?

–Eu preciso falar com ele, Megan.

–Podem parar aqui! – disse Nicholas em voz alta, obrigando-nos a parar. –O que diabos viemos fazer aqui?

–Pergunte a Claire. – falou Megan virando o rosto.

–Não vamos fazer nada demais. Aliás, eu não vou fazer nada demais. Não querem me seguir, ótimo! Eu vou naquela direção.

–Vamos com ela, Nicholas.

Megan arrastou o primo novamente.

–Legal! Vou cobrar das duas setecentos dólares!