Dias Imprevisíveis
27 Capítulo 27 - Planos para encontrar um namorado fujão
Notas iniciais
'Até onde testamos nossos limites?'
E, na manhã seguinte, lá estava eu, deitada entre lençóis emaranhados, e sem companhia.
Ciente de que Ethan não estava mais no quarto, sentei na cama, esfregando os olhos, e com um pingo de esperança acendendo minhas emoções, olhei para todos os lados. Como eu temia, meu namorado implicante tinha se mandado novamente, e nem mesmo um cartão de despedida havia deixado.
Depois de alguns minutos, sentada no mesmo lugar, resolvi deixar o quarto –, principalmente pelo fato de que o perfume de Ethan Scott ainda exalava seu cheiro no cômodo, e no meu corpo.
–Bom dia, amiga!
Deparei-me com Megan saindo do banheiro. Parecia feliz, bem disposta, e agitada.
–Bom dia. O que faz aqui tão cedo?
–O que quer dizer com tão cedo? – perguntou entrando no quarto.
–Que horas são? – a segui. –Dez horas?
Megan sorriu. –Pois é. Voltei para casa às sete da manhã. Jason voltou à Los Angeles e eu corri para cá.
–Uh.
Abri a janela, encarando a rua, e pensativa apreciei a visão matutina.
–Será que agora devo acreditar que você e o Ethan...
–Ainda não.
–O quê? – chocada ela se levantou da cadeira, e na pressa derrubou o estojo de maquiagem, mas só havia uma coisa capaz de lhe roubar a atenção naquele momento. –Você saiu do quarto dele. Eu vi.
–Eu também estive lá há dois meses e saí do quarto dele pela manhã. Mas não fizemos nada demais senão dá uns amasso.
Como eu estava estressada, acabei alterando a voz.
–Desculpe. – passeei as mãos no cabelo e um pouco agressiva apertei as madeixas, castanho claro, com força. –Ethan me pediu em namoro ontem à noite.
–Estou muito feliz por vocês dois. Mas você não parece animada. – levantei a cabeça para vê-la e a primeira coisa que visualizei foi a dúvida estampada nos olhos dela. –Era o que você queria, certo?
–É. Eu finalmente tenho o namorado dos meus sonhos: alto, bonito, inteligente, e gosta de mim. Agora vem o lado imperfeito do meu namorado fantástico: aventureiro, sarcástico, rude, mal humorado, e invisível quando quer. – Megan riu. –Ontem, enquanto conversávamos abraçados, ele disse que queria passar mais tempo comigo antes de partir. E eu, com cara de namorada magoada, caí na besteira questionar as duas semanas que ele passará fora. E meu namorado já emburrado, perguntou nada delicado: Você disse sim à minha vida, certo? Ele só faltou dizer que estávamos juntos há cinco horas e eu já estava bancando a namorada chata.
–Ele dita as regras dele para não ser cobrado depois. É como um manual de autoaprendizagem, só que o conteúdo é o que eu gosto e não gosto num relacionamento.
–Claro. Assim não posso exigir nada dele. – desanimada caí sobre a cama encarando o teto. –Sabe o que parece?
–O quê?
–Um relacionamento aberto.
–Eu nunca tive um relacionamento aberto, mas tenho certeza que não é o caso de vocês. – disse Megan recolhendo os produtos de beleza do chão. –O fato de Ethan sair por aí não quer dizer que ele esteja livre e solto. – ao recolher a bagunça ela voltou a se maquiar. –Não esqueça a regra mais importante quando está se relacionando com alguém: confiança.
Aquela regrinha não poderia passar despercebida, entretanto, eu tinha que encarar o fato de que eu ainda era amadora naquela área de relacionamento. Embora a vida de Ethan fosse de aventura e sem paradeiros, havia algo que me fazia acreditar em tudo o que ele dizia. Talvez fosse a firmeza do olhar, ou a sua seriedade excessiva. Poderia ser os dois.
–Eu confio nele. – falei convencendo-a. –Eu só toquei nesse assunto por que foi o que pensei e... –, e outro pensamento me ocorreu. –Se ele não quer que eu saiba de sua vida lá fora, não deixarei que ele fique sabendo da minha.
–Oh! – abismada e divertida, Megan se virou em abrupto. –Claire você é um gênio! Isso com certeza o deixará frustrado, mas é uma maneira dele perceber que está sendo egoísta!
Frustrado ou não, meu namorado conheceria meu lado implicante. Ethan provaria do próprio veneno.
–Se ele ligar, você diz que não sabe aonde eu fui.
–E se ele perguntar se você não me disse aonde iria, vou dizer que você adotou o hábito de sair e não dizer para onde vai.
Parecia uma diversão em forma de troco, mas para Ethan, talvez ele visse uma guerra. Guerrilheira ou não, eu estava pronta para confrontá-lo.
–Onde será que ele está agora?
–Talvez em New York ainda. Quem sabe cruzando fronteiras. Ou pode ser que esteja na Nova Jersey.
Não tínhamos ideia de onde, exatamente, poderia está Ethan às dez e meia da manhã, mas eu sabia quem tinha aquela informação.
–Megan?
–Uh?
–E se... – aproximei-me dela, concentrada nos cachos do cabelo. –E se eu ligar para o Crash e perguntar sobre o paradeiro do seu irmão?
–Legal. Mas o que você quer fazer? – perguntou com desconfiança.
–Poderíamos sair por aí...
–Meu Deus! Amiga, eu sei que eu estaria louca no seu lugar, mas pense como a rainha Elizabeth. Respire e raciocine friamente. Calculosamente.
–Qual é o problema?
–Você está ficando obcecada!
Suspirei desanimada. Será que Megan estava certa? Não. Eu só não conseguia acreditar que Ethan fora capaz de fazer comigo o que ele fazia com todos: sumir e não dá notícias. Mas o que Claire Lewis queria, afinal? Está no topo da pirâmide da vida do namorado? Sim. Eu queria. Mas aquela não era minha realidade no presente momento. Então, seguindo o conselho de Megan, pensei como a rainha Elizabeth.
–Foi uma ideia boba.
–Pensei a mesma coisa. – disse vasculhando a bolsa assim que o celular começou a tocar. –É o Ethan!
–Ligando pra você? – corri para perto dela.
–Oi, maninho. – eu fazia de tudo para ouvir a conversa. –O celular da Claire? Caindo na caixa postal?
–Esqueci de carregar! – cochichei me afastando. –Diz que eu sair!
–Ela saiu. – Megan olhava-me com cara de quem queria rir. –Não sei para onde. Mas não se preocupe. Você também sai e nunca diz onde está, não é?
Rimos juntas.
–Pode deixar. Eu falo pra ela. Ah! Onde você está? – perguntou casual. –Você poderia me contar, afinal... Filho da mãe! Ele desligou.
–O que ele queria?
–Não sei ao certo, ele nunca entra em detalhes. Mas eu acho que ele ligou para te dá um beijo.
–Fizesse isso comigo acordada. Ele preferiu sair nas pontas dos pés.
–Concordo com você! Não é bom dá moleza. – espreguiçou-se indo à porta. –Vamos tomar café?
–Eu vou tomar banho primeiro.
–Ok. Vou esperar você na cozinha.
Eu pretendia mesmo tomar banho, degustar um belo café da manhã, mas no trajeto das minhas ideias, fui contagiada por outra ainda maior. Em meio à dúvida, decidi pegar meu telefone e entrar em contato com certa pessoa.
–Alô?
–Oi, Crash. É a Claire.
–Minha boneca do Brooklyn! – literalmente ele gritou. –Tenho que falar baixo senão alguém pode me ouvir.
–Esse alguém é o Ethan?
–Pois é, gata. Desde aquele mal entendido ele não confia tanto em mim.
–Então, vocês estão juntos?
–Estamos, mas se você ligou atrás do nosso endereço...
–Eu preciso com muita urgência, Crash. Por favor.
–Dessa vez não posso ajuda-la, gata.
–Mas... – eu tinha que pensar numa boa desculpa antes que ele desligasse. –Eu tô grávida!
–Grávida?
–Sim. – fechei os olhos por questão de segundos. –Ethan ainda não sabe, por isso eu... Eu quero contar a ele.
–Ah! Aquele safado! – resmungou outras coisas que eu não entendi. –Tudo bem. Um filho é um filho.
Comemorei minha boa sorte ou, futuramente, minha catástrofe.
–Estamos na Nova Jersey, mas amanhã partiremos para Delaware. Mando o endereço por SMS.
–Obrigada, Crash. Por favor, não conte nada sobre o bebê.
–Se o bicho pegar, nunca nos falamos.
–Entendi. – desliguei o telefone.
–Claire? – Megan voltou ao quarto. –Com quem estava falando?
–Eu estava cantando. – e, finalmente, acabei encontrando minha toalha de banho e um roupão. –Megan, e se fôssemos passear amanhã?
–No shopping? – perguntou animada.
–É. Eu vi umas liquidações maravilhosas no...
–Pode contar comigo!
–Só tem um problema.
–O que é?
–Vamos ter que levar o Nicholas.
–Por quê?
–Por que ele tem carro e se pedirmos emprestado ele não vai nos emprestar.
–Então vamos de táxi ou...
–Coitado. A gente nunca o convida pra sair. É por isso que o pobrezinho tem a garota chata da boate como amiga.
–Ele tem amigos.
–Megan!
–Tá bom! Vamos levar aquela peste.
Eu só precisava fazer três coisas: convencer Nicholas a dirigir até Delaware. Manter Megan tranquila. E rezar para Ethan não estrangular nós três.
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