Dias Imprevisíveis

26 Capítulo 26 -Impáctos


Notas iniciais
Oi, gente! Capítulo postado já que não saí de casa hoje. =( Mas escrevi! =D Boa leitura!

‘Vítimas ou culpados? Que tipo de julgamento a vida nos condena?’

–Francamente...

Aborrecido com a visão do pai ali, Ethan preferiu ficar na janela a deixar à mostra sua frustração de filho.

–Eu não tinha certeza que viria mesmo, mas... me senti preso ao mesmo escritório de quase dezesseis anos e... vim respirar um pouco nesse velho apartamento.

Nathan se explicou ao filho, mesmo sabendo que Ethan não estava atento às suas explicações. Na verdade, seu primogênito o ignorava a qualquer custo, salientando o mau entendimento entre eles.

–Meu filho não me dá trégua um dia sequer! – confessou virando-se para mim. –Fale-me sobre você, Claire. – simpático, ele ofereceu-me bombons recheados.

–Obrigada.

O clima era péssimo. Era como está dividida entre o bem e o mal, com a única diferença que eu não sabia quem era o mocinho e quem era o vilão.

–Sou de Houston e estou em New York há quase quatro meses. – seus olhos castanhos olhavam-me atentos e seus lábios pareciam querer sorrir em meio a minha narrativa. –Graças a Megan... – disse o nome de sua filha com certo receio, sem saber que tipo de reação lhe provocaria. E eu não estava enganada. Ao ouvir o nome da filha, um brilho magoado nasceu em seus olhos e, quase disfarçadamente, ele encarou o tapete. –, ela insistiu que eu viesse para cá, mais pelo fato de ela achar que eu estava ali por ordem do destino do que minha falta de sorte na vida, e acabei cedendo ao seu desejo.

–Uh. – a caixa de bombons fora sua escolha. –Como ela está?

Não havia muita emoção em sua pergunta, o que me levou a crer que o senhor Bryton sustentava a todo instante seu entusiasmo ao falar dos filhos.

–Bem...

Nada à vontade para ser um informante, olhei com agonia as costas de Ethan, pressentindo que não era uma boa ideia falar de Megan ao pai, ou sobre qualquer outro Scott.

–Diga a ele, Claire. – Ethan virou-se para nós, com a expressão petrificada em amargura. –Quem sabe ele não se sente menos culpado.

Nathan não pareceu surpreso. Pelo semblante pacífico, embora seus olhos demonstrassem ansiedade, cada palavra e ação esperada do filho, eram premeditadas para ele. Cruzando a sala duramente, Ethan deixou o apartamento, e só havia um lugar para ele ir quando queria estar sozinho: seu refúgio.

–Aceita um bombom de licor?

–Estou satisfeita. Obrigada.

O clima pesou sobre nós novamente e meu desconforto aumentou. Agora era meu sogro e eu naquela sala enorme.

–Você deve conhecer muito bem a personalidade do meu filho e sabe como ele age em situações como esta. – disse inclinando as costas no sofá e cruzou as pernas. –Eu deveria culpa-lo por ter esse tipo de comportamento? Não. Eu tenho que sobreviver à desculpa de que sou responsável por vê-lo em desafeto comigo.

–Ele o ama.

–Como disse?

Encolhi os ombros ao ter sua atenção, principalmente pelo fato de eu ter revelado algo tão pessoal.

–Pode não parecer, mas Ethan o ama.

–Realmente não parece, mas eu não o culpo. Você deve ter ouvido histórias desse pai desalmado e o quanto ele fora ausente na vida de seus filhos, e como de fato ainda é. – respirou pesadamente, um tanto inquieto. –Mas deixe-me dizer-lhe que eu os amo, apesar de eu nunca ter adquirido a sabedoria de demonstrar isso.

–Ainda há tempo.

–Para mim? – perguntou com um sorriso triste. –Sinto em desapontá-la, mas não tenho a mesma esperança.

–Parece que ter esperança não é um ponto forte dessa família.

–Então, você já os conhece bem.

–Perfeitamente bem.

Ele sorriu.

–Diga-me, querida, como está Megan e Melissa?

–Estão ótimas.

–Não está falando isso para encobrir suas situações reais, não é? – indagou duvidoso. –Refiro-me ao fato de Megan está presa àquela casa por causa do vício de Melissa.

–Oh! Não senhor. Graças a Deus Melissa está se tratando, está prestes há completar dois meses na clínica de reabilitação. O senhor pode imaginar a felicidade de Megan.

–Claro. Até eu estou feliz. – pensativo, ele suspirou alto. –Provavelmente, você só têm ouvido os piores momentos de Nathan Bryton e sua família. Mas também houve momentos bons entre nós.

Ele estava certo. Nada ouvi sobre os bons momentos daquela família.

–Não sei ao certo quando Melissa e eu mudamos, mas sei que fomos covardes em deixar que os problemas dominasse nosso dia a dia. – ele esticou-se todo para trás, até alcançar um porta-retratos. –Éramos perdidamente apaixonados. – confessou com o olhar triste sobre a foto. –Fazíamos planos até para dormir. – ele sorriu. –Melissa era uma mulher forte, independente, apaixonada pela vida, e pela família. Eu a admirava, assim como ela também me admirava. – olhou-me mergulhado na nostalgia. –Tudo acabou, mas as boas lembranças ficaram.

Que tipo de ressentimento ainda o consumia? A existência da sombra daquelas lembranças ou o tempo que passara depressa para ele?

–Desculpe-me. Eu não deveria tomar seu tempo desta forma.

–Eu gostei de ouvi-lo.

–Mesmo? – sorriu surpreso. –Engraçado por que nem mesmo meus melhores amigos aturam minhas dores. – sem mais olhar a foto, deixou o porta-retratos no mesmo lugar. –Vá atrás do Ethan, minha querida. Ele já deve está impaciente.

Levantei-me e ele fez o mesmo.

–Foi um prazer conhecê-lo, senhor Nathan. – estendi a mão.

–Igualmente, Claire. – sorridente, cumprimentou-me pela segunda vez. –Eu adoraria vê-la novamente.

–Oportunidades não faltarão. – peguei a bolsa e a acomodei no ombro.

–Conte-me onde Melissa está internada. Eu gostaria de mandar um buquê de tulipas brancas para ela, são suas preferidas, e escrever poucas palavras em um cartão.

–Flores também resistentes, como ela.

–Ótima observação. – arrumou-me uma agenda e uma caneta. –Não a vejo há muito tempo. Mal sei o que devo escrever.

–As palavras surgirão no momento exato. – entreguei o endereço da clínica a ele. –Desculpa por...

–Está tudo bem. Eu já havia me esquecido disso há muito tempo.

–Obrigada. Boa noite, senhor Nathan.

–Boa noite, Claire. – levou-me à porta.

Sozinho e pensativo; assim encontrei Ethan em seu cantinho especial. Aproximei-me dele, sem fazer ruídos, e perto o bastante abracei suas costas.

–É loucura eu dizer que gostei do seu pai?

–O que ele fez para conseguir isso? Passou de pecador para vítima?

–Não seja tão duro com ele. – como se fosse possível. –Ele me pareceu sincero e extremamente ressentido.

–Esse é o jeito dele. Não se deixe comover tanto. – com a expressão ainda séria, ele se virou. –Vamos embora?

–Sim. Eu já me despedi do seu pai.

A informação de nada serviu para Ethan que, aumentando os passos, estava deixando bem claro que não tinha a mesma intenção.

&&&&*&&&&

Saí da cama sabendo que o sono não viria facilmente e nem mesmo Megan eu tinha por perto para distrair-me. Eu só tinha uma ideia para não passar a noite em claro: ir ao quarto de Ethan. Era loucura tomar aquela iniciativa. Mas o que eu faria de errado? Tímida como eu era, no máximo trocaria alguns beijos e viria a dormir em seguida.

Sinceramente, aquela era minha única intenção.

Abri a porta do quarto sorrateiramente e do mesmo jeito fechei esta. Em passos cuidadosos, por que o quarto estava mal iluminado, tomei cuidado para não tropeçar nos objetos pequenos.

–O nome disso é invasão.

Sonolento, Ethan ligou um abajur.

–Eu digo que é insônia. – aproximei-me encabulada. –Posso ficar aqui? Eu prometo que não vou perturbar seu sono.

–O que há dessa vez? Saiu um monstro do seu armário? – perguntou afastando o cobertor para eu entrar debaixo dele.

–Quando fico muito impressionada ou penso demais em alguma coisa costumo perder o sono. – deitei a cabeça confortavelmente no braço dele.

–Ainda pensando em Nathan Brytan?

–O que posso fazer se tenho um coração mole? – levantei a cabeça, flagrando-o com os olhos fechados. –Estou te incomodando, não é?

–Não é nada disse. Só estou cansado mentalmente. – seus olhos se abriram. –Eu sei que você quer continuar onde paramos...

–Não! – o interrompi envergonhada. –E-Eu não vim aqui para isso. – será que ele acreditaria? –Eu só queria...

–Tudo bem, Claire. Eu acredito em você. – abraçou-me dando um sorrisinho. –Mas se você quiser... – apertou minha cintura, trazendo-me para mais perto. –, podemos continuar de onde paramos.

Seus lábios capturaram os meus; sua mão levemente apalpou meu seio.

–Ethan... – murmurei entre o beijo. –, por favor.

Toquei seu braço delicadamente, afastando-o de mim.

–Eu só queria ficar mais tempo com você antes de partir amanhã.

Encarei-o petrificada.

–Amanhã?

Ele suspirou, deitando-se ao meu lado.

–Não faça essa cara. Você já conhece minha rotina.

–É que... – engoli a seco. –, é estranho já que sou sua namorada agora.

Ele abraçou-me, fazendo-me esconder o rosto no seu pescoço.

–Eu volto em duas semanas.

–Tudo isso? – perguntei levantando a cabeça para fita-lo.

–Ora! – seu olhar era meio impaciente. –Você disse sim a minha vida, certo?

–Desculpe. – o beijei com demora. –Sem mais perguntas.

–Ótimo. – satisfeito ele desligou o abajur.