Dias Imprevisíveis
25 Capítulo 25 -Sim ou não para a felicidade?
Notas iniciais
‘E fora com as pernas trêmulas e o coração acelerado, que descobri que o amor não têm regras’.
O que estávamos fazendo de errado? Por que às vezes nos entregávamos facilmente um ao outro e, outras vezes, deixávamos nossas próprias regras ditar nossos limites?
Eu estava dividida dentre tantas questões e o fato de que, as respostas estavam nítidas, me impulsionavam a fazer algo que nos tirasse daquele labirinto conflituoso.
–Concordamos em nos manter afastados, então... – encostei-me ao carro. –Por que não conseguimos manter nossa palavra?
Pensativo, Ethan se aproximou. –Temos química?
–Química? – indaguei, olhando-o como se quisesse ler seus pensamentos. –Acho que é mais que isso.
Realmente eu não queria trazer aquele mesmo assunto à tona, mas algo tinha que ser feito, e aquele era o momento definitivo.
–Tá legal. – respirei fundo, sob o olhar atento dele. –Por que você não quer se jogar nesse sentimento de vez? Por que foge de mim e está sempre voltando?
–Eu já expliquei meus motivos.
–Ah! Você não quer se prender a ninguém. Não gosta de ser cobrado. Não suporta uma vida caseira. Não se perdoaria se me fizesse sofrer. Mas é incrível como você já está atolado nisso até o pescoço, embora aja como se não percebesse, e não assume isso de jeito nenhum!
Nada discretas algumas pessoas lançaram olhares curiosos a nós.
–Vamos sair daqui. – Ethan entrou no carro, esperando que eu fizesse o mesmo.
A frente daquela boate não era um bom lugar para falar de coisas tão íntimas e ter um pouco de privacidade. Por isso, mesmo sem querer ir com ele, acabei entrando no carro, e fui levada para um lugar calmo, não muito longe dali.
O carro fora estacionado, assim como minhas palavras que, no rápido percurso, acabei as esquecendo.
–O que você quer que eu faça?
Seus olhos estavam sobre mim, mas não me virei para vê-los, apenas foquei um ponto qualquer a minha frente.
–Você não precisa fazer nada se essa é a única questão que não tem resposta na sua vida, mas... não me envolva mais nisso. – olhei-o determinada, embora meu coração estivesse transbordando em mágoa. –Pareço ingênua e boba às vezes, mas não quando meus sentimentos estão em jogo, e... estou cansada de ter meu coração lançado à sorte.
Aquela era minha última decisão, a mais dura que fiz em anos, entretanto, a mais certa de todas elas. Não dava mais para continuar daquele jeito, guardando esperança entre idas e vindas, acumulando sonhos de que tudo poderia ser diferente, e que ainda tínhamos uma chance.
–Podemos ir para casa? – perguntei calmamente, mas secretamente aflita por dentro.
–Você não vai querer me ouvir?
–Ouvir o quê? – a pergunta saiu sarcástica, envenenada de raiva, embora eu tivesse feito de tudo para me controlar. –Escuta aqui, Ethan Scott! Se você vai iniciar mais um daqueles discursos ridículos de que não vai se prender a ninguém, guarde-o para uma mulher que seja tão dura quanto você. – surpreso ele ergueu uma sobrancelha e franziu a testa. –Quer saber a verdade? – virei-me para ele, cheia de ira. –Você é um covarde!
–Claire...
–É verdade! Você tem medo ou preconceito de dizer que está apaixonado!
–Você...
–Qual é o problema? Admitir que gosta de uma garota vai denigrir a imagem de durão?
–Você pode se controlar um pouco?
–Estou tentando fazer isso a um bom tempo, mas não consigo se você está tão perto!
Respirei fundo, antes que eu sofresse uma crise de estresse emocional.
–Está mais calma agora?
Ele não estava irritado, tão pouco estressado como eu, parecia calmo, e aparentemente descontraído.
–Depois de ouvir tanta ofensa, não sei se te peço mesmo em namoro, ou te levo pra casa e finjo que você não existe.
Não tive coragem de me virar para ele, mas atônita – exatamente estupefata –, pensei repetidas vezes nas mesmas palavras, vez ou outra me perguntando se elas eram mesmo reais.
–Então, senhorita Lewis? Peço-a em namoro ou a levo para casa?
Pouco a pouco virei o rosto até encontrar seus olhos esverdeados, mas não tive reação alguma, simplesmente continuei atônita –, com cara de boba incrédula.
–Já que você não vai responder, serei mais direto, e quero uma resposta direta. – ele inclinou sobre mim, de maneira que nossas testas se tocassem, nossos narizes roçassem um no outro, e levemente sua mão acariciou minha nuca. –Você sabe que eu não sou o cara perfeito para estar ao seu lado, mas você disse que gostaria de tentar, e... desde o dia que você me disse isso, tenho resistido a vontade de dizer sim –, eu quero tentar, Claire.
Fechei os olhos lentamente, entregue ao conforto de suas palavras.
–O que eu digo agora? – perguntei olhando-o com divertimento e uma proeminente alegria. –Digo sim ou vou pensar um pouco, por que você é um cara muito complexo?
–Se você dizer sim, não terá muito que esperar por um beijo. Se você disser não, talvez espere um pouco mais.
–Nesse caso, serei obrigada a dizer sim.
Dizendo sim a ele, eu também disse sim ao futuro, mesmo sem ter ideia como ele seria, ou como eu reagiria a suas mudanças.
&&&&*&&&&
Inclinando-me para frente a fim de, reconhecer ou conhecer, o lugar onde estávamos logo avistei o prédio que estive rapidamente com Ethan; também considerado como um refúgio.
–Eu te trouxe aqui, mas se você quiser ir embora...
–Não se preocupe. Eu não quero ir embora.
Sempre gentil e simpático, o porteiro conversou por alguns minutos com Ethan e, como fora substituído devido suas férias, ele não sabia quase nada sobre a rotina de Nathan Brytan no apartamento. Ethan pareceu não se importar com a falta de informação, até por que ele seguia o exemplo errôneo do pai, mas notava-se uma leve irritação nele.
–Desde quando você não o vê?
Perguntei entrando no elevador. Ethan pareceu pensar na pergunta.
–Alguns meses.
–Uh. E... conversam por telefone ou trocam e-mails?
–Às vezes.
Encarei seu ‘às vezes’ como uma vez por ano ou, pensando bem, possivelmente não existia nenhum contato à distância entre eles.
–Espero que você não se importe de vir para esse apartamento. – disse Ethan abrindo a porta, em seguida convidou-me a entrar.
–Por que eu me importaria?
–Eu não sei a resposta disso, mas tenho certeza que você voltou a ser sóbria.
Ri do seu comentário e, abrindo uma garrafa de champanhe, ele fez o mesmo.
–Esse lugar tem uma energia boa. – comentei pegando alguns porta-retratos. –O terraço é incrível e o apartamento é... – olhei tudo novamente, vislumbrada com a imagem. –, é tudo fabuloso!
–Meu pai já pensou em vender esse apartamento, mas o convenci a ficar com ele por algum tempo. – entregou-me uma taça com champanhe. –O que vamos brindar?
–Vamos fazer um brinde a nós dois.
–A nós dois.
Nossas taças se encontraram com leveza, e, ao final da cerimônia, selamos o momento com um beijo.
Receosa, por que eu quase tinha me embebedado naquela mesma noite, tomei um gole do champanhe, ao contrário de Ethan que não se deixou intimidar. Quando a taça esvaziou até a metade, ele agarrou-me pela cintura, fazendo-me ir de encontro ao seu corpo. Com ansiedade, correspondi mais uma investida dele, e, completamente dominada, deixei a taça escapulir da minha mão, e cair sobre o tapete.
Envolvida em toques carregados de desejos e saudades, senti as mãos alvoroçadas dele abraçarem minha cintura, e meus pés não mais tocaram o chão. Sem que o beijo fosse quebrado, chegamos ao sofá, onde apoiei minhas costas com pressa, sentindo o corpo fervoroso de Ethan pressionar o meu.
Ainda que eu estivesse atiçada a fazer o que meu corpo tanto ordenava naquele momento, não deixei de ouvir as batidas fortes do meu coração, e um leve tremor nas pernas. O estômago revirava de ansiedade e arrepios grotescos se revelavam à medida que eu era tocada intimamente; como nenhum outro homem havia me tocado. Somente quando a mão dele apalpou meu seio, na intenção de despi-lo, eu o detive, deixando-o extremamente confuso.
–Estou indo rápido demais ou você não gosta de muita intimidade no primeiro encontro?
–Não é isso, é que...
Foi então que percebi que eu estava estragando tudo. Seria mais confortável deixar o clima mais íntimo ali mesmo, se de repente eu não tivesse pensado na besteira de ter o desejo da primeira transa ser especial. Eu não diria aquilo a Ethan, afinal eu estava me esforçando para ir bem, tanto que ele não tinha percebido que experiência sexual me faltava.
–Podemos ir para o quarto se você quiser.
–Estou bem. – acariciei sua nuca, arrastando-o sedutoramente para um beijo.
–Ethan?
Abri meus olhos instantaneamente e, apavorada, endireitei o vestido que estava todo desgrenhado no meu corpo.
–O que está fazendo aqui, pai? – ele não parecia surpreso, apenas irritado, e o semblante pensativo.
–Bem, se me lembro corretamente, eu moro aqui de vez em quando.
Quase surtei quando seus olhos, incrivelmente castanhos, me observaram.
–Finalmente tenho o prazer de conhecer a namorada do meu filho.
Engoli a seco, um tanto apreensiva observando a figura alta daquele homem se aproximar.
–Eu sou Nathan Brytan, pai de Ethan.
–Muito prazer, eu sou... Claire Lewis. – encabulada apertei sua mão. –Desculpe se... Nós não sabíamos que...
–Ora! Eu não sou um velho chato. – ele riu alto, olhando o filho pelo canto do olho. –Então, quais são as novidades? Claro, levando em conta que você tem uma bela namorada, hein, filho!
Exasperado, Ethan olhou o pai.
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