Diarios De Um Sobrevivente.
1 O inicio do fim.
Capitulo 1: O início
Bem antes de qualquer coisa, deixe-me fazer uma breve apresentação, meu nome é Marcos, eu sou estudante de engenharia civil, eu vim para Manaique para um estagio de seis meses, mas na primeira semana tudo saiu do planejado, bem você já deve saber o motivo, então vou explicar como eu cheguei aqui e até o motivo de eu escrever neste caderno.
Tudo começou 18 dias atrás, eu estava me organizando, era o 5º dia nesta cidade. Já tinha alugado minha Quitinete, estava arrumando minhas coisas quando o primeiro sinal apareceu. Lembro-me como se fosse ontem, minha quitinete ficava ao lado de uma operação de mineração, não era tão perto, mas dava pra ver de longe os mineradores trabalhando. Eu estava assistindo TV quando um estrondo veio da direção da mina, eu olhei pela janela e vi um grande volume de poeira subindo, deduzi na hora que foi uma explosão ou um desabamento, na verdade não fiquei muito curioso, achava que isso era normal em minas, logo depois do barulho e da poeira uma corrente de ar invadiu minha quitinete, mas não era só ar, (O grupo diz que isso não tem nada a ver com o que aconteceu, mas eu sei que tem) tinha um cheiro muito estranho, um cheiro que eu nunca havia sentido, era algo como ovo, mas com um cheiro forte de acido, algo como (Você pode ate achar estranho, mas era) um ovo cítrico, como se misturassem ovo com laranja. Decidi que ia assistir o jornal local no outro dia para saber o que houve, eu fechei a janela e fui aproveitar minhas ultima horas de “folga” fiquei ate a noite jogando videogame.
No dia seguinte lembro-me de ter acordado cedo com o barulho de sirenes da policia, tomei meu café da manha enquanto assistia a TV, então finalmente noticiaram sobre o acontecido na mina, parece que durante uma escavação de um novo túnel os mineiros acharam um “bolsão” pressurizado, ou seja, quando eles abriram o buraco houve uma descompressão, ninguém saiu ferido gravemente, mas ainda não sabiam o que tinha naquele buraco. Foi nesse dia que tudo começou a sair do controle. Eu passei o resto do dia jogando videogame e terminando de arrumar minha quitinete, à noite quando eu ia dormir decidi assistir o jornal para ver se tinha algo mais sobre a mina, mas infelizmente nada, mas uma serie de pessoas foi parar no hospital com uma febre de origem desconhecida, eu na hora liguei com o ocorrido na mina, mas acabei ignorando isso.
Na manha de 16 – 0 dia para hoje eu terminei de arrumar minha quitinete, estava pronto para dar uma volta de reconhecimento, queria conhecer a vizinhança, sai para dar uma volta, mas a cidade estava bem vazia, os poucos que estavam na rua estavam meio melancólicos, pareciam doentes. De novo minha mente voltou para a mina e a febre desconhecida que havia se espalhado pela cidade, mas eu tentei ignorar, queria acreditar que era tudo fruto da minha imaginação. Passei no supermercado local, que também estava bem vazio, o atendente parecia bem, peguei tudo o que precisava pra passar uma semana boa. Quando cheguei ao caixa perguntei se este era o movimento normal ali, ele disse que também achava estranho, mas com a epidemia fazia sentido, eu perguntei sobre qual epidemia ele estava falando, então ele respondeu com outra pergunta, você não assistiu o jornal hoje de manha? Eu respondi que não então ele explicou, no jornal desta manha a febre desconhecida foi marcada como epidemia, na madrugada daquele dia todos os hospitais da cidade lotaram de pessoas com o mesmo sintoma, uma febre forte e de origem desconhecida. Depois disto eu voltei para casa e passei o resto do dia a toa, ia entrar no final de semana para depois na segunda começar o estagio. Fui assistir o jornal da noite para ver que providencias e cuidados deveríamos tomar contra a epidemia, com sorte eles noticiaram exatamente isso, fiquei sabendo que a cidade e seus arredores foram fechados para evitar que a doença misteriosa se espalha-se, também que as forças nacionais foram chamadas para ajudar na fiscalização das ruas, realmente eu achei isso um exagero, mas então parei para pensar, se tiveram que chamar as forças nacionais quer dizer que não era simplesmente uma febre, tinha que ter ocorrido algum óbito por causa da doença, eu realmente fiquei assustado com a ideia decidi que ia ficar em casa o máximo o possível e iria sair somente para o estagio, bom pelo menos esse era meu plano ate ouvir aquele grito. Fui olhar da janela e vi uma garota correndo de um mendigo, ela tinha uma coleira na mão, mas não tinha nada na ponta, eu realmente queria ajudar, mas na hora minhas pernas travaram então eu me lembrei do celular no meu bolso, disquei para a policia, quando atendeu ouvi uma mensagem pré-gravada — Desculpe, mas as linhas publicas de –Nome da Cidade- estão no momento congestionadas, por favor, ligue mais tarde, caso seja um... — eu desliguei na hora e fiquei assistindo a garota assustada correndo pela rua, eu realmente queria ajudar, mas na hora eu fiquei paralisado, tudo que pude fazer foi tentar ligar para a policia, mas nem isso eu consegui, eles passaram correndo pela minha rua, agora tudo o que eu ouvia eram os gritos de desespero dela, mesmo após eu parar de escutar os gritos eu ainda não conseguia me mexer, fiquei ali parado olhando para o nada por um bom tempo, quando minhas pernas voltaram a se mexer eu fechei a janela, fui para minha cama e tudo que pude fazer foi chorar ate cair no sono.
Capitulo 2: Primeiro Contato
Na manha de 15 – 0 dia para hoje, eu levantei e a primeira coisa que percebi foi o silencio mortal, eu não ouvia nada nem mesmo os passarinhos ou a movimentação do pessoal indo para o trabalho, a primeira coisa que fiz foi tentar ligar para a policia para relatar o fato de ontem, mas ninguém atendia. Decidi esperar ate depois do almoço para então ir para a DP e relatar o ocorrido pessoalmente, quando eu olhei pela janela, eu vi um grande rastro de algo vermelho, no fundo eu sabia o que era mas preferi fingir que não sabia, fechei a janela já ofegante, decidi ir na DP naquele momento, se aquilo fosse sangue da garota, eu precisava relatar na hora. Quando sai de minha casa segui pela rua na direção da DP, no meio do caminho eu vi um cara sentado na rua, ele não parecia um mendigo, estava usando um terno social, mas estava muito sujo, como se ele tivesse se arrastado na lama a noite inteira. Eu decidi que não iria nem mesmo olhar para ele, no momento em que passei em sua frente ele abriu os olhos e fez uma coisa realmente inesperada, ele deu um grito extremamente alto, mas não foi um grito normal, foi um grito meio rouco, como se ele sugasse o ar a sua volta para emitir o som. Logo após o grito ele enquanto se levantava avançou para cima de mim, de cara eu recuei e ele caiu novamente no chão. Eu nem pensei nessa hora, me virei e comecei a correr o mais rápido o possível, mesmo sem olhar para trás eu podia ouvir seus passos, eu não vou mentir aqui, enquanto eu corria eu comecei a chorar de medo, agora eu estava na mesma situação que a garota. Enquanto eu corria eu pude ouvir mais passos, como se alguém tivesse se juntado a ele na perseguição, eu estava com muito medo para olhar para trás, e o meu sedentarismo estava começando a atacar eu comecei a sentir a fadiga, eu sabia que em pouco tempo ia me cansar e eles iam me pegar, não sabia o que ia acontecer comigo, mas com certeza não seria algo bom, enquanto eu corria eu ouvi um assobio, eu olhei na direção na hora, vinha do segundo andar de uma casa de dois andares, estava na minha frente, o cara que assobiou gritou, “De a volta no quarteirão, quando você voltar a porta vai ta aberta !”, eu juntei todas minhas forças, e comecei a dar a volta, na metade do caminho fiz a besteira de olhar para trás, agora eram cinco me perseguindo e eles não pareciam nem um pouco cansados, eu acelerei o Maximo que pude, mas no fundo eu achava que não ia aguentar, minhas pernas agora pareciam feitas de chumbo e meus joelhos feitos de gelatina, quando estava chegando na casa agradeci a Deus, o portão realmente estava aberto, mas só o suficiente para eu passar. Quando eu fui subir a calçada eu cometi o maior erro de minha vida, eu não levantei o pé o suficiente, cai de cara no chão, não acreditava que eu ia morrer na praia, eu olhei para trás e vi meus “amigos” chegando para fazer não sei o que comigo, aquele momento parecia uma eternidade, mas então senti uma mão e em um milésimo de segundo eu fui puxado para dentro e o portão fora fechado.
Capitulo 3: Um Oasis num Deserto de Mortos
Claro que eu acabei desmaiando... Quando eu abri os olhos estava em um quarto, era bem confortável em comparação com o meu, olhei para os lados mas não vi ninguém, porem havia uma tigela com cereais matinais na mesa de cabeceira, eu deduzi que eram para mim então acabei comendo, eu queria saber o horário mas a janela estava literalmente selada, alguém havia pregado tabuas na janela. Eu ainda não entendia o que estava acontecendo. Quando eu sai do quarto, me dei de cara com um corredor e varias portas, acho que outros quartos e uma escada no meio do corredor, fui descendo a escada devagar e me dei de cara com meus salvadores em algum tipo de reunião no meio da sala, eu não apareci de cara, decidi escutar um pouco no escuro, na minha mente eles poderiam ter me sequestrado ou algo do tipo, como eu disse antes eu não sabia o que estava acontecendo, mas parecia que o tópico do assunto era comida. Pela maneira de eles falarem percebi imediatamente que o cara que assobiou para mim era o líder, ele sempre dava as ultimas palavras e realmente a sua maneira de falar passava essa ideia de líder, o mais estranho é que ele não era o mais velho, na verdade acho q ele tinha minha idade, tinha uma garota do lado dele, aparentemente ela tinha a mesma idade do líder, ela servia como um tipo de consciência do grupo, estava abraçada com o líder e sempre quando falava era algo como uma consciência do bem, ou um mini anjinho no seu ombro, em um outro sofá estavam sentados um homem de meia idade com barba mau feita, tinha também uma garota em seu colo, ela devia ter uns 10 anos ou menos, percebi que se tratavam de pai e filha, pelo olhar da garota eu percebi que algo havia acontecido com eles, ela estava de cabeça baixa e seus olhos estavam vermelhos e inchados. Achei que estava na hora de aparecer então terminei de descer as escadas, no mesmo momento todos olharam para mim com uma cara meio suspeita, eu não sabia o que dizer então falei a única coisa prudente na hora, obrigado. Quando eu abri a boca, todos me olharam com uma cara de alivio, na hora eu não entendi, mas ia entender. Então eu finalmente perguntei, o que estava acontecendo ali, porque estava tudo selado, quem estava me perseguindo... O homem de meia idade abaixou a cabeça, eu realmente achei que ele iria chorar, a garota também abaixou a cabeça, mas o líder começou a falar, Então você ainda não percebeu? ele disse O que !? eu respondi de volta, Os zumbis comendo pessoas nas ruas como você não viu isso !? ele gritou, o homem de meia idade retrucou na hora, Esse negocio de zumbis não existe, deve ser alguma doença que aumenta a raiva ou sei lá o que, então o líder olhou para ele e voltou seu olhar para mim, Zumbis ou doenças não interessa, o que interessa é que eles estão matando pessoas sem motivo algum, quando ele terminou a frase e olhou para mim seu olhar passou de confiança para arrependimento, acho que eu fiz uma cara muito ruim para isso acontecer, mas eu não consegui esconder, eu não queria acreditar, mas não dava, depois do mendigo e da garota, e dos caras me perseguindo eu sabia que era verdade, eu subi correndo pro quarto onde estava, não queria que eles me vissem chorando.
Capitulo 4: O ultimo dia no deserto de zumbis.
15 dias desde que eu cheguei nesta casa já se passaram, foi hoje que eu encontrei esse caderno velho jogando em baixo da cama onde eu durmo, mas algumas coisas mais importantes, nos ainda temos comida para alguns dias, mas a água esta realmente escassa, já tem 5 dias que estamos racionando e achamos que não vai durar mais de 3 dias, também pude acompanhar o crescimento da horda de zumbis pela sacada, parece que todo dia aparecem mais e mais em volta da casa, acho que eles estão se reunindo por culpa da gente, acho que a qualquer momento eles vão invadir a casa e matar a todos nos. Estamos tentando arrumar um jeito de conseguir mais suprimentos, mas as únicas maneiras viáveis vão resultar em morte, não sabemos o que fazer, somente um milagre pode nos salvar agora, acho que foi por isso que eu decidi escrever este “diário”, acho que nos não vamos sair daqui vivos, mas pelo menos alguém vai poder ler sobre o que passamos aqui. Então é isso a partir de hoje vou escrever sobre tudo o que acontecer conosco aqui, assim pelo menos não vamos ser esquecidos como todo o resto que morava nesta cidade.
-Marcos fecha o caderno-
Ele desce pela escada calmamente e encontra seus amigos na sala conversando sobre a falta de água.
-Gente e as mensagens do exercito ? Pergunta Marcos.
-Não recebemos nenhuma já faz 5 dias... Responde o Líder.
-Mas eles estavam dizendo para todos os sobreviventes se dirigirem para as bordas da cidade, acho que deveríamos dar uma chance para isso. Diz Marcos
-Haha, eu gosto desse seu otimismo, mas eu não acho que eles pretendem ajudar sobreviventes, e também teve a fumaça de ontem à tarde, eu tenho certeza que veio da zona de contenção do norte. Diz o Líder
-Não, não pode ser, se isso for verdade quer dizer que eles conseguiram furar a contenção. Diz a garota começando a chorar.
Neste momento a garotinha sobe as escadas correndo, e seu pai vai atrás.
-Eu sei que não podemos perder as esperanças, mas sair desta casa é impossível, nos estamos cercados já tem vários dias, isso sem contar que as mensagens diárias do exercito pararam já tem 5 dias... Diz o Líder.
Todos se olham, a garota abraça o lider e começa a chorar, Marcos decide subir as escadas e passar o resto do dia em seu quarto pensando em como poderia sair dali com seu grupo, mas quando chega na metade escuta o lider.
-Ei cara, termine de escrever seu diário, um dia vamos publicar ele e vamos nos tornar famosos por sobreviver. E entao ele começa a rir
Marcos pensa consigo mesmo:
-É você realmente sabe quebrar esse clima de terror.
Marcos passa o resto de seu dia em seu quarto, escrevendo em seu diário e pensando em maneiras de como sair dali, ate que uma hora o sono bate e ele cai no sono.
Capitulo 5:O fim de todos os problemas
No meio da noite, enquanto Marcos dormia ele escuta um estrondo, metal batendo no chão, ele pensa consigo mesmo.
-Não pode ser.
E ao mesmo tempo sente o pânico que sentiu quando a garota corria do mendigo, suas pernas travam, ele não consegue se levantar, ele pode escutar a correria do lado de fora, mas não consegue fazer nada. Ele escuta seus amigos gritando enquanto bloqueiam a porta frontal, mas no fundo sente que tudo isso é em vão, depois de alguns minutos Marcos escuta um estrondo, a porta frontal caiu, então escuta uma serie de gritos e grunhidos, ele finalmente toma coragem para se levantar, mas quando chega na escada, é tarde demais, pelo menos para ele, seu grupo esta saindo pela porta dos fundos pela cozinha, mas entre seu grupo e ele existe uma horda de zumbis. Ele corre para seu quarto fecha a porta e começa a colocar todos os moveis para o bloqueio, ele sabe que é em vão mas ainda sim faz, ele remove as tabuas das janelas e abre tentando ver seus amigos, queria saber se eles estavam bem, quando ele olha pela janela ele claramente os vê correndo, e usando seus últimos minutos ele grita
-BOA SORTE !!!
Ninguém responde mas o líder levanta o braço em sinal, como se disse-se, cuide-se também amigo.Seus olhos se enchem de lagrimas, mas agora não é de medo, é de satisfação, a porta começa a fazer emitir sons, os zumbis chegaram ali. Ele sabia que era seu fim, ele pega seu caderno e escreve sobre seus últimos minutos de vida e de como mesmo em um local como aquele conseguiu fazer amigos que nunca se esqueceria, nem no pós vida.
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