Diante da neve
1 Inocência
Notas iniciais
Espero postar com mais frequência já que tenho meu pc de volta agora (:
Boa leitura!
Sempre fui uma pessoa quieta, mas nunca considerei isso como um grande defeito. Na família, na escola, no período da faculdade e agora no trabalho, poucos conseguiram arrancar de mim mais que três frases em uma conversa e isso me levou a ficar sozinho por longos períodos. Mesmo quando todos achavam que eu estava na idade de grandes farras ou de arranjar uma namorada, a solidão me parecia mais confortável e pouco me importava se diziam por aí se eu era gay ou um bandido calculista, isso nunca me pareceu um grande problema.
Enquanto pensava em minha vida silenciosa e de quantos aborrecimentos aquilo havia me poupado ao longo dos anos, a xícara de café ao meu lado parecia a coisa mais quente que se poderia encontrar por todo o apartamento. Noites de novembro sempre foram frias, mas não me recordava de já ter passado por uma como essa, absolutamente congelante. O termômetro do celular á minha frente marcava seis graus, mas poderia dizer com certeza que a sensação térmica seria em graus negativos e tudo em consequência de uma frente fria anunciada há algumas semanas nos jornais locais.
Nem precisaria ligar a tv para saber que aquele fenômeno atingiu a cidade com mais força do que era esperado e eu nunca me senti mais grato por ter folga durante os sábados, afinal, dirigir pelas ruas á procura de bandidos sempre é terrível, mas procurar bandidos nesse frio é brincar com a morte. Uma pena para os policiais que estavam no plantão, mas um alívio sem tamanho pra mim.
O relógio de pêndulo que minha mãe colocou na parede da sala fez um som curto e muito baixo e pude ver que marcava dez horas. Nesse horário, normalmente, eu estaria me preparando para dormir, mas algo naquele frio me trouxe uma inquietação que conseguiu me tirar o sono e a janela da varanda, de onde podia se ver o céu escuro carregado com espessas nuvens em tons de cinza, me pareceu mais interessante que a cama.
Ainda olhava pra um ponto qualquer do céu quando ouvi o celular vibrando em cima da mesinha de centro. Uma pessoa sem muitos amigos ou conhecidos próximos, não pode esperar coisas boas de uma ligação recebida em um sábado á noite e principalmente se essa mesma pessoa for um policial. O visor mostrava um número totalmente desconhecido, o que me deixou ainda mais desconfiado da origem daquela ligação, mas no quinto toque resolvi tirar a prova.
- Inspetor Sasuke? Sasuke Uchiha?
- Quem está falando?
- Aqui é o Kouta, inspetor da divisão de homicídios.
- Hm. O que quer?
Por pelo menos cinco segundos, não ouvi nada no outro lado da linha além da respiração pesada do homem que falava comigo e aquele silêncio era a evidência que faltava para mostrar que algo estava muito errado.
- Bom, não sei como começar a falar isso da melhor forma, mas vou tentar explicar a situação do começo. – Um carro buzinou bem perto de onde Kouta estava e o escutei suspirar alto ao telefone – No começo dessa noite, por volta das sete, fomos chamados para atender a uma ocorrência em Otawa, na periferia. Quem nos ligou, informou que um homem de meia idade havia sido atingido por diversos tiros e que ele morava sozinho no apartamento que estava por, pelo menos, quinze anos. Não chegamos ao local muito depois da chamada e encontramos a cena exatamente como nos passaram, com o corpo de um homem grande no chão da sala e sangue por todos os lados, porém algo não estava batendo com a descrição que disseram. Havia alguém agachado junto ao corpo, o cara não estava sozinho no local.
- Se puder ser mais específico, Kouta... Onde eu entro nessa história?
- Na verdade, Sasuke, acredito que você não tenha nada com a história em si, mas com a pessoa que achamos junto ao corpo. Já tentamos fazer com que a garota fale algo sobre o que viu, mas ela apenas se mantém com a cabeça baixa e bem, você sabe como é o processo nesses casos, tivemos que prendê-la para averiguação.
- E...?
- E é exatamente nesse ponto que você entra, meu amigo. A garota que está presa insiste que só dirá algo se você interrogá-la! Nada mais saiu da boca dela durante todo esse tempo além disso.
- Então, deixe-me ver se entendi. Você quer que eu saia de casa durante a minha folga, para interrogar uma garota que certamente é uma desconhecida? Ora, Kouta! Acredito que deixando essa menina na prisão por alguns dias, ela vai cansar rapidinho e com certeza vai abrir o bico sobre isso em algum momento.
- Sasuke, eu realmente sinto muito pelo incômodo, mas preciso que entenda a situação. Se o próprio delegado decidir falar com a menina e seu nome for citado, pode ser que você se envolva muito mais.
As palavras de Kouta não eram vãs, pelo contrário, eu entendi o que ele quis dizer. Haviam delegados que escutavam apenas o que queriam escutar e se o nome de alguma pessoa fosse citado, por mais inocente que fosse, também seria envolvido no problema e poderia ficar bem mais difícil de sair dessa história se isso acabasse acontecendo.
- Ao menos me diga o nome dessa garota, Kouta.
- É Sakura, Haruno Sakura.
- Estou á caminho.
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