Diamantes Roubados
3 Novo Mundo
Notas iniciais
Novo Mundo
Fazia algum tempo que eu, Owen e Cosmin havíamos chegado no que chamávamos de “centro”. Havia muitos tipos de pessoas lá, mas o mais comum eram crianças. E o que mais me assombrava era a falta dos ditos socorristas que minha mãe falava.
_Alguma coisa não está certa! — Falei demonstrando um certo desespero.
_Isso é óbvio, não? — Cosmin sempre sarcástico rebatia.
_Se nós estamos mortos, deveria haver espíritos de luz aqui! Desde que chegamos a única coisa que eu faço é rezar e … nada!! — A revolta tomava conta do meu coração.
_Talvez Deus não exista. — Cosmin foi cruel e categórico. Parei pra pensar no que ele havia dito. Num outro canto, Owen conversava com Marcela, uma menina mais velha.
_Não tem como sair daqui Owen!
_Duvido que vocês já tenham tentado tudo! — Owen falava bravo.
_Olha só, eu não estava prestes a me formar na faculdade com apenas 17 anos e ser driblada por um mundo tão sem graça quanto esse! Tá achando que eu gosto de ficar aqui é? — Marcela começa a se irritar. Notamos então mais pessoas chegando ao “centro”. O ser negro como apelidamos o homem lagarto, os acompanhava.
_Se vocês soubessem como está triste o mundo lá fora!!! Hahahahaha!!! Muito divertido!!! — O homem lagarto ria alto. Ele nunca tinha feito mal a nós deliberadamente, parecia estar feliz que estávamos lá, mas sempre trazia novas pessoas para o nosso mundo. E quanto mais feliz ele ficava, mais infeliz nós ficávamos. O ser negro subiu numa espécie de trem todo metalizado e se foi embora novamente. Segundos depois o trem voltava vazio, e ficava estático ao lado de Owen.
_VIU?! Vocês não tentaram tudo!!! O trem, ele usa o trem pra sair!! Temos que descobrir como-
_Cala a boca Owen! Você acha que eu sou retardada é? Acha que já não tentamos?? — Marcela fica aborrecida e sai troteando. Eu me aproximo.
_Acho que só ele pode andar.
_Porque?
_Minha mãe dizia que os socorristas usavam trens pra socorrer espíritos em planos inferiores. — Expliquei ciente de que ele se revoltaria. Preparava meus ouvidos para o maior grito que ouviria de Owen em muito tempo, quando ele me surpreendeu e perguntou.
_Então não é só o Diabo que pode pegar o trem?
_Não... — respondi estranhando a reação. — só que minha mãe nunca me ensinou a ligar o trem.
_Como são esses socorristas, no que eles são diferentes da gente? — Owen estava de repente curioso, não tinha ideia do porquê me perguntara isso, mas fiquei feliz por finalmente estar me sentindo útil.
_Eles têm luz...
_E como é essa luz?
_Luz de energia boa, de amor e paz, eles rezam sempre e-
_Energia? Claro! É isso! Nós precisamos de energia! — Owen sorria como nunca o vi sorrir antes. Eu sabia que ele estava errado, mas não iria explicar. Provavelmente não iria dar certo e eu poderia explicá-lo melhor depois.
Cosmin, eu, e mais algumas pessoas, inclusive a senhora que Cosmin falara anteriormente, se dispuseram a ajudar na esperança de deixar aquele lugar. Mas Marcela que era considerada a mais inteligente relutava em ajudar. Ela dizia que sem os componentes certos não conseguiríamos fazer nada.
_Gênio de laboratório! Pelo menos estamos tentando! Podemos improvisar! Sei disso! Se pelo menos nos ajudasse...
Envolvida pela raiva e pela tristeza de estar em um lugar sem nenhuma perspectiva, ela decidi ajudar.
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