Diamantes Roubados
4 Missão divina
Notas iniciais
Missão divina
Já fazia um ano que os desaparecimentos haviam começado. Hiei sentia saudades da mãe. Embora a sua família estivesse aceitando o fato que talvez assim como todos os desaparecidos, sua mãe pudesse estar morta, Hiei não desistia de acreditar que um dia ela voltaria.
—Pai, não chora! Vai ver que todo esse sofrimento foi em vão! Ela vai voltar... – Hiei dizia para o pai enquanto ele trocava suas fraldas. – Ela jamais nos abandonaria assim. Se nós pararmos de pensar nela com amor no coração, ela não terá pra onde voltar. Temos que mostrar alegria e esperança, temos que mostrar que sabemos que ela irá voltar!
—Cale-se Hiei! Respeite a memória de sua mãe! Sei que não é fácil aceitar o fato de que a luz nas nossas vidas foi-se embora, mas... Precisamos aceitar e seguir com nossas vidas! – Mais lágrimas rolavam de seu rosto. Era duro demais aceitar que a mulher que ele mais amava no mundo poderia estar morta.
Parou para lembrar de todas as vezes que ele pensou em desistir, devido aos problemas de Hiei e aos problemas financeiros. Lembrou do dia em que ficou sabendo que Sakura jamais poderia ter filhos novamente e não se abalou, pois amava muito seu filho e acreditava que teria muito orgulho dele. Recordou também do fatídico dia do atropelamento, e de como recebeu a notícia.
—Ele vai viver Tenzo... Deveríamos ficar felizes! – Sakura enxugava as lágrimas ao ver o desespero do marido.
—Mas ele nunca mais irá andar, fora o tratamento que deverá ser feito para evitar que sua condição piore! Porque Deus nos castiga tanto? O que fizemos para merecer isso? – Tenzo entrava em um profundo poço de autopiedade.
—Basta Tenzo! Veja por esse lado, Hiei foi entregue a nós, pois Ele sabia que cuidaríamos bem de Hiei! Faremos o que for necessário para aumentar a qualidade de vida do nosso filho. Encare como uma missão divina, ele é nosso filho e seu futuro, pelo menos por hora, está em nossas mãos!
Tenzo levantou os olhos envergonhado. Era seu único filho e ele precisava muito do pai agora. Era hora de ser forte e não de se vitimar. Quase que com inveja da esposa com tamanha sabedoria e amor no coração, ele pede perdão muito arrependido por seu egoísmo. Depois daquele dia, não existiam mais ordens absolutas na família, tudo era discutido e conversado antes de qualquer decisão ser tomada.
Tenzo suspirou enquanto secava as lágrimas, não podia deixar que a missão divina de Sakura se perdesse. Ele beijou o filho e sem mais discussão apagou as luzes e foi dormir. Ao se deitar na cama lembrou de como a esposa se esforçara para entrar na universidade de fisioterapia.
—Assim que eu me formar na universidade poderemos investir na pesquisa da cura de Hiei! — Sakura parecia radiante. Encarava a taça de champanhe servida pelo marido como se encarasse o sucesso sobre suas batalhas vividas. Hiei também segurava um copo de Champanhe emocionado.
—Assim que encontrarem a cura quero arranjar uma namorada linda, que nem a Tsubasa Imamura!
—Com permissão de quem? Seu casamento já foi arranjado! É a filha da Keiko! – Sakura dizia em tom engraçado. Se divertia com a esperança do filho, isso a animava ainda mais para terminar seus estudos.
—A filha da enfermeira? Mas ela é bonita que nem a Imamura? – O filho parecia confuso e isso divertia a mãe ainda mais. Quanto mais interesse ele tivesse na vida, melhor.
—Pare com isso Sakura! Tenha um pouco de piedade de seu filho! Isso pode demorar anos, talvez décadas, se acontecer de realmente algum dia encontrarem a c-
—Chega de discurso Tenzo! – A mulher parecia irada e fora de si. – Ele vai se curar, nem que seja a última coisa que eu faça nesse mundo! Por que foi a nós que Deus o confiou, e assim nós vamos seguir, com todas as nossas forças, até que ele se cure totalmente! Nunca vamos desistir!
Tenzo chorava inconsolavelmente. Embora achasse que ela estava fora de si na época, hoje entendia que mais do que qualquer um dentro daquela casa, ela sabia bilhar e levar a luz por onde quer que passasse. E por isso, e só por isso, ele não considerou em abandonar seu filho quando ela desapareceu. Talvez Hiei estivesse certo, o que faltava era a esperança de ver sua mãe retornar, talvez no momento em que a coragem de esperar pelo seu retorno chegasse, ela trouxesse junto sua amada flor de cerejeira. Ele se esforçaria ao máximo para acreditar e assim, Deus a traria de volta.
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