Diamante de Sangue
2 Capítulo 2
Reduzia corrida a uma caminhada assim que entrei no beco, os saltos das minhas botas ecoando pelo pequeno espaço.
O lugar estava escuro, mas eu conseguia diferenciar na escuridão sacolas plásticas agrupadas em volta de grandes ladas de lixo que exalavam um odor repugnante pelo lugar.
Os sons da grande cidade eram abafados pelas altas paredes dos dois lados que nos cercavam pelos dois lados.
Dilan parou repentinamente pisando em algo que tilintou fazendo um barulho metálico.
–O que é isso? – perguntou se abaixando para pegar o objeto.
Era uma fina corrente de ouro, que brilhou levemente enquanto ele a levantava entre as palmas das mãos para examina-la melhor.
–Você acha que é daquele homem?-perguntei com curiosidade
–Provavelmente- respondeu ele sinceramente – mas se eram ladrões por que não levaram as correntes dele?
Estiquei a mão e alcancei a de Dilan, entrelaçando os meus dedos nos dele. Ele pareceu ruborizar, embora estivesse escuro demais para poder afirmar alguma coisa.
–Aquilo é um monte de lixo? – perguntou ele apontando para o final do beco.
Olhei para a direção para onde ele estava apontando, mas a única coisa que vi foi um monte de panos balançando com a leve brisa que soprava. Não, não era a brisa que os estava balançando, eles estavam mesmo se mexendo.
–Não acho que sejam sacolas, parece... -comecei, mas me interrompi quando um dos montes começou a se levantar.
Era um homem, percebi, ele estava usando jeans e uma blusa branca, manchada de algum líquido vermelho.
Ele veio na nossa direção, ele tinha os olhos vermelhos e brilhantes, os dentes caninos saindo da boca como presas de onde pingava o mesmo líquido vermelho que manchava a camisa.
Atrás dele outras duas pessoas se levantaram do que eu pensava serem montes. Os olhos vermelhos iguais aos do primeiro e o mesmo liquido pinçando das bocas e sujando as roupas velhas.
Olhei por sobre o ombro deles e avistei o homem que eu vira ser sequestrado na rua, as correntes ainda pendendo do pescoço, as roupas caras sujas do mesmo líquido vermelho.
Levei um instante para perceber que o liquido vermelho sujando as roupas dos homens era sangue e sufoquei um grito.
–Vejo que temos visitas – disse o primeiro deles
–Vocês mataram aquele homem – disse Dilan me puxando para fora do beco –o que são vocês
–Vampiros – falou o da frente dando de ombros
–Não seja ridículo. Vampiros não existem... -falou e se virou para correr para longe deles, mas no mesmo instante dois deles já estavam na nossa frente — Como...
–hmmm... -disse o mais perto de nós- o cheiro do seu sangue é bom, menina.
Ele começou a andar na minha direção se agachando como uma cobra prestes a dar o bote.
Dilan entrou na minha frente, segurando um pedaço de madeira com uma das mãos e ficou entre mim e o homem que continuava agachado.
–Você não vai encostar um dedo nela- falou ele com a voz tremendo de medo
–Dilan –sussurrei –não seja ridículo
–Eu ouviria a sua amiga se fosse você garoto — falou o homem se juntando ao que estava agachado e formando um meio circulo em volta de nós enquanto íamos de encontro a parede do beco.
Arregalei os olhos, como ele conseguira ouvir? Ele estava longe o bastante para que não ouvisse o que eu falei.
–Fica quieto!- gritou Dilan avançando para cima do homem que havia falado, com o pedaço de madeira em uma das mãos.
Um olhar de raiva passou pelos olhos do homem enquanto Dilan avançava. Ele atacou o homem com o pedaço de madeira, mas o homem apenas desviou e segurou Dilan pelo pescoço levantando-o do chão.
–Eu avisei garoto...
–Você esta machucando ele!-gritei correndo até o homem – solte ele agora
Alguma coisa me puxou para trás em um aperto de ferro enquanto eu tentava correr, provavelmente um dos homens se movera sem que eu percebesse.
–ME SOLTA SEU... -comecei a gritar, mas ele colocou as mãos na minha boca impedindo que eu emitisse algum som.
–Você foi muito tolo garoto – continuou o homem que estivera me olhando com um olhar entretido enquanto ainda segurava Dilan pelo pescoço.
Dilan, que estava se contorcendo no aperto do homem, conseguiu chutar a barriga dele.
–Você... — falou o homem com uma voz de total desprezo enquanto jogava Dilan contra as latas de lixo.
Eu senti lagrimas começando a escorrer pelo meu rosto enquanto tentava me libertar do homem.
Fique quieta garota- falou ele — ou você vai ser a próxima
Foi o que bastou para mim. Mordi a mão dele e sai correndo quando ele me soltou, claramente ele não esperava essa atitude minha, senti o gosto do sangue dele na minha boca e combati a ânsia de vomito enquanto corria para Dilan.
O outro homem que estava parado todo esse tempo olhou para mim com expectativa ,como se quisesse esperar para ver se eu conseguia causar mais algum dano a algum deles , mas suspirou e um instante depois estava ao meu lado me jogando contra a parede do lado oposto do beco.
Minha cabeça bateu com força contra a parede do beco e eu escorreguei ate o chão com o corpo todo dolorido.
–O que você estava pensando? – perguntou ele — que podia bater em nós?
– Cala a boca – falei com a cabeça latejando, estava começando a enxergar tudo embaçado como se estivesse enxergando através de uma parede de fumaça.
Eu consegui ver seus dentes caninos crescerem repentinamente e seu olhar faminto olhando na direção do sangue que escorria dos meus braços arranhados antes de ele repentinamente ser jogado para trás.
Eu conseguia perceber que havia mais pessoas no beco agora, quatro talvez, e uns fleches de luz dourada, mas não estava enxergando com nitidez o suficiente para saber o que era.
Um garoto com os olhos também vermelhos se curvou sobre mim, ele não tinha o mesmo olhar que os outros, pareciam até... Amistosos.
Está viva – falou ele com a voz suave como seda, olhando por sobre os ombros — Vamos ter que leva-la.
–N... Não. — tentei dizer, me arrastando para longe dele, mas as palavras saíram emboladas e confusas – você é igual àqueles homens!Deixe-me em paz!
– Não, não sou — falou ele me olhando. Era bonito, percebi apesar de a minha visão estar embaçada- e se você não vier vai morrer... Alem disso seu amigo parece que foi atropelado por um ônibus, ele precisa de ajuda e você também.
Ele me levantou em seus braços contra minha vontade, enquanto eu protestava.
Logo em seguida ele estava correndo para longe do beco em uma velocidade incrível ,percebi antes de a escuridão tomar completamente a minha visão.
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