Eu tinha certeza que estava sonhando pois estava novamente no beco onde fui atacada.

A noite caia sobre a cidade e as pessoas passavam correndo na rua dentro de seus grossos casacos para se aquecer do forte vento que soprava pela cidade.

O vento soprava pelo beco fazendo latas jogadas pelo chão rolarem fazendo grande barulho.

Olhei para baixo e assustei, pois estava vestindo apenas um curto vestido azul de cetim e apesar do forte vendo eu não sentia frio, na verdade o vento era até agradável.

Um menino alto entrou no beco nesse instante, ele vestia calças jeans e uma blusa azul com capuz, o cabelo castanho balançando com as rajadas de vento.

Assim que ele chegou mais perto percebi que era o Dilan, ele entrou mais um pouco no beco e sorriu para mim.

Quando ele chegou mais perto consegui sentir o cheiro, abaixo do cheiro do perfume que ele usava senti o cheiro adocicado e agradável que exalava dele.

Percebi que o cheiro que eu sentia era sangue, cosegui ouvir o coração dele se acelerando enquanto eu sorria para ele.

Inspirei novamente e a minha garganta se apertou e queimou quando senti o cheiro novamente.

Senti uma forte dor na boca enquanto os meus dentes caninos cresciam se transformando em presas e cortavam os lábios inferiores.

Meu sorriso se transformou em um rosnado baixo, e percebi o sorriso de Dilan vacilar e ele ficar pálido enquanto seus olhos verdes se esbugalhavam e ele se virava para correr com uma expressão de puro medo estampada no rosto.

Eu me agachei e me lancei sobre ele derrubando-o no chão enquanto me curvava sobre ele e enterrava os caninos no pescoço dele.

Dilan lutou me empurrando para tentar me afastar dele, mas eu estava incrivelmente forte então seus esforços não surtiram nenhum efeito sobre mim.

Ele foi parando de lutar aos poucos enquanto perdia as forças.

Alice eu... -Começou ele, mas seus olhos verdes se fecharam, as suas mãos caiam para os lados do corpo enquanto ele morria nos meus braços.

Acordei assustada e arfante, me sentando na cama repentinamente e batendo em alguma coisa que estava em cima de mim.

–Ai! –Disse a voz de um menino. – Essa doeu.

Sentei-me na cama mais devagar enquanto esfregava a mão no local onde havia batido.

–Quem está ai? – perguntei tentando enxergar alguma coisa na escuridão.

–Eu — Falou o menino quando as luzes se acenderam.

Pisquei algumas vezes esperando que os meus olhos se acostumassem à claridade do lugar.

Um menino loiro estava parado perto de um interruptor de luz sorrindo para mim, ele tinha os cabelos loiros e era extremamente pálido.

–Sou o Will. -Falou ele. -Desculpe por estar com a cabeça em cima de você, eu tinha ouvido seu coração acelerar e fui ver se você estava bem.

–Tudo bem... -Comecei a falar, mas fui interrompida quando uma menina entrou no quarto.

Ela tinha os cabelos castanhos claros e tinha a mesma palidez da pele de Will.

–Will... -Começou ela, mas me viu sentada na cama e deu um sorriso. -Finalmente a Bela Adormecida acordou quem foi que te beijou?

–Ninguém me beijou-Falei.

–Espero sinceramente que não tenha sido você Will. – Falou ela se virando para ele e semicerrando os olhos.

–Eu não... -Começou ele, ma parou quando ela deu risada.

– Só vim avisar que o feiticeiro do instituto de Washington esta vindo-Falou ela. -Mesmo que você já tenha acordado, o seu amigo ainda está péssimo.

–Quanto tempo? –Perguntou Will.

–Um dia mais ou menos. –Falou Teresa.

–O Dilan está aqui?-Perguntei, vendo uma oportunidade de falar. -Posso ver ele?

–Não!-Falaram os dois ao mesmo tempo, o que em outras circunstanciais teria sido engraçado.

–E por que não?-Falei cruzando os braços.

–Bem... Digamos que ele não está em um dos seus melhores dias. –Falou Will. -Além disso, ele ainda não acordou.

–Mas vocês nem conhecem ele, eu conheço. –Falei — Além disso, como posso acreditar em vocês?

–Bem, em quem mais você poderia acreditar além de nós? -Perguntou Teresa — Você não está presa aqui, pode ir se quiser.

–E o Dilan? – Perguntei.

–Ele também pode ir se quiser. — afirmou Will. — Só que acho que até ele melhorar ele não vai conseguir ir a lugar nenhum.

–Eu não vou sair daqui sem ele. –Decidi depois de um instante.

–Ótimo! –Disse Teresa batendo palmas. – Pode ir Will eu fico com ela.

–Vocês estão achando que eu vou fugir? –Perguntei. –Não precisam ficar comigo. Já disse que não vou a lugar nenhum.

–Como já disse, você pode ir se quiser — Falou Teresa. –Eu só ia ficar com você para mostrar o instituto.

–Acho que já vou então. – Falou Will e depois sorriu para mim antes de se virar e sair.

–O banheiro fica ali, se você quiser tomar banho — Falou ela apontando para uma porta no quarto. –E as roupas estão no closet — acrescentou apontando para portas duplas de vidro. –São todas suas, eu comprei todas.

Você nem me conhece direito. -Falei intrigada, mas ela já estava saindo do quarto.

Dei de ombros e joguei a coberta para os lados e percebi que estava usando um vestido de linho branco, que provavelmente Teresa havia colocado em mim.

Levantei-me da cama e olhei para o relógio digital que ficava em uma mesa ao lado da cama. De acordo com o relógio era dez horas da manhã.

Fui em direção à porta que ela havia dito que levava ao banheiro e entrei.

O banheiro estava escuro então tateei a parede em busca do interruptor, assim que o encontrei acendi as luzes. Toalhas brancas haviam sido dobradas e colocadas em uma grande estante que ficava em uma das paredes.

Parei na frente do enorme espelho do banheiro e me encarando pro um tempo, estava com os cabelos emaranhados, com grandes olheiras em baixo dos olhos cor de âmbar e estava com alguns cortes superficiais nos braços e no pescoço, mas tirando isso estava bem.

Encostei-me da parede e encarei o banheiro, tentando decidir se deveria tomar banho na banheira ou no chuveiro.

Decidi que queria passar algum tempo na água quente para aliviar as dores que estava sentindo nas pernas então fui para a banheira e liguei a água quente.

Depois de mais ou menos uma hora sai do banheiro enrolada em duas toalhas, uma nos cabelos e uma em volta do corpo, procurando alguma coisa para vestir.

Parei na porta do banheiro e encarei o quarto, não havia percebido como ele era grande, as três paredes eram pintadas de branco exceto por uma que era inteiramente coberta por uma cortina, a enorme cama também tinha os cobertores brancos. Fui em direção às portas duplas de vidro que Teresa havia mencionado e entrei no closet, o espaço era enorme. Ele estava totalmente cheio de roupas caras, que provavelmente Teresa havia comprado. Passei diretamente pelas roupas caras e procurei alguma coisa mais “normal” para vestir.

Sai do closet com um short jeans, uma blusa azul e um vans vermelho, que eram as coisas mais normais que tinham lá.

Assim que sai do quarto percebi que as minhas botas foram colocadas na lateral da cama.

Pelo menos eles não jogaram tudo, pensei.

Passei pela cama e fui para a porta que levava para fora do quarto.

Abri a porta e sai para o enorme corredor, olhando para os lados na esperança de que alguém estivesse ali, mas estava totalmente vazio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.