Diários de Verônica

2 27 de Dezembro de 1988


27 de Dezembro de 1988

Querido diário,

Hoje mamãe disse que nós duas vamos viajar durante o ano novo. Odeio viagens. Por mim eu não iria, onde já se viu passar o ano novo longe da família? Mas papai disse que não quer que ela vá sozinha, ele me intimou a ir com ela. Então não teve jeito, agora eu tenho que ir visitar essa amiga doente dela e ficar lá pra animar o feriado da enferma.

Odeio quando mamãe faz isso, age por impulso. Na verdade eu odeio muitas coisas que a mamãe faz, acho que vale a pena gastar algumas linhas falando sobre a minha mãe.

O nome dela é Catarina. Ela é alta, magra e seus cabelos brancos já apareceram há algum tempo. Mamãe não é mais tão nova assim, quando se casou com papai já estava em idade avançada. Ela é a segunda esposa de papai, eles se casaram depois que papai enviuvou, muito pouco tempo depois, a meu ver. Mas eu acho que isso é relevante, eles estão casados há quase 15 anos, eu acho, e estão felizes agora que a minha mãe conseguiu dar netos ao meu avô, coisa que papai não pôde fazer no primeiro casamento, já que a esposa dele era estéril, mas isso já é outra história.

Eu estava falando da minha mãe, certo? Eu não entendo metade das coisas que ela faz. A verdade é que eu sempre achei mamãe meio distante de mim, apesar de tudo, e eu não consigo compreender certos aspectos da personalidade dela. Por exemplo, essa religiosidade exacerbada que ela tem. Nada contra, mas às vezes ela me parece tão fanática... Isso me faz pensar que ela está querendo compensar alguma coisa, talvez pecados passados. Quem vai saber? Talvez a minha avó saiba, mas depois que casou com meu pai, mamãe se distanciou um pouco da família dela (sim, quem mora comigo é minha querida avó mãe do meu pai). Mas nas poucas conversas que eu tive com minha avó, ela sempre me falava que mamãe não era assim antes de casar. Às vezes eu fico curiosa, mas acho que nunca vou ter coragem de perguntar pra minha mãe sobre o passado dela.

E outra coisa que eu não entendo nela, é essa mania dela que querer ser uma mãe moderna. Ela fica posando de mãe compreensiva, vive dizendo que eu sou uma garota livre para fazer o que quiser, mas eu aposto que se eu aparecesse aqui com um garoto eu aposto qualquer coisa que ela iria expulsá-lo a pontapés, antes mesmo de o meu pai conservador pensar nessa possibilidade!

Bom... Apesar de tudo ela é minha mãe, não é... O que é que eu posso fazer? Vou ter que viajar com ela.

Eu só espero que essa amiga da mamãe não seja uma louca varrida fanática que nem ela, se não eu juro que mando “alguém” assombrar ela!

Notas finais
Genteeee, eu atualizei até rápido essa história neh?
É que fluiu rápido, já que ela tá só falando da família dela. Eu já tenho até o próximo capítulo pronto, talvez eu poste ainda hoje também!

Espero que vocês gostem, tá sendo muito divertido pra mim escrever isso ;]