Diários de Panthea
2 27/2º me
Ponte no extremo sul de Panthea 27 do 2º Mes
Um pequeno grupo composto por três carruagens puxadas por cavalos e acompanhadas por cinco soldados do E4C atravessa a ponte calmamente. Dentro da carruagem mais á frente um garotinho acorda com o som vívido das águas que atravessam o rio lá embaixo.
O pequeno rapazinho olha em volta da carruagem fechada com uma lona velha e acinzentada, com alguns furos a lona permitia a entrada de feixes de luz vindas lá de fora, iluminando parcialmente o lado de dentro.
Pondo a mão na nuca ao sentir uma leve dor ele tenta se levantar, mas seu pé parece estar preso em algo. Ao olhar melhor ele vê o pé de outra criança sobre o seu, finalmente ele pára e observa melhor o interior da carruagem até sua visão se acostumar com aquela escuridão parcial. Só então ele percebe que ali com ele estão cerca de outras dez crianças, meninos e meninas, todos amontoados. As crianças estão nos mais variados estados, indo desde de aterrorizadas até quietas e aparentemente traumatizadas, alguns aparentam ainda estarem feridos.
O garoto sente novamente a leve dor na nuca e leva sua mão até lá, ao sentir algo um tanto grudento ele olha para a mão e vê o sangue coagulado. Seus olhos se enchem de lágrimas, enquanto as lágrimas desabam até seu pescoço ele tem o impulso de sair dali. Levantando-se rápido e esbarrando em uma ou duas crianças ele alcança a abertura lateral da lona, dando de cara com a borda da ponte e os cinco metros que o separa das águas turbulentas mais abaixo.
Sua íris esverdeada se torna ainda mais cintilante com o brilho do Sol e quando finalmente se acostuma com a luz ele olha para os lados e vê à sua esquerda um soldado com trajes escuros e um capacete metálico preto acompanhando a carruagem. Assim que o soldado vê o rapazinho com a cabeça para fora da lona ele põe a mão sobre o curto cabelo louro da criança e a empurra de uma vez de volta para dentro.
Após ser enxotado para dentro ele ainda tropeça sobre uma garotinha de cabelos escuros com cara de poucos amigos.
— Você é cego?! Sai de mim! — Disse ela, o empurrando.
O garoto apenas voltou correndo para o lugar que estava antes, abraçou os joelhos e chorou.
Outro rapaz um ou dois anos mais velho estava sentado à sua direita e observava toda a situação desde o início.
— Se tu ficar chorando aqueles homens vão entrar aqui e bater em alguém. Tente se acalmar… — Disse ele.
O garotinho continuou chorando, porém num tom mais baixo.
— Qual é o seu nome? — Perguntou o rapaz mais velho.
— Eu não sei… — Disse o garotinho entre soluços.
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