Diários de Panthea

3 Diários de Panthea - 28/2ºmes


Cidadela Erasus 28 do 2º Mês

Desde o dia anterior o garotinho chorava calado dentro daquela carruagem, mesmo que o rapaz mais velho continuasse tentando acalma-lo. Ele só parou de chorar durante a noite enquanto caia no sono, apesar do balançar da carruagem que não parou um segundo sequer.

Na manhã seguinte o pequeno rapaz foi acordado pelo mais velho com um cutucão no braço. Ainda sonolento ele o encarou.

— Olhe lá fora. — Disse o mais velho apontando para uma brecha maior na frente da carruagem.

O garotinho foi até lá e brechou pela abertura, demorou alguns segundos até se acostumar com a claridade do Sol, mas quando conseguiu enxergar foi surpreendido por uma grande muralha logo a frente.

A tal muralha era feita de tijolos grandes e amarronzados, uma camada de plantas subia pelo paredão e quase alcançava o topo, o verde da vegetação que escalava a estrutura dava um tom vivaz a toda aquela imponência. Havia uma grande entrada de duas portas em forma de arco que os recebia e ao longe, lá dentro, ele podia ver a movimentação de pessoas indo pra lá e pra cá. Toda a choradeira ia aos poucos dando lugar ao vislumbre de cada detalhe percebido naquele lugar fascinante.

Quando as carruagens finalmente pararam as crianças se viram numa pequena praça circular com poucos vendedores de frutas e verduras espalhados na região e uma raza movimentação de pessoas. Aos poucos as crianças eram reunidas pelos soldados em frente as carruagens, em seguida um dos soldados seguiu para a porta do que parecia ser uma casa grande e bateu a porta.

Nesse meio tempo em que as crianças ficaram a espera de sabe-se lá o que fosse, o rapaz mais velho que ainda acompanhava o garotinho percebeu que ele iria começar a chorar novamente.

— Vou te chamar de chorão. — Disse ele.

O garotinho olhou para ele com desaprovação.

— E que tal chorinho? — Disse o mais velho e riu baixo para não chamar atenção.

O pequeno garoto percebia que o outro não o deixaria em paz enquanto não encontrasse um nome, então ele mesmo olhou em volta e ao ver a placa de uma ferraria teve a idéia.

— Me chame de Tadeu… — Disse em voz baixa.

— Ah certo. Me chame de Alexiss. — Disse o mais velho, agora satisfeito.

Alexiss notou que mais atrás a menina na qual Tadeus havia tropeçado no dia anterior observava a conversa.

— E o teu nome? — Falo como se fosse uma piada.


— Não importa. — Disse ela e em seguida olhou para qualquer outro lugar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.