... – Não acho que deva contar. Acabaria achando que sou louca.

— Bom se você não quer me contar entenderei, mas confesso que fiquei curioso.

— Um dia talvez eu conte.

— Espero que esse dia chegue logo!

— Tenho uma outra surpresa!

— Mais uma?

— Venha que você verá!

Em outra circunstância eu diria que ele estaria tentando me conquistar, mas sei que ele tem namorada e não vou ficar me iludindo com isso. Talvez ele quisesse sim me conquistar, afinal de contas sou amiga da namorada dele.

Andamos durante uns minutos até chegamos no lugar aonde houve o meu sonho. E adivinhe o que aconteceu? Não diário, ele não me pediu em casamento e não apareceu fadas. Joaquim preparou um piquenique. Uma toalha xadrez vermelha estava estendida no chão com uma cesta em cima e um vaso com minhas flores proferidas!

— E aí o que achou?

— Não tenho nem palavras!

— Isso significa que você gostou né?

— Sim está tudo lindo!

— Imaginei que gostaria..., soube desse lugar e a primeira pessoa que pensei para vir aqui comigo foi você.

— Eu adorei tudo, estou muito agradecida! Mas você poderia ter sei lá... esperado uma visita da Manu e vim aqui...

— Acho que você é mais importante... Então prefiro trazer você... – Joaquim fala dando um passo na minha direção e sinto as famosas borboletas no estômago.

— Ela ao menos sabe que me chamou para sair? – dou um passo para trás e depois me aproximo da toalha estendida no chão.

— Bom, isso é importante? Acho que ela não precisa saber de tudo que eu faço!

— Essa decisão é sua.

— Que tal sentarmos? Essa área do campo é maravilhosa!

Sentamos e começamos a falar de coisas bobas, percebi que toda vez que eu falava da Manuela ele mudava o assunto. Será que tinha acontecido alguma coisa? Acho que não, porque eu posso ter conversado pouco com minha amiga já que ela estava indo para a escola, mas ela falou sobre o namorado com normalidade.

Decido que é melhor eu parar de pensar nessas coisas e curtir o momento mesmo sabendo que não terei nenhuma chance. Convencendo minha mente, meu corpo e meu coração que se trata de uma possível amizade.

— O que você tanto escreve nesse caderno, não está gostando daqui?

— Claro que estou gostando!

— Então o que você não para de escrever aí? – fecho você, querido diário com a caneta marcando a página onde parei pensando na possibilidade de responder.

— Acho que se eu falar você irá achar estranho e vai rir de mim!

— Prometo que não!

— Esse é o meu diário, faço anotações sobre meus pensamentos – respondo envergonhada.

— Sério? Que legal eu também tenho um, nunca pensei que encontraria alguém da minha idade, que escreve em um diário!

— Comecei a escrever o meu hoje.

— Para mim já é um hábito antigo. Não quer comer alguma coisa?

— Como posso comer algo com tantas coisas deliciosas! Não posso engordar!

— Você nem é gorda! E não me importo se você provar tudo que temos!

— Aí você vai me achar uma gulosa e nunca mais me chamara para sair.

— Você quer que eu te chame para sair de novo?

— Acho que vou começar comer as frutas!

— Ótima escolha!

Como assim se eu queria que ele me chamasse novamente para sairmos? É claro que eu quero, ele pode me chamar todos os dias. Ficamos conversando, comemos, escrevemos nos diários, fizemos várias coisas legais e ele tentou evitar o máximo possível para não falar da Manuela. Há deixa isso pra lá, depois de nos divertimos bastante percebemos que já estava escurecendo o que era sinal para irmos embora.

Ajudei ele a guardar o restante das coisas, não havia sobrado muita coisa o que foi fácil. Depois colocamos tudo no carro e ele me deu aquelas flores. Quando estávamos voltando para o colégio conversamos de como foi legal o tempo que passamos juntos, também passamos em frente a uma sorveteria nova e resolvemos experimentar os sorvetes que eram deliciosos.

Já era umas 10 horas quando chegamos ao colégio. O colégio já se encontra em silêncio, o que me leva a pensar que todos já devem estar dormindo ou ao menos se preparando para descansar, já que passamos do toque de recolher.

— Deve ser melhor todos já estarem dormindo. Perdemos a noção do tempo.

— Sim, faz horas que saímos. Fico feliz que tenha me convidado e agradeço pelo dia, me diverti bastante.