Diário de uma Bruxa
1 A carta que mudou tudo
Normalmente meus sonhos eram em preto e branco, mas a partir daquele, as coisas mudaram um pouco, já era mais ou menos cinco da manhã quando uma coruja enlouquecida entrou pela janela do meu quarto.
– Mas o que... – Acordei com a bagunça que a ave estava fazendo, seria um pesadelo se descobrissem que havia uma coruja no meu quarto, eu poderia ser colocada para fora do orfanato. Sim, eu sou órfã.
Corri feito uma louca atrás dela, fazendo de tudo para não cair de cara no chão, mas não adiantou de nada, eu realmente sempre fui muito desastrada. Tropecei nos meus próprios pés, maldita coruja! Parecia até que tinha planejado aquilo, quando viu o que havia acontecido comigo ela simplesmente posou no encosto da cadeira e jogou uma carta em cima mim.
– Obrigada? – Mas o que diabos estava acontecendo ali? Quando peguei a carta a coruja voou janela a fora, como quem acabara de terminar uma missão – Já vai tarde.
Finalmente tomei coragem para levantar, arrumei rapidamente o meu quarto e corri para abrir a carta que dizia:
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Diretor: Alvo Dumbledore
(Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Srta. Susana,
Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de setembro, aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Minerva McGonagall
Diretora Substituta
Eu fiquei paralisada olhando a carta, havia também no envelope uma lista e um papel com um endereço escrito nele e uma pequena mensagem, que dizia que eu deveria estar lá exatamente de meio dia do dia 13 de março. Desci e fui tomar café, eu sabia que dia 13 estava próximo, e também sabia que a carta e a coruja poderiam ser apenas uma daquelas pegadinhas que passam na TV. Encontrei Lucy, a cozinheira do orfanato fazendo o café e cantarolando.
– Bom dia, Susana! – Lucy saudou-me e logo voltou a cantarolar.
– Bom dia... Lucy, quanto tempo falta ainda para o dia 13 de março?
– Querida, acho que a Sra. Shulbert estava certa, você anda meio desligada.
Sra. Shulbert era a dona do orfanato, pelo o que eu sei ela é tia de Lucy, eu não a suporto, conheço ela desde que me entendo por gente, e ela também não gosta muito de mim... ok, se ela pudesse já tinha me mandado para um convento só para se livrar de mim. Pelo menos eu ganhava uma mesada, que era mais pra um salário, já que ela me fazia trabalhar.
– Como assim? – Perguntei sem entendê-la.
– Hoje é dia 15, minha flor!
– Que!? – Gritei sem pensar, esqueci-me de disfarçar a preocupação.
–Calma! Eu só estava brincando! – Lucy riu, ela sempre conseguia me enganar – O que você tem de tão importante nesse dia?
– Não posso falar agora, mas prometo que você vai ficar sabendo, um dia... Por favor, que dia é hoje?
– 13.
– vou sair hoje, tenho um compromisso de meio dia. Talvez eu não volte.
– Tenha cuidado. – Quando eu estava voltando ao quarto para trocar de roupa quando ela me avisou – É melhor você correr, já são dez pras onze!
Saí feito uma louca em direção ao quarto, claro que com muito cuidado, não queria ser interrogada pela Sra. Shulbert. Peguei tudo que eu achava que seria necessário para um acampamento, tudo bem que eu não ia acampar, mas seria a desculpa que eu ia dar se alguém me perguntasse.
Despedi-me de Lucy, que me deu um beijo na testa e acabou chorando, tentei me fazer de forte, para não piorar a situação. Perdi muito tempo tentando recusar o dinheiro que ela insistia em me entregar, ela percebeu que eu ia demorar a voltar, ou que talvez nunca mais nos encontrássemos.
– Seja lá o que você estiver fazendo, tenha cuidado. Qualquer lugar é melhor do que este orfanato horrível – Lucy sorriu me desejando boa sorte.
Depois de sair do orfanato fui de metrô até meu destino. Fiquei parada na frente de um fusca azul – Por mais estranho que pareça, o bilhete dizia que eu deveria ficar na frente de um fusca azul estacionado perto de uma cafeteria, obedeci, me sentindo ridícula.
– Susana Scott?
– Eu mesma... – Fiquei abobada com a figura que me chamara, um grandalhão, acho que um gigante, se cabelos selvagens, mas que pelos olhos eu vi que era uma boa pessoa.
– Sou Rúbio Hagrid. Vou levar-lhe até a estação 9 ¾, imagino que você deve estar achando que sou louco, mas essa estação existe. Mar vamos antes comprar seus materiais. – Antes que eu pudesse falar Rúbio se adiantou como se tivesse lido minha mente – Quanto ao dinheiro não se preocupe, seus pais deixaram uma boa herança para você, vamos.
Acompanhei o gigante até um beco sem saída, ele retirou de uma longa capa um guarda-chuva rosa, e bateu no muro de tijolos aparentes numa sequência até que o muro foi se transformando num arco, que levava à uma espécie de shopping ao ar livre, que tinha gente e coisa de todos os tipos. Começava aí minha jornada mágica.
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