Diário de uma Bruxa

2 Beco Diagonal, Chapéu Seletor e novas amizades


Andamos um pouco até que Hagrid parou para checar uma lista.

– Temos que ir ao banco!

– Bruxos têm bancos? – Perguntei, mas logo percebi que fiz uma pergunta muito idiota só pela expressão que ele fez.

–Mas é claro que temos bancos! Ou você acha que iríamos guardar o dinheiro nos bolsos?

Apesar do tamanho de Hagrid eu não tinha medo dele, ele era grandalhão, mas era gente boa. Ele me guiou até um edifício grande e bonito, com certeza era bastante antigo, mas bem preservado.

– É aqui, o Banco de Gringotes! Sabe, o banco é governado por duendes, nunca confie inteiramente em um duende... Eles são inteligentes, feios e traiçoeiros!

Entramos no edifício, era mais bonito por dentro, e era cheio de criaturas feias e baixinhas. Hagrid e eu andamos até o final do corredor gigante que havia até chegar num duende, Hagrid falou algo para ele, mas eu não consegui ouvir. Fomos guiados por outro baixinho que nos levou até um cofre. Ele fez uma espécie de ritual, como se fosse uma senha para abrir o cofre que se abriu em seguida. Eu nunca tinha visto tanto ouro junto!

– Vamos lá, acho que já está bom... Será que você sobrevive com isso? – Hagrid me entregou uma sacola cheia de moedas de ouro e de prata.

Confirmei com a cabeça e o duende nos levou de volta. Hagrid checou a lista mais uma vez. Depois de sairmos do banco fomos comprar meus uniformes, livros, caldeirão e penas.

– Você precisa de um bicho de estimação... O que acha?

– Acho ótimo! – Eu sempre quis ter um bicho, mas não era permitido animais no orfanato.

– Então, podem ser: Gato, Sapo ou coruja. Gatos me dão alergia e sapos estão fora de moda. Vamos comprar uma coruja, enquanto isso vá à loja de varinhas do Olivaras e compre a sua a sua varinha!

Entrei na loja que Hagrid apontou e um senhor de cabelos brancos e bagunçados veio me atender. Depois de um longo discurso falando que a varinha escolhe o dono, e que não poderia ser usada para o mal, ele me mostrou as varinhas. Testei várias, mas sempre que eu apontava para alguma coisa nada acontecia – Fiquei desapontada, admito – Quando eu já estava quase desistindo o vendedor me apresentou uma varinha branca, era muito bonita, e por sorte ela havia me escolhido. Depois de comprar a varinha guardei-a bem e me encontrei com Hagrid bem na frente da loja de varinhas.

– Aqui está sua coruja, espero que goste!

– Ela é linda, muito obrigada! – Segurei a gaiola que estava com a coruja, ela era realmente muito bonita e bastante diferente das corujas que eu via pela TV, que eram sempre brancas ou caramelo. Tinha uma cor avermelhada que se misturava com algumas penas brancas. Chamei-a de Escarlate, ela pareceu gostar, digo, ele – Hagrid me contou que era um macho, algum irei saber diferenciar o sexo das corujas.

– Está na hora de ir para a estação! – Hagrid me alertou enquanto olhava uma espécie de relógio de pulso – Você não pode se atrasar!

Voltamos até o mundo não bruxo e fomos para a estação de trem. Despedi-me de Hagrid, que falou que nós nos encontraríamos novamente em Hogwarts, pelo o que entendi ele trabalha por lá. Ele me deu um ticket e mandou-me ir para estação 9 ¾ .

– Mas não existe essa estação, Hagrid!

Quando me dei conta, o gigante já estava longe, e eu não era nem doida de gritar, se não todo mundo iria olhar pra mim, coisa que não seria muito difícil, já que eu era a única que estava com uma coruja junto das bagagens. Até que ouvi um homem e uma menina da minha idade, que provavelmente era sua filha, falando de Hogwarts.

–Com licença, vocês sabem como faço para encontrar a estação 9 ¾ ?

– Claro, — O pai me guiou até uma pilastra – É só correr em direção à pilastra, não se esqueça da sua bagagem!

– Muito obrigada! – Será que o homem estava brincando? Resolvi arriscar.

Corri com meu carrinho em direção a pilastra, fechei os olhos esperando o impacto, mas a única coisa que aconteceu foi que eu passei para o outro lado, olhei para cima e havia uma placa com o nome “Estação 9 ¾ “.

– Deixe que eu entrego suas bagagens – a garota se ofereceu

– Obrigada – Respondi meio sem jeito.

Já no trem, procurei cabine vazia e sentei-me olhando para a janela. Que loucura, quem poderia imaginar que eu era uma bruxa? Lembrei do orfanato, de Lucy, do inferno que eu me livrara, até que meus pensamentos foram interrompidos pela voz de duas pessoas que se aproximavam da cabine.

– Podemos sentar aqui? – Uma menina perguntou.

– Fique a vontade.

A garota que se sentou na minha frente e se apresentou como Julie e em seguida veio sua amiga, Catarina.

– Susana, você espera ir para que casa? – Julie me perguntou.

– Como assim?

– Ah, você nasceu trouxa? – Neguei e contei que haviam me dito que meus pais eram bruxos – Ah, certo... Mas você sabe quem eram seus pais?

– Não faço ideia.

Conversamos a viagem inteira até que finalmente chegamos a Hogwarts, Logo tinha feito amizade com as duas. Estávamos indo em direção a um salão gigante enquanto no caminho conversávamos ainda mais.

– Preparada para ser selecionada? – Catarina me perguntou animada.

– Minha família toda é da Sonserina, seria trágico se eu fosse para outra casa. – Julie comentou.

– Espero ir para a Sonserina também, vai ser incrível se a gente ficar juntas lá!

Fiz careta, como se não falasse a língua das duas. Depois que as meninas me explicaram tudo eu tive uma certeza: Eu tinha que ir para a Sonserina, não podia ficar excluída em outra casa, já bastava não saber nada sobre o mundo bruxo.

– Chegou o momento mais esperado, boa sorte meninas! – Julie disse paertando forte minha mão. Ela estava realmente nervosa, sua mão não parava de suar.

Houve um discurso de Alvo Dumbledore, o diretor, e de alguns professores. Logo em seguida foram sendo chamados alunos para serem selecionadas para as suas casas pelo Chapéu seletor- um chapéu estranho que escolhia o destino do aluno -, Catarina e Julie foram chamados de primeira para a Sonserina, o chapéu demorou um tempo com alguns alunos, fazendo todos ficarem nervosos. Comigo ele não demorou muito, mas perguntou-me baixinho o que eu queria. “Sonserina, por favor, Sonserina! Minhas únicas amigas estão na Sonserina!” pensei, e logo em seguida ele anunciou que eu era uma “sonseriana” – será esse o jeito certo de falar? Não importa, agora eu tinha que dar o máximo de mim para ser aceita.