Diário de um inocente.
1 Chris
Notas iniciais
Quem é culpado pelos erros dos outros? quem tem que ser preso pelos erros dos outros? quem? Não sei, mais já estou preso a dez dias em uma cadeia onde só
Existem caras barbudos e velhos e só duas horas ao ar livre, um almoço recordável mais não pelo sabor, mais sim por todos os bichos e pedras que encontro nele. Todos os dias vejo brigas e facadas resultadas em morte. Tenho apenas dezoito anos e estou aqui por um assassinato que não cometi, não faço a mínima ideia de quem tenha feito, mas quem fez com certeza premeditou tudo. Se você está lendo isto é por que algo que eu já esperava deve ter acontecido.
Era um dia comum eu estava em casa no quarto. Me levanto da cama e percebo que estou um pouco atrasado. Vou direto ao banheiro pois preciso tomar banho, afinal as garotas do colégio esperam por min. A porta estava fechada. Mick estava lá e como de costume demorava anos dentro do banheiro. Mick é meu irmão mais novo e as vezes parece ser mais velho que eu, nossa ele é um gênio. Depois de alguns minutos ele saí do banheiro dando aquele velho sorriso largo. Olhando para ele eu me lembro de velo crescer.
- O que tanto você faz dentro desse banheiro? – pergunto. Ele não me responde simplesmente, me mostra o primeiro livro de uma saga que estava lendo e sai em direção ao nosso quarto, assim que entro no banheiro sinto uma leve quentura que saí do chuveiro quando alguém acaba de tomar banho. Percebo que o banheiro esta como se eu fosse se eu fosse o primeiro a tomar banho.
1° opção: ele tomou banho e secou tudo.
2° opção e mais provável: só fez ler e não tomou banho “Nossa que vício”.
Tomo banho e depois me seco, volto ao quarto e Mick simplesmente não está mais lá. Troco-me de roupa e ponho a farda do colégio e o casaco do time de lacrosse.
Desço até cozinha e lá estão papai e sua esposa. Eu falo esposa porque eu não gosto dela, minha mãe morreu quando eu ainda era muito pequeno. Ela e meu pai mesmo depois de um pouco velhos amavam esportes radicais e foi assim que minha mãe morreu. O sinto que prendia ela ao paraquedas se soltou e ela caiu de mais ou menos uns cem metros do chão, um “belo estrago” comenta meu pai quando tocamos no assunto. Já fazem onze anos, mais ainda assim não me conformo.
- O que acha de tomarmos café da manhã eu você e sua mãe. – diz meu pai olhando com um olhar sincero.
- Ouvi falar que não é recomendável tomar café da manhã em um cemitério. – respondo, afinal minha mãe está morta.
- Não estou me referindo a Lindce. – era assim que ele chamava minha mãe. – estou falando da Leila, ela também é sua mãe e viu você crescer desde os seus dez anos.
- Ela não é minha mãe! – respondi muito bravo e vou direto a geladeira. De lá tiro um desses sucos em caixinhas e vou embora para o colégio com uma expressão nada amigável no rosto.
Ao chegar no colégio fico feliz em ver que o Isaac está me esperando no estacionamento, parado em frente ao carro dele com um olhar do tipo “tive uma ideia” e eu o respondo com um olhar do tipo “eu topo”. Eu conheço o Isaac desde os meus nove anos e pra min ele era como se fosse irmão. O Isaac era alto o bastante para ser um jogador de basquete, pele escura, olhos verdes, cabelos Black Power. Estava usando o casaco do time e uma calça Jeans comum. Ele vem até min com um sorriso que quase cobre todo o rosto.
- Cara, você não sabe da maior! – diz ele – Hoje à noite vai ter uma festa lá na casa do Ryan. – a notícia não me surpreende.
- O Ryan é um nerd da nossa turma e com certeza está fazendo isso para tentar se enturmar com o pessoal da sala e passar o bastão de nerd para outro CDF.
O dia logo passa e em um piscar olhos já estou na casa do Ryan. Uma casa muito bonita pelo visto. Toda azul com um grande jardim, por dentro não reparei muito pois já estava emerso em pensamentos. A meia noite volto para casa no carro do Isaac. Abro a porta e ouço meu pai gritando comigo mas não dou a mínima. Vou até o meu quarto e me jogo na cama.
Raios de luz invadem meu quarto com a visão ainda muito embaraçada. Vejo sangue em minhas mãos e em todo meu corpo. Eu segurava uma faca na minha mão direita. Não meu lembro de nada. Vou até a sala e lá está Leila, esfaqueada em cima do sofá. “Será? Não pode ter sido, eu matei a Leila?” mas não escuto nada a não ser meu pai me acusando de assassinato. Ele logo pega o celular e de longe vejo ele ligar para polícia, frieza em sua face já demonstrava alguma coisa. Não consigo me conter. Corro até o quarto e ponho a maior quantidade de roupas que consigo pôr na mochila, abro a grande janela de vidro que tem no meu quarto e pulo caindo em cima da estufa que minha mãe costumava a cultivar flores de todas as espécies. Minha mãe era obcecada por flores de todos os tipos. Tulipas eram a marca registrada da minha mãe, me lembro pouco mais consigo me recordar de alguns flashes no aniversário de dez anos de casamento deles, a mãe decorou todo o quarto deles com tulipas. Todas vermelhas.
A princípio me desequilibro um pouco mas questão de sobrevivência me jogo no chão e saio rolando pela grama que eu havia cortado no fim de semana. Continuo andando mais percebe que tossi o pé direito, tropeço em uma pedra e vou descendo jardim a baixo. Vou parar na pista e não consigo me mexer. De longe vejo uma grande luz “será que é o céu?” não; não é o céu mas é pra lá que eu iria se não saísse da pista. Um grande caminhão vinha em minha direção e a única coisa que eu sentia era o gosto da morte se aproximando cada vez mais. Sinto que estou cada vez mais certo que o fim já se aproxima e que não há saída para min. De repente quando penso que tudo está perdido... ouço o som da sirene da polícia que está bem atrás de mim. Me algemam e me colocam dentro da viatura “pelo menos não morri” penso eu ainda um pouco aflito com a situação. Os dois policiais que me prenderam vão até a minha casa...quer dizer minha antiga casa porque duvido muito que estarei livre amanhã. Eles entram na casa. Logo depois os dois policiais de se dirigem até a viatura que eu estou. A mulher sentada no banco do motorista diz para o policial “eu dirijo desta vez!” ele faz um expressão com o rosto de não reprovação mas logo ele se senta ao lado dela.
- O que está fazendo na rua uma hora dessas! – diz o policial. A princípio não tinha reparado nos rostos dos policiais. Mas quando ele se virou me surpreendi.
- Não pode ser você.
- Sim sou eu — ele responde.
- Como você chegou aqui, como conseguiu o carro e essas roupas?
- Não vem ao caso agora, vamos logo embora daqui.
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— cara como você conseguiu este carro e essas roupas... eu preciso saber, preciso que você me conte.
- faço isso por você depois agora vamos logo!
Na minha mente só uma coisa vem “isso não vai dá certo”.
Como Isaac pode saber da morte da minha madrasta ou quer dizer ex-madrasta se é assim que devo dizer. Tudo ainda é muito novo em minha mente. Acordo todo ensanguentado com uma faca na mão, vou pra sala e vejo a mulher do meu pai morta no sofá, meu pai pega o telefone saio correndo, quase morro e meu amigo aparece com uma loira vestidos de policiais em um carro da polícia. Eu pergunto a ele como conseguiu tudo isso e ele me diz que não vem ao caso agora.
Pela janela do carro vejo um extenso matagal formando paredes que cercam o carro.
- Cara! Para onde estamos indo? – pergunto ao Isaac.
Nada é o que recebo de resposta. Da janela vejo um pequeno casebre mal-acabado feito de madeira caindo aos pedaços.
Um pé de laranja ao lado da pequena casa e o que me parece um poço.
“Onde você veio se meter Chris?” são as únicas palavras que flutuam em minha cabeça.
-Isaac, cara quero ir na delegacia. – falo com muito medo. – preciso dar meu depoimento. A essa hora estão pensando que eu sou suspeito número 1.
O nada prevalece e meus ouvidos só ouvem o barulho do carro e pássaros cantarolando do lado fora.
Pesando bem... não seria mal ser um daqueles pássaros voando na imensidão; tenho certeza que nenhum deles acordaram banhados de sangue acusados injustamente e levados de refém pelo melhor amigo.
O Isaac estava no banco da frente ao lado da loira sem nome. Ela estava dirigindo. Já ele estava com aquele olhar paranoico dele de quando ele faz alguma coisa que com certeza não deveria ter feito. Eu. Ah! Eu estou algemado pedindo por socorro. Por dentro é claro.
- não vai me apresentar essa gata não Isaac. – pergunto, tentando puxar assunto. Mais minha tentativa logo é frustrada.
- prazer meu nome é Glória! – ela mesma responde. – o garotão aqui está um pouco doidão se é que você me entende?
- claro que entendo. – mais por dentro estava “sério?”
Conhecia o Isaac de longa data. Nunca tinha ido a sua casa, mais sempre soube que ele era de origem não tão favorecida. Morava no gueto e para entra no mundo do crime não leva mais do que um piscar de olhos; mas o Isaac era diferente, nem parecia ser de tal origem. Sempre se portou como alguém realmente educado.
Sei que deve ser muito difícil para ele não se envolver com o crime.
Pelo que vejo no noticiário, mortes são muito comuns por lá!
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Chegamos ao destino final. Ao velho casebre no meio do nada.
O Isaac desce do carro e abre a porta para mim. Agora sim realmente posso olha onde estou. Ainda faltam uma pequena estradinha de barro que leva até o mausoléu abandonado. Andamos até lá. A pequena casa tinha uma porta azul de madeira já danificada pelo tempo.
- Entre Chris! – ele diz com Tom autoritário, eu o obedeço.
Sendo assim ficam apenas o Isaac e a Glória do lado de fora. Rumores de discussão se levantam. Eu apenas espio por um buraco na porta. Por ele posso ver tudo.
“Você não é mais necessária para mim” ele diz.
“Cara! Eu te ajudei” ela diz se preparando para talvez correr.
O Isaac puxa uma pistola que estava na sua cintura e aponta para a garota que está totalmente apavorada sem ter para onde correr, sem ter para onde ir, observando sua morte certa pelas mãos do cara que você ajudou. Seu olha é de pleno medo. Já o Isaac está frio e calculista sem o menor receio por aquela vida...
“Pobre Glória... a morte a espera. — diz ele dando uma rizada maligna.’’ Na aquele mesmo estante percebi que aquele não o Isaac que eu conhecera a dez anos atrás, ele estava diferente. Com um olhar maníaco.
“Por favor não me mate. – gritou ela desesperada.”
“Melhor correr Glorinha. – ele diz expondo seus brancos dentes”
Glória começa a chorar desesperada. “Não me mate. — dizia repetidamente.”
“Não posso deixar você atrapalha o meu caminho e o caminho do Chris... este é o seu adeus! – diz ele com um leve sorriso no rosto, sinal de euforia para ele. – É melhor correr. – posso dizer que o modo como ele falou me deu medo. – Se correr o bicho pega se ficar o bicho come...”; imediatamente Glória desce os degraus correndo pela estradinha de barro em direção a viatura que está estacionada. Mais correr nessas situação não é o bastante.
“Quanto menos pessoas no caminho do Chris melhor”
Diz ele atirando nas costas da moça, que cai embolando pelo chão toda melada de terra.
Aquilo me assusta... O Isaac vai até o corpo e confere para ver se está viva. Por precaução ele dá três tiros em sua cabeça para não haver dúvidas.
Isso foi muito brutal para mim. Me viro quando ele olha em direção a porta. Ascendo a luz e me surpreendo com o que vejo e se sair daqui vivo tal imagem nunca sairá da minha memória.
A sala do casebre está cheia de fotos de mim e de minha família, recortes de jornais de entrevistas que dei ao ganhar jogos tudo, sobre mim. Não consigo pensar em outra coisa.
“O ISAAC É O ASSASSINO DA LEILA”
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